Máquinas agrícolas: difícil retomada de produção e vendas

A persistente redução no volume de produção e nas vendas de máquinas agrícolas automotrizes vem reocupando as montadoras do setor em nível tanto nacional quanto regional. Após o registro de um desempenho marcadamente desfavorável em 2005, principalmente no segmento colheitadeiras, informações referentes ao primeiro trimestre de 2006, frente a igual período em 2005, indicam um novo recuo nesses indicadores, mais acentuado no RS, o qual concentra mais da metade da produção de tratores de rodas e colheitadeiras do Brasil.

Máquinas agrícolas difícil retomada de produção e vendas

As exportações que vinham sustentando a performance do setor ao longo da maior parte do último ano também recuaram, refletindo os efeitos da valorização do real frente ao dólar e a menor demanda por máquinas agrícolas nos mercados brasileiros, na América do Sul, na Europa e nos Estados Unidos. Ressalte-se, contudo, que, apesar da diminuição acentuada no volume de embarques, a receita cambial se manteve positiva, devido a uma mudança na composição das exportações, que envolveu máquinas mais potentes e de maior valor unitário.

Atualmente, as maiores dificuldades concentram-se no mercado interno, que volta a ser o principal foco das grandes empresas do setor. Nesse sentido, desponta a necessidade de recomposição do poder de compra dos produtores rurais, que, descapitalizados e endividados em razão da crise que afetou a agroindústria de grãos no começo de 2005, notadamente no RS e nos demais estados da Região Sul, suspenderam a aquisição de novos equipamentos. Um indicador dessa situação é a fraca utilização de recursos disponibilizados pelo BNDES para o Moderfrota, programa que financia máquinas agrícolas e implementos a juros controlados. Nos 10 primeiros meses do ano-safra 2005/2006 (jul./2005-mar./2006), os desembolsos desse programa foram 55,6% inferiores aos recursos liberados em igual período do ano-safra anterior.

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