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Primeira etapa do bônus demográfico deve terminar em torno de 2015

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Edição: Ano 21 nº 01 - 2012

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Existem quatro componentes demográficos que podem provocar a mudança no número de pessoas em uma região: nascimentos, óbitos, emigração e imigração. Projetando-os, a partir do Censo Demográfico 2010, é possível estimar a população futura do RS. Dentre esses componentes, emigração e imigração (que, juntos, formam o saldo migratório) são os mais difíceis de projetar, pois estão atrelados, principalmente, ao desempenho econômico futuro do Estado e do Brasil.

Adotando-se, inicialmente, a hipótese de que o RS terá saldo migratório nulo nos próximos anos (cabe ressaltar que o Estado possui um retrospecto histórico com saldo negativo, mas esse valor se reduziu nas últimas décadas), podem ser projetadas, com razoável precisão, as variações de nascimentos e óbitos do Estado (que, juntos, formam o crescimento vegetativo). As projeções populacionais para esses componentes indicam que o ápice da população gaúcha deve ser entre 2025 (atingindo 11,04 milhões de habitantes) e 2035 (atingindo 11,62 milhões de habitantes). Após esse período, a população deve começar a diminuir.

Essa inversão da tendência populacional do RS deve-se, principalmente, ao fato de a taxa de fecundidade total (número médio de filhos por mulher ao longo de toda sua vida) estar abaixo de dois atualmente (em torno de 1,75). Ou seja, se cada casal tem menos de dois filhos em média, então a população não está se repondo e, em breve, começará a se reduzir. Essa taxa, que já é baixa hoje, deve diminuir ainda mais nos próximos anos — transição que já vem ocorrendo há mais tempo em países desenvolvidos. Assim, o Estado já possui hoje uma pirâmide etária com a base (faixas de idade de 0 a 9 anos) mais estreita que as faixas imediatamente superiores (faixas de idade de 10 a 29 anos).

A diminuição do número de jovens (população com até 14 anos) não causa, instantaneamente, grandes impactos demográficos na população, porém causará logo adiante: quando esses jovens chegarem à idade potencialmente ativa (15 a 64 anos), serão eles que irão representar a força de trabalho. O contingente de pessoas nessa idade deve atingir seu máximo ao redor de 2020, passando a diminuir nos anos posteriores.

Simultaneamente, a população de idosos vem crescendo substancialmente. As pessoas com 65 anos ou mais representavam 3,7% da população total do Estado em 1970, enquanto, em 2010, já correspondiam a 9,3%. E os cenários futuros apenas seguem essa tendência: em 2030, eles representarão em torno de 17,3% da população e, em 2050, em torno de 24,8%.

O impacto dessas transições demográficas reflete-se na razão de dependência do Estado, indicador que representa a razão do número de pessoas em idade inativa (jovens e idosos) pelo número de pessoas em idade potencialmente ativa. O Censo Demográfico 2010 apresentou esse indicador equivalente a 43,2% para o RS, ou seja, para cada 100 pessoas em idade potencial para trabalhar, havia 43,2 pessoas em idade de não trabalhar.

A razão de dependência diz respeito à contribuição oferecida pela demografia ao desenvolvimento econômico do Estado. Quando essa razão está diminuindo (processo que se iniciou, no RS, na década de 60), têm-se a primeira etapa do bônus demográfico. Com boa precisão, em torno de 2015, essa etapa deve terminar, com a razão de dependência atingindo um mínimo em torno de 41,8%. A segunda etapa do bônus (quando a razão de dependência está abaixo de 50%) teve início em 2000, e essa deve prolongar-se por mais tempo, terminando entre 2030 e 2040.

Cabe ressaltar que os cenários futuros projetados não levam em consideração possíveis mudanças no saldo migratório — por exemplo, o Estado pode, nas próximas décadas, passar a atrair, significativamente, imigrantes de outros estados ou países —, e também outras, até agora inimagináveis, modificações sociais, como um possível incentivo à natalidade em anos mais longínquos. Quanto à razão de dependência, prováveis alterações legislativas que façam as pessoas trabalharem por mais tempo (modificando a faixa etária que abrange a população em idade potencialmente ativa) também poderiam resultar em um adiamento do término das etapas do bônus demográfico.

Primeira etapa do bônus demográfico deve terminar

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Safra 2011/2012: área plantada segue os preços

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Edição: Ano 20 nº 10 - 2011

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A última safra das principais culturas de verão — arroz, feijão, milho e soja — foi recorde no Rio Grande do Sul (26,5 milhões de toneladas). Na esteira desse resultado, são apresentadas as primeiras estimativas de área cultivada para essas culturas na safra 2011/2012.

Pode-se notar que, apesar das questões climáticas e tecnológicas, a decisão de produção está respondendo às variações dos preços. Assim, no caso da soja, cujo preço é levemente superior ao do ano anterior, observa-se um aumento na área plantada. O milho, por sua vez, deve apresentar a maior expansão em termos de área cultivada — 50.000 hectares —, favorecido pelo incremento expressivo de seu preço (32%).

De outra parte, as culturas voltadas ao mercado interno — arroz e feijão — tendem a diminuir sua área cultivada no Estado. O feijão, cuja área plantada é relativamente pequena, deve ter redução de 0,64%. Já o arroz, importante produto da agricultura gaúcha, terá sua área de cultivo diminuída em mais de 5%, influenciado pela significativa queda de preços (20%) no último ano.

Nota-se, portanto, um pequeno aumento da área destinada aos produtos direcionados ao setor externo, cujos preços estão mais atrativos. O impacto dessas alterações na economia gaúcha dependerá das condições climáticas, bem como dos preços vigentes no momento da colheita.

Safra 2011 2012 área plantada segue os preços

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