A demanda e a oferta de petróleo perante uma economia global aquecida

A partir de 2004, quando a economia mundial começou a crescer em torno de 5,0% ao ano, a demanda mundial de petróleo passou a manter-se em um patamar acima de 80 milhões de barris/dia.

Em 2007, a economia mundial permanece extremamente aquecida. O Panorama Econômico Mundial, publicado, em outubro, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), estima que o produto mundial crescerá 5,2% neste exercício. Mantido o patamar de desempenho da economia global, o Relatório Mensal do Mercado do Petróleo, publicado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) no corrente mês de novembro, prevê uma demanda mundial do produto de 85,7 milhões de barris/dia. Dada a oferta mundial de petróleo dos países que não pertencem à OPEP estar estimada em 54,6 milhões de barris/dia (tabela), há uma diferença de 31,1 milhões de barris/dia a ser suprida pelos países-membros da Organização.

A oferta extremamente ajustada à demanda tem resultado em incrementos dos preços do barril de petróleo. Eles se mantêm em patamares muito elevados, atingindo valores próximos à barreira psicológica dos US$ 100,00, e têm gerado pressão sobre a taxa de inflação em âmbito global.

No dia 18 de novembro, os países pertencentes à OPEP reuniram-se em Riad, na Arábia Saudita. Na agenda, havia uma solicitação dos Estados Unidos para que houvesse aumento de produção e a constatação da Agência Internacional de Energia (AIE) de que os níveis de preços praticados pelo mercado estão fragilizando a demanda mundial. Concluída a reunião, Ali al-Naimi, o todo-poderoso ministro saudita, afirmou que esses níveis praticados pelo mercado independem de decisões da instituição. No dia 21 de novembro, a cotação do barril de petróleo fechou o pregão em valor muito próximo a US$ 100,00, em Nova Iorque.

As descobertas de jazidas de petróleo em 2007, da Petrochina, em Nanpu, na Baía de Bohai (7,3 bilhões de barris equivalentes de petróleo), e da Petrobras, no campo de Tupi (5 bilhões a 8 bilhões de barris), geraram algum otimismo no mercado, mas a repercussão dessas reservas sobre a cotação do barril de petróleo implica ações a longo prazo para a obtenção de resultados. No curto prazo, o preço do barril do petróleo pode avançar, dentre outras razões, se o conflito entre a Turquia e os curdos do norte do Iraque assumir uma dimensão maior do que o embate vigente, ou se as relações entre Estados Unidos e Irã criarem um impasse explosivo na região, ou, ainda, se houver redução abrupta dos estoques, no Hemisfério Norte, ao longo do inverno que inicia. De outro lado, o preço do barril pode recuar, à medida que houver uma desaceleração mais forte do que a prevista na economia dos Estados Unidos, fruto da crise das hipotecas, que já atingiu os bancos norte- -americanos e que contagiou os intermediários financeiros do Japão e da Europa, e cujo efeito sobre a atividade econômica deve concretizar-se no primeiro semestre do próximo ano.

Para 2008, frente a uma demanda estimada de 87,0 milhões de barris/dia, há uma previsão de que a oferta mundial de petróleo dos países não pertencentes à OPEP atinja 56,2 milhões de barris/dia. Admitindo-se que a economia mundial mantenha o ritmo de crescimento econômico e que o produto cresça 4,8% em 2008, conforme previsão do FMI, a OPEP estima que haja uma diferença de 30,8 milhões de barris/dia a ser atendida pelos países produtores de petróleo.

A demanda e a oferta de petróleo perante

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