Textos com assunto: Soja

A Parceria Transpacífico e as exportações gaúchas

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Edição: Ano 24 nº 12 – 2015

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No início de outubro de 2015, 12 países da costa do Pacífico anunciaram, em Atlanta (EUA), um acordo cujos objetivos são, dentre outros, a redução ou a eliminação de tarifas para o comércio de determinados bens e serviços e o estabelecimento de padrões para investimentos, para a proteção ao meio ambiente, para o intercâmbio de informações e para os direitos de propriedade intelectual. A denominada Parceria Transpacífico — Trans-Pacific Partnership (TPP) — reúne Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Cingapura, Estados Unidos, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru e Vietnã. A população desse conjunto de nações atinge cerca de 800 milhões de pessoas, e o seu PIB representa algo em torno de 40% do total mundial. Embora a intenção dos países-membros seja formalizar o acordo ainda em 2016, isso parece pouco provável, uma vez que ele precisa ser ratificado pelos respectivos parlamentos. Pelo menos nas duas maiores economias do bloco, EUA e Japão, são esperados acirrados debates sobre o tema. Como costuma acontecer nessas tentativas de integração econômica e liberalização comercial, o debate prioritário, internamente, deverá centrar-se nas consequências da TPP sobre o mercado de trabalho local.

Por outro lado, à medida que os termos do acordo forem tornando-se públicos, maior e mais precisa deverá ser a compreensão de sua efetiva abrangência e intensidade e, por conseguinte, de seus prováveis efeitos não só sobre os países-membros, mas também sobre as demais regiões do planeta. Seguramente, há diversas maneiras de se especular sobre as consequências da efetivação dessa parceria nas exportações gaúchas de mercadorias. Uma delas é a análise dos principais grupos de produtos exportados pelo Estado e sua inserção no mercado da TPP.

Utilizando-se a classificação da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) (agregação a quatro dígitos), tem-se que, entre 2010 e 2014, últimos cinco anos para os quais existem dados anuais consolidados, os 10 grupos de produtos mais exportados pelo RS — desconsiderando as vendas externas de plataformas, que, na verdade, não se constituíram em exportações — foram, pela ordem: soja em grão, tabaco não manufaturado, carne de aves — basicamente de frango —, farelo de soja, polímeros de etileno, carne suína, arroz, calçados de couro natural, óleo de soja e couros preparados. Nesse período, o conjunto mencionado respondeu por 55,0% do total exportado pelo Estado (valores anuais corrigidos a preços de 2014).

Conforme mostra a tabela abaixo, desses 10 grupos, cinco têm inserção reduzida no mercado da TPP: os do complexo soja (grão, farelo e óleo), o da carne suína e o do arroz. No período analisado, esses agregados tiveram suas vendas concentradas em outras regiões: a soja em grão na China, o farelo na União Europeia, o óleo na China e na Índia, a carne suína na Rússia e na Ucrânia e o arroz na África. Portanto, a princípio, seu comércio exterior será pouco afetado com a consolidação desse novo bloco econômico.

É na comercialização externa dos outros grupos que a representatividade do mercado da TPP passa a ter significância. Desses grupos, o do tabaco parece estar numa posição confortável, uma vez que o único grande produtor entre os países da TPP, os EUA, está com a demanda em declínio e incentiva a substituição dessa cultura. Situação semelhante ocorre em relação aos couros: o Vietnã, único país do bloco com alguma expressão nas vendas externas desses produtos, é, na verdade, um importador líquido de couros preparados.

Já as exportações de aves, calçados e polímeros se mostram mais vulneráveis. No primeiro caso, porque os EUA são o segundo maior exportador mundial desses produtos, e o Japão, um dos grandes importadores. Para as vendas externas de calçados, que vêm, há muitos anos, perdendo espaço no mercado externo, a situação poderá agravar-se: a TPP reúne o maior importador mundial (EUA) e o terceiro maior exportador (Vietnã). Em relação às exportações de polímeros, cabe o registro de que Chile e Peru, tradicionais compradores desses bens do RS, estarão no mesmo bloco de alguns de seus maiores exportadores mundiais: EUA, Cingapura e Canadá.

À medida que esses acordos multilaterais vão sucedendo-se, o Brasil vê-se numa encruzilhada. Por um lado, é fácil entender que diversos fatores retraem a disposição dos empresários nacionais em entregar “seu mercado” em troca de pouca expectativa de avançar em “mercados alheios” — caso de boa parte da indústria brasileira. Mas, por outro, ao alijar-se dos grandes acordos comerciais mundiais, o País poderá sofrer ao menos duas graves consequências: perder mercados antes acessíveis ao seu agronegócio e distanciar-se ainda mais do avanço tecnológico inerente ao processo de liberalização comercial.

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O preço internacional da soja no último decênio

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Edição: Ano 24 nº 05 - 2015

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A valorização do preço internacional da soja, a partir da segunda metade de 2006, beneficiou os exportadores líquidos desse produto, entre eles o Brasil e o Estado do Rio Grande do Sul. Se, por um lado, esse movimento recente de valorização foi acompanhado por elevação da renda, por outro, enseja preocupações, haja vista a dependência do Produto Interno Bruto (PIB) e da performance das exportações do País e do Estado em relação ao preço do grão.

Diante dessa conjuntura, torna-se pertinente o estudo do movimento desse preço no mercado internacional, assim como o apontamento dos possíveis eventos que estejam colocando em marcha a sua trajetória de preços.

Para isso, primeiramente, é preciso ressaltar que, na segunda metade de 2006, a soja — assim como as demais commodities agrícolas — se inseriu em uma trajetória sem precedentes de crescimento de preços internacionais de commodities que já vinha sendo puxada por metais e combustíveis, pelo menos desde meados de 2003.

Nesse ínterim, insere-se o comportamento do preço da soja. Conforme os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o preço da oleaginosa multiplicou-se por 2,65 entre abril de 2006 e julho de 2008, este último sendo o ápice do preço até então. Após, desvalorizou-se bruscamente, em meio à crise financeira mundial.

A redução das posições dos investidores de índice em mercados futuros de commodities ocorreu em simultâneo à redução de preços, o que não permite descartar a hipótese de influência da especulação financeira nos preços. Para a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), essa retirada das posições em mercados futuros ocorreu em face das necessidades de cobrir as perdas financeiras com a crise. Já a retomada das posições ocorreu na sequência da política monetária expansionista norte-americana.

Assim, o preço da soja não somente se recuperou da queda como, em agosto de 2012, atingiu uma nova marca histórica, com elevação de 12,41% em relação ao pico anterior. A partir de então, o preço da soja desacelerou, mas manteve-se em uma relativa estabilidade até 2014. A partir do segundo semestre de 2014, emergiu uma tendência mais evidente de depreciação do preço. Apesar dessa redução de valor, ainda se mantém em um patamar muito superior em relação aos anos iniciais de crescimento — o preço da soja em março de 2015 é ainda 72,14% superior ao preço de abril de 2006.

Uma explicação recorrente para essa desaceleração de preços é a suposta redução do consumo chinês de soja ou a diminuição no crescimento da sua demanda. As importações chinesas de soja em quantum não diminuíram nos últimos anos, conforme dados do National Bureau of Statistics of China. De fato, houve uma desaceleração na taxa de crescimento no período pós boom, mas essa não parece ser a explicação exclusiva para esse movimento, pois é preciso ressaltar que o consumo chinês de soja cresce a taxas decrescentes desde o início do boom.

Por outro lado, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos tem enfatizado que a oferta mundial do grão se elevou. No entanto, ao dimensionar essa maior oferta pelo nível de ociosidade da indústria chinesa processadora de soja — em torno de 50% —, é difícil falar em uma oferta de soja em excesso.

Dessa forma, ganham destaque outros fatores que também podem estar influenciando o preço da soja, como a desvalorização das commodity currencies, a política monetária estadunidense, a especulação financeira e os custos de produção. Sem o intuito de hierarquizar os possíveis determinantes, destaca-se a sincronia entre o preço da soja e do petróleo a partir do ponto no qual o preço do barril de petróleo atinge os US$ 50.

Para alguns estudos do Banco Mundial, a variação do preço do combustível explicaria em torno de 50% da variação do preço das commodities agrícolas. Por hipótese, uma explicação para isso pode estar no fato de que o petróleo é um dos principais componentes dos fertilizantes utilizados na produção.

Por todos esses motivos, não se deve subestimar a necessidade de um estudo mais profundo dos possíveis determinantes do preço da soja. A sua negligência pode pegar de surpresa os formuladores de política, obstinados em dar uma resposta rápida e simples a um fenômeno que se mostra mais complexo do que se imagina.

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O preço internacional da soja no último decênio – Clarissa Black

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Consequências preocupantes da expansão acelerada da soja

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Edição: Ano 23 nº 11 - 2014

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Atualmente, a soja (apenas em grão e triturada) representa o principal item das exportações brasileiras, tendo contribuído com US$ 22,7 bilhões no acumulado de janeiro a setembro de 2014. Esse valor corresponde a 13,11% do total das vendas externas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Entre 1990 e 2012, a produção média anual desse grão registrou uma expansão de 6,35%, aumentando de cerca de 20 milhões de toneladas em 1990 para quase 66 milhões de toneladas em 2012, segundo a pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê um crescimento ainda mais intenso, projetando, para a safra 2014/2015, resultados entre 88 milhões e 92 milhões de toneladas.

Esse crescimento se deve, principalmente, à ampliação da área plantada, ainda que os incrementos da produtividade por hectare não sejam desprezíveis. Tal desempenho concentrou-se, sobretudo, na região compreendida entre o sul dos Estados do Piauí e do Maranhão, o norte de Tocantins e o oeste da Bahia, conhecida como Mapitoba ou Matopiba. Essa região, em 1990, respondia por 1,30% da produção nacional, segundo dados da PAM. O Levantamento Sistemático de Produção Agrícola, com dados de setembro de 2014, já apresenta 10,06% de participação da mesma na produção nacional. Essa nova regionalização foi possível graças ao desenvolvimento de novas variedades, o que permitiu sua produção em regiões de condições edafoclimáticas distintas do clima temperado, original desse grão.

Quanto à produtividade, desde meados da primeira década deste século, a produção por hectare dessa região vem sendo superior à média nacional. Na média nacional, no entanto, o incremento da produção está mais correlacionado com a expansão da área plantada do que com os aumentos da produtividade por hectare colhido. Os dados da PAM mostram um crescimento médio anual da área destinada à lavoura de soja de 3,96 % entre 1990 e 2012, enquanto a produtividade apresentou um crescimento médio de 2,45% ao ano. Segundo o IBGE, o Brasil incorporou 17 milhões de hectares à área plantada de lavouras temporárias entre 1990 e 2012. Desse montante, 79% do total de novas áreas foram destinados ao cultivo dessa oleaginosa líder nas exportações. Os dados recentemente divulgados pela Conab estimam que a área plantada de soja, na safra 2013/2014, foi superior a 30 milhões de hectares, ou seja, aproximadamente, 3,5% do território brasileiro.

Entretanto essa expansão implicou diversos problemas nas áreas social e ambiental. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o crescimento médio anual do número de conflitos no campo foi de 7,64% entre 1990 e 2013. A tendência de incremento dos conflitos fundiários coincide com a incorporação de terras destinadas ao plantio de soja e de outros monocultivos extensivos à fronteira agrícola brasileira. De fato, a ocupação desses territórios para o cultivo da soja pressiona as reservas florestais, bem como as áreas destinadas à agricultura de pequeno porte e à extração vegetal, ocupadas por agricultores familiares, povos indígenas e outros povos tradicionais.

Às questões fundiárias somam-se outros efeitos decorrentes da especialização produtiva na soja, tais como a diminuição da biodiversidade, o desmatamento, a contaminação por agroquímicos do ambiente e das populações rurais, a excessiva dependência das exportações de um produto com reduzido valor agregado a jusante na cadeia agroindustrial, a elevação do custo dos alimentos atribuída ao uso das terras agricultáveis para a produção de commodities agrícolas e o reduzido nível de emprego na produção da soja.

A demanda mundial por soja crescerá no próximo período, se confirmada a projeção de consumo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2014/2015, de 284,3 milhões de toneladas, representando uma elevação de 5% relativamente à safra anterior. O USDA também estima que o Brasil continue como o maior exportador mundial do grão, com 46,7 milhões de toneladas exportadas em 2014-15, e como o segundo maior produtor mundial, atrás apenas dos EUA. Dessa forma, vislumbram-se enormes desafios para a administração dos problemas apontados, que crescem com a expansão da produção e da área plantada de soja. O sucesso econômico do agronegócio exportador é indiscutível, resta saber como administrar os efeitos nefastos dessa expansão.

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Os destinos da soja no RS e no Brasil

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Edição: Ano 23 nº 02 – 2014

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A produção de soja do RS em 2013 foi de 12.756.000 toneladas, a maior já contabilizada no Estado. A área plantada apresentou um aumento de 10,7% em relação ao ano anterior, de acordo com o Levantamento Sistemático da
Produção Agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística realizado em dezembro. Em 2012, a área destinada à plantação de soja correspondia à mais da metade da área plantada da totalidade da lavoura temporária. Já o Brasil fechou o ano com uma produção estimada de 82 milhões de toneladas da oleaginosa.

Essa produção é destinada, principalmente, ao processamento e à exportação. No processamento, obtém-se o farelo e o óleo, que pode ser usado para a produção de alimentos e de biodiesel. Quando parte da produção é vendida diretamente ao mercado externo sem passar por nenhuma transformação, está-se exportando um produto de menor valor agregado.

Nos últimos três anos, observa-se, tanto no RS quanto no Brasil, um aumento da exportação da soja em grão, em detrimento do seu uso pela indústria doméstica. No RS, como é possível visualizar no gráfico, a participação das exportações de soja em grão no total produzido, em volume, apresentou grande oscilação entre os anos de 2006 e 2010. Nesse período, variou entre 43,4% (2006) e 60,5% (2009). A partir de 2011, entretanto, apresentou uma trajetória de crescimento contínuo, tendo atingido 61,7% em 2013. Os dados do Brasil apresentam comportamento semelhante aos do RS, embora as exportações de soja em grão apresentem menor relevância. Entre 2006 e 2010, elas ficaram entre 40,9% (2008) e 49,8% (2009), tendo ultrapassado a marca de 50,0% da produção somente em 2013, ano em que foram exportadas, aproximadamente, 43 milhões de toneladas.

As exportações de óleo de soja, por outro lado, têm apresentado queda significativa. No RS, elas passaram de 603.000 toneladas em 2006 para 302.000 toneladas em 2013, uma redução de 50,0% em sete anos. No País, a redução foi de 44,8% no mesmo período. O Brasil exportou 1.300.000 toneladas em 2013, frente a 2.357.000 toneladas em 2006. Com exceção dos anos de 2007 e 2011, todos os anos do período analisado (2006-13) tiveram queda no volume de óleo exportado.

Os destinos da soja no RS e no Brasil

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Aumento da produtividade da soja gaúcha: clima ou transgenia?

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Edição: Ano 12 nº 08 - 2003

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Segundo o IBGE, a safra 2002/2003 de soja no Rio Grande do Sul bateu recorde histórico, alcançando 9,5 milhões de toneladas, com uma produtividade média de 2,65 toneladas por hectare. Esse resultado impressiona ainda mais quando notamos que a produção atual representa um crescimento de quase 70% em relação à safra passada e de 37% sobre o melhor resultado da última década. Duas variáveis contribuíram para o bom desempenho: o crescimento da área colhida em 9,2% frente à safra anterior e, principalmente, o incremento da produtividade em 56% entre 2002 e 2003.

O índice de produtividade de 2003 contrasta com a série dos nove anos anteriores, onde permaneceu praticamente estagnado, salvo pequenos picos influenciados pelo clima. Na comparação com Mato Grosso, detentor da melhor produtividade, nosso índice não só se manteve menor, como apresentou um crescimento também menor durante o período. Em 2003, no entanto, a produtividade gaúcha aumenta significativamente, diminuindo a diferença entre os dois estados. A dúvida que surge é se o resultado do atual ano representa uma mudança duradoura nos níveis de produtividade — uma possível hipótese explicativa seria a adoção de sementes transgênicas —, ou se a produtividade de 2003 foi tão-somente obra do clima.

Aumento da produtividade da soja gaúcha clima ou transgenia

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Mobilidade da soja gaúcha

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Edição: Ano 22 nº 09 - 2013

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A soja é uma das principais culturas do Rio Grande do Sul, tendo ocupado, desde 2010, mais de 50% do total da área plantada da lavoura temporária, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Mesorregião Noroeste é a principal produtora do grão, sendo responsável por mais de 60% do volume total produzido no Estado.

Nos últimos dois anos, algumas regiões do Estado não tradicionais no cultivo da soja vêm aumentando sua participação relativa na área plantada dessa cultura. É o caso das Mesorregiões Sudeste e Sudoeste rio-grandenses. Em 2012, a participação da Mesorregião Sudeste na área plantada da soja passou de 6,5% para 8,3%, subindo para 9,8% em 2013. Já a participação da Sudoeste evoluiu de 3,0% em 2011 para 3,4% em 2012 e para 5,1% em 2013. Essa expansão da área da soja tem como causa o aumento nos preços, influenciado principalmente pela demanda chinesa.

As duas mesorregiões mencionadas destacam-se tradicionalmente na pecuária e no cultivo do arroz. Observa-se, entretanto, que não está ocorrendo a substituição de uma cultura por outra. A estrutura da área plantada do arroz mantém-se estável ao longo dos anos, sendo que a Mesorregião Sudeste possui uma participação média de 18,5%, e a Sudoeste, de 40,6%. Da mesma forma, a pecuária não apresentou alterações na quantidade do efetivo. Ainda assim, não se pode descartar a possibilidade de o aumento da área destinada à soja nas Mesorregiões Sudeste e Sudoeste em 2013 estar ocupando uma área que anteriormente era destinada à pecuária.

Outra mesorregião que vem aumentando sua participação relativa na área plantada de soja é a Centro Oriental. Como é possível observar na tabela abaixo, essa participação passou de 3,6% em 2011 para 5,4% em 2013. As principais culturas da lavoura temporária nessa região são o milho e a soja. A área destinada à plantação do milho vem decrescendo desde 2009, sendo que, em 2011, esta foi, pela primeira vez, menor que a área destinada à soja. Já a quantidade produzida de milho se mantém relativamente constante, o que indica um aumento de produtividade dessa cultura.

Mobilidade da soja gaúcha

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Tributação e competitividade da agroindústria da soja

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Edição: Ano 22 nº 05 - 2013

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O recrudescimento da inflação no primeiro trimestre de 2013, tendo como principal vilão o grupo de alimentação e bebidas, contribuiu para que um antigo pleito do setor industrial fosse atendido pelo Governo Federal. Trata-se da desoneração dos tributos federais cobrados sobre os produtos da cesta básica.

Publicada em oito de março, a Medida Provisória nº 609 zerou as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda, no mercado interno, dos seguintes produtos: carnes (bovina, suína, ovina, caprina e de aves), peixes, café, açúcar, óleo de soja, manteiga, margarina, sabonete, pasta de dente e papel higiênico. Os demais produtos da cesta já se beneficiavam da desoneração.

Ao adotar a medida, além dos efeitos distributivos, o Governo projetou uma redução nos preços dos produtos atingidos equivalente ao percentual das alíquotas vigentes anteriormente (9,25% e 12,5%). Porém, isso ainda não ocorreu e, na prática, por mais paradoxal que possa parecer, a desoneração afetou negativamente alguns setores industriais do agronegócio, que são preponderantemente exportadores.

Esse é o caso da agroindústria da soja. A aquisição da soja em grão e demais insumos para fins de processamento gera créditos tributários, ordinários e presumidos, compensados no momento das vendas dos produtos (farelo, óleo, margarina, etc.) no mercado interno. Porém, uma parcela significativa do farelo e do óleo de soja produzidos no Brasil é exportada, operação que está isenta de tributos. Mesmo antes da vigência da MP 609, as empresas menos diversificadas do setor sofriam com o acúmulo crônico de créditos tributários e manifestavam a necessidade de ajustes no modelo vigente.

A desoneração da cesta básica aprofundou esse desequilíbrio, pois a indústria continua acumulando créditos tributários ao longo da cadeia de produção, mas tem agora bloqueada a possibilidade de sua compensação através da venda do óleo e da margarina no Brasil. Na prática, tornou-se ainda menos provável o aproveitamento do estoque de créditos a que o setor tem direito (aproximadamente R$ 4,5 bilhões) e inviável o repasse completo do “desconto do imposto” ao consumidor final.

Em última análise, o que está em jogo é a própria competitividade externa da agroindústria brasileira. A posição de liderança do Brasil na produção mundial de soja tende a se consolidar nos próximos anos. Porém as perspectivas para a agroindústria são muito menos favoráveis. À manifesta preferência chinesa pela importação da soja em grão, em detrimento do farelo e das carnes, se soma o imbróglio tributário interno, que impede a agroindústria brasileira de pegar carona no crescimento da produção agrícola. Entre 1998 e 2013, a safra de soja cresceu 157%, e o processamento interno da matéria-prima avançou apenas 78%, sendo sustentado, sobretudo, pela demanda doméstica de farelo para alimentação de suínos e aves (ver tabela).

A relevância dos condicionantes locais para o fraco desempenho da agroindústria brasileira é realçada, quando analisada à luz da experiência do vizinho argentino. Apesar de concorrer nos mesmos mercados e ser liderada pelas mesmas empresas que operam no Brasil (ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus), a agroindústria argentina desfruta de maior competitividade internacional, graças a uma política tributária que incentiva a agregação local de valor e desestimula a exportação da matéria-prima.

A recente sinalização de que o Governo Federal está preparando um novo modelo para o setor, similar ao Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), pode representar o início de um novo momento. Especula-se que, por esse modelo, os créditos tributários vinculados às exportações dos produtos da soja poderão ser abatidos de outros tributos devidos ou ainda recebidos em dinheiro. Se concretizada a medida, seu impacto dependerá, fundamentalmente, da calibragem da alíquota incidente sobre as receitas de exportação e da velocidade de monetização dos créditos.

O Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor nacional de soja, mantém, há mais de 15 anos, estagnada a sua capacidade de processamento, e uma parcela cada vez maior da safra está sendo exportada sem adição de valor (22% em 1997 contra 55% em 2012, segundo dados da Conab). A reversão dessa tendência é importante para o fortalecimento da economia das cidades do interior do Estado; daí a necessidade de se acompanhar com atenção o avanço da negociação do novo modelo tributário.

Tributação e competitividade da agroindústria da soja

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Safra de verão 2007/2008: uma aposta no aumento da produtividade

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Edição: Ano 16 nº 12 - 2007

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De acordo com o primeiro levantamento (out./07) das intenções de plantio da safra de verão 2007/2008 do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, o crescimento das vendas de insumos e máquinas agrícolas no País indica uma expectativa bastante positiva com relação à produtividade para tal safra.

Mas, se, no caso das máquinas, esse crescimento é explicado, na sua maior parte, por investimentos em segmentos fora do setor produtor de grãos — como o de cana-de-açúcar e o florestal —, no caso dos fertilizantes, está relacionado com o aumento da área de cultivo de milho e, especialmente, com a maior utilização de tecnologia. A Associação Nacional para Difusão de Adubos e Corretivos indica que as vendas de janeiro a setembro de 2007 foram 33% superiores às de igual período de 2006.

No Rio Grande do Sul, o crescimento esperado na produção de grãos de verão é superior ao estimado para o Brasil e decorreria de ganhos de produtividade, pois há a redução das áreas utilizadas com as culturas de verão no Estado. Essas expectativas também são reflexo do aumento das compras de fertilizantes — o Sindicato das Indústrias de Adubos e Corretivos do Rio Grande do Sul indica aumento de 25% nas vendas de janeiro a setembro de 2007, em relação a igual período de 2006.

Safra de verão 2007 2008 uma aposta no aumento da produtividade

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Milho e soja: repetirão desempenho em 2008?

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Edição: Ano 16 nº 10 - 2007

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As safras de milho e de soja do Brasil e do Rio Grande do Sul, em 2007, apresentaram resultados alentadores na produção e na produtividade. No Brasil, a produção de soja cresceu 11,0%, mesmo com redução de 6,7% na área plantada, e o milho alcançou a expressiva produção de 52,205 milhões de toneladas (mais 22,4%), com uma expansão de 8,0% na área. No Estado, a produção de soja cresceu 31,5%, com incremento de área de 0,6%, e o milho, cuja área se reduziu de 1,4222 para 1,3660 milhão de hectares, apresentou incremento de 32,3% na produção. Portanto, no Rio Grande do Sul, reduziu-se a área plantada com milho, e a da soja manteve-se praticamente estável; no Brasil, ampliou-se a área de milho, e reduziu- se a da soja, significando, em todos os casos, ganhos expressivos de produtividade.

Nos EUA, maior produtor mundial desses grãos e onde a produção dos biofuels é estimulada, plantou-se, em 2007, 14.561 milhares de acres a mais do que em 2006, e produziu-se 13.307.999 milhares de bushels de milho (matéria-prima para o etanol), contra 10.534.868 na safra anterior. A soja, que concorre com o milho em área, teve esta reduzida de 75.522 para 64.081 milhares de acres, diminuindo em 17,9% a produção.

Havendo a safra 2006/2007 ocorrido num cenário de preços domésticos e internacionais favoráveis — com a renegociação das dívidas em andamento, com os juros (custeio e comercialização) reduzidos para 6,75%, face aos 8,75% da safra já colhida, e o volume do crédito rural ampliado em 16%, no País, passando para R$ 58 bilhões programados no Plano Agrícola e Pecuário 2007-2008 —, a questão que se impõe é qual será o comportamento dos produtores gaúchos e brasileiros quanto à área a ser plantada com esses grãos na safra 2007/2008.

Milho e soja repetirão desempenho em 2008

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Quebra na produção e queda nas exportações gaúchas de soja em 2005

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Edição: Ano 14 nº 06 - 2005

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Os efeitos da quebra na safra gaúcha de grãos sobre os diferentes setores da economia começam a aparecer e passam a ser dimensionados no período pós-colheita. Conforme o levantamento do IBGE efetuado em maio, a redução na produção gaúcha de soja, na safra 2004/05, é de 57,3% em relação à produção obtida em 2003/04. A quebra atual deverá ter reflexos bastante significativos sobre várias áreas da economia gaúcha. As empresas produtoras de máquinas e equipamentos para a agricultura já vinham registrando uma retração nas suas vendas, mas, agora, o que começa a aparecer com maior clareza são os reflexos sobre as exportações do complexo soja, especialmente as de soja em grão. Nos meses de janeiro a abril de 2005, as vendas de soja em grão tiveram uma queda de 96,5% no volume exportado, em relação ao mesmo período de 2004. A perda de receita situa-se no mesmo patamar, ou seja, não há, até este momento, compensações via preços para a queda no volume produzido. Apesar do aumento do preço internacional do grão nos últimos meses, a valorização do real frente ao dólar tem anulado a possibilidade de crescimento da receita auferida pelos setores ligados à produção de soja.

Quebra na produção e queda nas exportações gaúchas de soja em 2005

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