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PIB per capita e sua decomposição

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Edição: Ano 22 nº 11 - 2013

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Em 2012, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Rio Grande do Sul foi de R$ 27.514, 22,8% acima dos R$ 22.402 do Brasil. No entanto, nos últimos 10 anos (2003 a 2012), o indicador do Estado cresceu 20,9%, abaixo do crescimento nacional, que foi de 27,5%. Para entender melhor as causas básicas dessa diferença, pode-se decompor a variação do PIB per capita em duas relações: produtividade do trabalho — PIB/Pessoal Ocupado (PO) — e taxa de ocupação total (Pessoal Ocupado/População). Ou seja, o PIB per capita cresce pelo aumento da produtividade das pessoas já empregadas ou pela incorporação de novos trabalhadores ao processo produtivo. Utilizaram-se, nesta análise, informações das Contas Nacionais, das Contas Regionais, das projeções populacionais e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), todas as pesquisas com fonte no IBGE e na FEE.

No caso do Rio Grande do Sul, quase a totalidade do incremento do PIB per capita nesse período foi resultado do aumento da produtividade do trabalho, de 18,9%. O restante do crescimento teve como fonte a incorporação de uma parcela maior da população na produção (1,7%), seja na agropecuária, na indústria, ou nos serviços. Os dados estudados ainda mostram que o incremento de pessoal ocupado no Estado esteve mais relacionado à redução do desemprego do que ao ingresso de mais pessoas na PEA (População Economicamente Ativa), aquele contingente da população que está no mercado de trabalho. Segundo os dados da PNAD, a PEA cresceu 5,5% durante os 10 anos, e o pessoal ocupado no Estado, 7,9%. Como resultado, a taxa de desemprego da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), passou, de acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), de 15,3% em 2002 para 7,0% em 2012.

Quanto à média nacional, o aumento do PIB per capita em 27,5% também teve o crescimento da produtividade do trabalho (18,4%) como principal fonte. Mas, ao contrário do Rio Grande do Sul, o crescimento da relação entre PO e população total (7,7%) teve maior peso na explicação da variação da renda brasileira por habitante. Ou seja, no caso do Brasil, quase um terço do aumento do PIB per capita adveio da incorporação de mais trabalhadores na produção. Para tanto, a PEA cresceu 16,3% no período, e o pessoal ocupado, 20,0%.

De modo geral, portanto, o crescimento da produtividade do trabalho foi praticamente o mesmo no Rio Grande do Sul (18,9%) e no Brasil (18,4%), entre 2002 e 2012. A explicação para o diferencial da maior variação nacional do PIB per capita encontra-se no aumento superior do número de novos trabalhadores incorporados ao processo produtivo no Brasil relativamente ao Estado. Isso não quer dizer que a população brasileira, de modo geral, se sentiu mais atraída pelo mercado de trabalho do que a gaúcha. A explicação é de natureza demográfica e possui duas razões principais. A primeira é que a população gaúcha cresceu menos que a média nacional no período (6,1% contra 11,5% respectivamente). E, em segundo lugar, a estrutura etária dos habitantes do Rio Grande do Sul é diferente da do Brasil, com menores parcelas relativas de idosos e de crianças. O resultado foi que o crescimento da PEA acabou sendo menor no Estado, na comparação com o Brasil.

Sendo assim, o menor crescimento do PIB per capita do Rio Grande do Sul em relação ao nacional não pode ser explicado pela menor produtividade do trabalho, mas, sim, pela menor disponibilidade de mão de obra apta a trabalhar e a se incorporar no processo produtivo. E ainda, não por razões estritamente econômicas, mas demográficas, cujo principal motivo é a menor taxa de fecundidade registrada no Estado.

Para o futuro, surgem duas implicações. A primeira é que será cada vez mais difícil, dada a condição demográfica do Estado, aumentar a oferta de mão de obra, o que é visível nos dados da PEA. A segunda implicação é que o aumento da produtividade, seja na agricultura, na indústria ou nos serviços, ganhará ainda mais importância na economia gaúcha, tornando-se a peça-chave para o incremento do padrão de vida da população do Estado.

Positivamente, observa-se que, nos últimos 10 anos, a produtividade gaúcha vem crescendo, mesmo que pouco, acima da nacional. E, por outro lado, como reflexo da estrutura demográfica e do crescimento econômico, a taxa de desemprego da RMPA tem sido a menor entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas mais o Distrito Federal (7,0% contra 10,5% em 2012).

PIB per capita e sua decomposição

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