Textos com assunto: Produção agricola

Produção e vendas de máquinas agrícolas em 2014: um ano de ajuste

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Edição: Ano 23 nº 10 – 2014

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Depois de 2013, ano de resultados excepcionais, quando o número de máquinas agrícolas — tratores, cultivadores e colheitadeiras — negociadas no Brasil atingiu seu recorde histórico, essa indústria vem apresentando dificuldades em manter o mesmo ritmo de crescimento. Isso porque, em 2014, não se reproduzem os elementos que caracterizaram o quadro favorável para o desempenho desse setor em 2013, quais sejam: preços das commodities majorados no mercado internacional, juros mais baixos do Programa de Sustentabilidade do Investimento (PSI) no último quadrimestre do ano (2,5% a.a.) e ampliada capitalização do produtor com lucratividade em alta.

É importante salientar-se, contudo, que as taxas negativas dos primeiros oito meses de 2014 em relação a igual período do ano anterior não chegam a preocupar. Se comparado com igual período de 2011 e 2012, o número de unidades vendidas e produzidas mostrou inclusive crescimento, refletindo, na realidade, um retorno à normalidade. Apenas as exportações mantiveram uma trajetória declinante, em grande parte decorrente das dificuldades vivenciadas pela Argentina, que vem impondo restrições crescentes à importação de máquinas agrícolas brasileiras, atingindo especialmente o RS, onde se localiza o maior parque industrial produtor desses bens (43,7% da produção do País). Acrescente-se a isso o encolhimento desse mercado para o produto nacional, em razão da instalação e/ou expansão de plantas de empresas como a AGCO, a John Deere e a New Holland em solo argentino.

As perspectivas para o restante do ano e também para 2015 são de relativa manutenção do quadro atual. No âmbito internacional, destaca-se a desaceleração dos preços das commodities,influenciada pela estimada supersafra mundial de soja. Internamente, têm-se juros mais elevados (4,5% a.a.) do PSI. Por outro lado, contudo, a ampliação do crédito, anunciada para 2015, inclusive com a reativação do Moderfrota, deverá contribuir para a realização de novos investimentos e lançamento de novos produtos.

Produção e vendas de máquinas

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A agricultura gaúcha e a safra de 2014

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Edição: Ano 23 nº 03 – 2014

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A produção gaúcha de cereais, leguminosas e oleaginosas foi a maior da história no ano de 2013, alcançando 30.293.424 toneladas, valor 2,0% superior ao da safra de 2011 e 58,2% ao da safra de 2012, que foi muito prejudicada pela estiagem.

A estrutura produtiva está bastante concentrada. Apenas quatro culturas — soja (42,1%), arroz (26,7%), milho (17,7%) e trigo (11,1%) — correspondem a 97,6% do total da produção. Em relação à área plantada, a predominância da soja é ainda maior. Do acréscimo de 484.963ha ocorrido em 2013, a soja teve um incremento de 458.586ha, totalizando 57,3% da área plantada de cereais, leguminosas e oleaginosas no Estado. As mesmas quatro culturas — arroz (13,2%), milho (12,3%) e trigo (12,9%) —, juntamente com a soja, ocupam 96% da área plantada do Rio Grande do Sul nessa categoria.

As primeiras previsões para a safra 2014 indicam, caso as condições climáticas projetadas se mantenham, um novo recorde, novamente concentrado na cultura da soja. A perspectiva é a de que haja um aumento na produção da soja da ordem de 9%, com incrementos de 5% na área plantada e em torno de 4% na produtividade. Já para o arroz, projeta-se um crescimento superior a 5% na produção, 2,7% na área e 4,6% na produtividade. De outra parte, verifica-se diminuição da área plantada do milho (-7,9%), mas com incremento de produtividade (6,3%) e produção (0,9%).

Como a agricultura é mais relevante na estrutura produtiva gaúcha do que na brasileira, com maior influência no desempenho dos demais setores, seja pela importância de sua cadeia agroindustrial, seja pelas atividades de comercialização e demais serviços, verifica-se, historicamente, a tendência de um crescimento maior da economia do RS vis-à-vis à do Brasil nos anos em que a agricultura gaúcha cresce mais do que a brasileira.

Assim como no ano de 2013, quando a agricultura gaúcha registrou um desempenho melhor do que o nacional e resultou em um crescimento do PIB regional superior ao do Brasil, as perspectivas para 2014, notadamente pelas projeções de desempenho da soja, indicam uma tendência semelhante.

A agricultura gaúcha e a safra de 2014

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Projeções para a safra gaúcha de grãos em 2013/2014 — recordes à vista?

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Edição: Ano 22 nº 12 – 2013

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O segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2013/2014, divulgado em novembro, revelou a expectativa de novos recordes de produção de grãos no Brasil. No Rio Grande do Sul, projeta-     -se que a safra de grãos supere, pela primeira vez, a marca de 30 milhões de toneladas, o que representaria um crescimento de até 8,5% em relação à safra 2012/2013.

O crescimento esperado para a produção gaúcha deve-se, sobretudo, ao incremento na área plantada, que pode ser 5,8% superior à observada na safra anterior. A cultura da soja é o principal destaque individual, respondendo por mais de 60% da expansão da área plantada com grãos no Estado. Projeta-se que nenhuma das principais culturas temporárias sofra retração na área plantada na safra 2013/2014. Embora ainda não se disponha de estimativas precisas sobre as mudanças no uso do solo entre as regiões, parece estar acentuando-se a tendência — observada nos últimos anos — de espraiamento da cultura da soja em direção às Mesorregiões Sudeste e Sudoeste. A maior rentabilidade da oleaginosa tem incentivado seu avanço em áreas tradicionalmente destinadas à pecuária nessas regiões.

O resultado econômico da produção de grãos no Rio Grande do Sul ainda é incerto. A safra gaúcha de trigo, em fase final de colheita, promete ser a segunda maior da história, e o nível apertado de oferta do produto no mercado internacional contribuiu para a alta dos preços domésticos. Mesmo com o recente recuo, espera-se que os preços pagos ao produtor permaneçam acima da média observada em 2011 e 2012.

Para as culturas de verão, o quantum e o valor da produção estão sujeitos a maiores variações. Em se tratando da produtividade, as estimativas são apenas indicativas, calculadas a partir da média de anos anteriores. Portanto, esses números tendem a ser corrigidos ao longo do desenvolvimento das culturas, segundo as condições climáticas e fitossanitárias que se apresentarem.

No que se refere aos preços, as novas estimativas de oferta e demanda, divulgadas no início de novembro pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), contribuíram para a elevação temporária das cotações internacionais do milho e da soja. As importações chinesas da oleaginosa devem crescer na faixa de 15% no ano comercial 2013-14, movimento já precificado pelo mercado. Contudo, em se confirmando a elevação na relação estoque/uso global desses produtos, ainda existe espaço para a redução dos preços internacionais no curto e no médio prazo.

A desvalorização do real frente ao dólar contribuiu para a melhor sustentação dos preços recebidos pelos produtores brasileiros, principalmente de soja e trigo. Ainda assim, é provável que três dos quatro principais grãos produzidos no Rio Grande do Sul sejam comercializados a preços inferiores aos observados no último ano. Comparando os preços médios (em R$) vigentes em novembro de 2013 com os observados no mesmo período de 2012, segundo dados da Conab, percebe-se que a queda nos preços foi superior ao aumento projetado para a produção de soja, milho e arroz.

Portanto, dificilmente o valor da produção da safra gaúcha verificado no período anterior será superado na safra 2013/2014. Ainda assim, na ausência de quebras significativas de produtividade, os efeitos indiretos da expansão da produção agrícola tendem a ser relevantes para a economia do Estado. Os produtores (gaúchos e brasileiros) continuam capitalizados e propensos à realização de novos investimentos, seja para a renovação e ampliação do maquinário utilizado na preparação do solo e na colheita, seja para a armazenagem de grãos.

Projeções para a safra gaúcha de grãos em 2013 2014 — recordes à vista

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Safra gaúcha recupera perdas anteriores

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Edição: Ano 22 nº 10 - 2013

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Ao longo de todo o ciclo produtivo da safra de verão 2012/2013 no Rio Grande do Sul, torcia-se por um resultado semelhante ao recorde obtido na safra de 2010/2011, ou, ao menos, pela recuperação das perdas do ano passado. As informações definitivas fornecidas pela Conab em setembro apontam para um resultado que, em parte, atende a essa expectativa. A produção gaúcha de grãos mostrou-se 35,3% maior que a safra anterior, apesar de ser 1,9% menor do que a safra recorde, de 28.826 mil toneladas.

Com relação à safra passada, os aumentos de produção verificados para o milho e a soja, da ordem de 61,1% e 92,1%, respectivamente, revelam a forte recuperação das perdas ocorridas. Merece destaque o desempenho com o cultivo de milho, que, com uma área 7,2% menor, mostrou uma variação de produtividade 73,6% maior, similar à apresentada pela soja (74,5%), cuja área sofreu um incremento de 10%.

Enquanto a lavoura gaúcha de grãos retoma seu curso, o desempenho na produção brasileira supera os resultados da safra anterior. Com um crescimento de 12,6% no volume de grãos, o Brasil registra um novo patamar, com mais de 187 milhões de toneladas, um importante recorde para os produtores nacionais.

Safra gaúcha recupera perdas anteriores

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Perspectiva da safra gaúcha em 2013

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Edição: Ano 22 nº 05 - 2013

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A divulgação mensal da previsão de safra pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, permite inferir que, ao contrário do ano passado, a safra gaúcha de 2013 será uma das melhores dos últimos anos.

Historicamente, a economia gaúcha caracteriza-se por apresentar um crescimento volátil e diverso do nacional, muito em função da influência do clima em sua agricultura. De fato, por ser o Brasil um país de tamanho continental, os efeitos climáticos se diluem mais na média nacional do que na do Estado. Além disso, o setor agrícola é mais relevante na estrutura produtiva gaúcha que na brasileira, tendo a agroindústria um elo encadeador na economia bem mais expressivo que em nível nacional.

Em 2011, com o clima favorável ao desenvolvimento das lavouras, a economia gaúcha cresceu 5,1% contra 2,7% da do Brasil, e, em 2012, ano de estiagem, o RS decresceu 1,8% enquanto o País cresceu 0,9%. A agropecuária foi a atividade com desempenho mais distinto. No RS, em 2011 cresceu 18,7% e, em 2012, -27,6%, enquanto, no Brasil essas taxas foram, respectivamente, 3,9% e -2,3%.

A LSPA de março de 2013 mostra que as estimativas para o ano dos principais produtos da lavoura gaúcha apresentam produção maior do que a da safra anterior, sinalizando um desempenho elevado para o ano. Estima-se um crescimento médio da produção agrícola gaúcha superior a 42%.

Tanto em relação à produção quanto à produtividade, verificam-se previsões de taxas de crescimento elevadas, fruto da base de comparação baixa, entretanto, sem alcançar os valores da extraordinária safra de 2011. Quanto à produção, os destaques são soja e milho, com taxas de crescimento de 99,3% e 49,0%, respectivamente, seguidos de trigo (30,3%), fumo (9,4%) e arroz (4,3%). Esses produtos perfazem mais de 80% do valor da produção da lavoura do RS.

Considerando a participação em torno de 10% da agropecuária na estrutura do PIB e que a lavoura corresponde a mais de 55% da atividade agropecuária, a previsão de um ótimo crescimento agrícola dará uma expressiva contribuição para o crescimento do PIB gaúcho de 2013.

Perspectiva da safra gaúcha em 2013

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Safra 2012/2013: projeções promissoras sinalizam recorde

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Edição: Ano 22 nº 02 - 2013

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As previsões de safra agrícola estão a indicar um novo patamar de produção para o País. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos 2012/2013 deve apresentar um aumento de 8,6% em relação à safra passada, enquanto o IBGE estima uma safra de 9,9% maior. Para isso, conta-se com a reposição das perdas verificadas na última safra, principalmente na Região Sul — a segunda maior produtora de grãos —, em função da estiagem prolongada que ocorreu na época de floração das culturas, esperando-se que, neste verão, o clima seja mais propício.

É oportuno dizer que essas estimativas de crescimento refletem a opção de muitos agricultores pelo cultivo de produtos mais rentáveis, como a soja, grão de melhores preços no mercado e de grande produção nacional. Técnicos agrícolas revelam também o avanço dessa cultura sobre áreas antes ocupadas pelo cultivo de milho. Existe, portanto, uma forte indicação de que a nova safra nacional seja liderada por um recorde de produção dessa oleaginosa, que poderá atingir mais de 82 milhões de toneladas.

No Rio Grande do Sul, é nítida a tendência de recuperação das perdas na safra anterior de grãos, mais visível nas culturas de milho e de soja. Segundo a Conab, a estimativa de janeiro para a safra gaúcha de 2012/2013 indica aumento de 3,7% no cultivo de arroz, 40,6% no de milho e de 86,8% no de soja, relativamente à safra passada.

Observando-se as quantidades produzidas dessas culturas para uma série de safras, nota-se que o recorde obtido em 2010/2011 para os três grãos só será superado pela obtenção provável de novo recorde no cultivo gaúcho de soja, a exemplo do que está sendo projetado para a produção nacional. Caso se confirme essa previsão, o milho do Rio Grande do Sul pode ter uma participação de 6,5% na produção nacional; a soja, de 14,7%; e o arroz, de 66,5%. Se o clima for favorável, o recorde previsto para a safra 2012/2013 no País, para o qual a recuperação da produção gaúcha é fundamental, poderá trazer resultados animadores tanto para os produtores agrícolas quanto para a economia nacional como um todo.

Safra 2012 2013 projeções promissoras sinalizam recorde

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Perspectiva da lavoura gaúcha em 2008

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Edição: Ano 17 nº 09 - 2008

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As estatísticas recentes sobre a safra gaúcha para o ano de 2008 (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola/LSPA-IBGE) indicam um desempenho bastante inferior ao do ano passado. Estima-se um decréscimo de sua produção em torno de 6,5% para 2008 contra um crescimento superior a 15% em 2007. Considerando-se a importância das culturas temporárias de verão e que estas estão em fase final de colheita, pouco irá mudar a taxa de produção da lavoura gaúcha. Comparativamente ao ano anterior, esse número reflete uma mudança significativa no ritmo agrícola do RS, com forte impacto negativo no desempenho do PIB deste ano.

Entretanto esse desempenho necessita ser melhor analisado, dada a possibilidade de interpretações divergentes.

Em relação à safra de grãos (arroz, feijão, milho, soja e trigo), por exemplo, destaca-se que, em 2007, se comemorava a maior safra da história, com o Rio Grande do Sul produzindo mais de 24 milhões de toneladas, com um crescimento em relação ao ano anterior de 21,6%. Já neste ano de 2008, a previsão é de um decréscimo de 7%, com uma produção em torno de 22,4 milhões de toneladas. Entretanto, ao mesmo tempo em que ocorre essa diminuição em relação ao ano anterior, observa-se que esta foi a segunda maior safra do RS. Esse recuo se dá por um clima pouco favorável em algumas regiões e pela base de comparação extraordinariamente elevada do ano de 2007.

Quanto à produção, destacam-se a evolução do arroz (16,3%), que, ano anterior, foi a única cultura com desempenho negativo (-6,5%), e a do trigo (7,1%), que havia apresentado um incremento, em 2007, de 109,0%. Todas as demais culturas tiveram quedas expressivas em sua produção — -27,9%, -10,8% e -21,7% para feijão, milho e soja respectivamente. Em comparação à safra de 2006, todas as culturas apresentaram crescimento, à exceção do feijão, com uma taxa acumulada das culturas de grãos, nesse período de dois anos, superior a 13%.

O rendimento médio da produção por hectare colhido só obteve elevação, em 2008, no cultivo de arroz (2,3%). Todas as outras culturas demonstram produtividades inferiores às da safra anterior. Entretanto, frente a 2006, todas as culturas de grãos apresentam rendimento igual ou superior em 2008, o que indica uma evolução tecnológica no campo, já que o incremento da produção é resultado do rendimento e não da área colhida.

Quando se analisam as variáveis que envolvem preço, verifica-se que são as que mais se destacam, com um crescimento continuado nestes últimos dois anos e acima da média histórica. De acordo com o levantamento de preços realizados pela Emater junto aos produtores, o aumento médio dos preços dos produtos analisados no primeiro semestre, em relação a igual período do ano anterior, foi: arroz, 32,6%; feijão, 193,3%; milho, 43,4%; soja, 62,2%; e trigo, 23,3%. Esses valores são bastante superiores à variação de qualquer um dos índices de preço utilizados para medir a inflação para igual período, como conseqüência, geram taxas de crescimento dos valores de produção elevadas. Em 2008, estima-se uma elevação do valor de produção do arroz, de 54,2%, do milho, de 27,9%, da soja, de 27,0%, e do trigo, de 32,1%, gerando uma taxa média de 34,8%. Considerando-se que, em 2007, esse número foi ainda maior, 42,0% em média, isso reflete uma continuada recuperação da renda bruta do agricultor.

Assim, embora haja uma previsão de queda no Valor Adicionado da agropecuária, Governo e produtores comemoram o resultado da safra e a elevação da receita gerada no campo, com seus reflexos, diretos e indiretos, nas demais atividades econômicas.

Perspectiva da lavoura gaúcha em 2008

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Impasses na Rodada Doha: repercussões para o Brasil

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Edição: Ano 16 nº 09 - 2007

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Após seis anos de negociações, o impasse ainda continua. O que está em jogo e interessa ao Brasil é a abertura dos mercados agrícolas da União Européia (UE) via cortes em suas tarifas aduaneiras para produtos agrícolas e o decréscimo no total de subsídios agrícolas concedidos pelos Estados Unidos aos seus produtores. Em contrapartida, países emergentes como o Brasil reduziriam suas restrições à importação de produtos industrializados e serviços. Todavia, com a diminuição das alíquotas consolidadas na Organização Mundial do Comércio (OMC), estas ficarão muito próximas das efetivamente praticadas pelo Brasil, o que dificultará a elevação de tarifas, quando necessário.

A forte expansão das exportações do agronegócio brasileiro tem aumentado o receio da concorrência brasileira na UE e nos EUA, ao mesmo tempo em que a maior entrada de produtos industriais e de serviços provenientes dessas regiões também é preocupante para o Brasil. Um resultado positivo da Rodada poderá favorecer as exportações brasileiras e gaúchas. Contudo, apesar de várias propostas, até agora as ofertas para alcançar um acordo comercial foram consideradas insuficientes por ambas as partes, levando a que as negociações sejam retomadas em setembro.

Impasses na Rodada Doha repercussões para o Brasil

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A estiagem, a produção e a produtividade da lavoura gaúcha

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Edição: Ano 15 nº 02 - 2006

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A economia do Rio Grande do Sul apresentou retração de 4,8% em 2005. Metade dessa taxa (2,4%) deve-se à agropecuária, que, participando com 16% na estrutura da economia, teve um crescimento notoriamente afetado pela estiagem, de -15,2%.

A lavoura representou 62% do valor de produção agropecuária, e 34% originou-se da produção animal, cabendo o resíduo às demais atividades do setor.

A lavoura gaúcha decresceu 21,2%. As principais culturas (que conjuntamente representam 84% do valor produzido) apresentaram taxas decrescentes de produção em 2005, em relação a 2004, conforme tabela. O milho e a soja destacaram-se pelas maiores quedas (-56,0% e -55,9% respectivamente), seguindo-se feijão (-43,9%) e trigo (-21,4%). Mesmo aquelas culturas que conseguiram desempenhos satisfatórios em suas produções, no ano de 2004 (arroz, fumo e uva), sofreram queda de produção em 2005.

Os efeitos da prolongada estiagem de dois anos são bem evidenciados nos casos da soja e do milho. A produção de soja foi de mais de 9,5 milhões de toneladas em 2003 e diminuiu para menos de 2,5 milhões em 2005, com um decréscimo de 74,5% nesse período. Ou seja, produziu-se, em 2005, apenas pouco mais de um quarto do que havia sido produzido em 2003. Da mesma forma, o milho, que, de uma produção de 5,4 milhão de toneladas em 2003, caiu para 1,4 milhão, com decréscimo de 72,6%. Considerando que essas duas culturas corresponderam a 21% do valor de produção da lavoura, tem-se uma idéia da sua repercussão no desempenho da agricultura gaúcha.

O arroz e o trigo são casos específicos, pois o primeiro é cultura irrigável, e o segundo, cultura de inverno. O arroz acusou queda significativa de preços nesse período, diminuindo o reflexo positivo do bom desempenho em sua produção, em 2004. Segundo a FGV, em dez./03, o preço do arroz no RS era de R$ 0,76/kg; em dez./04, R$ 0,53/kg; e, em set./05, último dado disponível, R$ 0,41/kg. No caso do trigo, também houve queda de preços, e, além disso, ocorreu significativa redução da área plantada (-24,9%) em 2005.

A análise da produtividade mostra outro ângulo da crise agrícola. Em 2005, dos produtos citados, somente o trigo teve crescimento de produtividade (4,7%). Nos dois últimos anos, a soja foi a cultura que mais perdeu produtividade — de 2,67 toneladas por hectare em 2003 passou a 1,40 em 2004 e a 0,66 em 2005, ou seja, variação de -75,4% no período 2003/05 —, seguida pelas de milho (-59,9%), feijão (-21,9%), trigo (-14,8%) e mandioca (-13,7). Salienta-se que, em 2004, o ganho de produtividade do arroz foi de 24,3% e que, em 2005, não houve ganhos.

A perspectiva para o ano de 2006 é de crescimento na agricultura gaúcha. A meteorologia não indica clima adverso como o dos dois últimos anos, a base de comparação é baixa, e as previsões de demanda de produtos agrícolas, tanto interna como externa, são de aumento. Cabe ressaltar, entretanto, que os agricultores se encontram em situação econômica bastante precária, dadas as perdas recentes sofridas.

A estiagem, a produção e a produtividade da lavoura gaúcha

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Soja garante à produção agrícola gaúcha crescimento maior que o nacional

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Edição: Ano 13 nº 01 - 2004

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O crescimento da produção agrícola brasileira nos últimos anos tem sido surpreendente e, em 2003, superou qualquer expectativa, por mais otimista que fosse. No início dos anos 90, nem se cogitava uma produção de grãos de mais de 120 milhões de toneladas, uma vez que o total produzido se situava em menos de 60 milhões. Nessa época, mesmo uma colheita de 80 milhões de toneladas era considerada supersafra, e foi somente em 1999 que o Brasil atingiu esse volume de produção. A partir daí, passou-se a falar de 100 milhões de toneladas, mas, apesar do crescimento ocorrido nas safras seguintes, esse patamar acabou não se configurando. Em 2002, todas as estimativas indicavam que a safra ultrapassaria a barreira das 100 milhões de toneladas de grãos; no entanto, problemas climáticos em algumas regiões do País e uma forte redução da área plantada com milho frustraram essas expectativas.

Para 2003, inicialmente as previsões apontavam uma safra de 110 milhões de toneladas, volume este bem maior do que o obtido em 2002. Mas, à medida que a safra se desenvolvia, a cada nova estimativa havia um acréscimo substancial na produção esperada. Assim, os últimos números estabelecem para 2003 uma produção de 122 milhões de toneladas. Esse acréscimo derivou-se, principalmente, da performance da cultura de soja, que atingiu um volume de 52 milhões de toneladas, um aumento de 23% em relação ao volume produzido na safra anterior.

O Rio Grande do Sul parece ter sido mais lento na resposta de sua produção aos estímulos que originaram os aumentos descritos anteriormente para o País. Em 2000, a produção gaúcha de grãos encontrava-se, em termos de volume, no mesmo patamar de 1990 — 14,7 milhões de toneladas de grãos. É bem verdade que, em 1992 e 1993, o Estado produziu mais de 16 milhões e, em 1995, chegou a atingir 17,3 milhões de toneladas.

Foi somente em 2001 que o Rio Grande do Sul voltou a acompanhar o desempenho nacional, apresentando um incremento importante na sua produção de grãos e atingindo 19,6 milhões de toneladas. A retração da produção de milho no Estado, em 2002, em virtude dos baixos preços de venda desse grão no ano anterior, decorrente da supersafra do produto, e a frustração da safra de soja por problemas climáticos fizeram com que a produção gaúcha ficasse quase 20% abaixo da obtida em 2001. Em 2003, houve uma recuperação da produção de milho no Estado e, acompanhando o movimento observado em vários estados produtores de soja, uma explosão dessa cultura também no Rio Grande, o que colocou a produção gaúcha de grãos no patamar de 22 milhões de toneladas. Da mesma forma que no Brasil, no Rio Grande do Sul o maior crescimento ficou por conta da lavoura de soja. No entanto, o aumento nessa produção, no Estado, superou, em larga medida, a taxa de crescimento nacional — o acréscimo registrado no Estado, em 2003 em relação a 2002, foi de 70%.

Soja garante à produção agrícola gaúcha crescimento maior que o nacional

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