Textos com assunto: Setor terciário

Passados os efeitos da estiagem, a recuperação do PIB concentra-se nos serviços

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Edição: Ano 22 nº 02 - 2013

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Após dois períodos seguidos apresentando queda, a economia gaúcha voltou a crescer no terceiro trimestre de 2012. De acordo com as informações do PIB trimestral, divulgado pela FEE em dezembro, o aumento foi de 7,6% na passagem do segundo para o terceiro trimestre. Dados mensais já mostravam a volta do crescimento ainda em maio. O Índice de Atividade Econômica Regional do Rio Grande do Sul (IBCR-RS), calculado pelo Banco Central, indicou crescimento de 9,5% naquele mês, após uma sucessão de quatro quedas. Essa retomada do crescimento, entretanto, possui certas especificidades, que serão melhor entendidas com a análise desagregada dos três setores

Os serviços mantiveram sua rota de crescimento, sem grandes alterações. O principal destaque seguiu sendo o comércio. Ao contrário de outros anos, a influência negativa da estiagem de 2012 não foi sentida no desempenho da atividade. A sequência dos estímulos vindos da maior oferta de crédito, dos juros mais baixos, da expansão contínua da massa salarial, e, contrabalançando a queda da produção primária, do aumento dos preços agrícolas acabou por sustentar o crescimento do consumo no Estado, inclusive a taxas superiores à nacional.

Na indústria, o destaque positivo continuou a ser a atividade da construção civil, que manteve o ritmo de crescimento verificado ao longo dos períodos anteriores. A indústria de transformação, por outro lado, apresentou queda pelo terceiro trimestre seguido, na série com ajuste sazonal da FEE. A retomada tão aguardada da atividade, alvo de incentivos por parte do Governo Federal, não se confirmou. Da mesma forma que a indústria nacional, a do Rio Grande do Sul manteve-se em queda ao longo de todo o ano. Dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE mostram perda de fôlego de setores importantes no Estado. As atividades de alimentos e fumo aceleraram suas perdas, diretamente impactadas pela menor oferta de produtos primários; as atividades ligadas ao setor automotivo, embora tenham apresentado certa recuperação, ainda mostraram sinais negativos, em linha com a menor produção nacional; calçados e produtos químicos enfrentaram problemas com as restrições impostas pela Argentina às exportações gaúchas. Das 14 atividades pesquisadas pelo IBGE, apenas quatro, com destaque para refino de petróleo e máquinas e equipamentos, expandiram-se no terceiro trimestre do ano.

O retorno da expansão econômica esteve, portanto, diretamente relacionado ao desempenho da agropecuária, uma vez que a indústria e os serviços não alteraram profundamente seus ritmos de crescimento ao longo dos meses de 2012. O desempenho negativo da agricultura, que freou a economia gaúcha durante os primeiros meses do ano, perdeu força a partir de maio. Como a colheita da safra degrãos do Estado concentra-se temporalmente nos primeiros meses do ano, especificamente entre janeiro e abril, já eraesperado que, passada a colheita desses produtos, a economia gaúcha voltasse a crescer, já praticamente livre do peso dasperdas com a agropecuária. Diminuída a importância do Setor Primário no cálculo do PIB trimestral e do IBCR-RS, o desempenho da economia gaúcha passa a depender mais do comportamento da indústria e dos serviços.

Dado o maior peso que os serviços têm no PIB do Estado, na comparação com a indústria, a agregação das taxas de variação dos setores resultou na volta do crescimento. Tal retomada, como já salientado, possui especificidades que devem ser ressaltadas. Em primeiro lugar, porque é consequência da concentração das perdas da agricultura no começo do ano, não significando que esse setor se tenha recuperado nos últimos meses, até porque sua produção só voltará a ser contabilizada com significância em 2013. E, em segundo lugar, porque não representa uma recuperação mais abrangente. Se, por um lado, o comércio e a construção civil continuam a expandir-se, a indústria de transformação ainda não deu sinais consistentes de retomada.

Passados os efeitos da estiagem, a recuperação do PIB

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Aumento da participação do setor serviços na ocupação

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Edição: Ano 17 nº 09 - 2008

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Em julho, o contingente de ocupados na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) chegou à marca de 1.749.000 ocupados, um recorde histórico desde 1992, quando do início da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). O setor serviços é o que vem impulsionando o crescimento no número total de ocupados, alcançando 944.000 em julho (54,0% do total). Nos últimos três meses, o aumento no número total de ocupados foi de apenas 18.000, enquanto, nesse setor, o aumento foi de 32.000. Assim sendo, os demais setores somados apresentaram queda de 14.000 ocupados. Esse resultado se deve fundamentalmente ao fraco crescimento da ocupação do setor de comércio no período.

Confrontando o resultado do mês de julho de 2008 com o do mesmo mês do ano anterior, observa-se um saldo positivo no número de ocupados de 128.000, sendo que o setor serviços é responsável por mais de 80% desse movimento (103.000). Os ramos de serviços que apresentaram os resultados mais favoráveis foram: serviços pessoais, serviços especializados, educação, alimentação e serviços auxiliares.

Em um primeiro momento, o Município de Porto Alegre caracterizava-se por ser um mercado de trabalho especializado no setor serviços. Em anos recentes, esse movimento de crescimento e/ou especialização nesse setor vem sendo experimentado por outros municípios da RMPA, reduzindo a participação da indústria e ampliando a dos serviços no emprego da RMPA.

Aumento da participação do setor serviços na ocupação

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Estrangulamentos, déficits e riscos do setor elétrico brasileiro em 2010 e 2011

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Edição: Ano 17 nº 04 - 2008

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O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) cria um fato político, isso é inegável, pois ele envolve grande quantia de recursos para investimentos nos próximos anos. Dos seus R$ 503,9 bilhões em investimentos entre 2007 e 2010, 54,5% estão previstos para o setor energético, sendo R$ 78,4 bilhões para o setor elétrico. Dado esse quadro, a pergunta que se impõe é: o sistema elétrico corre risco de desabastecimento no período?

Em recente artigo publicado pelo IPEA, os autores estimam que o risco de desabastecimento deve saltar de 4,5% para 10,0% nos anos de 2010 e 2011, enquanto, para o Instituto Acende Brasil, o risco é de 8% a 14%. Em ambos os casos, a estimativa de risco é substancialmente superior ao limite de 5% admitido pela Operadora Nacional do Sistema. Tomando como base estudos anteriores, que estimam um crescimento do PIB de 4,2% a.a., e considerando uma elasticidade-renda da energia elétrica de 1,23, calcula-se um déficit de abastecimento de 9,7% e 14,3% para os mesmos anos. Utilizando-se a elasticidade-renda de 1,3 adotada pelo PAC, os déficits sobem de 10,9% para 16,0%.

Contribuem para essa composição a baixa agregação de usinas hídricas e a dificuldade de abastecer as térmicas a gás natural. Alternativamente, e na contramão, poderão ser mobilizadas as termelétricas a óleo combustível, a diesel ou a carvão mineral, com altos custos operacionais e ambientais.

No leito de uma possível crise na economia norte-americana, uma redução significativa na taxa de crescimento do PIB brasileiro poderá evitar o desabastecimento do setor, à custa de altos níveis de desemprego.

Estrangulamentos, déficits e riscos do setor elétrico brasileiro em 2010 e 2011

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