Textos com assunto: Produção

Evolução da produção da uva e do vinho no RS

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Edição: Ano 24 nº 07 - 2015

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O vinho, que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi o responsável pelo crescimento em volume do setor de bebidas no primeiro trimestre, no Rio Grande do Sul, não conseguiu manter o bom desempenho no mês de abril. A bebida impulsionou a queda de 12,0% no setor, em comparação com abril do ano passado. No acumulado de janeiro a abril, entretanto, a fabricação de bebidas segue sendo um dos poucos setores da indústria de transformação que apresenta crescimento, de 5,7%, juntamente com outros produtos químicos (11,8%).

A produção de vinho no RS tem caído anualmente, desde 2009, com exceção do ano de 2011, no qual cresceu 38,8%. Esse incremento coincidiu com o aumento de 19,5% na produção de uva, da qual é bastante dependente, principalmente no tocante à qualidade.

O Estado produziu 234.637.000 litros de vinho em 2014. Destes, 83,6% eram de vinhos comuns, e apenas 16,4% eram de vinhos finos. O vinho proveniente de uvas viníferas — o fino — possui mais qualidade e maior valor agregado. Na comparação de 2014 com 2009, a produção desse tipo de vinho caiu 3,6%, enquanto os comuns apresentaram decréscimo de 4,5%. Juntos, eles caíram 4,4% nesse período.

Embora essa produção no Estado tenha apresentado queda em abril, o IBGE, através do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do mês de maio, prevê um crescimento de 7,8% na quantidade produzida de uva, em 2015, totalizando 876.286 toneladas. O RS foi responsável por 56,5% da produção de uva no Brasil em 2014, o equivalente a 812.537 toneladas. Essa produção, por sua vez, é muito concentrada na microrregião de Caxias do Sul, que responde por quase 80% da uva gaúcha. De acordo com o Censo Agropecuário 2006, 97,4% da safra da uva é colhida no primeiro trimestre, podendo haver variações devido às condições climáticas.

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Produção, salário, emprego e produtividade na indústria do RS

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Edição: Ano 24 nº 05 - 2015

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A produção da indústria de transformação instalada no Rio Grande do Sul, seguindo a trajetória do que aconteceu com o parque industrial brasileiro, apresentou uma queda de 4,3% em 2014. Essa trajetória de queda manteve-se nos dois primeiros meses do corrente ano, e, até o momento, não existem indicadores que sinalizem uma recuperação em 2015.

A performance do setor industrial brasileiro e, por decorrência, do gaúcho, ao longo do último decênio,  pode ser caracterizada por alguns fatos estilizados. Em primeiro lugar, desde o início da crise econômica em 2008, a indústria de transformação brasileira entrou em um processo de estagnação da produção. Com a queda observada em 2014, o nível da produção dos respectivos parques industriais situou-se abaixo do observado em 2008.  Assim, a atividade industrial do Estado tem, no desempenho nacional, o seu principal determinante. No entanto, por ter uma grande participação das atividades vinculadas ao agronegócio, o desempenho industrial do RS também mantém estreita dependência da agropecuária. Esta última, no entanto, atua no sentido de amenizar ou fortalecer os períodos de queda ou crescimento da produção, mas não no sentido de definir a sua tendência. Assim, enquanto, no período 2003-08, a indústria de transformação brasileira cresceu a uma taxa média anual de 3,7%, a sua correspondente instalada no território gaúcho cresceu apenas 1,4%. Esse diferencial de crescimento pode ser atribuído, em grande parte, ao fraco desempenho da agropecuária no biênio 2004-05. Para o período 2009-14, essa taxa de variação na produção foi negativa, tanto para o caso brasileiro (-0,25% a.a) como para o gaúcho (-0,35% a.a).

Em segundo lugar, verifica-se que a indústria de transformação deixou de ser um importante gerador de empregos diretos. Assim, mesmo durante o período de crescimento da produção (2003-08), o emprego na indústria de transformação brasileira cresceu a uma taxa média anual de 1,1%. No caso do parque industrial gaúcho, verifica-se uma trajetória constante de redução do emprego ao longo de toda a série. Nos últimos três anos, a indústria vem sistematicamente reduzindo o número do pessoal ocupado, tendência essa que deverá acentuar-se em 2015.

Em terceiro, e como decorrência dos dois movimentos descritos acima, verifica-se que a produtividade da indústria de transformação tem-se mantido praticamente estagnada desde 2008. No caso do RS, a exceção foi o ano de 2013, o qual combinou crescimento da produção com redução do emprego. No entanto, já em 2014, a produtividade novamente se manteve estacionada.  Por fim, uma das mais significativas características do cenário industrial foi a trajetória ascendente do salário real, mesmo após o início da crise. Embora o aumento real do salário seja um importante estímulo ao crescimento da demanda agregada, do ponto de vista empresarial, a sua associação com a estagnação da produtividade tem gerado grandes pressões de custos e um estreitamento da margem de lucro. Setores industriais com maior poder de mercado acabam repassando tais pressões aos preços, o que resulta na dificuldade em se reduzirem os patamares inflacionários da economia brasileira.

A similaridade de comportamento do parque industrial gaúcho e do restante do Brasil não é mera coincidência, mas, sim, uma evidência do fato de que as atividades industriais instaladas no território gaúcho constituem-se em segmentos da indústria nacional. A compreensão da sua dinâmica de crescimento, portanto, implica contextualizá-lo nos cenários nacional e internacional. Assim, a recuperação da produção industrial no RS somente irá acontecer com a recuperação do crescimento econômico nacional.

A superação desse quadro adverso para a indústria implica, em primeiro lugar, a retomada da produção, a qual permitiria um retorno do crescimento da produtividade compatível com o crescimento do salário real. No entanto, esse cenário dificilmente irá ocorrer enquanto a economia mundial não voltar a crescer de uma forma mais robusta. Até mesmo a depreciação do real, embora necessária, constitui-se em uma medida insuficiente, uma vez que outras moedas também têm-se desvalorizado em relação ao dólar. Adicionem-se a isso as dificuldades criadas pela forte concorrência dos produtos asiáticos, não apenas em termos da disputa por mercados, mas também como ponto privilegiado de localização industrial.

Do ponto de vista doméstico, as elevadas taxas de juros e a busca por ajustes fiscais, tanto do Governo Federal como dos estaduais, são medidas que dificultarão uma retomada da produção industrial. Com o crescimento do desemprego, não é de se esperar que o consumo das famílias volte a crescer. Os limites ao crescimento não residem, portanto, nas dificuldades de ordem burocrática ou tributária. Essas dificuldades já existiam no período 2003-08 e não impediram o crescimento. Uma redução da carga tributária poderia aumentar a lucratividade do setor no curto prazo, mas dificilmente ocasionaria a retomada da produção industrial.

Em seu conjunto, os fatores descritos acima acabam por reduzir a competitividade industrial brasileira, a qual impede não apenas a sua inserção externa, como também leva a uma perda do mercado interno. Nesse cenário, os governos estaduais, que dependem fortemente da retomada da arrecadação para fazer frente às necessidades de ajuste das contas públicas, veem reduzida a sua capacidade de fazer políticas públicas, ficando à mercê desses determinantes nacionais e internacionais.

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Produção, emprego e salário na indústria brasileira e na gaúcha

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Edição: Ano 23 nº 11 - 2014

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A crise econômica que teve início em 2008 e que levou a economia mundial a um processo de estagnação ao longo dos últimos seis anos continua a ter impactos negativos sobre a economia brasileira e, em especial, sobre o setor industrial. Uma análise do comportamento da produção e do emprego nos períodos pré e pós-crise basta para perceber a quebra estrutural que ocorreu, no comportamento dessas variáveis, com o início da crise. Por outro lado, a indústria brasileira também tem sido afetada por alguns condicionantes internos, a saber, o baixo nível do desemprego e o elevado patamar inflacionário, os quais acabam influindo diretamente nos salários e nos custos empresariais. Do lado da demanda, a indústria vem sofrendo as consequências da redução do crescimento do consumo das famílias e da forte concorrência internacional.

No período pré-crise (2004-08), a indústria de transformação nacional apresentava uma trajetória de crescimento tanto da produção como do emprego, refletindo-se na folha de pagamento e no salário real por trabalhador. O crescimento deste último não chegava a ser um problema para a indústria, uma vez que ele era acompanhado por ganhos de produtividade (Tabela 1). No entanto, a partir de 2009, tanto a produção como o emprego passaram a apresentar oscilações que, em seu conjunto, têm anulado os ganhos apresentados no período pré-crise. No caso específico do emprego, conforme demonstra a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a queda acumulada até agosto do corrente ano (2,7%) fez com que o seu nível recuasse ao patamar de 2004. Ou seja, o período pós-crise eliminou os ganhos de emprego que a indústria de transformação havia gerado entre 2004 e 2008, fazendo com que seu patamar tenha voltado ao nível de 10 anos atrás. Movimento semelhante ocorreu com a produção física. Neste último caso, porém, a queda apresentada em 2014 (4,0% até agosto) reduziu o nível da produção a um patamar inferior ao de 2008. Como consequência desses movimentos, a produtividade, que vinha crescendo a uma taxa média anual de 2,6% no período 2003-08, teve uma significativa desaceleração (1,3% a.a.) a partir de 2009, sendo que, no corrente ano, ela tem apresentado queda.

Comportamento diferenciado, no entanto, tem mostrado o montante dispendido pela indústria com a folha de pagamento. Com exceção de 2009, o valor real da mesma vem exibindo uma trajetória ascendente. Tal comportamento é resultado do contínuo crescimento do salário real por trabalhador, o qual não sofreu redução mesmo durante os anos mais críticos da crise. Esse comportamento dos salários reais, associado com a desaceleração do crescimento da produtividade, tem sido um importante elemento de pressão sobre os custos empresariais. Os setores com capacidade de repassar o aumento dos custos têm contribuído para manter a inflação em um patamar elevado. Por outro lado, setores mais expostos à concorrência internacional acabam por ter reduzidas as suas margens de lucro e, consequentemente, a sua disposição para realizar novos investimentos.

No que se refere ao segmento da indústria de transformação instalada no Rio Grande do Sul, sua dinâmica de crescimento reflete o desempenho da média nacional, adicionando-se que, em virtude do elevado peso do agronegócio na composição da produção industrial, o setor fica mais exposto aos períodos de estiagem. Mesmo no período pré-crise econômica mundial, a indústria, no RS, já vinha apresentando um crescimento abaixo do da média nacional. No entanto, como decorrência da elevada queda no emprego naqueles anos, a produtividade cresceu a taxas elevadas (4,0%), acima da taxa de crescimento do salário real (3,6%). Em contraposição, após 2009, a produção e a produtividade passaram a crescer a taxas inferiores à do salário real. Com a performance observada, até agosto de 2014, na produção física (-5,3%), o patamar da produção encontra-se abaixo dos níveis de 2007.

A superação desse quadro desfavorável ao setor industrial deverá, necessariamente, passar por uma retomada do crescimento da produção e, em decorrência disso, da produtividade. A redução do nível do desemprego verificada ao longo dos últimos anos e o crescimento real do salário são conquistas das quais o País não deve abdicar, sob pena de comprometer os avanços na inclusão social e de diminuição da pobreza. Nesse sentido, uma política de gradual desvalorização cambial pode contribuir para aumentar a inserção externa da indústria nacional e estimular o aumento da produção. No entanto, em um quadro de baixo crescimento mundial, a retomada do crescimento passa pelo estímulo ao mercado interno. Assim, a melhora na gestão das obras públicas em parceria com o setor privado, já iniciadas com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), teria por efeito apressar os investimentos e a produção. O Governo poderá, ainda, lançar mão de novas medidas de estímulo ao consumo através de seus programas de transferência. Ao contrário da falsa controvérsia entre crescimento puxado pelo consumo ou pelo investimento, a reativação do primeiro poderia ser um estímulo ao segundo. Por fim, dado o cenário traçado acima, fica difícil uma recuperação industrial, enquanto o País conviver com as taxas de juros reais mais elevadas do Mundo.

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A distribuição espacial da produção leiteira gaúcha

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Edição: Ano 23 nº 08 – 2014

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Na elaboração do Produto Interno Bruto (PIB) regional do RS, verifica-se uma crescente importância do leite e de seus derivados na estimativa da atividade bovina. A análise dos dados da Pesquisa Pecuária Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PPM-IBGE), principal fonte dos dados primários para sua elaboração, permite constatar-se essa evolução.

Em 2012, ano da última pesquisa divulgada, o RS ocupava o segundo lugar na produção leiteira nacional, atrás apenas de Minas Gerais. Do total da produção nacional, o Estado de Minas Gerais participava com 27,6% e o RS com 12,5%.

A análise recente mostra um crescimento maior do RS vis-à-vis Minas Gerais, verificando também uma maior produtividade de sua bacia leiteira: RS com produção de 2,7 mil litros/ano, e MG com 1,6 mil litros/ano por vaca ordenhada.

Na análise intrarregional do RS, constata-se que a principal bacia leiteira está localizada na mesorregião Noroeste Rio-Grandense, produzindo em torno de dois terços do leite gaúcho. A segunda mais expressiva e bastante menor é a Nordeste Rio-Grandense, com 10,1% em 2012.

De outra parte, verifica-se a ocorrência de crescimentos desiguais entre regiões nessa atividade. Essas duas mesorregiões são as únicas que vêm ganhando participação em comparação ao ano 2000. A primeira, com crescimento de 7,7 pontos percentuais, e a segunda, de 0,4 ponto percentual. As demais cinco mesorregiões — Centro Ocidental Rio-Grandense, Centro Oriental Rio-Grandense, Metropolitana de Porto Alegre, Sudoeste Rio-Grandense e Sudeste Rio-Grandense — apresentam decréscimos em participação de sua produção entre 2000 e 2012.

Em relação à produtividade, constata-se uma distribuição semelhante. A mesorregião Noroeste Rio-Grandense é a que apresenta melhor produtividade, com 3,0 mil litros/ano de leite por vaca ordenhada, seguida da Centro Oriental Rio-Grandense (2,6 mil litros/ano) e da Nordeste Rio-Grandense (2,5 mil litros/ano).

É interessante notar-se que esse desempenho da bacia leiteira gaúcha ocorre concomitantemente com alterações em sua estrutura produtiva agrícola, com concentração na cultura da soja.  Destaca-se, no entanto, que é na principal mesorregião produtora de leite que a soja apresenta menor crescimento. Entre 2000 e 2012, a mesorregião Noroeste Rio-Grandense sofreu uma queda de 82,1% para 61,1% na participação da produção estadual de soja, com crescimento de produção de 98,6%, inferior à média gaúcha de 166,7%.

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O fraco desempenho da indústria no Brasil

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Edição: Ano 22 nº 08 - 2013

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A produção industrial brasileira avançou 1,9% em junho, após recuo de 1,8% em maio, na comparação com o mês anterior, acumulando expansão de 1,9% no ano. Essa dificuldade de crescimento da indústria, em especial da indústria de transformação, é marcante no atraso do desenvolvimento econômico e social do Brasil. A compreensão desse processo na atualidade deve ser inserida num contexto de longo prazo, a partir da análise da evolução da estrutura industrial nas últimas décadas. Sob essa perspectiva, a história contemporânea da economia brasileira divide-se em duas fases nitidamente distintas, cuja ruptura foi verificada no início da década de 80.

Ao longo da primeira fase (1947-80), ocorreu a implantação da estrutura produtiva que, de modo geral, caracteriza a indústria da atual economia brasileira. A construção de uma ampla e diversificada estrutura produtiva nesse período teve como elemento central a implantação de grandes projetos orquestrados por políticas públicas, visando à construção do parque industrial para atender ao mercado interno em substituição às importações. Mesmo onde não se tratava de implantar grandes projetos, mas de introduzir novos elos das cadeias produtivas por capitais privados, o avanço da produção industrial deu-se numa direção definida e promovida por uma estratégia de desenvolvimento dirigida pelo Estado. Tal estratégia foi capaz de guiar as decisões de investimentos empresariais, assegurando um ambiente de consistente e elevado crescimento econômico (média de 7,5% a.a.). A consolidação de uma percepção compartilhada para uma verdadeira vocação do crescimento da indústria, garantido e induzido pela política econômica, tornava o crescimento econômico um processo “autorrealizável”.

A segunda fase (1980-2013) da indústria no Brasil caracteriza-se pela ausência de uma estratégia de desenvolvimento. Apesar de mínimas modificações na estrutura produtiva nesse período, grandes mudanças foram introduzidas no âmbito das empresas e em sua relação com os mercados, aceleradas pela abertura econômica e pela estabilização trazida pelo Plano Real nos anos 90. Tais mudanças deram-se no gerenciamento e organização do trabalho dentro das empresas, bem como no conjunto de produtos ofertados (implicando aprendizado, adoção de novas tecnologias, processos e utilização de novos insumos), e, muitas vezes, na alteração da estrutura patrimonial das empresas. No entanto, a mais importante mudança desse período, com profundas implicações para o atual desempenho industrial, vincula-se à forma como a economia passou a “evoluir”. Fundamentalmente, o processo de industrialização, através da implantação de novos projetos orientados pelo Estado, deixa de ser o eixo central do crescimento. A economia passa a evoluir sem uma direção definida por uma estratégia destinada a desenvolver novos setores estratégicos para a matriz produtiva brasileira. Nesse contexto, a economia ingressou em uma trajetória de baixo crescimento durante todo o segundo período (média de 2,5% a.a.), associado a uma queda da participação da indústria de transformação no valor adicionado total da economia (de 16,9% em 2002 para 13,3% em 2012).

Esse padrão pode ser observado pela atual estrutura do valor adicionado da indústria, em que os setores com maior participação vinculam-se ao antigo padrão tecnológico, concentrados em indústrias maduras e em atividades processadoras de recursos naturais, com baixa capacidade de promover o dinamismo econômico e tecnológico. Em 2011, último ano com informação disponível, as atividades de maior participação no valor adicionado da indústria foram: fabricação de produtos alimentícios (12,6%), extração de minerais metálicos (9,9%), fabricação de coque, produtos do petróleo e bicombustíveis (9,8%), veículos, reboques e carrocerias (9,5%), produtos químicos (6,7%), máquinas e equipamentos (5,3%), metalurgia (4,9%), produtos de metal (4,4%), produtos de minerais não metálicos (3,9%) e produtos de borracha e plástico (3,6%). Em conjunto, essas atividades detêm 70,6% do valor adicionado da indústria e, consequentemente, são responsáveis pela dinâmica do crescimento econômico.

Em meio a uma trajetória de “quase estagnação” da indústria, observam-se ainda episódios de crescimento seguidos por retrocessos. Apesar de períodos de forte recuperação, torna-se evidente que esses movimentos não se sustentam no longo prazo. A dificuldade de ingresso numa trajetória sustentada de crescimento sugere que o atual padrão, apoiado na expansão do mercado interno e na demanda externa por commodities agrícolas e minerais, tem reduzida capacidade de induzir a uma forte expansão da economia e da produtividade industrial. A retomada do crescimento e da participação da indústria de transformação na economia requer uma estratégia de longo prazo que redefina a inserção global e assegure o potencial de novos desenvolvimentos, expandindo a produtividade através da mudança estrutural com inovações. As medidas adotadas de expansão da produção e do emprego industrial tem se mostrado insuficientes e de horizonte temporal restrito, impedindo ainda mais o ingresso da economia em uma nova trajetória de desenvolvimento.

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Novo horizonte para o setor de erva-mate?

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Edição: Ano 22 nº 03 - 2013

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O período recente parece trazer boas notícias para o setor ervateiro. De janeiro de 2011 a outubro de 2012, o preço médio recebido pelos produtores no RS subiu 27%, bem acima da inflação (IGP-DI, 12,4%). Nesse cenário, o desafio é aumentar a oferta, mantendo e até incrementando o consumo, já crescente, do produto.

Alterações nos hábitos alimentares — com a valorização cada vez maior dos aspectos nutricionais, ecológicos e sociais — apontam uma tendência de aumento da demanda do mate, com grandes potencialidades de diversificação na produção de bebidas (chás, além do chimarrão), cosméticos, medicamentos, etc.

Entretanto, quando se analisam os dados de quantidade produzida no País, observa-se uma relativa estagnação em torno de 440 mil toneladas anuais. O Rio Grande do Sul segue esse mesmo padrão, participando com 60% da quantidade produzida e com 67% do valor bruto da produção, conforme a Tabela.

Por se tratar de uma cultura permanente, a decisão de plantio por parte do produtor depende da expectativa de rentabilidade no longo prazo. Assim, para que a oferta cresça é necessário que se avance na introdução de inovações na produção (aumento de produtividade), no beneficiamento e na comercialização, gerando maior valor agregado aos produtos e aumentando a rentabilidade do setor.

Diante desses desafios, foi criado, em janeiro de 2012, o Instituto Brasileiro do Mate (Ibramate), com sede em Ilópolis (RS). A instituição utilizará recursos estaduais provenientes do Fundo de Desenvolvimento e da Inovação da Cadeia Produtiva da Erva-Mate (Fundomate), cujo objetivo maior é promover a produção, o desenvolvimento e a competitividade do setor da erva-mate, seus derivados e congêneres, principalmente por meio de pesquisa, inovação e assistência técnica.

Essa é uma importante notícia para o setor. Sabe-se que o desafio é grande, mas ainda maior é a oportunidade para o desenvolvimento dessa cadeia produtiva tão identificada e enraizada em nosso estado.

Novo horizonte para o setor de erva-mate

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Perspectivas de produção das culturas de verão na safra 2009

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Edição: Ano 18 nº 03 - 2009

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A estimativa da produção dos principais grãos na safra de verão de 2009, no Rio Grande do Sul, mostra acréscimos nas lavouras de arroz, de feijão (1ª safra) e de soja, em relação à safra de 2008, e redução na de milho (1ª safra). Considerado o conjunto desses produtos, o Estado produzirá 561.000 toneladas a menos na safra em andamento. O Brasil terá uma diminuição de 7.518.000 toneladas na produção desses grãos, havendo a previsão de consideráveis reduções nas lavouras de soja e milho (1ª safra), o que configura pior desempenho do que o realizado nas lavouras gaúchas. Estiagem e chuvas excessivas influenciaram de maneira significativa, porém diferenciada segundo as regiões, o resultado da safra de verão no Estado e no País.

No Informativo Conjuntural de 12 de fevereiro, a Emater-RS indicava que, no Estado, as culturas de arroz e de soja não tinham a colheita iniciada, enquanto 85% da área destinada ao feijão já estava colhida. O milho, por sua vez, tinha 43% da área em fase de floração e de enchimento de grãos, fases essas críticas em relação à quantidade de água, o que pode influir decisivamente no rendimento da lavoura. Os preços recebidos pelos produtores na segunda semana de fevereiro estavam todos acima da média histórica para o período 2003-07. Se continuarem favoráveis, poderão compensar, de alguma forma, as perdas na produção, oportunizando resultados satisfatórios ao segmento na agricultura.

Perspectivas de produção das culturas de verão na safra 2009

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Perspectiva negativa para a lavoura gaúcha em 2008

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Edição: Ano 17 nº 04 - 2008

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Estatísticas recentes da previsão da safra agrícola gaúcha (informa ções até fevereiro) revelam que o setor lavoureiro terá um desempenho bastante inferior neste ano, em comparação ao do ano anterior, afetando negativamente o crescimento do PIB de 2008.

Embora ainda em caráter preliminar, a previsão inicial da safra gaúcha apresenta um crescimento negativo dos principais produtos, conforme se pode visualizar na tabela.

Perspectiva negativa para a lavoura gaúcha em 2008

Das oito principais culturas agrícolas, que perfazem aproximadamente 89% do valor da produção da lavoura em 2007, o arroz, a maçã e a cana-de-açúcar apresentam previsão de crescimento em sua produção. Todas as demais têm previsão de queda em sua produção física, sendo que a soja é a que tem a maior perspectiva de acréscimo . 17% inferior à do ano anterior ., seguida do trigo com -12% e do milho com -6%.

Dentre os fatores que influenciaram esse comportamento, podem-se salientar o climático, que não está sendo tão favorável como em 2007, e a base de comparação extraordinariamente alta, já que a safra anterior foi uma das maiores colhidas no Estado, nos últimos anos.

Estima-se um impacto médio no valor da produção dessas oito culturas ao redor de -6,1%. No ano anterior, elas apresentaram desempenho excepcional, com crescimento médio do valor da produção de 15,8%. Como os custos de produção da safra não irão cair, há uma previsão de queda para o Valor Adicionado ainda maior que a do valor da produção.

De outra parte, no Rio Grande do Sul, o desempenho do setor agrícola tem uma forte influência no crescimento dos demais setores, seja pela importância de sua cadeia agroindustrial, seja pelas atividades decorrentes de comercialização, de transporte, além de geração de empregos. Assim, esses resultados preliminares sobre a safra agrícola estadual de 2008 permitem prever para o ano, diferentemente do que inicialmente se esperava, um desempenho inferior ao projetado para a economia brasileira.

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Gás carbônico (CO2) no consumo de energéticos não renováveis, no RS

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Edição: Ano 15 nº 02 - 2006

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Em 2000, o Rio Grande do Sul gerou 22,3 milhões de toneladas de CO2, oriundas do consumo de energéticos não renováveis (derivados do petróleo, gás natural e carvão mineral). Isso representou 8,6% das emissões desse gás no Brasil, uma participação superior à do PIB do RS no PIB nacional que foi de 7,70%. Estudo prospectivo (cenários tendenciais elaborados pelo grupo de energia da FEE) sobre os requerimentos de energéticos não convencionais, com base em supostas taxas de crescimento para a economia brasileira, em 2020, de 2,5%, 3,5% e 4,5% , estima acréscimos respectivos de 42,4, 54,0 e 66,7 milhões de toneladas de CO2, o equivalente a crescimentos da emissão de gases, relativamente ao ano 2000, de 89,7%, 141,6% e 198,3%.

Se, para eliminar a massa de carbono contida no CO2 gerado pelos combustíveis não renováveis consumidos no RS, em 2000, mediante seqüestro do C, seriam necessários 1,5 milhão de hectares de florestas médias, para o ano de 2020, os cenários apontam áreas estimadas em 2,9 milhões, 3,7 milhões e 4,5 milhões de hectares de florestas médias respectivamente. Isso leva a pensar na necessidade urgente de se garantirem áreas de florestas manejáveis, que complementem as já existentes, para que o gás carbônico seja seqüestrado em prol de um equilíbrio entre a natureza e as ações antropogênicas em nosso Estado.

Gás carbônico (CO2) no consumo de energéticos não renováveis, no RS

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As exportações explicam a evolução da produção de carne bovina

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Edição: Ano 14 nº 05 - 2005

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A partir de 1997-98, o setor brasileiro produtor de carne bovina apresentou um grande dinamismo, evidenciado pelo crescimento da produção física e apoiado em melhoria de produtividade (medida pelo crescimento da taxa de desfrute do rebanho nacional por exemplo).

Mas, enquanto as quantidades produzidas evoluíram, em média, 4,6% a.a. entre 1997 e 2004, as exportações o fizeram a 26,7% a.a., resultando no aumento da participação destas últimas na produção doméstica — de 4,9% para 18,8% no período (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC)). Tais indicadores demonstram que as vendas externas foram o componente dinâmico da demanda nacional do segmento, até porque caiu em 30% o consumo per capita de carne bovina (principalmente de seus cortes nobres) no País, entre 1995-96 e 2002-03 (POF/IBGE).

É importante registrar que esse surto de crescimento das vendas externas ocorreu paralelamente à queda sistemática e consistente dos preços internacionais, demonstrando que as decisões de produção se deram independentemente destes últimos. O mesmo ocorreu no Rio Grande do Sul, onde as exportações crescentes coexistiram com preços cadentes.

Ao ter-se presente, por outro lado, a queda sistemática da taxa de câmbio a partir de outubro de 2002 e, ainda, que a atividade se caracteriza por gerar baixa densidade de valor por hectare, pode-se concluir que a formação de renda para o produtor individual passou a depender fortemente das escalas de produção. Esse quadro, em médio prazo, gera instabilidade para segmentos importantes da produção gaúcha e reforça a competitividade dos produtores do Brasil Central e do Norte, que operam em escalas relativamente maiores.

As exportações explicam a evolução da produção de carne bovina

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