Textos com assunto: Saúde pública

As internações por agressão no Rio Grande do Sul entre 1998 e 2012

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Edição: Ano 22 nº 10 - 2013

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Ao se considerarem as internações hospitalares no SUS, no Rio Grande do Sul, tendo como causas as agressões externas definidas de acordo com a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10) no período de 1998 a 2012, verifica-se que a média de internações é de 2.403 casos por ano, com um auge de 2.731 casos em 2004, e um mínimo de 1.978 casos em 2008. O aumento do número de casos após 2008 é bastante significativo, em um movimento de volta aos níveis anteriores. No entanto, parece haver uma mudança nessa tendência de aumento a partir de 2011, quando o número de casos de internações por agressão passa de 2.620 em 2010 para 2.354 em 2012.

Até 2010, a participação das mulheres nas internações por agressão não chegou a um quinto do total, representando, em média, 14,9% dos casos de internação. A partir de 2011, observa-se um importante aumento da frequência feminina nas internações por agressão: em 2011, 21,6% dessas internações são de mulheres, e, em 2012, 20,4%, o que pode estar indicando a configuração de uma tendência de aumento da participação feminina no total das internações.

Ao se considerar a distribuição dos casos de internação em uma linha de tempo, o movimento do total de internações é bastante similar às internações masculinas, devido a sua maior participação no total. As internações por agressões decorrentes de disparo de arma de fogo, principal causa de internação, são responsáveis por mais de um terço do total de internações por agressão no período, em média. Com efeito, a frequência de mulheres nesse tipo de internação situou-se, em média, em apenas 8,4% no período, o que contribui para explicar a baixa participação das internações femininas no total.

Esse conjunto de indicadores aponta a existência de “tipos” diferenciados de situações de violência conforme o sexo das vítimas, o que confirma a necessidade de políticas de combate à violência com enfoque de gênero.

As internações por agressão no Rio Grande do Sul entre 1998 e 2012

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O Programa Mais Médicos e a economia da saúde

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Edição: Ano 22 nº 09 - 2013

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O Programa Mais Médicos para o Brasil, do Governo Federal, visa ao preenchimento de vagas para médicos brasileiros no sistema público de saúde, e, caso essas vagas não sejam atendidas internamente, abrir-se-á a possibilidade da contratação de médicos estrangeiros. Nesse sentido, o Programa pretende suprir uma demanda reprimida por serviços médicos anteriormente não atendida.

Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil possui apenas 1,8 médicos por 1.000 habitantes. Proporção inferior à de países como a Argentina (3,2), a Alemanha (3,6), a Austrália (3), a Espanha (4), os Estados Unidos (2,4), a Itália (3,5), o México (2), e o Uruguai (3,7). Analisando-se essas estatísticas, pode-se constatar que existe uma oferta reduzida de médicos no Brasil. A média brasileira de 1,8 médicos por 1.000 habitantes é baixa e, sobretudo, concentrada regionalmente. Cabe frisar, contudo, que esse problema não é uma exclusividade do Brasil. Muitos países como, por exemplo, os Estados Unidos, facilitaram a entrada de profissionais da saúde formados em outros países, a fim de atender à demanda crescente por esses serviços. Assim, a entrada de profissionais do estrangeiro para suprir uma demanda crescente por serviços de saúde não representa nenhuma novidade na esfera internacional e deve ser acessada de forma pontual e despolitizada.

Objetivando salientar o problema da insuficiência de médicos no Brasil, utilizaremos o instrumental analítico da oferta e da demanda. Com esse fim, projetaremos a oferta e a demanda por médicos para 2015 no contexto hipotético de se atingir um novo patamar no que diz respeito à saúde no Brasil. A estimação será simples, abstraindo-se dos problemas estatísticos relacionados à projeção no tempo e da transição demográfica.

A projeção da demanda será um tanto conservadora, tendo em vista que não será ajustada para o fato de que a demanda por serviços públicos cresce a taxas maiores que a renda. Desse modo, a demanda agregada por médicos será calculada como o resultado do produto da projeção populacional do IBGE pela média da razão médicos por 1.000 habitantes (2,72) de cinco países desenvolvidos (Austrália, Canadá, EUA, Itália e Reino Unido). A estimação da demanda total visa ao alcance de um novo patamar, equivalente a média dos países desenvolvidos em um curto espaço de tempo. As manifestações recentes no Brasil sugerem que a população cada vez mais demanda serviços públicos de qualidade, desejando chegar a um nível de atendimento similar ao encontrado em outros países.

Quanto à oferta, sua projeção resultará do produto da projeção populacional do IBGE e da atual razão médicos por 1.000 habitantes (1,8). Visando simplificar os cálculos, assumem-se ausentes os efeitos de maiores gastos na formação dos médicos, as possíveis alterações da produtividade do trabalho, e, finalmente, assume-se que a entrada e a saída de médicos da força de trabalho sejam equivalentes. Desse modo, investiga-se como a oferta mudará até 2015. Obviamente, os resultados serão apenas um indicativo do descompasso entre a oferta e a demanda, com o objetivo de salientar o problema da falta de médicos no Brasil.

Os resultados das projeções para o ano de 2015 indicam o descolamento entre a demanda e a oferta, mesmo empregando-se um cenário conservador. Conforme os cálculos, a demanda total por médicos seria de aproximadamente 546,4 mil médicos contra uma oferta de 361,6 mil. Nesse sentido, o excesso de demanda pode ser oportunamente atendido por médicos estrangeiros, desde que haja o devido controle de qualidade.

Inegavelmente, existe uma demanda reprimida por atendimento médico no Brasil, que, de acordo com a simples projeção, pode aumentar consideravelmente. Como aumentos significativos da produtividade do trabalho podem ser descartados no curto e no médio prazo, tudo indica que o descompasso entre a demanda e a oferta deverá aumentar. Desse modo, a ação do Governo, visando prover serviços de saúde a uma população anteriormente não atendida, engendrará ganhos de bem-estar econômico e social.

A melhoria dos indicadores do nível de saúde dos trabalhadores pode inclusive ter efeitos positivos no processo de desenvolvimento econômico. Nessa linha, existe evidência empírica da correlação positiva entre indicadores de saúde e produtividade do trabalho no longo prazo. Assim, a iniciativa do Governo Federal em permitir a entrada de médicos provenientes de outros países será positiva para a economia como um todo.

Ademais, medidas mais amplas, que reduzam as restrições à entrada de outros profissionais na área da saúde, poderão ter impactos importantes nos setores público e privado. Ao contrário da competição entre hospitais e clínicas, que, em geral, via uma marcha forçada pela aquisição de equipamentos, causa o aumento da capacidade e dos preços no setor de saúde, a entrada dos médicos estrangeiros pode representar uma queda nos custos dos hospitais privados. Essas medidas, em conjunto, impactarão positivamente a economia nacional, fortalecendo o trinômio nível de saúde, produtividade do trabalho, e desenvolvimento econômico.

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Aumenta o número de casos de tuberculose no Rio do Grande do Sul

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Edição: Ano 20 nº 10 - 2011

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No Brasil, a incidência de casos novos de tuberculose regrediu 16,4% de 1991 a 2008, o que levou a taxa de incidência a passar de 58 para 37 casos por 100.000 habitantes. No caso do Rio Grande do Sul, verificou-se uma queda bem menos acentuada, passando de 46 para 42 casos novos por 100.000 habitantes. Em números absolutos, no entanto, verificou-se um aumento de 10% da incidência de casos novos de tuberculose.

As taxas elevadas de incidência de tuberculose estão, geralmente, associadas a baixos níveis de desenvolvimento socioeconômico e a insatisfatórias condições de assistência, diagnóstico e tratamento de sintomas respiratórios, além da insuficiente cobertura da vacina BCG. Segundo o Ministério da Saúde, a importância de controlar a incidência de novos casos de tuberculose reside na redução do risco de um indivíduo vir a contrair tuberculose, em qualquer uma de suas formas clínicas, numa determinada população.

Convém destacar que as metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU para combater a pobreza extrema e a miséria preconizam que os governos, de acordo com a OMS, incluam nessa agenda o combate à tuberculose, a fim de reduzir pela metade o número de casos e de mortes até 2015. O tratamento exige persistência, condições de vida saudáveis, de moradia, saneamento e trabalho.

Aumenta o número de casos de tuberculose no Rio do Grande do Sul

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Hepatite C: uma doença silenciosa

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Edição: Ano 14 nº 12 - 2005

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 180 milhões de pessoas no mundo estão infectadas pela hepatite C. No Brasil, esse número pode chegar a cinco milhões de portadores, oito vezes mais que a contaminação pelo vírus da AIDS.

O vírus HCV, que se torna crônico em 90% dos casos, é o causador da doença crônica hepática conhecida como hepatite C, que se caracteriza por desenvolver, num período de até 20 anos, a cirrose ou o câncer de fígado, sendo a principal causa da necessidade de transplante do órgão. Sua transmissão dá-se por meio de contato direto com o sangue infectado, como na hemodiálise, no uso de drogas endovenosas, na transmissão perinatal e, em menor escala, na introdução de piercings, na realização de tatuagens, de manicura e de acupuntura.

Conforme o Ministério da Saúde, o número de novos casos anuais confirmados em 1999, no Brasil, foi de 4.848, tendo aumentado consideravelmente, alcançando o número de 7.332 em 2003. O RS permanece em segundo lugar na incidência da hepatite C, apesar de haver diminuído o número de casos, de 1.555 para 1.137, nesse período.

São Paulo é o estado que tem apresentado um número ascendente de novos casos, sinalizando a necessidade de um extenso plano de prevenção, a fim de minimizar o contágio da doença em todo o País.

Hepatite C uma doença silenciosa

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Gravidez na adolescência: ainda uma questão a ser enfrentada

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Edição: Ano 13 nº 07 – 2004

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A ocorrência de gravidez na adolescência é um sério problema de saúde pública no País, uma vez que tem várias repercuss ões médicas e sociais. Usualmente, trata-se de uma gravidez de risco, apresentando altas taxas de mortalidade materna, maior número de ocorrências de partos prematuros e de crianças com baixo peso ao nascer. Por outro lado, freqüentemente, é uma gravidez não desejada, acarretando, muitas vezes, o abandono da escola e/ou uma situação de desemprego.

Gravidez na adolescência ainda uma questão a ser enfrentada

No Rio Grande do Sul, também se vivencia essa situação: em 2002, houve 30.507 nascimentos cujas mães tinham até 19 anos (sendo 1.235 de 10 a 14 anos). Entre 1993 e 2002, houve um decréscimo de 16,9% no total de nascimentos, mas, na faixa de 10 a 19 anos, o número de partos caiu apenas 8,6%.

Considerando apenas o grupo das meninas adolescentes, verificou-se uma diminuição do coeficiente de mães por 1.000 mulheres dessa faixa etária, o qual passou de 37,7 por 1.000 em 1993 para 32,3 por 1.000 em 2002, o que configura um resultado positivo no que se refere à gravidez na adolescência, ainda que relativamente pequeno para um período de 10 anos.

Assim, ainda que tenha caído o coeficiente de mães com até 19 anos (número de adolescentes que tiveram filhos por 1.000 mulheres de 10 a 19 anos), tendo em vista os problemas tanto sociais quanto de saúde que pode acarretar uma gravidez na adolescência, é importante que se mantenham e se incrementem a educação e a prevenção, para que a gravidez venha a ocorrer em momento oportuno.

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