Textos com assunto: relações econômicas internacionais

A crise mundial ainda não terminou

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Edição: Ano 19 nº 09 - 2010

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O economista, dentre outras coisas, é um analista e um avaliador. Examina os dados, estuda as forças que atuam sobre a economia, vê o posicionamento do Estado. E avalia. Pois é o que estamos fazendo aqui. Há uma aparência de calma nos noticiários, na mídia, mas há uma tensão na realidade. A crise mundial ainda não terminou. Estamos num mirante privilegiado, o Brasil, onde tudo parece estar bem, onde a economia, brincando de alpinismo, vai chegar a entre 5% e 7% de acréscimo neste ano. Nesse mirante, tende-se a enxergar, a perceber e a avaliar as coisas econômicas mundiais com otimismo. Mas é preciso tirar essas lentes coloridas e ver de perto como a face da realidade tem, como em alguns primeiros planos do cinema, uma parte do rosto clara, outra escura. A clara dá otimismo, a escura faz mistério. E o mistério é que depois da continuada crise norte-americana e da atual crise europeia, contrabalançadas pelo extraordinário crescimento da China e dos emergentes, o ciclo da economia mundial não recomeça e não deixa para trás os maus tempos. Qual o mistério que se esconde atrás da dificuldade de recuperação dessa economia?

No entanto, a economia mundial está mudando. E vai mudar a sua liderança, vai mudar o carro-guia, essa ave condutora da História. Pois é isso que está em causa: trocar a liderança da era econômica do automóvel e do petróleo pela era das novas tecnologias de comunicação e informação. É uma mudança cíclica, é uma mudança na liderança e na estrutura do processo produtivo, é uma mudança no longo prazo da economia capitalista. Pois, quando se muda alguma coisa desse porte na economia, é preciso derrubar paredes, arrumar financiamento, é preciso mudar o Estado, ter instituições que comandem as mudanças, etc. É isso que está impedindo a metamorfose da economia, ou melhor, a rapidez das mudan- ças. É isso que mostra que a economia mundial é ainda uma planta doente. É isso que mostra que o que precisa mudar ainda não mudou e que o que é indispensável aparecer ainda não apareceu. Consideramos, para ver como é necessária a liderança explícita de empresas de telecomunicações e não de bancos, como é fundamental um novo encadeamento de novas indústrias . nanotecnologia, bioeletrônica, ciências médicas, etc. . e, igualmente, substituir a infraestrutura energética da produção. Essas mudanças são estruturais e levam tempo para serem feitas. A troca de padrão de acumulação, que ainda não ocorreu, está-se operando lentamente

No fundo, há que se mudar o que está, no momento, mandando. Trata-se de mudar as finanças de posição. Elas querem que tudo fique como era, visando desenvolver-se livremente no céu da especulação. Então, como é que se faz para as finanças saírem da sala de comando? Também é aqui que tudo se está jogando. As perguntas-chave são: para onde vai o Estado? Quais são o seu novo sentido e a sua nova direção? Antes de tudo, encaminhar as finanças na economia e pela política econômica para um lugar mais adequado, que é financiar as atividades produtivas. E por que as finanças têm que desaparecer do primeiro plano? A economia deve retornar liderança da produção com nova estrutura produtiva. Os ativos podres e o cassino especulativo atrapalham o novo desenvolvimento, o sistema bancário precisa ser convertido para o apoio ao sistema produtivo. Hoje, as finanças funcionam como tranca-rua. Há, portanto, a necessidade de um reforço do Estado, para que este seja capaz de resolver a algazarra no bar da economia. Em alguns lugares, já aconteceu ou está acontecendo: China, Brasil, etc. A mensagem é clara, há que se reposicionar as finanças, a prioridade tem que ser da produção, do investimento e do emprego. Esse é o novo sinal dos tempos.

No plano da retórica, tudo parece fácil, porque falamos de agregados. No nível macro, é simples vislumbrar: muda-se a demanda centrada no consumo, e a economia vai ser puxada pelo investimento. No entanto, tem que haver uma troca de política econômica; tem que se reformatar o Estado; tem que se ter planejamento; tem que se criar, social e novamente, a mentalidade do investimento; tem que se dar novas ênfases na educação para a nova economia que entra; tem que se alterar a hierarquia no Estado; tem que se condicionar o novo crédito, etc. As alterações econômicas são transformações de formas que podem ter passagens longas e difíceis.

A principal cirurgia a fazer tem que ser no DNA da economia e naquilo que Hilferding chamava de a forma financeira do capital. Essa forma tem duas esferas, a financeira e a produtiva, só que contém em si a hegemonia das finanças sobre a produção. Foi o que ocorreu progressivamente de 1979 até 2009. E isso não se troca assim no mais. Mudar a hegemonia passa pela política e, por extensão, passa pelo Estado. E não basta que forças políticas ponham a sua bandeira nele, é preciso que haja uma reformulação técnica e qualitativa na burocracia. É esse andamento da mudança histórica no processo econômico e social que tem uma duração complexa. Pois se trata, em verdade, de construir uma nova dinâmica econômica, o eixo Estados Unidos-China, de onde uma nova ordem internacional do trabalho dará surgimento a um outro processo de acumulação produtiva do capital, onde as finanças encontrarão o seu novo lugar.

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Economia mundial segue em queda, em 2009

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Edição: Ano 18 nº 04 - 2009

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Os desdobramentos da crise mundial não deixam margem a dúvidas: de uma crise financeira, encaminhamo-nos para uma crise econômica de grandes proporções. Embora esperado, esse desenrolar sepultou duas idéias bastante repetidas a partir de meados de 2007, quando a crise financeira se iniciou. A primeira dizia respeito à possibilidade de uma crise contida no setor financeiro, em especial dos países desenvolvidos. A segunda propugnava a hipótese de um “descolamento” entre as economias desenvolvidas e em desenvolvimento, com a crise das primeiras sendo contida pelo dinamismo das demais, com especial ênfase no desempenho da zona asiática – tendo por centro a extraordinária expansão da economia chinesa – como esteio para a manutenção do crescimento mundial. Os números do PIB para o quarto trimestre de 2008 mostram com nitidez a extensão da disseminação geográfica da crise e o tamanho da queda frente ao ritmo de desempenhorecente. A redução da atividade foi brusca e generalizada, mostrando que a economia produtiva mundial estava tão integrada quanto a financeira. Sem a demanda proveniente dos Estados Unidos, o comércio mundial foi bastante reduzido após o 3º trim./08, sendo esse o principal canal de propagação da crise para todo o planeta.

Quanto às possíveis soluções, a dinâmica da crise mostra que não bastam os instrumentos de política fiscal e monetária usados isoladamente por cada país à saciedade. Dados o encadeamento e a integração econômica, apenas a adoção de medidas conjuntas, sob liderança e exemplo da economia norte-americana, ainda a mais forte do planeta, poderá relançar as bases para uma retomada futura da economia mundial.

Economia mundial segue em queda, em 2009

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Das marolas ao tsunami

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Edição: Ano 17 nº 12 - 2008

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O exuberante crescimento dos mercados financeiros, espraiado mundo afora desde o começo dos anos 90, terminou exatamente como esperado, num crash de desvalorizações. Iniciada no pólo mais avançado desse processo, o mercado de títulos imobiliários dos EUA, a desinflação de ativos financeiros muito rapidamente veio contaminando todos os demais mercados de crédito, numa onda ainda não terminada. Seus efeitos sobre o setor produtivo já se fazem sentir e, dependendo da capacidade de os governos envolvidos coordenarem respostas eficazes e a tempo, podem adquirir as sinistras proporções da Grande Depressão de 1929. O que chegou a ser designado como uma marola adquiriu a terrível forma de um tsunami, cujas conseqüências devastadoras recém começam a ser percebidas.

Tudo teve início no começo dos anos 80, quando os Governos britânico e norte-americano adotaram políticas de desregulação e liberalização das suas praças financeiras. Além das convicções ideológicas, logo apelidadas de neoliberais, e dos interesses econômicos que visavam beneficiar, essas iniciativas receberam elogios de boa parte dos economistas de suas mais respeitadas instituições universitárias. A expectativa era de que a “desrepressão” financeira, com a retirada dos controles estabelecidos pelo acordo de Bretton Woods, inauguraria uma fase longa de prosperidade, garantida pelo livre funcionamento dos mercados financeiros “eficientes”. Nessa mesma época, tanto o keynesiano Minsky como os regulacionistas Aglietta e Orléan criticavam a teoria econômica convencional exatamente no seu pressuposto de uma tendência ao equilíbrio do mercado financeiro. Sua audiência foi exígua até há uns meses atrás

O centro de sua crítica apontava para o equívoco da visão que então predominava. Os resultados mais certos do funcionamento do mercado financeiro são justamente as bolhas de inflação de preços e suas decorrentes crises de desvalorização abrupta. Se, nos mercados de, por exemplo, automóveis, os excessos de produção são recorrentes e visíveis na forma de pátios lotados de carros zero-quilômetro, também podem, na maior parte das vezes, ser corrigidos pelas próprias empresas, com uma reprogramação de suas metas de produção. No mercado financeiro, entretanto, não é possível nenhum tipo de planejamento. Todas as decisões relevantes são tomadas no curto prazo, levando-se em consideração unicamente o que os outros estão fazendo. Só esse padrão de comportamento imitativo pode julgar razoável que um banco de investimento multiplique 30 vezes seus depósitos iniciais para financiar a compra de títulos que todos estão comprando sob a convicção absurda de que o movimento de valorização não só nunca vai parar como renderá ganhos sempre crescentes

Nesse processo, a pirâmide de papéis de capital fictício cresce a um ritmo vertiginosamente superior ao do capital real, os ativos produtivos. Sua natureza, entretanto, permanece. Esses títulos representam unicamente um direito sobre a renda gerada pelo trabalho comandado pelo capital produtivo. A trajetória de valorização é sempre interrompida quando algum episódio, muitas vezes dos mais corriqueiros, demonstra o tamanho da distância entre os direitos assim multiplicados e a possibilidade de a economia real realizá-los.

Foi justamente essa aposta no irrealizável que causou a presente crise. Desde meados dos anos 90, na medida em que esses movimentos altistas de preços de papéis portadores de alguma forma de renda financeira atingiram proporções muito elevadas, bolhas de inflação de ativos e colapsos de deflação vêm ocorrendo. As sucessivas crises em mercados periféricos da América Latina, da Ásia e da Europa Oriental foram minimizadas pelos economistas defensores da tese dos mercados eficientes e creditadas a equívocos da política econômica ou à falta de “bons fundamentos” nesses países. A receita terapêutica foi sempre a mesma: faltava dar mais liberdade aos agentes financeiros, já que acreditavam ser a causa desses colapsos não a especulação, mas, sim, a persistência de práticas e regras que a pudessem coibir.

Em 2001, pela primeira vez, um cataclismo instalou-se no centro do sistema, o estouro da bolha da “nova economia” em Nova Iorque. À época, algumas vozes bem situadas em Wall Street e na academia falavam de uma certa “exuberância irracional” nesses mercados. Como a valorização fictícia foi retomada, o assunto foi logo esquecido. Isso até meados do ano passado, quando o ciclo de mais de uma década de inflação de preços de imóveis e de endividamento das famílias norte-americanas se encerrou. O ano e pouco que se sucedeu foi o tempo necessário para os contratos de dívidas que alavancavam as ousadas operações especulativas começarem a vencer sem poderem ser honrados. Sucederam-se as falências, por enquanto poucas, e as operações salvadoras dos Estados, muitas e bilionárias, intervindo, nacionalizando e recomprando créditos “envenenados”.

Os últimos 30 anos viram desenvolver-se e dominar-se a economia mundial um regime de acumulação dominado pelas finanças. Como em outros momentos similares na história, foi a fase precursora de uma grande crise. Não apenas porque o mundo do trabalho encontrou uma crescente dificuldade em suportar o peso do rentismo improdutivo, mas também porque a lógica desse regime de valorização interminável é contraditória com os limites da vida material. Aristóteles já dizia que o infinito não pertence ao mundo natural, lição que banqueiros e especuladores estão a aprender, sufocados por seus prejuízos bilionários.

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Um fundo soberano brasileiro

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Edição: Ano 17 nº 02 - 2008

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Os fundos soberanos, também conhecidos como Sovereign Wealth Funds (SWFs) ou Fundos de Riqueza Soberana, surgiram a partir de uma situação em que as reservas internacionais de alguns países ultrapassaram o volume considerado necessário e suficiente para que estes enfrentassem emergências e choques financeiros externos. São, pois, um patrimônio em moeda estrangeira, em geral aplicado fora do país. Administrados por organismo estatal, geralmente são utilizados no apoio à produção nacional ou em projetos internacionais de interesse do governo. Com a intensificação da acumulação de reservas internacionais por parte dos países emergentes, houve uma expansão desse tipo de fundo, contribuindo ainda mais para o aumento da liquidez internacional. Os SWFs não só se multiplicaram como ficaram mais agressivos e diversificaram sua carteira de investimentos, deixando de comprar apenas títulos governamentais de países desenvolvidos e passando a canalizar seus recursos para opções mais rentáveis, como a compra de imóveis, de ouro e de ações de grandes companhias, etc.

No caso brasileiro, como as reservas têm sua destinação prevista em lei e devem ser aplicadas em títulos seguros, de risco próximo a zero e, por isso, com baixa remuneração — como é o caso dos papéis emitidos pelo Tesouro norte-americano —, o dinheiro para o fundo viria de captações no exterior por meio de emissões de títulos do Tesouro Nacional e seria usado para financiar empresas brasileiras no exterior ou para comprar títulos (debêntures) de empresas estrangeiras de primeira linha, isto é, bem administradas e rentáveis.

Mesmo que fosse possível utilizar as reservas via mudança na legislação, essas ainda seriam insuficientes para cobrir os compromissos da dívida externa, e, se fossem utilizadas em aplicações de maior risco e menor liquidez, o Risco-País poderia disparar, elevando o custo de captação externa. Enquanto, em setembro de 2007, a dívida externa acrescida dos empréstimos intercompanhia era de US$ 238 bilhões, as reservas atingiam US$ 163 bilhões, representando 68% da dívida. Esse não é o caso dos países emergentes que possuem fundos soberanos e cujas reservas ultrapassam o valor de sua dívida externa. A China, por exemplo, tem reservas de US$ 1,3 trilhão e uma dívida externa estimada em US$ 300 bilhões.

Ainda que o Tesouro fosse o encarregado de captar os recursos, estaria subtraindo-os das reservas, já que estas deixariam de aumentar. Além disso, se, para adquirir esses dólares, o Tesouro tivesse de emitir títulos públicos no exterior, a dívida externa pública cresceria na mesma proporção, o que exigiria também a compra de mais reservas, para que a equivalência entre estas e a dívida se mantivesse. E, caso o Tesouro resolvesse comprar os dólares provenientes das exportações ou dos investimentos estrangeiros aqui realizados, precisaria de recursos orçamentários para fazê-lo, o que também é problemático.

Desse modo, embora importante e necessária, a criação de um fundo soberano pelo Brasil, no momento, parece prematura e só deveria ocorrer quando a relação reservas/dívida externa fosse bem maior do que a unidade.

Um fundo soberano brasileiro

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A demanda e a oferta de petróleo perante uma economia global aquecida

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Edição: Ano 16 nº 12 - 2007

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A partir de 2004, quando a economia mundial começou a crescer em torno de 5,0% ao ano, a demanda mundial de petróleo passou a manter-se em um patamar acima de 80 milhões de barris/dia.

Em 2007, a economia mundial permanece extremamente aquecida. O Panorama Econômico Mundial, publicado, em outubro, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), estima que o produto mundial crescerá 5,2% neste exercício. Mantido o patamar de desempenho da economia global, o Relatório Mensal do Mercado do Petróleo, publicado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) no corrente mês de novembro, prevê uma demanda mundial do produto de 85,7 milhões de barris/dia. Dada a oferta mundial de petróleo dos países que não pertencem à OPEP estar estimada em 54,6 milhões de barris/dia (tabela), há uma diferença de 31,1 milhões de barris/dia a ser suprida pelos países-membros da Organização.

A oferta extremamente ajustada à demanda tem resultado em incrementos dos preços do barril de petróleo. Eles se mantêm em patamares muito elevados, atingindo valores próximos à barreira psicológica dos US$ 100,00, e têm gerado pressão sobre a taxa de inflação em âmbito global.

No dia 18 de novembro, os países pertencentes à OPEP reuniram-se em Riad, na Arábia Saudita. Na agenda, havia uma solicitação dos Estados Unidos para que houvesse aumento de produção e a constatação da Agência Internacional de Energia (AIE) de que os níveis de preços praticados pelo mercado estão fragilizando a demanda mundial. Concluída a reunião, Ali al-Naimi, o todo-poderoso ministro saudita, afirmou que esses níveis praticados pelo mercado independem de decisões da instituição. No dia 21 de novembro, a cotação do barril de petróleo fechou o pregão em valor muito próximo a US$ 100,00, em Nova Iorque.

As descobertas de jazidas de petróleo em 2007, da Petrochina, em Nanpu, na Baía de Bohai (7,3 bilhões de barris equivalentes de petróleo), e da Petrobras, no campo de Tupi (5 bilhões a 8 bilhões de barris), geraram algum otimismo no mercado, mas a repercussão dessas reservas sobre a cotação do barril de petróleo implica ações a longo prazo para a obtenção de resultados. No curto prazo, o preço do barril do petróleo pode avançar, dentre outras razões, se o conflito entre a Turquia e os curdos do norte do Iraque assumir uma dimensão maior do que o embate vigente, ou se as relações entre Estados Unidos e Irã criarem um impasse explosivo na região, ou, ainda, se houver redução abrupta dos estoques, no Hemisfério Norte, ao longo do inverno que inicia. De outro lado, o preço do barril pode recuar, à medida que houver uma desaceleração mais forte do que a prevista na economia dos Estados Unidos, fruto da crise das hipotecas, que já atingiu os bancos norte- -americanos e que contagiou os intermediários financeiros do Japão e da Europa, e cujo efeito sobre a atividade econômica deve concretizar-se no primeiro semestre do próximo ano.

Para 2008, frente a uma demanda estimada de 87,0 milhões de barris/dia, há uma previsão de que a oferta mundial de petróleo dos países não pertencentes à OPEP atinja 56,2 milhões de barris/dia. Admitindo-se que a economia mundial mantenha o ritmo de crescimento econômico e que o produto cresça 4,8% em 2008, conforme previsão do FMI, a OPEP estima que haja uma diferença de 30,8 milhões de barris/dia a ser atendida pelos países produtores de petróleo.

A demanda e a oferta de petróleo perante

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O crescimento econômico será duradouro?

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Edição: Ano 16 nº 11 - 2007

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Vive-se hoje, no Brasil, um clima de grande otimismo, que expressa o (quase) consenso de que sua economia manterá, por longo período de tempo, o crescimento iniciado em 2004. Esse otimismo provém de animadoras tendências verificadas há, pelo menos, um triênio, envolvendo as contas públicas e as contas externas do País. Enquanto as mesmas se impuseram, os juros internos foram progressivamente reduzidos, e a atividade produtiva e o investimento foram ganhando alento.

Para o pensamento conservador instalado no Banco Central brasileiro, a conquista do crescimento econômico duradouro deve-se, sobretudo, às aberturas financeira e comercial, à estabilização monetária, à privatização de empresas estatais e à adoção do Regime de Metas Para a Inflação, todas ocorridas na década de 90. Esse regime tornou livres as flutuações cambiais, vinculou a política monetária ao controle exclusivo dos preços internos e constituiu as bases fiscais necessárias para absorver os ônus financeiros dela decorrentes. Ainda que reconheça os benefícios provindos da excepcional conjuntura internacional vivida desde 2003, o mesmo pensamento coloca-a em segundo plano, afirmando que a projetada conquista se deve, sobretudo, aos fundamentos engendrados pelas reformas da década de 90.

Infelizmente, é possível que o futuro frustre o otimismo em alusão. Basta que as taxas de crescimento das exportações e das importações brasileiras permaneçam nos níveis atuais. Nesse caso, o saldo corrente brasileiro seria zerado no início de 2009 e converter- -se-ia em déficit de aproximadamente US$ 29,1 bilhões em 2010, ao final do segundo Governo Lula (gráfico). Adicione-se a isso que, por si só, tal evolução das contas correntes provavelmente frearia o influxo de capitais para o Brasil.

Além disso, se a liquidez internacional escassear em razão dos problemas que pululam hoje, no mercado financeiro, no mundo desenvolvido, a economia brasileira pode, em futuro próximo, ver-se novamente às voltas com as restrições externas que alguns pensam terem sido superadas perenemente.

Sabe-se o que acontece quando escasseiam as divisas externas num contexto institucional e de política econômica como o que prevalece no Brasil. A moeda nacional desvaloriza-se, a inflação e os juros sobem, e o crescimento econômico que se vislumbra é abortado.

Para tentar manter o crescimento econômico, é preciso ir além do conservadorismo. A política monetária tem que o adicionar ao seu objetivo de conter a inflação; a política fiscal tem que preservar os investimentos estratégicos à expansão produtiva, sem destruir as necessárias bases fiscais do Estado nacional; e, na área cambial, são necessárias medidas destinadas a diminuir a volatilidade cambial que deriva dos movimentos de influxo e refluxo de capital.

Há parcelas importantes do Governo Lula que, em oposição ao Banco Central, vêm tentando implementar algumas dessas medidas. É uma questão de embate político.

O crescimento econômico será duradoruo

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