A cadeia do audiovisual no Rio Grande do Sul

A economia criativa pode ser considerada uma das novas fronteiras do crescimento. Em 2010, o Programa das Nações Unidas Para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) concluiu que “[…] as indústrias criativas estão entre os setores mais dinâmicos da economia mundial e oferecem grandes e novas oportunidades de crescimento para os países em desenvolvimento” (<unctad.org/en/Docs/ditctab20103_en.pdf>). Em 2011, mesmo nos marcos da crise internacional, as exportações mundiais de bens e serviços criativos chegaram a US$ 624 bilhões, mais que o dobro de 2002, com um crescimento médio de 14% ao ano. E esse crescimento não se concentra no âmbito dos países desenvolvidos. Considerando apenas os bens criativos, as exportações provenientes dos países em desenvolvimento chegaram a US$ 176 bilhões nesse período, 43% do comércio total, que foi de US$ 406 bilhões.

O Brasil exportou US$ 6,3 bilhões em serviços e US$ 1,22 bilhão em bens criativos, em 2008. A indústria criativa movimenta mais de R$ 381,3 bilhões ao ano, 16,4% do Produto Interno Bruto. No caso do Rio Grande do Sul, um estudo realizado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), de Valliati e Wink Jr., estabeleceu “[…] uma estimativa de que, em 2010, o valor da indústria criativa do RS tenha correspondido a R$ 6,3 bilhões” (<www.fee.rs.gov.br/wp-content/uploads/2014/03/20140312mapeamento-da-industria-criativa-no-rs.pdf>). O aproveitamento desse potencial depende da capacidade de formular políticas públicas que fortaleçam a competitividade da produção local nos mercados nacional e internacional. Das diversas cadeias que compõem a economia criativa, a do audiovisual é uma das que têm maior potencial no RS, na medida em que já dispõe de uma estrutura institucional organizada, políticas públicas em operação e capacidade competitiva em escala nacional.

Essa cadeia, composta pelas atividades de produção, pós-produção, marketing, distribuição, exibição cinematográfica e de vídeo, assim como pelas atividades de televisão aberta e a cabo, além de todas as atividades conexas (aluguel de equipamentos, catering, cenografia, marcenaria, eletricidade, áudio, logística, etc.), tem ainda resultados colaterais positivos, como o incremento ao turismo. O RS já ocupa um espaço significativo no mercado brasileiro, sendo hoje o terceiro polo de produção audiovisual do País.

É importante considerar também as oportunidades que se abrem nos mercados nacional e internacional. A produção cinematográfica do País, segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine), passou de uma média de 22 filmes por ano no período 1995-2002 para uma média de 66 filmes por ano entre 2003 e 2012 e, atualmente, já ultrapassa 100 filmes por ano. As mudanças legais do período recente, através da Lei nº 12.485, segundo a qual as emissoras de televisão a cabo são obrigadas a cumprir uma “quota de tela” com conteúdos nacional e regional e com 50% desse conteúdo de produção independente — isto é, fora do ambiente e dos quadros das emissoras —, abrem caminho para um grande crescimento da produção audiovisual brasileira.

O potencial de crescimento dessa cadeia pode ser medido pela disponibilidade de recursos em termos de fomento por parte do Governo Federal. Se forem considerados os recursos disponíveis em termos de captação por leis de incentivo, que é apenas uma pequena parte do financiamento da cadeia, pode-se constatar que, entre 1995 e 2012, foram investidos mais de R$ 1,3 bilhão. No entanto, mais de 90% desses recursos concentraram-se no eixo Rio-São Paulo. O RS, mesmo sendo o terceiro polo produtor, acessou menos de 3% dos recursos disponíveis.

Um levantamento da cadeia audiovisual realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) identificou 1.951 empresas na cadeia produtiva do audiovisual do Estado, gerando 5.841 empregos formais diretos, sem contar os temporários, mais numerosos, envolvidos na produção de cada projeto. Além disso, é importante considerar que os empregos criados tendem a ter uma remuneração acima da média do rendimento desses trabalhadores no mercado convencional, por seu alto grau de especialização. Esses dados são uma amostra da importância da cadeia produtiva do audiovisual. A existência de políticas públicas em nível estadual, que articulam as ações do setor privado, das universidades e do Governo, sinaliza a possibilidade de crescimento e consolidação desse setor da economia criativa no RS.

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