A economia brasileira em 2009

O Produto Interno Bruto da economia brasileira apresentou uma queda de 1,7% nos nove primeiros meses de 2009, quando comparados com igual período do ano anterior. Os principais responsáveis por tal desempenho foram os investimentos, que, no mesmo período, apresentaram uma variação negativa no seu volume de 14,2%. Embora as exportações também tenham apresentado uma queda acentuada do seu volume nos três primeiros trimestres (-12,1%), o impacto líquido do setor externo ainda é positivo, uma vez que as importações decresceram 16,0%. Tais informações demonstram que de forma alguma se deve subestimar o impacto da crise econômica mundial sobre a economia do País, principalmente se se considerar que, no período 2007-08, esta última vinha apresentando um crescimento médio anual de 5,6%. As taxas positivas de crescimento ficaram a cargo do consumo da famílias (2,8%) e do consumo do Governo (3,3%).

Do ponto de vista da oferta, verifica-se que o setor produtivo como um todo apresentou um desempenho negativo, cabendo destaque para a indústria de transformação, que, no período em análise, teve uma queda de 10,7% no volume do seu produto, para a construção civil, com variação de -9,1%, e para a agropecuária (-5,3%). Já o destaque positivo coube ao setor de serviços como um todo (1,9%). A sua composição bastante heterogênea, no entanto, manifesta-se nas suas desiguais taxas de crescimento. Assim, setores mais vinculados à atividade produtiva, como o comércio e os transportes, tiveram um desempenho negativo, enquanto as instituições financeiras, as comunicações e a administração pública foram os responsáveis pelo crescimento do setor.

O efeito da crise sobre a economia brasileira, ao longo do último ano, demonstra o seu grau de inserção na economia mundial, bem como o fato de que qualquer análise sobre as suas perspectivas requer uma análise desta última. Assim, restaram poucos graus de liberdade para a atuação governamental na gestão macroeconômica em 2009, principalmente se se considerar que pouco pode o Governo fazer para estimular os investimentos privados e as exportações, quando a economia mundial se encontra numa profunda recessão. As políticas fiscal e monetária, no entanto, foram eficazes, na medida em que, através de isenções fiscais, investimentos em infraestrutura, expansão do crédito e auxílio assistencial, conseguiram evitar que o mercado interno desmoronasse, assim como aconteceu em diversos outros países. Tais medidas impactaram positivamente o consumo das famílias, e, embora o seu crescimento tenha sido módico diante do desempenho dos trimestres anteriores, há que se considerar que o mesmo representa aproximadamente 60,0% do PIB, com enorme impacto sobre o desempenho global da economia. Também se deve destacar que, apesar de os investimentos estarem num patamar bem inferior aos de 2008, a sua trajetória é de recuperação. Tal recuperação seria inviável sem a atuação governamental nos setores de infraestrutura, energia e químico, com aportes significativos do BNDES.

Embora ainda seja cedo para se fazer algum prognóstico mais incisivo sobre o fim da crise econômica mundial, o fato é que a economia brasileira se tem revelado suficientemente sólida, de forma a conseguir atravessar esse período extremamente conturbado com diversos indicadores positivos. Os dados do PIB para o quarto trimestre do corrente ano deverão ser significativamente melhores do que os dos trimestres anteriores. Assim, o resultado líquido de 2009 deverá ser superior ao apresentado nos nove primeiros meses deste ano.

A economia brasileira em 2009

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