Textos com assunto: RMPA

Região Metropolitana de Porto Alegre

Desenvolvimento humano na RMPA e os gargalos na educação

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Edição: Ano 26 nº 2 – 2017

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O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, elaborado em 2014 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), pela Fundação João Pinheiro (FJP) e pelo Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD), permitiu um mapeamento do desenvolvimento humano brasileiro para os anos de 1991, 2000 e 2010, utilizando dados dos Censos Demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o objetivo de atualizar o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) para os anos intercensitários, foi criado o Radar IDHM, com mais de 60 indicadores socioeconômicos calculados para os anos de 2011, 2012, 2013 e 2014, a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Por limitações impostas pela característica amostral da pesquisa, as regiões metropolitanas (RMs) analisadas foram apenas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Distrito Federal.

A Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) manteve-se em sexto lugar no ranking de melhor IDHM entre as 10 RMs do estudo no período 2011-14. De 2011 a 2014, o IDHM da RMPA apresentou crescimento contínuo, a uma taxa média de crescimento anual de 0,9%, inferior à observada entre 2000 e 2010, que foi de 1,1%. Também o IDHM-Educação (IDHM-E) apresentou redução na taxa média de crescimento anual, de 2,2% para 1,4% na comparação entre os dois períodos. Já as taxas médias de crescimento anual dos IDHM-Renda (IDHM-R) e IDHM-Longevidade (IDHM-L) apresentaram elevação, de 0,5% para 0,9% e de 0,55% para 0,58% respectivamente.

O IDHM-L é calculado a partir da esperança de vida ao nascer. Na RMPA, a esperança de vida ao nascer era de 76,6 anos em 2011, passando a ser de 77,5 anos em 2014. Para esse crescimento, contribuiu a queda da mortalidade infantil (até um ano de idade), que, em 2011, era de 10,8 óbitos por 1.000 nascidos vivos, reduzindo-se para 9,8 por 1.000 nascidos vivos em 2014. No mesmo período, a RMPA perdeu uma posição no ranking entre as RMs de melhor IDHM-L, passando da segunda para a terceira RM com melhor índice, enquanto a RM São Paulo passou do terceiro para o segundo lugar.

Já o IDHM-R é calculado com base na renda per capita dos domicílios. Na RMPA, a renda domiciliar per capita subiu de R$ 987,17 em 2011 para R$ 1.119,61 em 2014 (valores deflacionados para agosto de 2010). No mesmo período, a RMPA perdeu uma posição no ranking desse indicador, saindo de terceiro para quarto lugar, devido, novamente, à ascensão da RM São Paulo, que foi da quarta para a segunda posição.

O IDHM-E é a síntese dos subíndices escolaridade e frequência escolar. Escolaridade refere-se à proporção de adultos com ensino fundamental completo. Frequência escolar é um subíndice composto por quatro indicadores de proporções: crianças de cinco a seis anos de idade frequentando a escola, crianças de 11 a 13 anos frequentando os anos finais do ensino fundamental, adolescentes de 15 a 17 anos com ensino fundamental completo e jovens adultos de 18 a 20 anos com o ensino médio completo. Apesar de a RMPA figurar no penúltimo lugar no ranking do IDHM-E em 2014, esse foi o único dos três índices componentes do IDHM em que a RMPA apresentou melhora no ranking, passando de último lugar para penúltimo, ficando à frente da RM Belém.

Por este último índice ser composto por muitos indicadores, a identificação das causas da má colocação da RMPA no ranking das RMs exige uma análise detalhada de todos seus componentes. Em 2014, a escolaridade na RMPA apresentou-se melhor do que a média brasileira, enquanto a frequência escolar ficava bem abaixo da média do País. Dessa forma, passou-se à análise dos quatro indicadores que compõem o subíndice frequência escolar para identificar a razão de este ser o responsável pelo penúltimo lugar da RMPA no ranking do IDHM-E.

Todos os percentuais que compõem o subíndice frequência escolar melhoraram, no período 2011-14, na RMPA, mas essa melhora foi verificada também na média das demais RMs. Em comparação com as demais RMs do estudo, a RMPA manteve-se nas mesmas posições quando se compara 2014 com 2011, à exceção do indicador da proporção de pessoas de 18 a 20 anos com ensino médio completo, em que a RMPA saiu da oitava para a sétima posição. A RMPA ficou em sexto lugar entre as 10 RMs consideradas em relação à proporção de crianças de 11 a 13 anos frequentando os anos finais do ensino fundamental e, em sétimo lugar, na proporção de adolescentes de 15 a 17 anos com ensino fundamental completo. A pior colocação da RMPA está no ranking das crianças de 5 a 6 anos de idade frequentando a escola, em que aparece em último lugar, com 77,6% dessas crianças frequentando a escola, ao passo que, no Brasil, a média é de 93,7%.

Outros indicadores de educação calculados no estudo, que não entraram no cálculo do IDHM, revelam que a RMPA apresenta uma média de anos de estudo superior e taxas de analfabetismo muito inferiores à média nacional, porém os percentuais de estudantes com atraso escolar igual ou superior a dois anos apresentam-se mais elevados do que a média, e o percentual de crianças de 6 a 14 anos frequentando a escola é o menor dentre as 10 RMs estudadas. A educação continua sendo um desafio para os gestores, e as análises apontam onde é mais necessário agir com políticas públicas e para onde direcionar os investimentos públicos.

Como citar:

FERREIRA, Gisele da Silva. "Desenvolvimento humano na RMPA e os gargalos na educação," em Carta de Conjuntura FEE. [visto em 28 de junho de 2017], disponível em: <http://carta.fee.tche.br/article/desenvolvimento-humano-na-rmpa-e-os-gargalos-na-educacao/>.

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Desigualdade racial no mercado de trabalho da RMPA — 2004-14

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Edição: Ano 25 nº 08 – 2016

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Os estudos sobre mobilidade social ou processos de diferenciação social possuem, nas desigualdades raciais, um objeto de investigação privilegiado. Independentemente das diferenças teóricas e das variadas abordagens metodológicas de tais estudos, as pesquisas tentam explicar as desigualdades sociais entre negros e não negros. Entre as diferenças mais analisadas, estão aquelas encontradas no mercado de trabalho, que tendem a ser explicadas por (a) condições de origem social da população negra nos estratos mais baixos da sociedade e (b) discriminação racial intrínseca ao mercado de trabalho. Ainda que tais explicações não sejam contraditórias, os seus usos políticos o são, por isso tendem a aparecer em diversos estudos como incompatíveis. Contudo um dos pontos de encontro entre as diferentes abordagens consiste no acesso às etapas do ensino formal, bem como na sua conclusão, como as principais causas das desigualdades raciais no mercado de trabalho. Dessa forma, será realizada uma breve análise sobre as diferenças na taxa de desemprego e no rendimento médio real entre negros e não negros, no mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre, com enfoque na escolaridade.

De acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA), o período entre os anos de 2004 e 2014 possui como característica o bom desempenho do mercado de trabalho diante da contínua redução da taxa de desemprego e do aumento do rendimento médio real. A taxa de desemprego teve queda de 15,9% para 5,9% nesse período. A análise por raça/cor mostra que a taxa de desemprego para os negros se reduziu de 23,1% em 2004 para 8,5% em 2014; já para não negros, passou de 15,2% para 5,5%. Apesar do comportamento positivo do mercado de trabalho, a desigualdade na taxa de desemprego entre negros e não negros manteve-se praticamente estável nesse período. A razão da taxa de desemprego entre esses dois grupos populacionais inicia e termina a série com o mesmo valor (1,55), o que significa que a taxa de desemprego entre os negros se manteve 55% mais elevada do que entre os não negros. Destaca-se que os negros eram 16,6% dos desempregados em 2004, parcela que cresceu para 19,1% em 2014.

Ao comparar as taxas de desemprego por raça/cor, segundo as faixas de escolaridade, percebe-se que os não negros apresentam vantagem em relação aos negros em todos os níveis de escolaridade, conforme a tabela. No período entre 2004 e 2014, observou-se, para os negros, uma redução mais acentuada da taxa de desemprego entre aqueles com ensino fundamental completo (64,1%), enquanto, para os não negros, a maior redução ocorreu entre aqueles com o ensino fundamental incompleto (63,3%). Diante disso, registraram-se aumento da desigualdade na taxa de desemprego entre negros e não negros para aqueles com ensino fundamental incompleto (de 44,0% para 75,4%) e redução para aqueles com ensino fundamental completo (de 49,0% para 22,5%) e ensino médio completo (de 30,4% para 28,3%).

A análise do rendimento médio real dos ocupados entre 2004 e 2014 mostra um crescimento mais acentuado para os negros (34,8%) do que para os não negros (21,5%), tendo sido observado esse comportamento em todos os níveis de escolaridade. Essa trajetória do rendimento médio real contribuiu para reduzir as desigualdades de renda do trabalho entre esses dois grupos populacionais. Nesse período, a diferença do rendimento médio real entre negros e não negros diminuiu de 20,5% para 14,1% para aqueles com o ensino médio completo e de 17,3% para 11,2% para aqueles com o ensino fundamental completo. Já para aqueles com o ensino fundamental incompleto, ocorreu variação de 18,9% para 17,6%, mantendo-se relativamente estável.

Cabe destacar que, devido ao reduzido número de negros com ensino superior, não foi possível divulgar a taxa de desemprego e rendimento médio real para esse nível de escolaridade. Apenas 6,9% dos negros que participavam do mercado de trabalho em 2014 tinham nível superior contra 18,3% dos não negros, indicativo de um desequilíbrio entre os dois grupos quanto à inserção no ensino superior.

Em síntese, apesar de alguns avanços, o bom desempenho do mercado de trabalho entre 2004 e 2014, com considerável redução da taxa de desemprego e aumento do rendimento médio real, não foi suficiente para eliminar as desigualdades entre negros e não negros no mercado de trabalho. Persiste uma elevada diferença nas taxas de desemprego e nos rendimentos médios reais que é desfavorável à população negra, ainda que se considere o mesmo nível de escolaridade. A desigualdade racial no mercado de trabalho possui outros importantes elementos além da conclusão das etapas do ensino formal, o que exige uma ampliação e um aprofundamento dos estudos, pois uma igualdade no nível de escolaridade não garante igualdade de oportunidades entre negros e não negros no mercado de trabalho.

Taxa de desemprego e rendimento médio real dos ocupados, por raça/cor e segundo faixas de escolaridade, na Região Metropolitana de Porto Alegre — 2004 e 2014

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Perfil sociodemográfico do desempregado em 2015, na RMPA

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Edição: Ano 25 nº 04 – 2016

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O mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), em 2015, apresentou desempenho muito adverso em comparação com o do ano anterior. O nível ocupacional retraiu-se em 1,7%, com a perda de 31 mil postos de trabalho, e o estoque de desempregados teve aumento de 56 mil pessoas, tendo sido estimado em 169 mil indivíduos. A taxa de desemprego total aumentou de 5,9% em 2014 para 8,7% da População Economicamente Ativa (PEA) em 2015, interrompendo a tendência de declínio iniciada em 2004. Esse crescimento de 47,5% da taxa de desemprego no período de um ano é a maior elevação da série histórica da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da RMPA, cuja primeira média anual é de 1993.

Os setores de atividade econômica, com exceção dos serviços, apresentaram, em 2015, variações negativas na comparação com 2014. O setor de serviços cresceu 0,6% (6 mil pessoas). Os outros setores tiveram queda: indústria de transformação, de 3,6% (-11 mil pessoas), comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, de 6,2% (-22 mil pessoas) e construção, de 2,1% (-6 mil pessoas). Assim, o setor do comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas foi o que apresentou a maior perda no número de empregos.

No exame do comportamento do perfil sociodemográfico do contingente de desempregados, analisaram-se as variáveis sexo, idade, posição no domicílio, raça/cor e nível de escolaridade.

Com relação ao sexo, embora a taxa de desemprego entre as mulheres, em 2015, apresentasse um patamar mais elevado do que para a população masculina, foram os homens que sofreram o maior aumento da taxa de desemprego, em comparação com o ano anterior. De fato, a taxa de desemprego masculino apresentou uma variação anual de 55,6% e elevou-se de 5,4% em 2014 para 8,4% em 2015. A taxa de desemprego  das mulheres teve um crescimento menor (37,9%) e passou de 6,6% para 9,1% no mesmo período.

No atributo idade, os mais atingidos pelo desemprego foram  os adultos maiores de 40 anos. O crescimento foi de 73,5% na faixa etária de 40 a 49 anos e de 87,5% na de 50 a 59 anos de idade. Já entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, a taxa de desemprego passou de 14,4% em 2014 para 19,7% em 2015, com uma variação anual de 36,8%, a menor variação por faixa etária, em que pese existir entre os jovens a maior taxa de desemprego.

Quanto à posição no domicílio, os chefes foram os que mais tiveram aumento na taxa de desemprego, embora apresentassem a menor taxa, passando de 3,3% em 2014 para 5,9% em 2015, uma variação anual de 78,8%. Portanto, a crise econômica atingiu a posição mais importante no domicílio para o sustento das famílias. Em segundo lugar, vêm os cônjuges, representados principalmente por mulheres, cujas taxas de desemprego passaram de 4,7% em 2014 para 6,5% em 2015, com variação anual de 40,4%.

A população negra foi um pouco mais afetada do que a população não negra. Enquanto os primeiros tiveram uma variação anual de 48,2%, os segundos apresentaram uma variação anual de 47,3%. Contudo, o desemprego foi maior e mais estrutural entre os negros, saltando de 8,5% em 2014 para 12,6% em 2015. Já entre os não negros, a taxa de desemprego, que era de 5,5% em 2014, passou a 8,1% em 2015.

Com relação ao nível de escolaridade, a elevação do desemprego foi maior para os indivíduos com ensino fundamental incompleto e entre aqueles com o ensino superior completo. A taxa de desemprego aumentou de 7,5% em 2014 para 11,0% em 2015 (variação de 58,6%) para aqueles com o ensino fundamental incompleto. Já para os indivíduos com o ensino superior completo, a taxa de desemprego passou de 2,3% em 2014 para 3,6% em 2015 (variação de 56,5%). Assim, a crise econômica atingiu tanto as pessoas com baixa escolaridade quanto aquelas com maior nível de instrução.

Enfim, pelo fato de o ano de 2015 ser marcado por uma recessão econômica, todos os segmentos da PEA foram atingidos pelo desemprego, destacando-se as parcelas mais representativas do mercado de trabalho, dentre elas, os homens, os trabalhadores maduros com 40 anos ou mais e os chefes de domicílio. Um fator novo nessa crise é o impacto maior do desemprego entre a população mais madura, ao contrário de outras crises anteriores, em que os jovens eram mais atingidos, apesar de a taxa entre eles ainda ser muito alta.

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Vulnerabilidade e prosperidade social na Região Metropolitana de Porto Alegre

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Edição: Ano 24 nº 12 – 2015

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O Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) das regiões metropolitanas (RMs) brasileiras, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em outubro de 2015, apresentou um mapeamento da exclusão e da vulnerabilidade social para as principais RMs do País. A Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), com um IVS na faixa de vulnerabilidade baixa (0,270), foi a de menor índice em 2010. A dimensão Renda e Trabalho, que, além de indicadores quanto à insuficiência de renda, inclui fatores relacionados ao fluxo de rendimentos — desocupação, ocupação informal, dependência de idosos, trabalho infantil —, foi a de melhor performance em todas as RMs, no período 2000-10. Nessa dimensão, a RMPA passou de vulnerabilidade média (0,331) em 2000 para muito baixa (0,190) em 2010. Na dimensão Capital Humano, que inclui indicadores de saúde e educação, determinantes para as condições futuras de inclusão social, a RMPA também registrou melhora, passando de um nível de vulnerabilidade alto (0,402) para um nível baixo (0,266). A dimensão Infraestrutura Urbana apresenta uma limitação, devido à inexistência de dados no Censo 2000 para mobilidade, refletindo apenas a variação nas condições de serviço de saneamento básico dos domicílios, entre 2000 e 2010. Entretanto, destaca-se que, em relação à mobilidade, na RMPA, em 2010, 14% da população ocupada de baixa renda levava uma hora ou mais no deslocamento entre a casa e o trabalho.

Por fim, com o cruzamento do IVS com o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), observa-se que a RMPA alcançou um nível de Prosperidade Social muito alto, dado que, em 2010, registrou um baixo nível de vulnerabilidade social associado a um alto nível de desenvolvimento humano.

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Evolução do emprego em Porto Alegre — 2000-14

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Edição: Ano 24 nº 09 – 2015

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A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) teve tendência declinante no período 2000-14, e a cidade de Porto Alegre destacou-se ao apresentar menor taxa de desemprego em relação aos demais municípios da RMPA. A taxa de desemprego, em 2014, era de 4,9% em Porto Alegre e de 6,5% nos demais municípios da RMPA.

Além do menor desemprego, Porto Alegre também possuía a menor proporção de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado, e esse indicador foi reduzido quase pela metade no período de 2000 a 2014. Os assalariados sem registro formal decresceram de 48 mil para 32 mil (queda de 33,3%) nesse período.

Destaca-se que o setor privado teve forte expansão durante o período analisado, com a geração de postos de trabalho com registro formal, que apresentam maior proteção social. Nesse período, Porto Alegre teve aumento de 98 mil postos com carteira assinada (47,6%) e passou de 206 mil para 304 mil. Do total do emprego assalariado (454 mil) em 2014, 74% correspondiam ao setor privado (336 mil). Dentro desse segmento, 90,5% possuíam registro formal e apenas 9,5% não tinham carteira assinada. A participação do setor privado na ocupação foi maior nos demais municípios da RMPA, enquanto Porto Alegre possuía uma concentração maior de trabalhadores no setor público, a qual correspondia a 18% em 2014.

Isso pode estar contribuindo para que o salário médio real em Porto Alegre (R$ 2.307,00) tenha sido 42,8% superior ao dos assalariados nos demais municípios da RMPA (R$ 1.615,00) em 2014. Além disso, 31,1% dos ocupados de Porto Alegre tinham escolaridade de nível superior, em contraste com apenas 9,8% nos demais municípios da RMPA.

Em síntese, a cidade de Porto Alegre obteve crescimento do emprego com maior proteção social (emprego formal) no período de 2000 a 2014, além de apresentar a menor taxa de desemprego e o maior salário médio real ao longo desse período.

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Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) — 2000-10

Por: e

Edição: Ano 23 nº 12 - 2014

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O Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, elaborado, em 2014, pelo Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA), pela Fundação João Pinheiro (FJP), e pelo Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD), permite uma análise da realidade socioeconômica intrametropolitana não perceptível nos indicadores apoiados em outros níveis geográficos. A RMPA foi dividida, em 2010, em 722 Unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs), formadas pela agregação de setores censitários, com características socioeconômicas homogêneas. Por meio das UDHs, foram identificadas as disparidades entre as áreas metropolitanas, nas dimensões conhecimento (IDH-Educação (IDH-E)), direito a uma vida longa e saudável (IDH-Longevidade (IDH-L)) e a um padrão de vida digno (IDH-      -Renda (IDH-R)). Os níveis de desenvolvimento humano variam de 0 a 1, podendo ser: muito baixo (0 a 0,499); baixo (0,5 a 0,599), médio (0,6 a 0,699), alto (0,7 a 0,799) e muito alto (0,8 a 1).

A RMPA atingiu um IDH de 0,762 em 2010, superior ao IDH brasileiro, de 0,727, porém caiu da quarta para a nona posição entre as 16 regiões metropolitanas (RMs) analisadas no período. O mais elevado IDH foi encontrado na RM de São Paulo (0,794); e o mais baixo, na RM de Manaus (0,720).

No período 2000-10, nas 335 UDHs localizadas no Município de Porto Alegre, o número de áreas com IDH alto e muito alto aumentou, enquanto houve uma redução no número de áreas com IDH baixoemuito baixo. Quanto aos demais municípios da RMPA, o percentual de áreas com índices altoemuito alto subiu de 14% para 54,8%, enquanto as de IDH baixo e muito baixo se reduziram de 50% para 1,8%. Em 2010, nenhuma área da RMPA apresentou índice de desenvolvimento humano muito baixo; 60,3% das UDHs registraram índices muito alto e alto; 35,9%, médio, e apenas 3,9%, baixo. Os maiores índices (0,9 a 0,958) foram encontrados em Porto Alegre (48 UDHs), em Novo Hamburgo, na UDH Centro/Vila Rosa, e em São Leopoldo, na UDH Centro e entorno. Os menores índices (0,5 e 0,596) situaram-se em Porto Alegre (21 UDHs), em Novo Hamburgo (seis UDHs) e em Canoas, na UDH Matias Velho/Harmonia.

Para a avaliação da longevidade, foi utilizado o IDH-L, obtido a partir do indicador esperança de vida ao nascer. O IDH-L do Brasil passou de médio, em 1991, para alto, em 2000, chegando a muito alto em 2010. Em 2000, a RMPA apresentava o mais elevado IDH-L dentre as 16 RMs avaliadas, sendo ultrapassada, em 2010, pela RM do Distrito Federal e entorno. No período 2000-10, a esperança de vidaao nascer do Brasil passou de 68,6 anos para 73,9 anos, enquanto, na RMPA, aumentou de 73,6 para 76,3 anos, o menor crescimento entre as regiões analisadas. Foram verificados índices superiores a 0,95 na RMPA apenas em Porto Alegre, nas UDHs Bela Vista, Independência (André Puente), Três Figueiras, Moinhos de Vento, Rio Branco (IPA), Menino Deus (Ganzo/Visconde do Herval), Vila Ipiranga (Iguatemi/Germânia) e Belém Novo (Mário Carvalho), com esperança de vida ao nascer de 82 anos. Já índices abaixo de 0,76 foram localizados apenas em Canoas, nas UDHs Guajuviras A, Harmonia/Centro e São Luis, com esperança de vida ao nascer de 70 anos, 12 anos a menos do que a das áreas com índices superiores.

Quanto à educação, o IDH-E considera, em sua composição, os subíndices: frequência escolar, com peso de 2/3, e escolaridade, com peso de 1/3. O IDH-E do Brasil, classificado como muito baixo em 1991 e em 2000, passou para médio em 2010. O IDH-E da RMPA passou de baixo(0,524), em 2000, para médio (0,649) em 2010, nível alcançado por 11 RMs no período. Os índices mais elevados, verificados em cinco regiões, ficaram entre 0,7 a 0,737. Os mais elevados IDH-E da RMPA, entre 0,9 e 0,95, foram encontrados em UDHs de Porto Alegre e Novo Hamburgo, e os menores, abaixo de 0,43, situaram-se em UDHs de Canoas e, também, de Novo Hamburgo.

Para analisar o rendimento, o IDH-R é calculado a partir do indicador renda per capita. O IDH-R do Brasil classificava-se como médio em 1991 e em 2000, passando para alto em 2010. Nesse ano, a renda média domiciliar per capita da RMPA foi de R$ 1.143,12, face à de R$ 793,87 do Brasil. Os mais elevados índices da RMPA, entre 0,95 e 1, foram encontrados nas UDHs de Porto Alegre e Novo Hamburgo, e os menores, de 0,6 a 0,62, situaram-se em Canoas, nas UDHs Guajuviras A, Harmonia/Centro e São Luis, com renda média per capita de R$ 374,26. A renda média per capita mais alta, de R$ 7.216,42, foi registrada em Porto Alegre, nas UDHs Bela Vista, Independência (André Puente), Três Figueiras, Moinhos de Vento, Rio Branco (IPA), Menino Deus (Ganzo/Visconde do Herval), Vila Ipiranga (Iguatemi/Germânia) e Belém Novo (Mário Carvalho).

O IDH metropolitano apontou uma melhora significativa no nível de desenvolvimento humano e a redução das disparidades entre as 16 RMs estudadas, todas com IDH alto em 2010. Na RMPA, observou-se que, em 2000-10, o percentual de UDHs com nível de desenvolvimento baixo (IDH entre 0 e 0,59) reduziu-se de 41% para apenas 3,9%, enquanto o percentual de áreas com desenvolvimento elevado (IDH entre 0,7 a 1) mais que dobrou, passando de 28,3% para 60,3%. No entanto, no quesito renda, a disparidade entre as áreas metropolitanas ainda é elevada, uma vez que a renda per capita das UDHs de maior renda corresponde a 19 vezes a renda das UDHs mais carentes da RMPA.

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Desempenho do mercado de trabalho da RMPA no primeiro semestre de 2013

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Edição: Ano 22 nº 08 - 2013

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O período jan.-jun./13 foi marcado por estabilidade no mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). Segundo os dados levantados pela PED-RMPA, esse equilíbrio deveu-se à constância do contingente da População Economicamente Ativa (PEA), que, com a pequena variação negativa no número de ocupados, determinou que o contingente de desempregados tivesse um leve aumento, de um mil indivíduos. A taxa de desemprego total, que era de 6,5% em dez./12, passou para 6,6% em jun./13.

Nos setores de atividade econômica, houve aumento do número de ocupados somente no setor serviços, que teve uma ampliação de 18 mil em seu contingente. Já os setores que tiveram redução no número de pessoas ocupadas foram indústria de transformação (menos 8 mil pessoas), construção civil (menos 12 mil), e comércio; reparação de veículos e motocicletas (menos um mil indivíduos).

A desaceleração da atividade econômica no País, no primeiro semestre de 2013, contribuiu para o comportamento do mercado de trabalho na RMPA, que, em termos médios, teve um semestre de estagnação, determinando uma variação anual do contingente ocupado de apenas 0,3% no período jun./12-jun./13, bem inferior aos 1,4% de jun./11-jun./12. A taxa global de participação, que indica a proporção de pessoas com 10 anos e mais incorporada ao mercado de trabalho como ocupada ou desempregada, também não teve alteração entre dez./12 e jun./13, ficando em 56,6%. Contudo a taxa de desemprego manteve-se em patamares baixos, atingindo, em fev./13, a menor taxa em toda a série histórica da PED-RMPA, de 6,2% da PEA.

Desempenho do mercado de trabalho da RMPA no primeiro semestre de 2013

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Os jovens no mercado de trabalho da RMPA (2000-12)

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Edição: Ano 22 nº 06 - 2013

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Um dos marcos da transição do jovem para a vida adulta ocorre com a passagem do ambiente escolar para a inserção no mercado de trabalho. Porém a vinculação do jovem com o mundo do trabalho revela algumas peculiaridades, como a taxa de desemprego elevada em comparação à dos adultos e o alto número de jovens que não estudam nem trabalham. Com o intuito de analisar as principais mudanças pelas quais passou o segmento juvenil na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) entre 2000 e 2012, é utilizada a base de dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMPA). Para propósitos de análise, são considerados jovens os indivíduos do segmento populacional entre 16 e 24 anos.

No período analisado, a população jovem cresceu até 2004, quando atingiu 615 mil indivíduos. Contudo, a partir de 2005, esse segmento da população passou a declinar, situando-se em 552 mil indivíduos em 2012, sendo um indicativo do processo de transição demográfica e mudança na estrutura etária da população no Brasil. A proporção dos jovens na População em Idade Ativa (PIA), por sua vez, após ter-se mantido relativamente estável, ao redor de 20,0%, entrou em uma trajetória declinante a partir de 2005, atingindo 16,5%, em 2012. Concomitantemente a isso, a População Economicamente Ativa (PEA) jovem caiu 12,7% entre 2000 e 2012.

Analisando-se os jovens que se encontravam na situação de ocupados na RMPA, a mudança no nível de escolaridade em pouco mais de uma década foi significativa. Os jovens com escolaridade fundamental incompleta, que representavam 27,4% em 2000, passaram a representar 12,1% dos ocupados jovens em 2012, enquanto o grupo com ensino médio completo a superior incompleto passou de 40,2% para 54,7% no mesmo período. Apesar desse movimento de melhoria na escolarização no segmento juvenil, em 2012, 11,2% dos jovens não estudavam nem trabalhavam na Região. Os dados da PED revelam que, mesmo com a queda verificada em relação ao ano 2000, a taxa de desemprego entre os jovens na RMPA foi de 15,8% em 2012, sendo mais do que o dobro da verificada na média do mercado de trabalho.

Os jovens no mercado de trabalho da RMPA (2000-12)

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Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre, em 2012

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Edição: Ano 22 nº 03 - 2013

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O ano de 2012 evidenciou continuidade no processo iniciado em 2004 de redução do desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), ainda que em ritmo menos intenso do que o verificado em 2011, conforme mostram os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Nesse sentido, a taxa de desemprego total declinou de 7,3% da População Economicamente Ativa (PEA) em 2011 para 7,0% em 2012, atingindo o menor patamar da série histórica da Pesquisa, cuja primeira média anual é a de 1993. O contingente de ocupados elevou-se em 13 mil pessoas, número superior ao de indivíduos que ingressaram no mercado de trabalho (8 mil), o que proporcionou a queda do desemprego. Esse comportamento do desemprego pode ser considerado razoável, pois o Rio Grande do Sul apresentou retração em seu nível de atividade econômica, em 2012: a variação acumulada do PIB do Estado até o terceiro trimestre frente a igual período de 2011 foi de -2,1%.

Decompondo-se o desemprego por tipo, constata-se que foi mais intenso o ritmo de redução da taxa de desemprego oculto (-9,1%) em comparação ao da taxa de desemprego aberto (-3,2%). Essa é uma tendência que vem ocorrendo ao longo do período 2001-11, e a mesma pode ser interpretada como uma expressão do processo de estruturação do mercado de trabalho regional: em um contexto de criação de empregos formais, de redução da incidência do desemprego e de melhora das condições de acesso ao seguro-desemprego, cada vez mais há diminuição da proporção de pessoas que precisaram recorrer a trabalhos precários para sobreviverem ou que se encontravam desalentadas. A esse respeito, as pessoas em desemprego oculto passaram a representar 15,0% do estoque total de desempregados da RMPA em 2012, proporção que havia sido de 35,3% em 2001.

Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre, em 2012

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Melhora a qualidade do emprego na RMPA

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Edição: Ano 22 nº 01 - 2013

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A qualidade do emprego tem um forte impacto no bemestar dos trabalhadores, o que, por si só, a torna uma questão relevante. De fato, para a maioria das pessoas empregadas, o trabalho ocupa grande parte do seu tempo disponível, sendo elemento primordial para a satisfação de suas necessidades. Desse modo, melhorar a qualidade do emprego contribui diretamente para o bem-estar dos trabalhadores e de seus familiares.

A esse respeito, com base nos dados estatísticos da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA), podemos constatar evidências da melhoria da qualidade do emprego no início deste novo século. Ao analisar as informações para o período 1999-2011, observa-se que a geração de novos postos de trabalho deu-se, preponderantemente, no emprego formalizado do setor privado (73,4% com carteira e 4,9% sem carteira). Saliente-se que o crescimento do assalariamento com carteira assinada tem consequências importantes, porque a carteira não é apenas um contrato entre trabalhador e empregador, mas implica também o registro junto ao Ministério do Trabalho e Emprego, que dá acesso a direitos e benefícios estipulados pela legislação trabalhista e previdenciária.

Ademais, outro aspecto que indica a melhoria da qualidade do emprego é a análise da dinâmica de seu crescimento por tamanho das empresas. Nesse particular, dados da PED-RMPA assinalam aumento mais expressivo de ocupados com carteira assinada nas empresas de maior porte: de 100 a 499 empregados (70,4%) e de 500 e mais empregados (68,0%). Esse fato evidencia uma melhor estruturação e organização do mercado de trabalho, uma vez que as empresas maiores possuem melhores condições de oferecer empregos de qualidade e de diminuir a persistente deterioração e a inserção precária dos trabalhadores no mercado de trabalho, visto que os assalariados sem carteira assinada concentraram-se nas empresas entre um e 49 empregados.

Saliente-se que essa trajetória positiva não sofreu solução de continuidade com a crise financeira de 2008, haja vista que, no período 2008-11, continuou o movimento de expansão das ocupações formais, embora com menor intensidade.

Finalmente, vale ainda indagar se a situação favorável do emprego formal foi acompanhada de uma melhoria salarial. Nesse sentido, ao se examinar a evolução do rendimento médio real dos ocupados no trabalho principal, verifica-se que houve um ganho total de 17,3% entre 2004 e 2011, após sete anos de tendência declinante. Padrão similar observou-se entre os assalariados do setor privado com carteira, cujos ganhos reais de salário foram de 13,3%, no mesmo período, após quatro anos de queda.

Esse conjunto de fatores positivos, observado, especialmente, desde 2004, indica uma retomada do processo de estruturação do mercado de trabalho regional, que precisa ser continuada e aprofundada, a fim de reduzir os níveis de precariedade ainda existentes entre os trabalhadores.

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