A crise na indústria gaúcha

A partir da Pesquisa Industrial Mensal-Produção Física do IBGE, constata-se o rigor da crise recessiva da economia brasileira, deflagrada no último bimestre de 2008. No Estado, observa-se que, desde novembro de 2008, os níveis de produção estão abaixo da média de 2002, o que dá a real dimensão da depressão atual. Faz-se uma ressalva importante: nos meses típicos de verão – dezembro a fevereiro -, é esperado um arrefecimento no ritmo das atividades, existindo um componente estacional bem definido na atividade industrial. Contudo chama atenção, mesmo assim, o aprofundamento dessa desaceleração. Ademais, a indústria, em 2008, já iniciou o ano em ritmo acelerado, quebrando a tendência da série, o que agravou as comparações com o começo do ano corrente.

Comparando-se os resultados do último quadrimestre (nov./08-fev./09) com o do mesmo período do ano anterior, constata-se que a produção da indústria, em geral, se situa em um nível bem menor (-17,0%), com todos os principais setores apresentando taxas negativas, com destaque para produtos químicos (-38,0%), veículos (-33,1%) e calçados e couros (-24,6%). Comparando-se os dados recentes com as médias históricas dos quadrimestres anteriores (período nov./02-fev./08), constata-se que a indústria como um todo se encontra abaixo de sua média histórica (-10,1%). Registra-se como destaque positivo o refino de petróleo (19,1%) e a produção de alimentos (5,2%), que, apesar das quedas recentes, permanecem com níveis produtivos acima de suas médias históricas. Destacam-se negativamente os setores de calçados e couros (-36,5%) e produtos químicos (-37,6%), com desempenhos bem abaixo das médias.

A crise na indústria gaúcha

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