Textos com assunto: Regiões Funcionais

A retração do emprego formal prolonga-se em 2016, no RS e em suas regiões

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Edição: Ano 26 nº 1 – 2017

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O ano de 2015 marcou a reversão da trajetória expansiva do mercado formal de trabalho que, no País e no Estado, perdurou por cerca de 10 anos. De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho, o Rio Grande do Sul perdeu, naquele ano, 103,6 mil empregos com registro — uma retração de 3,33%. Para 2016, as informações já disponíveis confirmam o prolongamento desse movimento de refluxo. Enquanto ainda não se dispõe da nova edição da RAIS, conta-se com as indicações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), também produzido pelo Ministério do Trabalho a partir de registros administrativos das admissões e desligamentos de empregados.

O Caged tem diferenças de cobertura e de precisão com relação à RAIS que fazem com que esta última seja priorizada nos estudos de longo prazo. Ademais, como o Caged não apresenta os totais de empregados (os estoques), registrando apenas os vínculos que são criados ou desfeitos, é usual que, para se obter um ponto de referência quanto ao impacto relativo das admissões e desligamentos, se combinem as duas bases, aplicando-se alguns ajustes à RAIS para aproximá-la do universo coberto pelo Caged. Esse procedimento, aqui adotado, é amplamente aceito, desde que explicitadas suas limitações.

Assim, nos 12 meses que se encerraram em novembro de 2016 — último dado disponível —, o Rio Grande do Sul registrou redução de 60 mil vínculos formais de trabalho, uma variação de -2,3%. Quando se examinam os saldos segundo o porte dos empreendimentos empregadores, verifica-se que em apenas um intervalo dimensional houve elevação de contingente, o de estabelecimentos de um a quatro empregados. Nele, geraram-se 38,5 mil postos, uma expansão de 11,2%. Todos os outros intervalos de tamanho experimentaram reduções de pessoal mais acentuadas do que os 2,3% já referidos para o total. Os cortes de mão de obra atingiram com menor intensidade as empresas de grande porte: a variação negativa menos intensa se dá no segmento de estabelecimentos com 1 mil empregados ou mais (-2,5%), seguido do intervalo anterior, que abrange de 500 a 999 trabalhadores (-3,0%).
A indústria de transformação (IT) concentrou boa parte das perdas no mercado formal gaúcho nesses 12 meses. Tendo eliminado 27,9 mil postos, respondeu por 46,4% do saldo negativo, percentual que é mais do que o dobro de sua participação na estrutura do emprego formal gaúcho (22,5%, conforme a RAIS de 2015). O segundo pior desempenho relativo é também do setor secundário: a construção civil fecha 11,2 mil postos, que equivalem a 18,7% da retração do mercado nos 12 meses considerados.

Nas diferentes regiões do território gaúcho, o impacto da conjuntura recessiva sobre o mercado formal de trabalho é diferenciado, distribuindo-se, quando se observam os 28 Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes), entre uma perda de 6,2% dos empregos no Corede Norte e um crescimento de 2,8% no Alto Jacuí. Além desse último, apenas outros cinco Coredes, aparecem com variação positiva. Em três deles, ela é muito próxima a zero: Celeiro (0,1%), Alto da Serra do Botucaraí (0,2%) e Fronteira Oeste (0,2%). A seguir, tem-se o Jacuí-Centro (0,8%) e o Médio Alto Uruguai (1,5%). Entre os 22 Coredes que registraram retração, a severidade da crise é bastante variada. Seguindo-se o já referido Norte, os piores resultados relativos aparecem no Noroeste Colonial (-4,6%) e na Serra (-4,4%). Dois Coredes, embora apresentem sinal negativo, encontram-se muito próximos à estagnação (o Vale do Taquari e a Fronteira Noroeste, ambos com -0,1%), e outros 13 têm perdas inferiores aos 2,3% apurados para o conjunto do Rio Grande do Sul, as quais vão de -0,5% no Rio da Várzea a -1,8% no Produção. A eliminação de postos de trabalho, vista a partir dos números absolutos, concentra-se no Corede Metropolitano Delta do Jacuí, que perdeu 23 mil empregos, com retração de 3,0% — mais severa, portanto, do que a do RS —, e no Corede Serra (quase 14 mil vagas, o equivalente a -4,4%, como se mencionou). Na sequência, colocam-se o Vale do Rio dos Sinos, com 5,7 mil postos a menos (-1,7%), e o Sul, com 4,6 mil empregos eliminados e variação de -3,0%.

Uma regionalização mais agregada, a partir das nove Regiões Funcionais (RFs), aponta a RF 3, que abarca três Coredes da região serrana, como a que mais eliminou empregos relativamente (-3,9%). Foram 14,9 mil postos fortemente concentrados na indústria de transformação, que respondeu por 61,6% desse enxugamento nessa região. A RF 5, que se limita ao Corede Sul, tem o segundo pior desempenho (-3,1%). Nesse caso, a IT representa 44,0% das perdas. Em ambas, destaca-se, negativamente, o segmento das empresas com mil empregados ou mais, que, no caso do Sul, apresenta retração de 14,0%. Duas RFs com resultados próximos à estagnação são o que de melhor se apura nessa subdivisão do Estado. São elas: a RF 6 (que agrega os Coredes Campanha e Fronteira Oeste) e a RF 8, agrupamento dos quatro Coredes que se situam no centro geográfico do território gaúcho. Essas RFs apresentam variação de 0,0% e de 0,1%, respectivamente, no contingente de empregados formais.

A rápida e continuada deterioração do mercado de trabalho gaúcho, como se pode observar, mesmo se manifestando com alguma diversidade nas diferentes porções do território, não preserva qualquer foco de dinamismo nesta conjuntura adversa, que ainda não apresenta sinais de superação no curto prazo.

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Como citar:

SOBRINHO, Guilherme Xavier. A retração do emprego formal prolonga-se em 2016, no RS e em suas regiões Carta de Conjuntura FEE. Porto Alegre, disponível em: <http://carta.fee.tche.br/article/a-retracao-do-emprego-formal-prolonga-se-em-2016-no-rs-e-em-suas-regioes/>. Acesso em: 24 de outubro de 2017.

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