Textos com assunto: renda

Apropriação de renda e de riqueza no Brasil

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Edição: Ano 23 nº 12 - 2014

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A iniquidade na distribuição pessoal da renda é mensurada de distintas maneiras, podendo-se levar em conta mais de um parâmetro. Os dados comumente difundidos dizem respeito ao fluxo mensal de rendimentos obtidos pelos variados estratos sociais, tendo no Índice de Gini sua padronização estatística internacional. Outra maneira de mostrar a desigualdade é através da repartição da propriedade, ou seja, a distribuição da riqueza.

No Brasil, os dados de distribuição de renda são difundidos a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Recentemente, a PNAD de 2013 foi divulgada retratando, ao mesmo tempo, a manutenção das conquistas da última década e um avanço modesto em relação a 2012. Nesse início de século XXI, a apropriação de renda daqueles que estão na faixa dos 10% mais elevados passou de 47,44% em 2001 para 41,55% em 2013. Já aqueles que estão nas faixas 50% mais baixas passaram de 12,6% para 16,41%.

Porém a progressão dessa redistribuição de renda perdeu fôlego em 2012 e foi praticamente inexistente em 2013. Neste último ano, houve uma pequena ampliação da taxa de pobreza baseada nas necessidades calóricas, que passou de 5,29% em 2012 para 5,50% em 2013. Em 2001, a taxa era de 15,19%. Já a taxa de pobreza atingiu 15,09% da população. Em 2001, essa taxa representava 35,09%.

Em linha semelhante, o Índice de Gini persistiu caindo como em todos os anos deste século. A variação, entretanto, foi mais moderada, cedeu 0,60%.

Sob outro prisma, os números da concentração de riqueza não eram conhecidos, em que pese uma estimativa realizada em 2004, no Atlas da Exclusão Social. Em 2014, entretanto, os primeiros dados vieram à tona com base nas declarações de Imposto de Renda à Receita Federal referentes a 2006-12.

As informações de 2006 retratam que 0,39% da população detinha 55,68% do patrimônio total declarado. Dentro desse grupo, 0,23% captava 47,68% da riqueza, enquanto os 0,08% mais ricos detinha 36,12% de todos os bens. Esses dados sinalizam uma concentração da propriedade bastante mais elevada do que na Europa Ocidental, por exemplo, onde cerca de 10% da população apreendem 60% da riqueza.

Em 2012, as declarações continuaram apontando uma elevada concentração. Apenas 0,21% da população abarcava 46,67% do patrimônio, enquanto 0,69% da população possuía 21,82%. Assim, a riqueza dos 0,9% mais ricos representou 68,49% do total. Esse dado mostra que a concentração é muito superior à dos Estados Unidos, um país com elevada concentração. Lá, cerca de 10% da população concentra 70% da riqueza. Analisando-se os dados, é interessante observar que o patrimônio médio daqueles que estão entre os 0,21% mais ricos é de R$ 5,8 milhões, mesmo que o corte seja feito a partir de R$ 1,5 milhão. Isso indica que a concentração do patrimônio está entre os indivíduos do topo mais restrito. Além disso, as faixas mais altas possuem, sobretudo, renda do capital, enquanto as outras se concentram no trabalho.

As principais fontes de acumulação de riqueza no Brasil são os fluxos de renda e heranças recebidas. O Imposto de Renda possui uma alíquota máxima de 27,5% no País, enquanto, na Suécia, na Alemanha e nos Estados Unidos, por exemplo, a alíquota máxima é de, respectivamente, 56,7%, 45,0% e 39,6%. Os impostos sobre herança e sobre ganhos do capital, no mesmo sentido, são menores no Brasil do que nos países mais desenvolvidos.

Contrapondo-se a evolução dos dados de concentração de renda com os de riqueza, há a sinalização de que o processo de redistribuição esbarrou em limites. Para obter-se maior avanço nessa seara, a alteração tributária parece imperativa, uma vez que as alíquotas brandas de impostos sobre a renda, sobre a herança e sobre ganhos do capital favorecem a concentração existente no Brasil. Tais mudanças oportunizariam recursos para financiar a ascensão da base da pirâmide social.

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Quem são os jovens nem-nem na RMPA?

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Edição: Ano 23 nº 07 – 2014

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O grupo de jovens nem-nem — denominação dada à condição “nem estuda e nem trabalha” — chamou atenção da sociedade quando seu contingente passou a se elevar, após a crise de 2008, em especial nos países desenvolvidos, dado que se encontra excluído de duas das mais importantes instituições para sua formação social e cidadã: escola e mercado de trabalho. No Brasil, mostra-se um problema de ordem mais estrutural, não tendo uma vinculação direta com a crise. Detendo-se na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), as informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMPA) permitem avaliar a situação dos jovens nem-nem e suas características sociodemográficas. O número total de jovens de 16 a 24 anos, na Região, era de 534 mil em 2013, sendo que os jovens nem-nem representavam 11,2% desse total (60 mil jovens). Note-se que essa proporção apresentou tendência declinante nos últimos 20 anos, com ligeira elevação após a crise recente (em 1993, a parcela de jovens nem-nem era de 15% ou 73 mil). Quanto ao sexo, entre as mulheres jovens a parcela de jovens nem-nem teve queda relevante, de 23,7% para 14,6% entre 1993 e 2013; já para os homens, registrou-se pequena alta, de 6,1% para 7,8% no mesmo período. Pela variável raça/cor, reduziu-se a proporção tanto de negros como de não negros (de 17,3% em 1993 para 13% em 2013 e de 14,7% para 11% respectivamente). A melhora na escolaridade dos jovens nem-nem foi expressiva, pois a parcela com ensino médio completo elevou-se de 9,9% para 33,9% no período, registrando-se diminuição entre os jovens com ensino fundamental incompleto, de 65% para 25,9%. No entanto, eles estavam concentrados nas famílias mais pobres (66,1% pertenciam a famílias nessa condição, em 2013, contra 35,4% dos demais jovens).

A análise desses dados permite concluir que, não obstante a melhora na condição dos jovens nem-nem, persistem aspectos preocupantes: seu contingente continua elevado; a diminuição ocorreu somente entre as mulheres; seu grau de escolaridade é inferior ao do total de jovens; e estão concentrados nas famílias mais pobres. Portanto, o distanciamento de parcela importante de jovens de instituições sociais fundamentais para sua formação demanda maior atenção das políticas públicas, pois muitos deles se encontram em situação de vulnerabilidade social.

Quem são os jovens nem-nem na RMPA

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Desempenho do mercado de trabalho na RMPA, em 2011

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Edição: Ano 21 nº 01 - 2012

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O período jan.-nov./11 foi favorável para o mercado de trabalho na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), quando comparado com o mesmo período de 2010. Segundo os dados levantados pela PED-RMPA, esse resultado deveu-se ao aumento do número de postos de trabalho na Região, que determinou a queda da taxa de desemprego, que passou de 8,9% para 7,5% no período em análise, sendo a menor taxa registrada para esse período em toda a série da Pesquisa. O número médio de desempregados reduziu-se em 26 mil indivíduos, em decorrência da geração de 58 mil ocupações, que superou o ingresso de 32 mil trabalhadores na força de trabalho metropolitana.

Em todos os setores de atividade econômica, houve aumento do número de ocupados, cabendo destacar o desempenho observado no setor serviços, que teve uma ampliação de 24 mil no contingente de ocupados, na indústria de transformação, com 17 mil, e na construção civil, com 12 mil. No comércio, o aumento verificado foi menor (2 mil).

Apesar do recrudescimento da crise global e da desaceleração verificada nas economias brasileira e gaúcha, nos últimos trimestres, o mercado de trabalho da RMPA, em termos médios, teve um ano bem-sucedido. Foram criados postos de trabalho, atingiu-se a menor taxa de desemprego da série histórica da Pesquisa, e o rendimento médio dos ocupadosapresentou variação positiva.

Desempenho do mercado de trabalho na RMPA, em 2011

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Crescimento da massa de rendimentos reais na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA)

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Edição: Ano 20 nº 09 - 2011

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O crescimento do Produto brasileiro, nos últimos anos, tem ocorrido, em boa parte, em função da evolução da demanda das famílias, fruto do comportamento positivo do emprego e da renda do trabalho. Também na RMPA, as estimativas da Pesquisa de Emprego e Desemprego apontam nesse sentido, assinalando evolução positiva da massa de rendimentos reais dos ocupados de maneira ininterrupta desde 2004. Entre 2003 e 2010, a massa total de rendimentos dos ocupados gerada na RMPA apresentou crescimento real de 44,9%, resultado proporcionado pelo acréscimo de 26,5% no nível de ocupação e de 14,6% no rendimento médio real dos ocupados

A evolução dos rendimentos médios reais, contudo, não se mostrou homogênea entre os ocupados. Enquanto os 25% dos trabalhadores com rendimentos mais elevados experimentaram um acréscimo de 10,3% em sua renda real, os 25% com rendimentos mais baixos tiveram um crescimento de 44,9%, denotando um comportamento amplamente favorável a este último grupo. Esse comportamento diferenciado tem resultado de medidas como a política de valorização do salário mínimo e os programas de transferência de renda e ampliação do crédito, as quais têm dinamizado o mercado interno, ampliando oportunidades de trabalho e elevando a capacidade de consumo da população, principalmente a de menor renda.

Crescimento da massa de rendimentos reais na Região Metropolitana

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Desigualdades regionais no RS: breve leitura das últimas duas décadas

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Edição: Ano 20 nº 07 - 2011

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Uma análise do quadro de desigualdades regionais no RS, nos últimos 20 ou 30 anos, deve, obrigatoriamente, considerar os efeitos da reestruturação produtiva internacional sobre as relações sociais, a produção e a distribuição territorial do desenvolvimento. Trata-se de um período no qual as transformações da economia mundial se internalizaram efetivamente na economia brasileira e, por extensão, nas economias regionais. Inegavelmente, foi um tempo de hegemonia do receituário neoliberal na política econômica, com medidas que determinaram a redução do tamanho do Estado, portanto, das possibilidades de intervenção do mesmo no meio econômico, a transferência de grandes blocos de capital industrial para os países da “periferia” mundial (automotivo, eletrônica, química), a desnacionalização de importantes segmentos da agropecuária (agronegócios) e da indústria (extrativa e de transformação) nacional, além de alguns segmentos do setor de serviços. Esse movimento aumentou a concentração econômica e financeira na maioria das atividades da economia. Do ponto de vista territorial, o efeito foi no sentido de consolidar o processo de reconcentração espacial depois de um período em que alguns analistas constatavam uma possível reversão da polarização no País. Queremos discutir aqui o que ocorreu no RS, um Estado que apresenta diversas formações regionais, cujas performances têm indicado, ao longo do tempo, espaços com prosperidade e espaços em declínio e até mesmo com estagnação econômica.

Ninguém imagina que o crescimento possa ocorrer uniformemente ao longo do território, pois os espaços econômicos são diferenciados, devido às assimetrias próprias da organização capitalista de produção. O fenômeno passa a ser um problema quando esses diferenciais são elevados, assumindo um caráter “endêmico”, na senda de uma ampliação temporal do hiato de renda e emprego. É isso o que vem ocorrendo na economia do Rio Grande do Sul: um aprofundamento das desigualdades regionais. Diversos indicadores mostram essa tendência, sendo o mais recente as taxas de crescimento demográfico revelados pelo Censo de 2010 (IBGE), dando conta de que, em 51% das cidades gaúchas, houve perda absoluta de população, devido ao saldo migratório interno.

Diante desse cenário, cabe perguntarmos: o que pode ser feito para reduzir, relativamente, os diferenciais de renda e emprego entre as regiões do Estado? Ou, o que já foi feito nesse sentido? Na verdade, temos assistido a uma crescente conscientização com as questões relativas às desigualdades, algum esforço para atacar o problema, mas ainda muito distante do foco que o problema merece. Nos anos 90, foram criados e implementados os Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes), alguns dos quais se têm apresentado muito ativos, outros nem tanto. No Executivo, foram criados organismos em vários níveis e secretarias, sem nunca se ter consolidado como seria necessário. Além disso, há outros organismos que também tratam do desenvolvimento regional, como é o caso da Fundação Metropolitana de Planejamento (Metroplan). Portanto, o Executivo Estadual, nas últimas duas décadas, tem-se mostrado ambíguo e, às vezes, contraditório sobre a problemática das desigualdades regionais.

Um exemplo dessa ambiguiade é a postura de alguns governantes e suas assessorias econômicas a respeito. Por ocasião do ciclo de investimentos ocorrido na segunda metade dos anos 90, o Executivo não tinha nenhuma diretriz de política territorial, enquanto grandes blocos de capital aportavam no Estado, mais os movimentos de expansão e relocalização de plantas de firmas que já operavam no Rio Grande do Sul. A grande maioria desses empreendimentos acabou por se localizar no “coração” da RMPA. Esse movimento reforçou a tendência à concentração de atividades no aglomerado metropolitano e, certamente, contribuiu para aprofundar as disparidades regionais. Na época, para “dourar a pílula”, o Governador e sua assessoria argumentavam que o projeto da Ford, que seria construído em Guaíba, representaria uma contribuição ao desenvolvimento da Metade Sul, dado que esse município, em determinada divisão regional, fazia parte daquela região, um verdadeiro absurdo.

Presentemente, o Executivo busca dotar-se de instrumentos mais eficazes para tratar do desenvolvimento regional, tendo criado uma secretaria específica para essa área e juntando a esse organismo a instituição financeira (Caixa RS), que opera com financiamentos de longo prazo, essencial para esse tipo de atividade governamental, além da criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Isso é um avanço importante, mas não é tudo o que se precisa para tratar da questão.

É necessário, também, um esforço articulado entre o setor público (Estado coordenando, Municípios e União subsidiariamente) e a sociedade civil organizada, tendo como objetivo prioritário a (re)dinamização das regiões empobrecidas. O que deve presidir essa articulação é a promoção da coesão social, a reanimação do potencial endógeno regional, a recuperação da rede urbana e a radical elevação do padrão educacional local, incluindo a meta de eliminação da chaga do analfabetismo. Essas são as condições básicas para construir, no médio e no longo prazo, uma consistente trajetória de convergência da renda e emprego regionais no Rio Grande do Sul.

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O Brasil menos desigual?

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Edição: Ano 20 nº 04 - 2011

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Uma enorme desigualdade social tem sido a marca mais duradoura da formação econômica e social do Brasil. Os fenômenos da modernidade, da industrialização, da urbanização e da democracia em nada contribuíram para reduzir o imenso fosso que separa a grande maioria do povo da pequena elite, que, controlando o poder econômico, alcança apropriar-se da maior parte da renda nacional. Se o último período de crescimento, nos distantes anos 70, propiciou uma pequena redução do Índice de Gini, de 0,623 em 1976 para 0,584 em 1981, a crise que se seguiu impôs a estabilidade como objetivo da política econômica. Seus efeitos resultaram num aumento da desigualdade, tendo o Índice atingido 0,602 em 1997. Os anos de baixa inflação e o crescimento e a ampliação das políticas sociais que se sucederam viram uma redução da medida da desigualdade para 0,589 em 2002, tendência que continuou nos anos seguintes, até a marca de 0,543 em 2009.

Como é sabido, esses índices, calculados a partir dos rendimentos apurados pela PNAD do IBGE, são representativos quase exclusivamente de ganhos do trabalho. A melhor aferição do grau de democracia nas relações econômicas de uma sociedade é dada pelos componentes do PIB, na chamada ótica da renda, conforme mostra a tabela. Entre 2002 e 2008, a parcela apropriada pelos trabalhadores do produto por eles criado subiu de 39,85% para 41,9%. Que movimento está por trás dessa mudança?

Em primeiro lugar, o fato de a economia brasileira vir experimentando um ciclo de crescimento da renda e do emprego desde 2004, apresentando uma variação média anual de 4,42% até 2010. Essa realidade difere em muito da de mais de duas décadas anteriores, em que o crescimento foi pífio, com média de 2,04% entre 1981 e 2003. O crescimento gera um ambiente favorável aos trabalhadores, com redução do desemprego e escassez relativa de mão de obra, que favorecem o aumento dos salários. Entre o final de 2003 e o de 2010, a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE apurou uma variação de R$ 1.235,10 para R$ 1.596,05 no rendimento médio real das pessoas ocupadas.

Um segundo fator foi a ampliação dos gastos sociais através de uma maior cobertura de programas como o Bolsa Família. Embora as contribuições sociais que financiam boa parte desses gastos não tenham sido alteradas, como se vê na tabela, o impacto sobre a pobreza extrema foi significativo. Em 2003, eram 15,2% as pessoas nessa situação, e, em 2009, apenas 7,28%, conforme o IPEA. Ainda no campo das políticas sociais, um terceiro importante elemento foi o processo continuado de crescimento do salário mínimo, com impacto direto não apenas sobre os trabalhadores de menor qualificação, mas também sobre os milhões de beneficiários da Previdência Social. Em dezembro de 2002, o valor era de R$ 318,74 e alcançou R$ 517,57 em dezembro de 2010, em termos reais.

O crescimento da participação do trabalho na renda teve como contrapartida a redução dos lucros, o excedente de exploração, que caíram de 34,4% para 33,2% do PIB entre 2002 e 2008. Também perdeu espaço na renda nacional o chamado rendimento misto, pequenos empreendedores e trabalhadores por conta própria, reduzidos de 10,9% para 8,8%. Esse movimento deve ser creditado ao avanço da formalização pela geração de empregos com carteira de trabalho assinada, que atraíram um contingente significativo dessas pessoas. Por fim, deve-se atentar para um crescimento também da renda do Governo, na forma de impostos.

A melhora nos indicadores de distribuição na renda, seja na redução da concentração entre os trabalhadores, seja, principalmente, na divisão do produto nacional entre o capital e o trabalho, foi resultado não apenas da inflexão do ciclo econômico em direção a um crescimento mais duradouro, mas também da ação consciente e planejada do Estado na condução de suas políticas de desenvolvimento, com uma prioridade pouco frequente na nossa história: a inclusão social e o combate à pobreza. Para isso, é decisiva a mudança na distribuição funcional da renda, que, de qualquer maneira, ainda expressa uma enorme iniquidade. Basta lembrar que, entre os membros da OCDE, a participação do trabalho na renda nacional se mantém num patamar entre 60% e 80%, dependendo do país.

O Brasil menos desigual

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O Programa Bolsa-Família no RS

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Edição: Ano 16 nº 11 - 2007

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O Programa Bolsa-Família (PBF), principal programa de transferência de renda do Governo Federal, em vigor desde o final de 2003, unificou os diversos programas existentes (Bolsa-Escola, Auxílio-Gás, Bolsa-Alimentação e Cartão-Alimentação), com o objetivo de reduzir as vulnerabilidades associadas à situação de pobreza, buscando diminuir as desigualdades sociais. O PBF é destinado às famílias com renda per capita de até R$ 120,00, as quais recebem um benefício fixo de R$ 50,00 e um variável de R$ 15,00 por gestante, nutriz, criança e adolescentes entre 0 e 15 anos de idade, até o limite de R$ 45,00.

O Governo Federal é o financiador e o executor do Programa, ficando a cargo dos municípios o papel de efetuar o cadastro das famílias e o seu controle. O recebimento do benefício é condicionado a contrapartidas na área de educação e saúde.

Desde sua implementação, o PBF vem expandindo o número de famílias atendidas. No RS, subiu de 158,6 mil em dezembro de 2003 para 413,6 mil em agosto de 2007. Com esse aumento, o volume de recursos despendidos com o Programa também se elevou, passando de R$ 122,51 milhões em 2003 para R$ 280,81 milhões em 2005 e para R$ 215,34 milhões até agosto de 2007.

As auditorias feitas pela Controladoria Geral da União, no período 2004-06, em 54 municípios do RS escolhidos por sorteio, apontaram que as irregularidades de maior incidência verificadas no PBF foram a duplicidade de cadastro em programas sociais e a existência de beneficiários com sinais exteriores de possuírem renda superior à estabelecida pelo Programa, o que revela a necessidade de um melhor controle.

O Programa Bolsa-Família no RS

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Melhora na distribuição de renda do trabalho na RMPA

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Edição: Ano 16 nº 05 - 2007

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Observando-se a distribuição dos rendimentos dos ocupados, nos últimos anos, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), é possível verificar, pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), uma tendência de desconcentração da renda do trabalho, evidenciada no aumento significativo da parcela da renda apropriada pelos trabalhadores que pertencem ao grupo dos 25% que auferem os menores rendimentos (Grupo 1). Esse movimento ganhou impulso expressivo no ano de 2006, tendo o percentual da renda do trabalho apropriada pelo grupo subido de 7,77% para 8,29%. O mesmo movimento de crescimento foi observado para os trabalhadores do Grupo 2 (25% dos trabalhadores com rendimentos inferiores à mediana), que passaram de 13,38% em 2005 para 13,77% em 2006.

O movimento inverso, por conseqüência, ocorreu no Grupo 4, correspondente aos ocupados de maior renda. Esses trabalhadores, em 2006, auferiram 56,88% do total de rendimentos do trabalho na RMPA. Esse percentual, nos anos de 1994 e 2000, era maior que 60%.

Os dados da PED sinalizam uma melhora na distribuição da renda do trabalho, na RMPA, no último período, resultado de um ganho real de renda dos ocupados de menores rendimentos, destacando-se os empregados nos serviços domésticos. Porém a distribuição atual ainda está muito longe de padrões de países avançados. Segundo a ONU, que utiliza um conceito mais geral de renda e não só a oriunda do trabalho, o Brasil ocupa a incômoda 117a posição entre 124 países analisados.

Melhora na distribuição de renda do trabalho na RMPA

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Menores rendimentos evidenciam crescimento na RMPA

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Edição: Ano 15 nº 09 - 2006

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Nos últimos dois anos, tem-se observado um comportamento diferenciado entre os ocupados segundo o nível de renda, com uma vantagem para aqueles com menores rendimentos, conforme os dados levantados pela Pesquisa Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA).

Para efeito de análise, o total dos trabalhadores foi dividido em quartis de renda, sendo que cada grupo corresponde a 25% dos trabalhadores, do menor ao maior nível de rendimento. Entre jun./04 e jun./05, a única taxa de variação do rendimento médio real a apresentar um comportamento positivo foi a do Grupo 1 (2,5%) — que corresponde aos 25% ocupados com rendimentos mais baixos —, enquanto o Grupo 4 evidenciou a maior redução dentre os demais (-3,5%).

Esse comportamento foi mais intensamente observado no confronto entre jun./05 e jun./06, quando os ocupados do Grupo 1 obtiveram crescimento do rendimento médio real de 10,0%, os grupos intermediários apresentaram taxas menores e o contingente de ocupados com rendimentos mais altos (Grupo 4) obteve uma pequena variação negativa de 0,7%. Considera-se que o aumento do salário mínimo real foi um dos fatores que contribuiu para esse melhor desempenho do rendimento médio real dos ocupados que percebiam os menores rendimentos, uma vez que o valor do rendimento desse grupo se situa próximo ao do salário mínimo.

Taxa de variação do rendimento médio real dos ocupados, por grupos de trabalhadores, na RMPA — jun./04-jun./05 e jun./05-jun./06

FONTE: PED-RMPA — Convênio FEE, FGTAS/SINE-RS, SEADE-SP, DIEESE e apoio PMPA.
NOTA: O Grupo 1 corresponde a 25% do total dos trabalhadores com rendimentos baixos; o Grupo 2, a 25% do total dos trabalhadores com rendimentos imediatamente inferiores ao mediano; o Grupo 3, a 25% do total dos trabalhadores com rendimentos imediatamente superiores ao mediano; e o Grupo 4, a 25% do total dos trabalhadores com rendimentos mais altos.

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Mulheres com 40 anos ou mais conquistam maiores rendimentos

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Edição: Ano 14 nº 03 - 2005

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Os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA) mostram
que os diferenciais de rendimentos entre os sexos podem bem ilustrar a maior fragilidade de inserção da força de trabalho feminina no mercado de trabalho. Ainda que a remuneração percebida pelas mulheres seja tanto maior quanto mais idade elas tiverem, observa-se que as diferenças entre os sexos são bem mais expressivas quanto mais madura for a mulher. Assim, o rendimento médio percebido pela força de trabalho feminina com idade de 40 anos ou mais correspondia, em 2004, a 70,0% (R$ 844) do obtido pelos homens (R$ 1.205), enquanto, para o grupo das mulheres menores de 40 anos, essa proporção correspondia a 78,9%.

Todavia essas diferenças reduziram-se, uma vez que, no período 1993-04, as mulheres com 40 anos ou mais tiveram um aumento de 12,2% nos seus rendimentos, ao passo que os homens nessa faixa etária tiveram uma redução de 8,3%. Tal resultado ficou por conta apenas do comportamento dos rendimentos entre as mulheres adultas mais escolarizadas, com ensino superior completo, as quais obtiveram um aumento de 18,3% nos seus rendimentos face a uma redução de 13,7% entre os homens, no mesmo período. Já com relação aos outros níveis de escolaridade, ocorreram diminuições para os rendimentos de ambos os sexos.

Note-se, contudo, que esse resultado positivo não exclui a situação de desvantagem que ainda permanece para as mulheres, ou seja, embora se evidencie uma progressiva inserção de mulheres mais maduras e mais escolarizadas no mercado de trabalho, ocupando postos de emprego similares àqueles ocupados pelos trabalhadores masculinos, continuam a persistir as diferenças salariais entre os gêneros.

Mulheres com 40 anos ou mais conquistam maiores rendimentos

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