Textos com assunto: salário

Produção, salário, emprego e produtividade na indústria do RS

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Edição: Ano 24 nº 05 - 2015

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A produção da indústria de transformação instalada no Rio Grande do Sul, seguindo a trajetória do que aconteceu com o parque industrial brasileiro, apresentou uma queda de 4,3% em 2014. Essa trajetória de queda manteve-se nos dois primeiros meses do corrente ano, e, até o momento, não existem indicadores que sinalizem uma recuperação em 2015.

A performance do setor industrial brasileiro e, por decorrência, do gaúcho, ao longo do último decênio,  pode ser caracterizada por alguns fatos estilizados. Em primeiro lugar, desde o início da crise econômica em 2008, a indústria de transformação brasileira entrou em um processo de estagnação da produção. Com a queda observada em 2014, o nível da produção dos respectivos parques industriais situou-se abaixo do observado em 2008.  Assim, a atividade industrial do Estado tem, no desempenho nacional, o seu principal determinante. No entanto, por ter uma grande participação das atividades vinculadas ao agronegócio, o desempenho industrial do RS também mantém estreita dependência da agropecuária. Esta última, no entanto, atua no sentido de amenizar ou fortalecer os períodos de queda ou crescimento da produção, mas não no sentido de definir a sua tendência. Assim, enquanto, no período 2003-08, a indústria de transformação brasileira cresceu a uma taxa média anual de 3,7%, a sua correspondente instalada no território gaúcho cresceu apenas 1,4%. Esse diferencial de crescimento pode ser atribuído, em grande parte, ao fraco desempenho da agropecuária no biênio 2004-05. Para o período 2009-14, essa taxa de variação na produção foi negativa, tanto para o caso brasileiro (-0,25% a.a) como para o gaúcho (-0,35% a.a).

Em segundo lugar, verifica-se que a indústria de transformação deixou de ser um importante gerador de empregos diretos. Assim, mesmo durante o período de crescimento da produção (2003-08), o emprego na indústria de transformação brasileira cresceu a uma taxa média anual de 1,1%. No caso do parque industrial gaúcho, verifica-se uma trajetória constante de redução do emprego ao longo de toda a série. Nos últimos três anos, a indústria vem sistematicamente reduzindo o número do pessoal ocupado, tendência essa que deverá acentuar-se em 2015.

Em terceiro, e como decorrência dos dois movimentos descritos acima, verifica-se que a produtividade da indústria de transformação tem-se mantido praticamente estagnada desde 2008. No caso do RS, a exceção foi o ano de 2013, o qual combinou crescimento da produção com redução do emprego. No entanto, já em 2014, a produtividade novamente se manteve estacionada.  Por fim, uma das mais significativas características do cenário industrial foi a trajetória ascendente do salário real, mesmo após o início da crise. Embora o aumento real do salário seja um importante estímulo ao crescimento da demanda agregada, do ponto de vista empresarial, a sua associação com a estagnação da produtividade tem gerado grandes pressões de custos e um estreitamento da margem de lucro. Setores industriais com maior poder de mercado acabam repassando tais pressões aos preços, o que resulta na dificuldade em se reduzirem os patamares inflacionários da economia brasileira.

A similaridade de comportamento do parque industrial gaúcho e do restante do Brasil não é mera coincidência, mas, sim, uma evidência do fato de que as atividades industriais instaladas no território gaúcho constituem-se em segmentos da indústria nacional. A compreensão da sua dinâmica de crescimento, portanto, implica contextualizá-lo nos cenários nacional e internacional. Assim, a recuperação da produção industrial no RS somente irá acontecer com a recuperação do crescimento econômico nacional.

A superação desse quadro adverso para a indústria implica, em primeiro lugar, a retomada da produção, a qual permitiria um retorno do crescimento da produtividade compatível com o crescimento do salário real. No entanto, esse cenário dificilmente irá ocorrer enquanto a economia mundial não voltar a crescer de uma forma mais robusta. Até mesmo a depreciação do real, embora necessária, constitui-se em uma medida insuficiente, uma vez que outras moedas também têm-se desvalorizado em relação ao dólar. Adicionem-se a isso as dificuldades criadas pela forte concorrência dos produtos asiáticos, não apenas em termos da disputa por mercados, mas também como ponto privilegiado de localização industrial.

Do ponto de vista doméstico, as elevadas taxas de juros e a busca por ajustes fiscais, tanto do Governo Federal como dos estaduais, são medidas que dificultarão uma retomada da produção industrial. Com o crescimento do desemprego, não é de se esperar que o consumo das famílias volte a crescer. Os limites ao crescimento não residem, portanto, nas dificuldades de ordem burocrática ou tributária. Essas dificuldades já existiam no período 2003-08 e não impediram o crescimento. Uma redução da carga tributária poderia aumentar a lucratividade do setor no curto prazo, mas dificilmente ocasionaria a retomada da produção industrial.

Em seu conjunto, os fatores descritos acima acabam por reduzir a competitividade industrial brasileira, a qual impede não apenas a sua inserção externa, como também leva a uma perda do mercado interno. Nesse cenário, os governos estaduais, que dependem fortemente da retomada da arrecadação para fazer frente às necessidades de ajuste das contas públicas, veem reduzida a sua capacidade de fazer políticas públicas, ficando à mercê desses determinantes nacionais e internacionais.

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Trabalhadores de baixos salários na Região Metropolitana de Porto Alegre

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Edição: Ano 24 nº 01 - 2015

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Ao longo dos anos 2000, um dos fenômenos mais relevantes que ocorreram no mercado de trabalho do Brasil foi o da geração de empregos com registros formais. Esse fato é bastante positivo, porque, dentro de certos limites, é razoável assumir-se que esses empregos são de melhor qualidade em comparação com as outras modalidades de inserção na estrutura ocupacional, pois eles permitem o acesso ao sistema de proteção social — Previdência, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, seguro-desemprego, etc. Nesse sentido, a geração de empregos com registros formais teria contribuído para que o mercado de trabalho retomasse o seu processo de estruturação, o qual havia sido interrompido nos dois decênios anteriores. Todavia tem sido mostrado, por algumas pesquisas, que os empregos com registros formais criados nos anos 2000 foram, em grande parte, de baixos salários, o que colocaria em questão o alcance daquele processo. Para corroborar essa compreensão, quando são feitas comparações, no tempo, de distribuições do emprego por faixas de salários mínimos, constata-se que os mesmos foram gerados majoritariamente para trabalhadores que percebem até dois salários mínimos.

Não obstante a constatação empírica proceda, ela não impõe o necessário controle sobre o efeito da mudança no salário mínimo real no período, uma vez que esse passou por um processo de valorização considerável. Isso coloca em dúvida a propriedade do seu uso para aferir a qualidade do emprego em diferentes momentos e, como decorrência, o quão precisa é a afirmação de que os empregos gerados nos anos 2000 são, em ampla medida, de baixos salários. Essa situação sugere a necessidade de se estudarem os empregos de baixos salários através do uso de outras referências analíticas, que não fiquem circunscritas ao salário mínimo. A esse respeito, a literatura sobre trabalhadores de baixos salários — low-wage workers — pode constituir-se em uma alternativa para avançar na investigação desse tema, uma vez que ela elabora e propõe uma série de elementos para o conhecimento de suas causas, níveis de incidência e características.

Com base na literatura sobre o tema, uma das definições que se encontra para os empregos de baixos salários é a da Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que delimita esse segmento como correspondendo aos trabalhadores que percebem menos de dois terços da mediana do salário de uma economia. Alguns trabalhos propõem que se refine essa definição para os empregos de baixos salários ao impor um controle relativo ao número de horas trabalhadas, utilizando como ponto de corte menos de dois terços da mediana do saláriohora. Esse procedimento constitui-se em uma adequação empírica que faz todo o sentido, pois existem trabalhadores com jornadas de trabalho tanto integral quanto parcial, bem como há considerável variabilidade do número de horas trabalhadas em termos individuais. Na medida em que os trabalhadores de baixos salários, enquanto objeto de investigação, têm uma interface com a desigualdade salarial, o uso do salário-hora como uma unidade de medida é mais adequado para o tratamento dessa inter-relação temática.

Além da escolha da definição de empregos de baixos salários, cabe explicitar-se que, neste texto, o trabalho assalariado corresponde à agregação dos empregados nos setores privado e público e dos empregados domésticos mensalistas.

Utilizando-se a definição de empregos de baixos salários antes identificada, acrescida do controle das horas trabalhadas, e aplicando-a à Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), pode-se constatar no gráfico que ocorreu uma tendência de redução considerável da parcela relativa de trabalhadores de baixos salários no período 2000-10, tendo essa passado de 25,1% para 15,6% do emprego regional. A partir de 2011, ela se mostrou relativamente estável, sendo a proporção atingida em 2013 igual à de 2010, que foi a de menor tamanho para o período como um todo.

Tendo por referência a proposição encontrada na literatura de que, em economias em que é menor a desigualdade salarial, a incidência de empregos de baixos salários é também de menor tamanho, elabora-se, de forma breve, uma interpretação a respeito da redução da parcela relativa de empregos de baixos salários na RMPA, no período 2000-13. Para trabalhar esse objetivo, são apresentadas evidências sobre a desigualdade salarial na RMPA, procurando cotejá-las com a evolução da parcela relativa de trabalhadores de baixos salários. De acordo com o que se pode constatar no gráfico, o Coeficiente de Gini dos salários-hora reais teve uma clara tendência de queda — com interrupções somente em 2008 e 2013 —, tendo passado de 0,476 em 2000 para 0,397 em 2013, nível levemente superior ao do ano anterior (0,393), o menor de todo o período. Ao se comparar o comportamento dessa medida de desigualdade salarial com o da parcela relativa de trabalhadores de baixos salários, com exceção dos anos posteriores a 2010, as evidências sugerem a existência de uma associação direta entre ambas, o que vai ao encontro da proposição encontrada na literatura.

Se a incidência de empregos de baixos salários está associada à desigualdade salarial, é preciso avançar-se no conhecimento sobre as causas da queda desta última. A esse respeito, uma possibilidade é assumir a compreensão de que a regulação institucional dos salários é um elemento que para tanto contribui. Nessa perspectiva, deve-se dar atenção — dentre outros aspectos — para a regulação do salário mínimo e dos pisos salariais no Rio Grande do Sul, esses últimos contemplados por uma Lei Estadual desde 2001.

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Produção, emprego e salário na indústria brasileira e na gaúcha

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Edição: Ano 23 nº 11 - 2014

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A crise econômica que teve início em 2008 e que levou a economia mundial a um processo de estagnação ao longo dos últimos seis anos continua a ter impactos negativos sobre a economia brasileira e, em especial, sobre o setor industrial. Uma análise do comportamento da produção e do emprego nos períodos pré e pós-crise basta para perceber a quebra estrutural que ocorreu, no comportamento dessas variáveis, com o início da crise. Por outro lado, a indústria brasileira também tem sido afetada por alguns condicionantes internos, a saber, o baixo nível do desemprego e o elevado patamar inflacionário, os quais acabam influindo diretamente nos salários e nos custos empresariais. Do lado da demanda, a indústria vem sofrendo as consequências da redução do crescimento do consumo das famílias e da forte concorrência internacional.

No período pré-crise (2004-08), a indústria de transformação nacional apresentava uma trajetória de crescimento tanto da produção como do emprego, refletindo-se na folha de pagamento e no salário real por trabalhador. O crescimento deste último não chegava a ser um problema para a indústria, uma vez que ele era acompanhado por ganhos de produtividade (Tabela 1). No entanto, a partir de 2009, tanto a produção como o emprego passaram a apresentar oscilações que, em seu conjunto, têm anulado os ganhos apresentados no período pré-crise. No caso específico do emprego, conforme demonstra a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a queda acumulada até agosto do corrente ano (2,7%) fez com que o seu nível recuasse ao patamar de 2004. Ou seja, o período pós-crise eliminou os ganhos de emprego que a indústria de transformação havia gerado entre 2004 e 2008, fazendo com que seu patamar tenha voltado ao nível de 10 anos atrás. Movimento semelhante ocorreu com a produção física. Neste último caso, porém, a queda apresentada em 2014 (4,0% até agosto) reduziu o nível da produção a um patamar inferior ao de 2008. Como consequência desses movimentos, a produtividade, que vinha crescendo a uma taxa média anual de 2,6% no período 2003-08, teve uma significativa desaceleração (1,3% a.a.) a partir de 2009, sendo que, no corrente ano, ela tem apresentado queda.

Comportamento diferenciado, no entanto, tem mostrado o montante dispendido pela indústria com a folha de pagamento. Com exceção de 2009, o valor real da mesma vem exibindo uma trajetória ascendente. Tal comportamento é resultado do contínuo crescimento do salário real por trabalhador, o qual não sofreu redução mesmo durante os anos mais críticos da crise. Esse comportamento dos salários reais, associado com a desaceleração do crescimento da produtividade, tem sido um importante elemento de pressão sobre os custos empresariais. Os setores com capacidade de repassar o aumento dos custos têm contribuído para manter a inflação em um patamar elevado. Por outro lado, setores mais expostos à concorrência internacional acabam por ter reduzidas as suas margens de lucro e, consequentemente, a sua disposição para realizar novos investimentos.

No que se refere ao segmento da indústria de transformação instalada no Rio Grande do Sul, sua dinâmica de crescimento reflete o desempenho da média nacional, adicionando-se que, em virtude do elevado peso do agronegócio na composição da produção industrial, o setor fica mais exposto aos períodos de estiagem. Mesmo no período pré-crise econômica mundial, a indústria, no RS, já vinha apresentando um crescimento abaixo do da média nacional. No entanto, como decorrência da elevada queda no emprego naqueles anos, a produtividade cresceu a taxas elevadas (4,0%), acima da taxa de crescimento do salário real (3,6%). Em contraposição, após 2009, a produção e a produtividade passaram a crescer a taxas inferiores à do salário real. Com a performance observada, até agosto de 2014, na produção física (-5,3%), o patamar da produção encontra-se abaixo dos níveis de 2007.

A superação desse quadro desfavorável ao setor industrial deverá, necessariamente, passar por uma retomada do crescimento da produção e, em decorrência disso, da produtividade. A redução do nível do desemprego verificada ao longo dos últimos anos e o crescimento real do salário são conquistas das quais o País não deve abdicar, sob pena de comprometer os avanços na inclusão social e de diminuição da pobreza. Nesse sentido, uma política de gradual desvalorização cambial pode contribuir para aumentar a inserção externa da indústria nacional e estimular o aumento da produção. No entanto, em um quadro de baixo crescimento mundial, a retomada do crescimento passa pelo estímulo ao mercado interno. Assim, a melhora na gestão das obras públicas em parceria com o setor privado, já iniciadas com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), teria por efeito apressar os investimentos e a produção. O Governo poderá, ainda, lançar mão de novas medidas de estímulo ao consumo através de seus programas de transferência. Ao contrário da falsa controvérsia entre crescimento puxado pelo consumo ou pelo investimento, a reativação do primeiro poderia ser um estímulo ao segundo. Por fim, dado o cenário traçado acima, fica difícil uma recuperação industrial, enquanto o País conviver com as taxas de juros reais mais elevadas do Mundo.

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Evolução da massa de rendimentos reais na RMPA: 2000-11

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Edição: Ano 21 nº 03 - 2012

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A economia gaúcha teve, nos anos 2000, um desempenho mais robusto do que o registrado nos anos 90. Entre 2000 e 2011, a taxa média de crescimento do Rio Grande do Sul foi de 3,1%, sendo que, na primeira metade do período, a média alcançou 1,7%, ao passo que, na segunda, 4,5%. Essa performance favoreceu um aumento do emprego e da ocupação e trouxe reflexos positivos sobre a massa de rendimentos.

Esse contexto se expressou na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). De acordo com os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), entre 2000 e 2011, a massa salarial real elevou-se 53,4%, e a massa de rendimentos reais do total dos ocupados, 36,9%. A elevação da massa salarial e da massa de rendimentos deveu-se, fundamentalmente, à elevação do emprego e da ocupação em 51,3% e em 34,4% respectivamente. Já o rendimento médio real dos assalariados e dos ocupados atingiu, em 2011, praticamente o mesmo patamar de 2000. O aumento mais acentuado da massa salarial e da massa dos rendimentos ocorreu na segunda metade do período. Ao contrário da fase anterior, nesses anos, aumentaram tanto o emprego e a ocupação quanto os salários e os rendimentos, os quais haviam recuado anteriormente.

Evolução da massa de rendimentos reais na RMPA 2000-11

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A polêmica do reajuste dos aposentados

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Edição: Ano 19 nº 02 - 2010

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Tramitam no Congresso Nacional dois importantes projetos, que abrangem os aposentados do INSS. Um deles se refere ao reajuste dos que percebem acima do piso previdenciário, que é de um salário mínimo, enquanto o outro trata do pagamento das diferenças de reajuste entre aqueles que ganham o piso previdenciário e os que ganham acima do piso, concedidas desde 1991.

Até dezembro de 1991, o reajuste de todas as faixas de aposentadorias era vinculado ao mesmo percentual concedido ao salário mínimo: índice de inflação mais um aumento real estipulado pelo Governo Federal. A partir de janeiro de 1992, essa sistemática mudou: o mecanismo anterior foi mantido apenas para quem ganhava o piso previdenciário e, para aqueles que recebiam acima do piso, o reajuste foi limitado tão somente à variação da inflação medida pelo INPC.

O Governo Lula descarta a possibilidade de pagar as diferenças de reajustes entre o piso e acima do piso concedidas desde 1991, argumentando que isso causaria um forte impacto nos cofres da Previdência: somente de 1995 a 2010, o reajuste do piso foi de 628,59%, enquanto o reajuste acima do piso sofreu uma variação de 311,50%.

Com relação ao reajuste dos benefícios, o Governo propõe um aumento real nos moldes do que está sendo proposto ao salário mínimo, que é um percentual da variação do PIB: para o salário mínimo seria de 100% e para as aposentadorias acima do piso, 50% da variação do PIB. Ao se confirmar a previsão da maioria dos analistas, em 2010 o PIB entraria em uma fase de crescimento sustentado da ordem de 4,5% a 5% ao ano, e isso proporcionaria aumentos reais significativos nas aposentadorias, nos próximos anos.

A polêmica do reajuste dos aposentados

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Produção, emprego e salário na indústria gaúcha

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Edição: Ano 17 nº 11 - 2008

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A indústria de transformação do Rio Grande do Sul apresentou, nos oito primeiros meses de 2008, um crescimento de 4,5% na sua produção física, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Tal desempenho esteve bem abaixo da sua congênere brasileira, a qual cresceu 6,0% nesse mesmo período.

Sobre esse desempenho, convém destacar-se que, em primeiro lugar, ele representa uma desaceleração do ritmo de crescimento, quando comparado ao verificado em 2007 (7,4%). Essa tendência de desaceleração, diga-se de passagem, tem-se manifestado ao longo de todo o ano de 2008, o que sinaliza uma expansão ainda menor no fechamento do ano. Em segundo, verifica-se que esse acréscimo na produção física se concentrou em dois setores: produção de máquinas e equipamentos (25,9%) e veículos automotores (19,2%). Como resultado do desempenho desses setores, podem-se observar, também, expressivas taxas de crescimento dos setores de metalurgia básica (9,5%) e produtos de metal (6,8%). Em contrapartida, setores mais tradicionais da indústria gaúcha têm apresentado taxas negativas de variação na produção. Esse é o caso dos setores produtores de bebidas (-7,2%), fumo (-9,8%) e calçados (-4,7%). Exceção a essa regra tem sido o desempenho do setor produtor de alimentos, que apresentou uma taxa de (8,4%), puxado pela recuperação da economia gaúcha e pelo aquecimento do mercado interno nestes dois últimos anos

Pode-se observar, no entanto, que o crescimento da produção não tem apresentado correspondência com a absorção de mão-de-obra por parte da indústria. Assim, se, em 2007, o crescimento do emprego foi praticamente nulo, nos oito primeiros meses de 2008 ele foi de 2,4%. De forma semelhante ao que ocorre com a produção física, observa-se que os setores produtores de máquinas e equipamentos e de veículos automotores estão entre os maiores responsáveis pelo crescimento do emprego. No agregado, no entanto, observa-se que a perda de vagas na indústria de transformação resultante da crise dos anos de 2005 e 2006 ainda não foi recuperada. O resultado conjugado do desempenho da produção e da absorção de mão-de-obra tem sido um significativo aumento da produtividade do parque industrial gaúcho.

Por outro lado, quando se observam os índices da folha de pagamento real da indústria gaúcha, verifica-se que eles têm apresentado um crescimento significativo, conforme pode ser visto no gráfico. De fato, observa-se que, nos dois últimos anos, enquanto a produtividade apresentou um crescimento de 9,6%, a folha de pagamento real cresceu 13,8%. Os indíces demonstram, ainda, uma estreita correlação entre produção física e folha de pagamento. O desempenho conjunto das variáveis folha de pagamento e emprego, portanto, reflete o aumento no salário real do trabalhador empregado na indústria de transformação

Por fim, convém destacar-se que a desaceleração da economia mundial, já em andamento, em conjunto com a queda no preço das commodities, com a crise financeira e com a conseqüente restrição ao crédito, irá afetar, em grande escala, os investimentos e, em grau menor, o consumo das famílias. Com isso, é de se esperar que os setores que vêm liderando o crescimento da indústria gaúcha, mencionados anteriormente, apresentem significativa desaceleração em 2009, impactando o desempenho da indústria e da economia como um todo.

Produção, emprego e salário na indústria gaúcha

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Rendimentos do trabalho: persiste discriminação entre mulheres e homens

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Edição: Ano 17 nº 03 - 2008

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Ao se analisar a discriminação entre os sexos quanto à inserção no mercado de trabalho, os rendimentos têm-se destacado como um dos fatores que mais expressam a desigualdade entre homens e mulheres. Esse quadro é corroborado, quando se verificam os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre sobre o rendimento das mulheres. Em 1993, as mulheres ocupadas recebiam 65,2% do rendimento médio real dos homens (R$ 796,00 contra R$ 1.219,00 do contingente masculino); em 2000, essa proporção foi de 68,3%, iniciando uma trajetória mais virtuosa para as mulheres trabalhadoras. Num movimento oscilante, os anos seguintes indicaram uma tendência de redução da diferença entre os rendimentos médios femininos e os masculinos. A partir de 2000, a menor diferença foi registrada em 2004 (74,7%), tendo-se observado pequeno aumento da desigualdade em 2005 e 2006 e, novamente, uma redução dessa disparidade em 2007 (74,4%, equivalendo a um rendimento médio de R$ 864,00, enquanto o masculino foi de R$ 1.161,00).

Não obstante a redução da diferença entre os rendimentos femininos e os masculinos, a discriminação da mulher no mercado de trabalho ainda é nitidamente anunciada pelos rendimentos auferidos. A despeito da legislação sobre a igualdade de salários, as remunerações têm apresentado diferenças significativas entre os sexos, obedecendo, além da própria discriminação sexual, a critérios que contemplam atributos pessoais, como nível de escolaridade, idade e cor, sendo pouco determinadas pela natureza do trabalho e pela capacitação do indivíduo. Nível de escolaridade superior e situação familiar (estado civil, idade dos filhos), por exemplo, favorecem a inserção da mulher no mercado de trabalho, aproximando seus rendimentos aos recebidos pelos homens, embora, na média, ainda distantes da igualdade.

Rendimentos do trabalho persiste discriminação entre mulheres e homens

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Persistem importantes diferenciais de remuneração entre gêneros

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Edição: Ano 15 nº 05 - 2006

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Embora se observe, ao longo da série dos dados da PED-RMPA, uma tendência de diminuição da desigualdade de ganhos entre homens e mulheres ocupados, esse diferencial se mantém relativamente alto.

Nesse sentido, dados relativos ao ano de 2005 mostram que o rendimento médio real cresceu para ambos os sexos, sendo o aumento um pouco maior para os homens (1,5%) do que para as mulheres (1,2%), interrompendo o movimento de redução da diferença entre os gêneros registrado nos últimos quatro anos. Em 2005, o valor do rendimento médio real das mulheres ficou em R$ 764, atingindo 74,4% do auferido pelos homens, que foi de R$ 1.027. Destaque-se que, no início da série (1993), a diferença de ganhos entre os sexos era ainda maior — a remuneração da mulher alcançava apenas 65,2% da do homem — e que a redução do diferencial se deveu à combinação de queda do rendimento médio real masculino com aumento entre as mulheres.

Todavia a diminuição de desigualdade de remuneração entre os sexos não exclui a situação de desvantagem que ainda permanece para o grupo feminino. Mesmo que se evidencie uma progressiva inserção de mulheres mais escolarizadas no mercado de trabalho, ocupando postos de trabalho similares àqueles ocupados pelos trabalhadores masculinos, persistem importantes diferenças de rendimentos entre os gêneros.

Persistem importantes diferenciais de remuneração entre gêneros

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A renda dos ocupados no primeiro semestre

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Edição: Ano 14 nº 10 - 2005

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Analisando os dados de rendimentos médios mensais por semestres, a partir da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) nas Regiões Metropolitanas de Porto Alegre (RMPA) e de São Paulo (RMSP), desde o ano de 1999 até o primeiro semestre de 2005, pode-se observar a grande queda no indicador renda no trabalho principal. Enquanto a renda média real dos ocupados na RMPA diminuiu 12,2% em relação ao 1º sem./99, na RMSP, a queda acumulada nesse mesmo período foi bem mais acentuada, indo além de 26%.

Com relação aos movimentos observados na série semestral, a partir de 1999 até 2005, é possível observar algumas diferenças e semelhanças no comportamento das duas regiões analisadas. O momento em que começa a ocorrer a queda do rendimento médio real dos ocupados é diferente nas duas. Enquanto a RMPA apresentava um resultado ainda favorável até o ano 2000, para somente em 2001 começar a apresentar queda, a RMSP, já em 1999, havia iniciado o movimento de queda que persiste até hoje. De forma semelhante, os índices de rendimentos com base no 1º sem./99 atingiram os patamares mínimos no 1º semestre de 2003, tanto na RMPA como na RMSP. Atualmente, as duas regiões apresentam um rendimento médio muito próximo ao do menor patamar.

Para detalhar o movimento dos rendimentos médios reais dos segmentos de ocupados na RMPA, optou-se por analisar a variação do 1º sem./05 em relação ao 1º sem./99. No que diz respeito aos diferentes setores de atividade, os ocupados que tiveram maior perda no rendimento, nos últimos seis anos, foram os do comércio e os da construção civil (21,4% e 18,4% respectivamente), enquanto a menor foi observada entre os trabalhadores da indústria de transformação (4,9%). Vale ressaltar que a indústria foi o setor que apresentou maior evolução no nível de ocupação, tendo o seu número de ocupados crescido 20% no período considerado. Já a construção civil mantém, atualmente, o mesmo número de ocupados de seis anos atrás. No que se refere à posição na ocupação, o movimento mais impressionante verificou-se entre os assalariados do setor público. Dentre estes, os estatutários apresentaram um acréscimo de 5,6% no rendimento médio real, enquanto os não-estatutários somaram uma perda superior a 20%. Quanto ao nível de ocupação, ocorreu crescimento de 14% entre os assalariados do setor público, ficando abaixo da média de ocupação total, que cresceu 17%.

Com relação à faixa etária, não houve diferenças relevantes na variação do rendimento médio real, pois todos os grupos etários apresentaram quedas semelhantes. Já quando se observa o grau de instrução, isso não acontece, pois os ocupados com nível superior completo foram os menos afetados pela perda no rendimento, apresentando queda de 13,7%, contra uma retração de 25,4% dos ocupados com ensino médio completo, que foram os que apresentaram maior perda.

A renda dos ocupados no primeiro semestre

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Queda expressiva no rendimento médio dos ocupados

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Edição: Ano 13 nº 11 - 2004

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Analisando os dados de rendimento médio real para os ocupados nas regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), pode-se observar uma queda contínua do rendimento no período de janeiro de 1999 até agosto de 2004, independentemente da região metropolitana analisada. As quedas do rendimento experimentadas pelos ocupados das regiões metropolitanas, por certo, foram de intensidades distintas, porém todas se mostraram muito significativas.

O rendimento médio dos ocupados na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) reduziu-se de R$ 1.415 para R$
1.003 (-29,1%); intensidade idêntica obtiveram os ocupados da Região Metropolitana de Recife (RMR), que, não obstante já terem a menor renda em janeiro de 1999, apresentaram o pior índice de evolução, juntamente com São Paulo. A seguir, no ranking dos ocupados que tiveram maior perda de rendimento, vêm os do Distrito Federal, com uma queda da ordem de quase R$ 300 no rendimento médio real, o que representa uma perda de mais de 19%. A Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) foi a que apresentou a menor queda dentre as regiões analisadas; apesar de ser bastante significativa (-14,8%), ela é quase a metade da experimentada pela Região Metropolitana de São Paulo. A diferença dos percentuais de retração no rendimento entre a RMPA e a RMSP foi tão importante que, em janeiro de 1999, um trabalhador da Região Metropolitana de Porto Alegre recebia, em média, 70,6% do rendimento de um trabalhador da RMSP, passando, em agosto de 2004, para cerca de 85%.

A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) apresentou queda pouco superior à da Região Metropolitana de Salvador (RMS) — 16,7% contra 15,6% respectivamente. Em janeiro de 1999, um ocupado da Região Metropolitana de Salvador recebia, em média, 91,6% do rendimento de um ocupado da RMBH. Esse percentual sofreu pequena alteração e, hoje, é de 92,8%.

O que chama atenção nos dados de rendimento das seis regiões é o fato de as posições iniciais de ordem em momento algum terem se alterado pelo menor período possível, o que mostra um forte componente estrutural operando sobre os rendimentos médios dos ocupados nas regiões metropolitanas.

Analisando os desempenhos da RMPA e da RMSP, é possível observar que o movimento na distribuição por posição na ocupação foi muito pequeno, porém muito semelhante nas duas regiões: pequena elevação no assalariamento, explicada, quase totalmente, por uma elevação do assalariamento privado sem carteira de trabalho. As quedas nos rendimentos aconteceram para todos os ocupados indiscriminadamente, tanto para os do setor formal como para os do informal, ou seja, a queda da renda dos ocupados nas regiões não pode ser explicada por uma mudança no perfil de distribuição dos ocupados por posição, mas, sim, por uma queda de poder aquisitivo em todos os níveis de ocupados, queda esta sempre maior para os ocupados da Região Metropolitana de São Paulo em relação aos da de Porto Alegre.

Queda expressiva no rendimento médio dos ocupados

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