A economia da Metade Sul no limiar de uma nova era

As profundas diferenças no desenvolvimento das economias regionais privilegiando a estruturada na Metade Norte do Rio Grande do Sul costumam ser associadas à impermeabilidade das unidades de produção dedicadas à exploração de bovinos de corte e/ou ovinos à penetração da lavoura temporária. A “grande” transformação na economia da Metade Sul do Estado dar-se-ia, por conseguinte, pela expansão da lavoura temporária em terras cedidas pela pecuária de corte.

O mapa da evolução da área de grãos, no mais recente surto de crescimento da atividade, mostra que, entre 1990 e 2004, o aumento da área de cultivo se deu justamente em direção ao sul, mais especificamente para o sudoeste (mesorregião Sudoeste do IBGE), ocorrendo inclusive uma redução da área de grãos no conjunto das microrregiões que compõem a principal região graneleira do Rio Grande do Sul (mesorregião Nordeste).

O rebanho bovino em cabeças, por outro lado, não decresceu nessas regiões de fronteira de expansão da lavoura, evidenciando uma melhoria nos índices de produtividade física da pecuária — sustentada pela difusão do sistema de produção que a integra à lavoura.

É isso que faz crer que o crescimento da lavoura — dentro dos limites das condições físicas dadas pela capacidade dos solos e pelas condições do clima — é sustentável, isto é, não há que se esperar uma reversão das terras de cultivo a pasto, como, ao contrário, apostar que estão dadas as condições para a continuidade de sua expansão. O limite de crescimento da pecuária, nessas circunstâncias, dependeria da continuidade de seus ganhos de produtividade, compensando as perdas de área para a lavoura.

Assim, em um horizonte de médio prazo, não parece vir da lavoura o ataque à pecuária. A ameaça, e bem concreta, viria dos novos e importantes investimentos que estão sendo feitos, na Metade Sul, por grandes empresas industriais na área de celulose e papel. Esses investimentos compreendem, também, a estruturação de um setor florestal a elas integrado em cadeias produtivas e espalhado por vários municípios da região, amparado por um forte esquema de logística.

Mas parece razoável supor que parte dos pastos que serão revertidos em florestas se associam preferencialmente a terras impróprias para cultivos anuais — que abundam na Metade Sul — e que abrigam uma pecuária com baixos índices de produtividade.

Assim, delineia-se um cenário para a Metade Sul com uma estrutura econômica mais diversificada e dinâmica, com o crescimento da lavoura de grãos integrada à pecuária de corte mais produtiva, nas terras de maior potencialidade de uso, e com a constituição de um forte setor florestal associado a cadeias agroindustriais.

A julgar pelas intenções de investimentos materializadas em projetos na carteira do Fundopem, as transformações da economia da região vão mais além, abrangendo a ampliação e/ou a instalação de novas empresas em vários ramos industriais, apoiados por inversões em logística e na geração de energia.

Investimentos confirmados, por setores produtivos, na Metade Sul do RS — jan./03-ago./06

A economia da Metade Sul no limiar de uma nova era

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