Textos com assunto: trabalho

A transição dos jovens para a idade adulta e sua inserção no mercado de trabalho

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Edição: Ano 26 nº 8 – 2017

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A inserção dos jovens com idades entre 15 e 24 anos no mercado de trabalho ocorre em um período no qual o indivíduo se encontra em uma situação particular do ciclo de vida. Nessa etapa, uma parcela dos indivíduos tem que assumir responsabilidades novas em sua vida, como decidir sobre seu futuro profissional, deixar a família de origem e construir a sua própria. Nessa faixa etária existe uma incapacidade de controlar ou suportar forças que atuam sobre o bem-estar, ou seja, a aptidão que um jovem possui para fazer frente a situações e eventos que possam afetar sua qualidade de vida. Uma maneira de as pessoas dessa faixa etária se socializarem é alcançada na educação formal e na inserção no mercado de trabalho.

Utilizando-se os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2015 para o Rio Grande do Sul, observa-se que a participação dos jovens na População em Idade Ativa (PIA) — indivíduos com 15 anos ou mais de idade — foi de 18,0%; 17,3% deles participam da População Economicamente Ativa (PEA); 15,0% é o contingente de ocupados; e 48,4%, o percentual de desempregados. A taxa de desemprego para os jovens foi de 20,8%, e a do total da PEA foi de 7,3%. A grande participação dos jovens no total dos desempregados, no Estado e a sua alta taxa de desemprego evidenciam a inserção vulnerável dos jovens no mercado de trabalho.

Sem entrar em questões relativas à qualidade do ensino e ao atraso escolar, procura-se mostrar a transição da escola para o mundo do trabalho na faixa etária dos 15 aos 24 anos. Dessa maneira, este estudo fornece um pano de fundo para as questões relativas à qualificação dos jovens para o mercado de trabalho. Os dados da PNAD permitem traçar um panorama geral do posicionamento dos jovens em relação à escola e ao trabalho. Podem ser feitas algumas considerações básicas a partir dos resultados agregados para o Rio Grande do Sul baseadas no gráfico abaixo. Dividiu-se a faixa etária de 15 a 24 anos em cinco faixas menores, a saber: de 15 e 16 anos, de 17 e 18, de 19 e 20, de 21 e 22, e de 23 e 24 anos. No gráfico observa-se que o percentual de jovens que somente estudam, sobre a totalidade dos demais, passou de 64,2% (faixa de 15 e 17 anos) para 12,3% (faixa de 19 e 20 anos), caindo para 4,1% (faixa de 23 e 24 anos). Já as participações dos que estudam e participam da PEA intercalaram acréscimos e decréscimos, com uma redução de 11 pontos percentuais entre a primeira e a última faixa. A participação para os indivíduos com 15 e 16 anos era de 26,3% e passou para 15,2% para os com 23 e 24 anos. Para os que somente participam da PEA, os jovens de 15 e 16 anos possuíam uma participação baixa, de 4,4%, percentual que alcançou os 67,8% dos jovens com 23 e 24 anos.

O destaque fica para os jovens que não estudam e nem participam do mercado de trabalho. Nesse grupo, quanto maior for a faixa etária, maior o aumento da participação. No contingente de 15 e 16 anos e no de 17 e 18 anos, a participação passou de 5,2% para 9,3%. No de 23 e 24 anos, a participação foi de 12,7%. O total dos que não estudam e nem participam da PEA representa 10,0% do total dos jovens, um contingente de aproximadamente 160 mil indivíduos no Rio Grande do Sul. Essa categoria também chamada de “nem nem” fica sujeita ao desemprego e à impossibilidade de acesso à educação. Nesse contexto, é possível notar que no atual sistema socioeconômico, diferentes dispositivos de marginalização podem ser identificados, entre eles, as condições de produção com mais tecnologia, que distanciam cada vez mais o jovem das condições de acesso ao mercado de trabalho e de obtenção de um emprego formal.

A preocupação com esse segmento, dada a carência de políticas públicas eficazes que possam guiar o jovem na transição para a vida adulta, dificulta a passagem de sua condição de completa inatividade para a de maturidade da idade adulta com as inerentes responsabilidades sociais. Além disso, ressalta-se a importância de se entender o processo de inserção dos jovens na força de trabalho, para que se possam visualizar as mudanças na composição da PEA, visto que representam a força de trabalho futura.

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Mercado formal de trabalho “acusa o golpe” em todo o RS

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Edição: Ano 24 nº 12 – 2015

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Após uma longa sequência de desempenhos positivos — e com uma defasagem temporal que surpreendeu inúmeros analistas, vis-à-vis o desaquecimento da atividade econômica —, o mercado de trabalho internaliza as manifestações da crise e, no Rio Grande do Sul, já acumula, neste ano (de janeiro a outubro), uma significativa perda de postos de trabalho. No conjunto do Estado, o saldo de admissões menos demissões assinala a extinção de 60,3 mil vínculos formais, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A indústria de transformação, que, nos últimos 10 anos (sempre considerados os 10 primeiros meses), só havia tido um registro negativo, bastante suave (-1,1 mil vagas), no turbulento ano de 2009, é responsável, agora, por metade dos empregos formais eliminados no mercado gaúcho (29,9 mil vagas). O comércio expulsa o segundo maior volume de trabalhadores (16,3 mil), e a terceira colocação fica com a construção civil (8,7 mil). Se tomarmos como referência (aproximativa) o estoque de empregados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), também produzida pelo MTE, do final do ano passado, podemos afirmar que, dos principais setores de atividade, é a construção civil que sofre, em 2015, o maior encolhimento relativo (aproximadamente 6% no intervalo considerado), ao passo que a indústria de transformação vem logo a seguir, com cerca de 4%. Para o conjunto do emprego formal, esses mais de 60 mil empregos representam uma retração em torno de 2,3%.

Quando se agregam os resultados municipais conforme a divisão do RS em Regiões Funcionais (RFs), constata-se que, a despeito das diferenças de intensidade, a virada da maré que caracteriza o ano em curso se fez sentir em todo o território gaúcho. Cabe frisar que, de modo análogo, todas as RFs viram crescer seu mercado formal de trabalho em cada um dos nove anos anteriores — com a única exceção da Região 4, composta apenas pelo Corede Litoral Norte, que detém pouco mais de 2% do emprego gaúcho e sofre especial distorção por conta da sazonalidade, quando se analisa a série de janeiro a outubro.

As perdas de 2015 concentraram-se, como esperado, na RF1, que abrange a Região Metropolitana de Porto Alegre. Nela, eliminaram-se 32,2 mil postos, 53,5% do total do Estado (participação superior à dessa RF no estoque da RAIS de 2014, que se situava em 48,1%). Em termos relativos, desconsiderada a RF do Litoral, o impacto mais expressivo foi na RF3, nucleada por Caxias do Sul, segundo maior mercado formal de trabalho do Estado (14,6% do total). Ali, a eliminação de 12,2 mil empregos representa uma retração de mais de 3% relativamente ao estoque da RAIS de 2014.

Os resultados parciais de 2015 marcam a extinção, no Estado, de um número de postos bem superior ao dos gerados no mesmo período do ano passado (45,9 mil). Mais do que isso, reverte-se um movimento continuado de expansão do emprego formal: nos últimos 10 anos, o resultado mais modesto para os primeiros 10 meses do ano havia sido, justamente, o de 2014, e, o mais notável, o de 2010, quando quase 160 mil postos foram gerados, 40% dos quais na indústria de transformação. Recorrendo-se, alternativamente, ao parâmetro dos estoques das RAIS, em 31 de dezembro de cada ano (e tomando-se apenas os celetistas), o crescimento do emprego formal gaúcho, entre 2005 e 2014, foi de 40,4%, com a criação de 765,6 mil vagas. Nas regiões, a menor variação relativa foi de 31,8% na RF6, e a maior, de 53,9% na RF4 (o que confirma o efeito da sazonalidade referido acima).

A conjuntura é de recuo sobre terrenos recentemente conquistados. A duração e a severidade das perdas ainda são difíceis de antever. De qualquer modo, assim como tardou a “acusar o golpe”, o mercado de trabalho precisará de um tempo para responder positivamente à melhora do cenário econômico, quando ela der seus primeiros sinais.

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Aumento dos rendimentos do trabalho em um ano de crise

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Edição: Ano 19 nº 03 - 2010

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O exame do comportamento dos principais indicadores do mercado de trabalho em 2009, conforme dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA), indica que o nível ocupacional se elevou em menos do que em 2008 e que a taxa de desemprego total se situou praticamente no mesmo patamar daquele ano. O destaque ficou por conta dos rendimentos do trabalhador, que apresentaram elevação expressiva, apesar do contexto macroeconômico adverso, de crise econômica.

De fato, os rendimentos médios reais do trabalho na RMPA evidenciaram crescimento de 4,0% para o total de ocupados e de 2,7% para os assalariados, comparando-se o período jan.-nov./09 com o mesmo período de 2008.

Esse expressivo aumento dos rendimentos pode ser creditado a fatores como: um menor patamar inflacionário; a convenção coletiva de trabalho, na qual as negociações tomaram como referência o ano de 2008, de bons resultados econômicos, configurando um ótimo parâmetro de negociação; e a política de valorização do salário mínimo real e do piso salarial regional.

O gráfico expressa as variações dos rendimentos reais, permitindo destacar, ainda, que a elevação foi mais expressiva para os trabalhadores com menores rendimentos — Grupos 1 (que corresponde a 25% dos trabalhadores com rendimentos mais baixos) e 2 (que abrange 25% dos trabalhadores com rendimentos imediatamente inferiores ao mediano) —, cujos aumentos foram de 9,2% e 4,4% entre os ocupados e de 7,2% e 3,8% para os assalariados.

Pode-se inferir, portanto, que os maiores beneficiários do aumento de renda na RMPA, em 2009, foram os trabalhadores com menores rendimentos, ou seja, as ocupações com valores médios ao redor do salário mínimo (R$ 465,00), ou do piso salarial regional, que oscila entre R$ 511,29 e R$ 556,06.

Aumento dos rendimentos do trabalho em um ano de crise

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Rendimentos do trabalho nos Coredes

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Edição: Ano 12 nº 08 - 2003

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Aproveitando a recente divulgação de alguns dados municipalizados do Censo 2000 referentes à mão-de-obra, procura-se observar a realidade dos mercados regionais de trabalho do Estado e os contrastes entre eles. Enfoca-se aqui a dimensão dos rendimentos do trabalho. Optou-se por comparar a participação que, nas diferentes regiões representadas pelos Coredes, o segmento de trabalhadores com mais baixos rendimentos detém no total de ocupados.

No RS, em 2000, 53,1% dos ocupados tinham rendimento de até dois salários mínimos, sendo que 9,1% não tinham rendimento, 17,2% recebiam até um salário mínimo, e 26,8% recebiam mais de um até dois salários mínimos. Nas regiões, o percentual de ocupados com rendimento de até dois salários mínimos ficava compreendido entre 36,1% no Metropolitano Delta do Jacuí e 77,9% no Médio Alto Uruguai. Em apenas três Coredes — o já citado Metropolitano Delta do Jacuí, o Serra e o Vale do Rio dos Sinos —, a parcela de ocupados nessa faixa de rendimento era inferior à do agregado estadual. Essas regiões, em conjunto, respondiam por 41% do total de ocupados do RS, influenciando fortemente o agregado do Estado.

As relações entre a distribuição dos ocupados por níveis de rendimento e variáveis populacionais ou outras mais diretamente ligadas ao mercado de trabalho nem sempre são claramente reconhecíveis. Ainda assim, é possível perceber que os Coredes com maiores concentrações de ocupados com baixos níveis de rendimento, especialmente aqueles em que os sem-rendimento têm elevada participação, tendem a apresentar menores taxas de urbanização, maior presença de ocupados em atividades ligadas ao Setor Primário e maior presença de ocupados em categorias de posição na ocupação associadas a formas de inserção mais precárias (empregados sem carteira de trabalho assinada, conta própria, não remunerados e trabalhadores na produção para o próprio consumo).

Os seis Coredes com maior concentração de ocupados com rendimento de até dois salários mínimos — Médio Alto Uruguai, Missões, Fronteira Noroeste, Noroeste Colonial, Vale do Rio Pardo e Nordeste — são também os seis com menores taxas de urbanização, ainda que não exatamente na mesma ordem. Entre esses, encontram-se, ainda, as cinco regiões do Estado que detêm as maiores participações de ocupados no Setor Primário — Médio Alto Uruguai, Fronteira Noroeste, Vale do Rio Pardo, Noroeste Colonial e Nordeste — e também as quatro regiões com maior percentual de trabalhadores em categorias associadas à precarização (Médio Alto Uruguai, Fronteira Noroeste, Noroeste Colonial e Missões). Interessante observar que, nessas regiões, é bastante elevada a participação de ocupados sem remuneração, característica que pode ser associada à forte presença das atividades agrícolas.

Rendimento do trabalho nos Coredes

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Tendência de queda da jornada de trabalho

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Edição: Ano 19 nº 09 - 2010

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A extensão da jornada de trabalho, segundo a definição de Trabalho Decente proposta pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), expressa a qualidade das condições de trabalho em uma economia. Isso se deve ao fato de estar relacionada com a saúde física e mental dos trabalhadores, com o equilíbrio entre trabalho e vida familiar, com a produtividade do trabalho e com a remuneração. Um aumento da jornada corresponde, pois, a uma deterioração das condições de trabalho e vice-versa.

A Pesquisa Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA) mostra que a média anual de horas semanais trabalhadas dos ocupados na Região era de 43 horas em 1993. Entre 1999 e 2003, a jornada elevou-se para 44 horas semanais. A partir de 2006, no entanto, a média de horas semanais reduziu-se, vindo a atingir 42 horas em 2009.

A tendência ao declínio da jornada de trabalho no período 2000-09 e, portanto, à melhora de condições de trabalho também se expressa no percentual de trabalhadores com jornadas superiores a 44 horas semanais. Os dados indicam uma queda no percentual dos ocupados nessas condições, passando de 36,5% do total de ocupados da RMPA em 1992 para 34,8% em 2009. Entre 1998 e 2000, a parcela de ocupados nessas condições sofreu uma considerável elevação, porém, desde 2001, há uma persistente tendência à diminuição nesse indicador.

Os dados indicam que a queda da parcela dos ocupados trabalhando acima da jornada de trabalho fixada na Constituição de 1988 está associada à queda da taxa de desemprego na Região.

Tendência de queda da jornada de trabalho

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