A China no comércio externo brasileiro

No período recente, a China tem-se destacado internacionalmente pela pujança de sua economia e pela invasão de seus produtos no mundo inteiro. Enquanto a Europa, o Japão e os Estados Unidos enfrentam inúmeros percalços, a China mantém-se puxando o crescimento mundial. Na esteira do dinamismo asiático, vem o Brasil, sendo influenciado pela dinâmica chinesa.

Setores como o coureiro-calçadista, o têxtil e mesmo a indústria automobilística precisam enfrentar a dura batalha de ter de competir com o custo da mão de obra chinesa e com sua taxa de câmbio competitiva. No Rio Grande do Sul, o Vale do Rio dos Sinos sofre há anos com a concorrência externa, de modo que algumas empresas, no limite, renderam-se e migraram para o gigante asiático.

Os agentes industriais apontam as suas dificuldades competitivas. Os custos trabalhistas efetivos nas indústrias manufatureiras chinesas correspondem a, aproximadamente, 16% dos vigentes na indústria brasileira. Especificamente nas indústrias têxteis e calçadistas, a proporção fica em 13,8% e 35,4% respectivamente (OIT). No que toca à taxa de câmbio, o real é uma das moedas mais sobrevalorizadas do mundo, e o yuan renmimbi é umas das mais subvalorizadas.

Os agentes industriais apontam as suas dificuldades competitivas. Os custos trabalhistas efetivos nas indústrias manufatureiras chinesas correspondem a, aproximadamente, 16% dos vigentes na indústria brasileira. Especificamente nas indústrias têxteis e calçadistas, a proporção fica em 13,8% e 35,4% respectivamente (OIT). No que toca à taxa de câmbio, o real é uma das moedas mais sobrevalorizadas do mundo, e o yuan renmimbi é umas das mais subvalorizadas.

Os agentes industriais apontam as suas dificuldades competitivas. Os custos trabalhistas efetivos nas indústrias manufatureiras chinesas correspondem a, aproximadamente, 16% dos vigentes na indústria brasileira. Especificamente nas indústrias têxteis e calçadistas, a proporção fica em 13,8% e 35,4% respectivamente (OIT). No que toca à taxa de câmbio, o real é uma das moedas mais sobrevalorizadas do mundo, e o yuan renmimbi é umas das mais subvalorizadas.

Em decorrência dessa configuração, o Brasil vem exercendo seu peso político institucional para contestar a inserção chinesa no mundo, impondo tarifas aos calçados, aos automóveis, aos brinquedos e mesmo aos produtos de menor valor, como escovas de cabelo e óculos. Para 2012, estão previstas também políticas de proteção ao setor têxtil. Há que destacar, entretanto, que, face à competitividade chinesa, tais medidas são paliativas. Salutar é a pressão política brasileira, que se juntou ao coro de países desenvolvidos, ao pressionar a China para valorizar sua taxa de câmbio. Essa articulação política deve ser intensificada. A relevante variação na taxa de câmbio chinesa desde 2005, entretanto, não foi suficiente para que a indústria brasileira conseguisse se proteger.

A despeito das sabidas dificuldades competitivas que os produtos chineses têm gerado sobre a indústria mundo afora, os ganhos para o Brasil não podem ser negligenciados, ainda que as exportações para aquele país sejam compostas majoritariamente por commodities. Destacam-se minério de ferro, soja, óleo de soja e petróleo, que, em 2011, responderam por mais de 80% das exportações (acumulado até novembro). Há que salientar, ainda, a oportunidade de comércio para os suinocultores, que comemoram a recente abertura chinesa ao produto, após cinco anos de negociações, fator que promete impulsionar esse segmento.

Sob esse desempenho, a China tornou-se o principal comprador do Brasil no ano de 2009. Em 2011, a China respondeu por 17,3% das exportações brasileiras, enquanto os Estados Unidos representaram 10,0%, e a Argentina, 8,9% (MDIC). As exportações para a China superaram não apenas os embarques aos Estados Unidos, mas também ao Mercosul como um todo. As compras chinesas quase se equivalem às dos Estados Unidos e da Argentina juntos. Tal desempenho faz a China representar 38,7% do saldo comercial brasileiro no período.

Sabidamente, esses produtos possuem encadeamentos menores do que os produtos acabados, tendo, assim, seus impactos mais restritos à geração de emprego e à multiplicação da renda para outros setores. De toda a sorte, as exportações de manufaturados e semimanufaturados para a China cresceram em termos nominais nos últimos anos. Contudo, o crescimento dos produtos básicos efetivou-se em termos nominais e relativos, aumentando sua participação na pauta de exportação para esse país.

Face aos conflitos concernentes à relação com a China, a política industrial brasileira deverá persistir na proteção dos setores mais prejudicados, assim como continuar utilizando a pressão política nas reuniões internacionais. De todo modo, há a necessidade de adaptação à nova realidade. Longe de se saudar, aqui, a chamada especialização exportadora em torno das commodities, trata-se de ampliar a consciência de que as cartas estão dadas, o jogo está em marcha e as regras são em mandarim. E àquele país importam, por hora, sobretudo produtos primários.

Todavia, há sinais de mudança. Vislumbra-se no horizonte uma maior apreciação do yuan, fato que, de um lado, encarece os produtos chineses no Brasil e, de outro, torna os produtos brasileiros mais baratos na China. Esse movimento traria ganhos à China, ao permitir maior consumo à população local, através do aumento real dos salários. Naturalmente, os rebatimentos desse eventual movimento poderão ampliar a gama de produtos exportados para a China. Nesse interregno, cabe ao Brasil observar o lado positivo da inserção chinesa nas exportações de produtos primários e manter a pressão para que a valorização cambial se acelere. Mesmo em um cenário de inércia, há ganhos ao Brasil.

A China no comércio externo brasileiro

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