A crise mundial e as exportações gaúchas

As exportações gaúchas fecharam o primeiro trimestre de 2009 com uma queda de 29,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse tem sido apenas um dos efeitos da crise mundial sobre a atividade econômica do Estado. Essa queda no valor exportado foi resultado do decréscimo tanto no volume (-26,5%) quanto no preço (-3,8%) dos produtos exportados.

As quedas tanto na exportação de produtos agrícolas quanto na de industriais contribuíram para esse fraco desempenho. Assim, no primeiro trimestre de 2009, os primeiros apresentaram uma queda de 60,6% no volume exportado, em relação ao mesmo período de 2008, enquanto os últimos tiveram uma variação negativa de 23,0%. No que se refere aos setores da indústria gaúcha, verifica-se que apenas dois apresentaram crescimento no volume de suas exportações, nesse primeiro trimestre, a saber, refino de petróleo (43,6%) e fabricação de equipamentos de informática. No entanto, tomando-se os principais setores industriais exportadores, os quais representam aproximadamente 60% das exportações gaúchas, todos eles tiveram quedas significativas no volume exportado. Esse é o caso de produtos alimentícios (-7,5%), produtos do fumo (-25,4%), artefatos de couros e calçados (-37,5%), máquinas e equipamentos (-25,1%) e veículos automotores (-49,7%).

Uma análise mais detalhada dos índices de exportação divulgados pela FEE, no entanto, demonstra que tal efeito não é recente. De fato, o volume exportado de produtos gaúchos vinha apresentando uma desaceleração desde março de 2008, sendo que, no final daquele ano, já havia acumulado uma queda de 7,0%. O resultado desse primeiro trimestre, portanto, foi apenas o acirramento de um fenômeno que vinha manisfetando-se há praticamente um ano, quando o cenário econômico internacional já mostrava sinais de uma crise que veio a se aguçar nos meses posteriores.

Ao longo do ano que se encerrou, no entanto, a queda no volume exportado foi acobertada por dois outros fatores. Em primeiro lugar, pelo crescimento dos preços, o qual acumulou, em 2008, um acréscimo de 26,0% em relação a 2007. Em segundo, pela desvalorização cambial, que se iniciou em agosto e que, em dezembro de 2008, já havia acumulado uma desvalorização de 34% em relação ao mesmo mês de 2007. Se, por um lado, estes dois últimos fatores garantiram a renda do setor exportador, a queda do volume exportado afeta diretamente os setores produtivos, principalmente a atividade industrial. De fato, como pode ser verificado pelos índices da produção física da indústria do Estado, esta já vinha desacelerando o seu crescimento desde março de 2008.

Tais números indicam claramente que a queda da demanda externa foi um dos mais importantes mecanismos de transmissão da crise econômica mundial sobre a economia gaúcha, assim como o foi para a totalidade da economia brasileira. Para 2009, o cenário das exportações gaúchas continua sendo adverso. A se confirmarem as projeções de desempenho para a economia mundial feitas pelo FMI e outras instituições internacionais, as perspectivas de recuperação das exportações e, conseqüentemente, do setor produtivo no Estado são bastante reduzidas. Em 2009, no entanto, a queda não deverá ser apenas no volume, como também nos preços, enquanto a taxa de câmbio continua na mesma tendência de 2008, mantendo-se estável nos quatro primeiros meses do ano. A esse quadro deverão adicionar-se os conseqüentes impactos no emprego e no consumo das famílias, que não se haviam evidenciado em 2008.

A crise mundial e as exportações gaúchas

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