Textos com assunto: renda

Avanço do desemprego e queda na renda do trabalho em 2003

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Edição: Ano 13 nº 10 - 2004

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O arrocho da política econômica no primeiro ano do Governo Lula repercutiu negativamente no mercado de trabalho, revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) recentemente divulgada. No RS, a renda real do trabalhador caiu, em média, 6,0% em relação a 2002, quando, no País, a queda foi maior, 7,3%. O rendimento médio real do trabalho em 2003 situou-se em R$ 740,28 no RS e em R$ 689,27 no Brasil. Cabe ressaltar que, embora os rendimentos apresentem queda desde 1997, esses patamares de variação ainda não haviam sido registrados. A taxa de desemprego, que tem sido maior no Brasil do que no Estado, elevou-se, no RS, de 6,7% em 2002 para 7,1% em 2003, atingindo em torno de 390 mil pessoas, enquanto, no âmbito nacional, passou de 9,2% para 9,7%, atingindo aproximadamente 8,5 milhões de pessoas.

Não obstante, incorporou-se massa de trabalhadores ao universo dos ocupados. O nível de ocupação experimentou uma elevação de 2,1% no RS e de 1,4% no Brasil, entre 2002 e 2003. Nesse movimento, chama atenção o incremento no contingente de trabalhadores com carteira assinada vis-à-vis ao verificado para o contingente dos empregados sem carteira: o primeiro cresceu 2,9% no RS e 3,4% no Brasil, ao passo que o estoque dos sem carteira cresceu quase nada no RS (0,3%) e caiu 2,3% no Brasil. Mesmo que a participação relativa dos empregados com vínculos legais na estrutura da ocupação, entre 2002 e 2003, pouco tenha se alterado (30,3% para 30,5% no RS e 29,3% para 29,9% no Brasil), esse diferencial de comportamento deve ser registrado como um dado positivo nesse quadro de deterioração das condições gerais do mercado de trabalho.

Avanço do desemprego

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Concentração de renda na RMPA

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Edição: Ano 12 nº 02 - 2003

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Um dos principais problemas do Brasil constitui-se na concentração de renda de seus habitantes. Os últimos dados da ONU sobre distribuição de renda apontam o Brasil como sendo o 113º colocado entre 116 países analisados, atrás do Brasil encontram-se somente os países da Suazilândia, República Centro-Africana e Serra Leoa.

O índice de Gini é o indicador utilizado, internacionalmente, para medir a concentração de renda dos países. Esse índice varia de 0 a 1; quanto mais próximo de 1 for o valor apurado, maior será a concentração de renda, enquanto valores próximos a 0 indicam uma distribuição mais igualitária da renda. O índice de Gini para o Brasil encontra-se no patamar de 0,60; enquanto países avançados, como Áustria, Suécia e Bélgica, apresentam índices inferiores a 0,30. Outros países sul-americanos apresentam índices bem mais favoráveis que o do Brasil, como são os casos da Bolívia (0,447), do Equador (0,437) e do Uruguai (0,423).

Concentração de renda na RMPA

Os níveis de concentração de renda variam bastante entre as diversas regiões do Brasil. Uma das medidas utilizadas para verificar a concentração de renda é calcular a relação entre os maiores e os menores rendimentos. Segundo um estudo realizado pelo DIEESE reunindo dados de seis regiões metropolitanas do País para o ano de 1999, a Região Metropolitana de Porto Alegre foi apontada como sendo a que possui melhor distribuição de renda: os 25% das famílias com rendimentos maiores ganham aproximadamente 15 vezes mais que os rendimentos dos 25% das famílias com rendimentos menores. Essa relação é de 21 vezes para as Regiões Metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte; situação mais grave quanto à distribuição de renda vivem as famílias das Regiões Metropolitanas de Recife, Salvador e Distrito Federal, onde a relação chega a 26, 29 e 33 vezes respectivamente.

A partir de dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi possível calcular o índice de Gini considerando somente a renda oriunda do trabalho principal dos ocupados para os anos de 1993 e 2001. Esse índice difere do índice calculado pelo IBGE com base nos dados demográficos, que utiliza somente a renda total do chefe do domicílio.

Os resultados desse estudo mostram que, nesses oito anos, não houve mudança na estrutura da distribuição de renda na RMPA, apesar da estabilidade econômica experimentada em quase todo esse período. Para o ano de 1993, o coeficiente para a RMPA ficou em 0,481, enquanto, em 2001, se manteve praticamente estável, alcançando 0,475. Os 10% dos trabalhadores da RMPA com menores rendimentos permaneceram recebendo apenas 1,7% da massa total de rendimentos nesse período. O percentual da renda recebido pelos 50% dos trabalhadores com menor rendimento aumentou de 18,8% para 19,5%, porém os 10% dos trabalhadores com rendimentos maiores recebiam 36,4% da massa total em 1993 e 37,2% em 2001.

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Queda na massa dos rendimentos, na RMPA

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Edição: Ano 11 nº 06 - 2002

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Ao longo dos anos 90, verificou-se expressiva mudança na composição da ocupação na Região Metropolitana de Porto Alegre, pois houve importante redução da participação dos assalariados no conjunto dos ocupados. A participação do contingente dos assalariados no total dos ocupados, que era de 68,7% em 1993, declinou para 63,5% em 2000. Esse comportamento é explicado pelo crescimento do nível ocupacional dos não-assalariados (autônomo, empregador, profissional universitário autônomo e dono de negócio familiar), que cresceu 29,4% contra 2,5% dos assalariados nesse mesmo período. Movimento semelhante também se observa na massa de rendimento do trabalho. Nesse mesmo período, a participação da massa de salários sobre o total da massa dos rendimentos caiu de 70,1% para 62,5%.

Contudo, a partir de 2001, há uma inversão, tendo a massa de salários aumentado a sua participação em virtude de uma tendência de queda da massa de rendimento dos não-assalariados. Esse movimento se intensificou mais a partir de dezembro de 2001, quando a massa de rendimentos total passou a apresentar quedas sucessivas. De dez./01 a mar./02, a massa de rendimento dos ocupados acumulou uma perda de 5,1%, movimento determinado, principalmente, pela retração (-3,7%) dos rendimentos médios, ainda que também tenha ocorrido a eliminação de postos de trabalho (-1,4%). Tanto a queda da ocupação quanto a do rendimento concentrou-se nos não-assalariados, que tiveram o seu nível ocupacional reduzido em 7,5% entre novembro de 2001 e março de 2002 e perderam 4,5% do seu rendimento médio real no mesmo período.

Queda na massa dos rendimentos, na RMPA

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