Textos com assunto: Taxas

A exigência provocada pela desvalorização cambial

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Edição: Ano 17 nº 12 - 2008

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Nos cinco anos transcorridos desde 2004, a economia brasileira experimentou seu melhor período dos últimos quase 30 anos, caracterizado pela aceleração do crescimento e pela boa evolução das mais importantes variáveis macroeconômicas. A pedra fundamental desse quadro foi o processo de ajuste externo da economia e, no núcleo desse ajuste, a espetacular melhora do desempenho da balança comercial. Cabe apontarem-se os seguintes aspectos vinculados ao ajuste externo: o forte crescimento das exportações, que permitiu o acelerado aumento das importações, sem maiores prejuízos para os saldos comerciais anuais até 2007; a eliminação da dívida externa líquida; e a conta financeira do balanço de pagamentos, que passou a registrar vultosas entradas de investimentos externos desde 2006. Essas circunstâncias sustentaram, de meados de 2004 a agosto de 2008, uma tendência de valorização cambial.

Observando os índices da taxa real anual de câmbio (gráfico), constata-se, em 2007, relativamente a 2004, valorização acumulada do real frente ao dólar de 29,1%; de agosto de 2007 a agosto de 2008, a valorização foi de 17,8%. A valorização cambial e o aumento das importações constituíram um importante fator de contenção das taxas de inflação, o que contribuiu, de forma crucial, para certo afrouxamento da política monetária e para a elevação das taxas de crescimento da economia. A crise internacional, ao desencadear grande desvalorização cambial, quebrou a solidariedade (ao menos de curto prazo) entre a evolução da taxa de câmbio e o crescimento da economia. Pelo mesmo motivo, olhando para além da duração do paroxismo da crise, coloca-se a necessidade de ampliação da responsabilidade da política fiscal para assegurar a possibilidade de taxas de juros mais baixas, visando favorecer o crescimento do produto nacional.

A exigência provocada pela desvalorização cambial

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Dificuldades no uso da política de juros altos no Brasil

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Edição: Ano 12 nº 04 - 2003

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Depois de elevar, em fevereiro, a taxa de juros Selic pelo quinto mês consecutivo, o Bacen manteve-a em 26,5% em março, com o objetivo de assegurar a meta inflacionária acertada com o FMI. A lógica dos juros altos é tornar o crédito mais caro, desestimulando, assim, os agentes econômicos a buscarem financiamento e dificultando o aumento dos preços no mercado.

No Brasil, alguns fatores inibem a eficácia dessa política. Em primeiro lugar, cerca de 16% da dívida interna brasileira é corrigida por taxas de juros pós-fixadas e de curto prazo, o que aumenta a renda dos detentores desses títulos.

Outra dificuldade é a pequena demanda por crédito no Brasil em comparação a outros países. Segundo dados do FMI para o ano 2000, enquanto, no Japão, o crédito representava 191,4% do PIB, no Brasil, significava 29,4%. Hoje, segundo dados de janeiro de 2003, essa relação encontra-se por volta de 23,8%.

Esses problemas, somados ao não-cumprimento das metas de inflação em 2001 e 2002 e à decisão do Bacen de utilizar o conceito de meta ajustada, têm corroído a credibilidade da autoridade monetária  e reduzido as expectativas do mercado, fundamentais para manter a inflação sob controle num regime de metas inflacionárias.

Dificuldades no uso da política de juros altos no Brasil

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