Textos com assunto: rendimento

Rendimentos do trabalho nos Coredes

Por:

Edição: Ano 12 nº 08 - 2003

Área temática:

Assunto(s): , ,

Aproveitando a recente divulgação de alguns dados municipalizados do Censo 2000 referentes à mão-de-obra, procura-se observar a realidade dos mercados regionais de trabalho do Estado e os contrastes entre eles. Enfoca-se aqui a dimensão dos rendimentos do trabalho. Optou-se por comparar a participação que, nas diferentes regiões representadas pelos Coredes, o segmento de trabalhadores com mais baixos rendimentos detém no total de ocupados.

No RS, em 2000, 53,1% dos ocupados tinham rendimento de até dois salários mínimos, sendo que 9,1% não tinham rendimento, 17,2% recebiam até um salário mínimo, e 26,8% recebiam mais de um até dois salários mínimos. Nas regiões, o percentual de ocupados com rendimento de até dois salários mínimos ficava compreendido entre 36,1% no Metropolitano Delta do Jacuí e 77,9% no Médio Alto Uruguai. Em apenas três Coredes — o já citado Metropolitano Delta do Jacuí, o Serra e o Vale do Rio dos Sinos —, a parcela de ocupados nessa faixa de rendimento era inferior à do agregado estadual. Essas regiões, em conjunto, respondiam por 41% do total de ocupados do RS, influenciando fortemente o agregado do Estado.

As relações entre a distribuição dos ocupados por níveis de rendimento e variáveis populacionais ou outras mais diretamente ligadas ao mercado de trabalho nem sempre são claramente reconhecíveis. Ainda assim, é possível perceber que os Coredes com maiores concentrações de ocupados com baixos níveis de rendimento, especialmente aqueles em que os sem-rendimento têm elevada participação, tendem a apresentar menores taxas de urbanização, maior presença de ocupados em atividades ligadas ao Setor Primário e maior presença de ocupados em categorias de posição na ocupação associadas a formas de inserção mais precárias (empregados sem carteira de trabalho assinada, conta própria, não remunerados e trabalhadores na produção para o próprio consumo).

Os seis Coredes com maior concentração de ocupados com rendimento de até dois salários mínimos — Médio Alto Uruguai, Missões, Fronteira Noroeste, Noroeste Colonial, Vale do Rio Pardo e Nordeste — são também os seis com menores taxas de urbanização, ainda que não exatamente na mesma ordem. Entre esses, encontram-se, ainda, as cinco regiões do Estado que detêm as maiores participações de ocupados no Setor Primário — Médio Alto Uruguai, Fronteira Noroeste, Vale do Rio Pardo, Noroeste Colonial e Nordeste — e também as quatro regiões com maior percentual de trabalhadores em categorias associadas à precarização (Médio Alto Uruguai, Fronteira Noroeste, Noroeste Colonial e Missões). Interessante observar que, nessas regiões, é bastante elevada a participação de ocupados sem remuneração, característica que pode ser associada à forte presença das atividades agrícolas.

Rendimento do trabalho nos Coredes

Compartilhe

Escolaridade e rendimentos nos anos 90

Por:

Edição: Ano 10 nº 10 – 2001

Área temática:

Assunto(s): ,

O mercado de trabalho formal nos anos 90 foi marcado por uma elevação do patamar de escolaridade dos ocupados. A contração do emprego formal no Rio Grande do Sul, de 3,42% entre os anos de 1989 e 1999, localizou-se no estrato de trabalhadores que tinha até o fundamental incompleto — o único contingente que experimentou redução (-30,35%). A parcela com o ensino médio completo foi a que mais cresceu (41,61%), seguida do estrato com o superior completo (22,91%) e do grupo de trabalhadores com o ensino fundamental completo, que cresceu quase 20%. Assim, no final da década, 36,78% do pessoal empregado tinha o ensino fundamental incompleto; 26,70%, o fundamental completo; 24,68%, o ensino médio completo; e 11,83%, o superior completo.

A trajetória dos rendimentos do trabalho, contudo, não acompanhou essa escalada. O rendimento médio real no Rio Grande do Sul praticamente não variou (0,31%), considerando-se as duas pontas, 1989 e 1999. Para os empregados que se situavam no estrato do ensino fundamental completo e do médio completo, as perdas foram acentuadas, de -20,29% e -21,09% respectivamente. Os extremos — o estrato do fundamental incompleto e do su-perior completo — situaram-se próximos da média do Estado: 0,73% e -0,54% respectivamente.

Escolaridade e rendimentos nos anos 90

Chama atenção o fato de que o rendimento médio global quase não se alterou, apesar de os estratos intermediários apresentarem perdas acima de 20% e de os extremos ficarem praticamente estagnados. Isso se explica pela ocorrência de um efeito matemático, ocasionado pela saída maciça de trabalhadores da base da distribuição salarial.

Compartilhe