Textos com assunto: população

Fecundidade e natalidade no Brasil e no Rio Grande do Sul — 2003-15

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Edição: Ano 26 nº 10 – 2017

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As estatísticas referentes ao número de nascidos vivos segundo idade da mãe na ocasião do parto, produzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir dos registros de nascidos vivos informados pelos cartórios de registro civil do País, apontam para uma tendência de mudança nos padrões de fecundidade brasileiro e gaúcho.
Considerando-se o número de nascidos vivos segundo idade da mãe na ocasião do parto (tabela), verifica-se que houve, no Brasil, em 2003, 2.822.462 nascidos, e, em 2015, 2.952.969, uma variação positiva de 4,62% no número de nascimentos. No Rio Grande do Sul, houve 143.024 nascimentos em 2003 e 148.103 em 2015, uma variação positiva menor, de 3,55%. Observa-se também que as variações percentuais do número de nascidos vivos segundo idade da mãe são maiores que o total, indicando tendência de perda de participação no total de nascidos, em faixas de idade de mães mais jovens e ganho de participação dos nascidos em faixas de idade de mães mais velhas.
Para o Brasil, observa-se uma variação negativa dos nascimentos no grupo de idade da mãe na faixa de 15 a 19 anos (variação de -11,99%) e no grupo de 20 a 24 anos (variação de -15,91%). Contrariamente, os grupos das faixas dos 30 aos 34 anos e dos 35 aos 39 anos têm uma variação positiva expressiva, respectivamente de 44,68% e 52,44%. Especialmente o grupo da faixa de mães de 30 a 34 anos ganha participação na composição dos nascidos vivos: em 2003, esse grupo representava 14,48% dos nascidos vivos, e, em 2015, representou 20,03%. Já o grupo da faixa dos 20 aos 24 anos declinou em participação, em 2003, comportando 30,90% dos nascidos vivos e, em 2015, 24,83% deles.

O Rio Grande do Sul apresenta uma dinâmica semelhante. Os nascidos nas faixas de mães mais novas variaram negativamente, enquanto os nascidos de faixas de mães mais velhas, positivamente. A faixa de 15 a 19 anos variou -19,64%, e a de 20 a 24 anos, -10,38%. Já a faixa de 30 a 34 anos e a de 35 a 39 anos variaram 32,59% e 25,69% respectivamente. Essas variações apontam para a perda de participação na composição dos nascidos do grupo de mães de 20 a 24 anos também no Rio Grande do Sul. Em 2003, esse grupo correspondia a 26,38% dos nascidos vivos e, em 2015, a 22,83%. Houve também ganho de participação na composição dos nascidos vivos do grupo da faixa de 30 a 34 anos, que passou de 17,82% dos nascidos vivos em 2003 para 22,81% em 2015.

A que fenômenos sociais essas variações podem estar relacionadas? Deve-se notar que a variável considerada indica um ponto no que se pode chamar de “carreira reprodutiva feminina”, não sendo possível determinar se o nascimento corresponde ao primeiro ou ao último parto das mulheres, para que sejam estabelecidas, com maior acuidade, as relações dessa variável com a participação no mercado de trabalho, por exemplo. Ainda assim, é possível sugerir que, para a faixa etária dos 20 aos 24 anos, a queda na participação, no percentual de nascidos vivos, aponta para um adiamento da maternidade em função da entrada no mercado de trabalho.

Embora não se disponha de pesquisas longitudinais sobre participação na atividade produtiva, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostra que, no Brasil, em 2003, 50,68% das mulheres de 10 anos e mais eram ativas, e, em 2015, 50,02%. Para o Rio Grande do Sul, esses
percentuais são de, respectivamente, 58,86% e 56,04% da população feminina considerada. Essa participação na atividade é maior nas faixas de 20 a 24 anos: 65,85% das mulheres nessa faixa eram ativas em 2003, e 65,30% delas eram em 2015. O Rio Grande do Sul também apresenta percentuais mais altos de participação feminina na atividade, na faixa de 20 a 24 anos: 74,56% das mulheres eram ativas em 2003, e 73,53%, em 2015. Por outro lado, ao se considerarem as informações da PNAD relativas à atividade feminina segundo a existência ou não de filhos nessa mesma faixa etária, a participação na atividade das mulheres que possuem filhos, no Brasil, em 2003, era de 56,35% e, em 2015, era de 56,37%. No Rio Grande do Sul, esses percentuais eram de 67,66% em 2003, e de 65,71% em 2005. Já a participação na atividade daquelas que não possuem filhos é bem maior. Para o Brasil, em 2003, 72,92% das mulheres sem filhos eram ativas, e, em 2015, 70,31% delas. Para o Rio Grande do Sul, esses percentuais eram de 78,47% em 2003 e de 77,61% em 2005.

É justamente na faixa de 20 a 24 anos que tanto o Brasil quanto o Rio Grande do Sul perdem em participação, no número de nascimentos. Assim é possível estabelecer uma relação entre essa perda e a intensa participação das mulheres de 20 a 24 anos no mercado de trabalho, que é mais intensa quando essas mulheres não têm filhos. Finalmente, é importante considerar que, para o entendimento do conjunto dessas tendências de fecundidade e de natalidade, é necessário o estudo de suas relações com a participação feminina no mercado de trabalho, nas diferentes faixas etárias, correspondentes aos diferentes momentos do ciclo de vida das mulheres.

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Expansão da população asiática no Brasil e no RS

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Edição: Ano 24 nº 07 - 2015

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Os últimos censos demográficos do IBGE revelaram que, enquanto a população brasileira cresceu 12,3% — e a gaúcha, 5,0% — na primeira década dos anos 2000, a população de origem asiática registrou um crescimento de 176,4% no País e de 267,5% no Rio Grande do Sul, no mesmo período. A população asiática tem apresentado um crescimento notavelmente superior ao das demais etnias em todas as regiões do País e já representa 1,1% da população total que vive no Brasil, totalizando 2,1 milhões, e 35,5 mil no RS, em 2010.

Nos últimos anos, a população asiática tem escolhido residir nas regiões do Brasil que apresentavam menor participação de asiáticos no início da primeira década dos anos 2000, principalmente na Região Nordeste, que foi alvo de grandes investimentos recentes em infraestrutura e serviços e que apresenta um grande aumento na demanda por mão de obra. A Sudeste era, em 2000, a região que apresentava a maior proporção de asiáticos (0,71%) e foi a que apresentou o menor crescimento populacional dessa etnia (75,4%), enquanto a Nordeste, que apresentava, no mesmo ano, a menor proporção (0,14%), foi a região que apresentou o maior crescimento desse contingente (839,3%) na década. São Paulo e Paraná, que eram os estados com maior população absoluta asiática nos anos 2000, também foram os com menor crescimento de asiáticos (24,9% e 40,5% respectivamente), fazendo com que o Paraná perdesse sua posição para Minas Gerais.

O tempo médio de moradia da população asiática residente no RS é de 20,3 anos e de 17,6 anos no seu atual município. Dentre os que nasceram no exterior, 46,4% são japoneses; e 37,4%, chineses. Desses, 10,1% fixaram residência no Brasil em 1959 (vindos do Japão); e 9,2%, em 1998 (principalmente chineses). O período pós Segunda Guerra foi o que registrou a maior vinda de japoneses trabalhadores agrícolas para o Brasil, com auge em 1959, e a crise financeira asiática de 1997-98 foi a responsável por trazer o maior número de chineses ao País.

A população asiática do RS é predominantemente urbana (79,7%), com média de 2,1 filhos, idade média de 34,9 anos e majoritariamente do sexo feminino (51,6%). Os japoneses apresentam, em média, um nível de instrução inferior ao dos chineses: enquanto 42,4% dos nascidos no Japão não têm instrução ou possuem apenas o ensino fundamental incompleto, 42,6% dos nascidos na China possuem o ensino médio completo ou o superior incompleto. Os chineses residentes no Estado têm, em média, 1,1 filho, enquanto os japoneses têm, em média, 3,0 filhos. A ocupação de japoneses e chineses é bem distinta: enquanto os primeiros se concentram em atividades ligadas à agricultura (45,0%), os últimos trabalham mais no comércio (30,5%) e como pequenos empregadores (29,1%).

O retorno de muitos migrantes brasileiros com suas famílias ao Brasil, em consequência da crise econômica mundial de 2007-08, pode ser apontado como um fator que contribuiu para o aumento significativo de asiáticos no Brasil, ao longo da primeira década dos anos 2000. De acordo com os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o período que registrou o maior crescimento na população asiática residente no País, desde 2001, foi o de 2007-08. No Estado, somente no ano de 2008 a população asiática registrou um crescimento de 175,0%.

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Características da população indígena no Rio Grande do Sul

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Edição: Ano 23 nº 09 – 2014

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Segundo o Censo de 2010, a população de cinco anos ou mais de idade do Rio Grande do Sul, segundo o critério de raça ou cor do Censo, distribui-se como segue: 8.366.862 pessoas identificadas como de cor ou raça “branca”, correspondendo a 83,3% da população do Estado; 564.802 pessoas de cor ou raça “preta” (5,6%da população estadual); 33.875 de cor ou raça “amarela” (0,3% da população total); 1.054.348 de cor ou raça “parda” (10,5% da população do RS); e, finalmente, 30.004 pessoas identificadas como de cor ou raça “indígena” (0,3% do total da população estadual). Alguns indicadores mostram que, segundo essa classificação por cor ou raça, esta última subpopulação possui um perfil bastante específico e é a que está nas mais precárias condições de existência no Estado.

Ao se considerar o total da população estadual, observa-se que somente 15% se encontram em situação rural, e nenhuma das outras subpopulações possui mais de 20% do seu contingente em situação rural. Enquanto isso, 56,3% dos indígenas acham-se nessa situação. Além disso, essa subpopulação possui uma pirâmide etária diferenciada em relação à população total, estando mais concentrada nas faixas de idade até os 24 anos. A partir da faixa de 25 a 29 anos, a concentração da população indígena começa a diminuir e reduz-se abruptamente a partir da faixa de 35 a 39 anos de idade, ao contrário do ocorrido com a população total, mais uniformemente distribuída. Nas faixas mais altas de idade, a concentração da população indígena torna-se cada vez menor, sendo que, na faixa de 55 a 59 anos, têm-se 3,9% da população indígena contra 5,8% da população total.

Ao se considerar a população de 10 anos ou mais de idade total e segundo cor ou raça, por classes de rendimento nominal mensal, observa-se que a população indígena é a que está mais fortemente concentrada nas faixas de rendimento mais baixas: 6,2% dos indígenas encontram-se na faixa de rendimento de até um quarto de salário mínimo, contra 1,5% da população total nessa faixa; 7,2% da população indígena situa-se na faixa de mais de um quarto a um meio de salário mínimo de rendimento nominal, contra 2,4% da população total. Os indígenas não têm uma representação percentual nas faixas de 20 salários mínimos e mais. Por outro lado, a categoria “sem rendimentos” concentra 43,9% dessa subpopulação, contra 28,9% da população total na mesma categoria.

Com efeito, dados do Ministério do Desenvolvimento Social mostram que, em abril de 2014, estavam inscritos no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo    Federal — que identifica famílias de baixa renda e é usado para a seleção de beneficiários do Programa Bolsa Família (PBF) — 20.359 indígenas do Rio Grande do Sul, um número bastante expressivo, considerando a população indígena recenseada. Por outro lado, mesmo representando 0,7% dos inscritos no Cadastro no Rio Grande do Sul, a população indígena representa 1,7% do total dos beneficiários do PBF no Estado. Também se observa uma cobertura maior do Programa nessa subpopulação: enquanto, para a população total de inscritos no Cadastro, 52,7% é beneficiária do PBF, para os indígenas, a cobertura do PBF sobe para 81,9% dos inscritos no Cadastro Único.

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Os ganeses no RS: a imigração pode ser saudável para o Estado

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Edição: Ano 23 nº 08 – 2014

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Recentemente, mais de 350 ganeses entraram com pedido de refúgio em Caxias do Sul, após ingressarem no País com visto de turista para a Copa do Mundo, conforme amplamente divulgado pela mídia. A forma como o Governo brasileiro deveria atuar gerou controvérsias, havendo receios, por alguns, de que os migrantes pudessem disputar os empregos com a população local. Contudo a imigração dos ganeses pode ser positiva para o RS. Para explicar, primeiramente é preciso esclarecer uma importante relação entre a demografia do Estado e sua capacidade futura para gerir suas finanças públicas, as quais precisam ser analisadas separadamente para uma melhor compreensão.

Do ponto de vista demográfico, o RS provavelmente será o primeiro Estado brasileiro a apresentar decréscimos populacionais, o que deverá acontecer entre 2025 e 2030, conforme projeções da Fundação de Economia e Estatística (FEE). Entretanto o maior impacto da transição demográfica ocorrerá na estrutura etária da população.

Considerando-se as tendências de redução da taxa de fecundidade e de manutenção das atuais taxas migratórias do Estado, a população idosa (com 65 anos ou mais), que, em 2012, era de 1,06 milhão de habitantes, deverá crescer em 75% até 2030, atingindo 1,86 milhão de habitantes. Em contrapartida, a população em idade potencialmente ativa (de 15 a 64 anos) deverá cair de 7,57 milhões para 7,35 milhões, uma variação de -2,8%. Nas décadas seguintes, as tendências devem permanecer. Em 2050, projeta-se 2,24 milhões de idosos e 6,21 milhões de potencialmente ativos.

Em relação às finanças públicas, o RS gastou, em 2012, R$ 11,8 bilhões com a Previdência dos servidores públicos estaduais e R$ 2,7 bilhões com serviços da dívida pública. Esses gastos representaram, respectivamente, 29,6% e 6,8% de todas as receitas do Estado. Ou seja, 36,4% das receitas do RS, em 2012, foram comprometidas com duas funções que não geram retorno em serviços públicos (embora tenham gerado no passado) e que não serão suficientemente amenizadas, mesmo com a imprescindível renegociação dos juros da dívida liderada pelos governadores. Com folga, é o maior percentual com esses dois gastos somados dentre todos os Estados brasileiros. Além disso, essas despesas são independentes de governo ou partido: todos terão que arcar com esses custos.

Com tamanho comprometimento das finanças públicas, há apenas duas soluções para o RS continuar honrando seus pagamentos sem se endividar ainda mais: reduzir gastos ou aumentar receitas. A primeira opção é árdua, pois representa um menor investimento em saúde, educação, segurança pública e outros serviços essenciais à população. A segunda alternativa, sem aumento de alíquotas, está atrelada ao crescimento econômico do Estado.

Como a população total do RS está aumentando a taxas decrescentes e, em menos de duas décadas, sofrerá redução, alguém poderia argumentar que bastaria haver um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita (com distribuição de renda) para elevar a condição de vida da população, não sendo tão imprescindível o crescimento do PIB total. Contudo, é exatamente nesse momento que a questão demográfica e as finanças públicas se conectam. As despesas do Estado com a Previdência Social e com a dívida pública não se reduzirão proporcionalmente ao tamanho da população. Ao contrário, ao passo que a população total e a população potencialmente ativa diminuirão, o contingente de idosos continuará aumentando, embalado pelo aumento da expectativa de vida.

Logo, mesmo com uma população total menor, o Estado precisará que seu PIB absoluto continue crescendo, a fim de aumentar suas receitas totais, uma vez que uma elevada parcela de suas despesas não diminuirá, mesmo com o decréscimo populacional.

Para haver crescimento econômico, é necessário aumentar a produtividade média por trabalhador ou aumentar o contingente de trabalhadores. Avanços educacionais e tecnológicos podem ser alternativas para aumentar a produtividade média. Entretanto o progresso nessas áreas é de difícil previsão, e, no que diz respeito à educação, o desempenho do Estado ainda é baixo para parâmetros internacionais, conforme resultados de avaliações como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA).

Para aumentar o contingente de trabalhadores, são necessárias pessoas dispostas a trabalhar, sendo que vivemos um período de quase pleno emprego e que a parcela da população em idade potencialmente ativa deverá decrescer ainda na década atual. A imigração estrangeira (empregada em países desenvolvidos) pode ser uma forma de amenizar a transição demográfica do Estado. Talvez devamos avaliar como positiva a imigração dos ganeses, mesmo que simbólica, devido ao pequeno número. Afinal, precisamos de trabalhadores para a economia crescer. Provavelmente, quem está disposto a atravessar o oceano em busca de uma nova vida está sedento por trabalho, como relataram os primeiros empresários que os contrataram.

Evidentemente, a imigração desordenada, concentrada em somente uma ou algumas regiões do Estado e do País, não é a política correta, mas é necessário avançar nesse debate, preferencialmente priorizando profissionais com qualificação nas áreas em que mais necessitamos. Concomitantemente, talvez seja o momento para debates sobre incentivos à natalidade, amplamente realizados na Europa e ainda estagnados no Brasil. Além disso, é necessário encontrar soluções para a Previdência Social e para a dívida pública do Estado, que merecem total atenção.

contingente de idosos

 

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Urbanização das metrópoles brasileiras no século XXI

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Edição: Ano 19 nº 04 - 2010

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Em 2008, pela primeira vez, a população mundial das cidades superou o contingente de habitantes do campo. No Brasil, em 1970, cerca de um terço da população vivia em zonas urbanas. Já em 1980, este era o percentual de população rural, ocorrendo uma inversão da participação da população urbana e da rural em relação ao total. De acordo com a PNAD, a taxa de urbanização no Brasil foi de 83,8% em 2008. Nas regiões metropolitanas brasileiras, no mesmo ano, mais de 90% dos habitantes residiam em zonas urbanas. A concentração populacional nessas regiões é grande: no Rio de Janeiro, 73,4% da população do Estado estão na região metropolitana; já para São Paulo, a porcentagem é de 47,9%; para o Rio Grande do Sul, com população estimada em 10,8 milhões, 37,1% dela, isto é, em torno de 4 milhões, vivem na Região Metropolitana de Porto Alegre. A constante urbanização gera grandes desafios em termos de infraestrutura, meio ambiente, moradia, transporte, emprego, etc. Uma pesquisa realizada pela empresa Synovate, em 2008, com moradores de capitais brasileiras, indicou que 51% não estavam satisfeitos com a qualidade de vida na sua cidade. O principal motivo apontado foi violência (79%), seguido por trânsito (51%), transporte público e desemprego (38%), lixo (29%), qualidade do ar (23%), falta de áreas verdes (17%) e barulho (11%).

Urbanização das metrópoles brasileiras no século XXI

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Concentração populacional no Rio Grande do Sul

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Edição: Ano 21 nº 10 - 2012

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De acordo com recentes estimativas populacionais realizadas pela FEE para 2011, o Rio Grande do Sul apresentou um acréscimo de cerca de 40 mil pessoas com relação ao ano de 2010, atingindo a marca de 10.735.890 habitantes, distribuídos em 496 municípios. Os 18 municípios com mais de 100 mil habitantes, que são apenas 3,63% do universo total, agregam 46,8% da população do Estado. Já em 1980, esse percentual era de 35,2%, quando 11 municípios (4,74%) possuíam população acima de 100 mil habitantes. A análise do Índice de Gini revela que há uma crescente concentração populacional: em 1980, esse indicador era de 0,58, passando para 0,73 em 2010 e, apesar de o tempo ser curto para evidenciar mudanças, em 2011 já é estimado em 0,74.

No período analisado, houve um crescimento no número de municípios com menos de 10.000 habitantes, o que mostra uma pulverização da distribuição populacional.O número de municípios no Estado, em 1980, era de 232, sendo que 28,45% (66 municípios) tinham menos de 10.000 habitantes, passando, em 2010, para 66,73%, o que já representava 331 municípios. Por outro lado, o número de municípios de 10.000 a 100.000 habitantes caiu de 155 (66,81% dos municípios) em 1980 para 147 (29,64%) em 2010. O número de municípios com mais de 100.000 habitantes aumentou de 11 para 18 no período. Uma parte dessa concentração populacional pode ser explicada pela emancipação de municípios de pequeno porte. Além disso, em alguns municípios, a migração também desempenha um papel importante no crescimento da população.

Concentração populacional no Rio Grande do Sul

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Primeira etapa do bônus demográfico deve terminar em torno de 2015

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Edição: Ano 21 nº 01 - 2012

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Existem quatro componentes demográficos que podem provocar a mudança no número de pessoas em uma região: nascimentos, óbitos, emigração e imigração. Projetando-os, a partir do Censo Demográfico 2010, é possível estimar a população futura do RS. Dentre esses componentes, emigração e imigração (que, juntos, formam o saldo migratório) são os mais difíceis de projetar, pois estão atrelados, principalmente, ao desempenho econômico futuro do Estado e do Brasil.

Adotando-se, inicialmente, a hipótese de que o RS terá saldo migratório nulo nos próximos anos (cabe ressaltar que o Estado possui um retrospecto histórico com saldo negativo, mas esse valor se reduziu nas últimas décadas), podem ser projetadas, com razoável precisão, as variações de nascimentos e óbitos do Estado (que, juntos, formam o crescimento vegetativo). As projeções populacionais para esses componentes indicam que o ápice da população gaúcha deve ser entre 2025 (atingindo 11,04 milhões de habitantes) e 2035 (atingindo 11,62 milhões de habitantes). Após esse período, a população deve começar a diminuir.

Essa inversão da tendência populacional do RS deve-se, principalmente, ao fato de a taxa de fecundidade total (número médio de filhos por mulher ao longo de toda sua vida) estar abaixo de dois atualmente (em torno de 1,75). Ou seja, se cada casal tem menos de dois filhos em média, então a população não está se repondo e, em breve, começará a se reduzir. Essa taxa, que já é baixa hoje, deve diminuir ainda mais nos próximos anos — transição que já vem ocorrendo há mais tempo em países desenvolvidos. Assim, o Estado já possui hoje uma pirâmide etária com a base (faixas de idade de 0 a 9 anos) mais estreita que as faixas imediatamente superiores (faixas de idade de 10 a 29 anos).

A diminuição do número de jovens (população com até 14 anos) não causa, instantaneamente, grandes impactos demográficos na população, porém causará logo adiante: quando esses jovens chegarem à idade potencialmente ativa (15 a 64 anos), serão eles que irão representar a força de trabalho. O contingente de pessoas nessa idade deve atingir seu máximo ao redor de 2020, passando a diminuir nos anos posteriores.

Simultaneamente, a população de idosos vem crescendo substancialmente. As pessoas com 65 anos ou mais representavam 3,7% da população total do Estado em 1970, enquanto, em 2010, já correspondiam a 9,3%. E os cenários futuros apenas seguem essa tendência: em 2030, eles representarão em torno de 17,3% da população e, em 2050, em torno de 24,8%.

O impacto dessas transições demográficas reflete-se na razão de dependência do Estado, indicador que representa a razão do número de pessoas em idade inativa (jovens e idosos) pelo número de pessoas em idade potencialmente ativa. O Censo Demográfico 2010 apresentou esse indicador equivalente a 43,2% para o RS, ou seja, para cada 100 pessoas em idade potencial para trabalhar, havia 43,2 pessoas em idade de não trabalhar.

A razão de dependência diz respeito à contribuição oferecida pela demografia ao desenvolvimento econômico do Estado. Quando essa razão está diminuindo (processo que se iniciou, no RS, na década de 60), têm-se a primeira etapa do bônus demográfico. Com boa precisão, em torno de 2015, essa etapa deve terminar, com a razão de dependência atingindo um mínimo em torno de 41,8%. A segunda etapa do bônus (quando a razão de dependência está abaixo de 50%) teve início em 2000, e essa deve prolongar-se por mais tempo, terminando entre 2030 e 2040.

Cabe ressaltar que os cenários futuros projetados não levam em consideração possíveis mudanças no saldo migratório — por exemplo, o Estado pode, nas próximas décadas, passar a atrair, significativamente, imigrantes de outros estados ou países —, e também outras, até agora inimagináveis, modificações sociais, como um possível incentivo à natalidade em anos mais longínquos. Quanto à razão de dependência, prováveis alterações legislativas que façam as pessoas trabalharem por mais tempo (modificando a faixa etária que abrange a população em idade potencialmente ativa) também poderiam resultar em um adiamento do término das etapas do bônus demográfico.

Primeira etapa do bônus demográfico deve terminar

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A urgente necessidade da retomada do planejamento da RMPA

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Edição: Ano 17 nº 08 - 2008

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O planejamento metropolitano tem sido um tema ausente da agenda política nos últimos 30 anos. Nos anos 70, os problemas eram menores, e a população, a metade da atual. Mesmo assim, havia instituições e grupos de profissionais trabalhando com a questão metropolitana. Apesar dos muitos anos de baixo crescimento econômico, os problemas metropolitanos agravaram-se. Presentemente, com as perspectivas de expansão econômica, tais problemas (circulação, preço do solo, elevação dos custos urbanos, saneamento) tendem a ser potencializados, apontando uma piora da situação em geral.

Observe-se que aproximadamente a metade da produção industrial e da oferta dos serviços e mais de um terço da população estão concentrados em apenas 3,64% do território sul-rio-grandense. Esse padrão de aglomeração, excessivo sob muitos aspectos, exige um ordenamento mínimo, sob pena de se atingir o caos urbano metropolitano em prazo muito curto. Portanto, a retomada do planejamento impõe-se como um elemento mitigador dos efeitos perversos do crescimento espontâneo. O planejamento não deve ser visto como uma panacéia, mas como um instrumento útil para se evitar que grandes equívocos sejam cometidos.

A urgente necessidade da retomada do planejamento da RMPA

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O crescimento demográfico das aglomerações urbanas do Rio Grande do Sul

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Edição: Ano 15 nº 12 - 2006

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Atualmente, existem quatro aglomerados urbanos no Estado: a Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), a Aglomeração Urbana do Nordeste (Aune), tendo como município-pólo Caxias do Sul, a Aglomeração Urbana do Sul (Ausul), com pólo em Pelotas, e a Aglomeração Urbana do Litoral Norte (Aulinorte), cujo pólo é Osório. Como mostra a tabela, 51,6% da população do Estado residem nesses aglomerados urbanos, concentrados em 13,3% dos municípios e ocupando 9,3% da área do Estado. Estão fora dessas aglomerações sete municípios com mais de 100.000 habitantes, que podem ser considerados pólos regionais: Santa Maria (256.394 habitantes), Passo Fundo (178.472 habitantes), Uruguaiana (132.934 habitantes), Bagé (119.961 habitantes) e Santa Cruz do Sul (119.988 habitantes).

Apesar da queda da fecundidade, ainda persiste a tendência de concentração populacional nesses aglomerados. Quando se considera o crescimento absoluto da população entre 2000 e 2005, nota-se que houve uma mobilidade populacional significativa em direção a essas áreas. O exame da tabela mostra que a concentração do crescimento populacional do RS entre 2000 e 2005, no território ocupado pelos aglomerados urbanos, alcançou 77,9% do crescimento total do Estado. Se se acrescentam a esses aglomerados os pólos regionais, essa concentração alcança 85%.

O crescimento demográfico das aglomerações urbanas do Rio Grande do Sul

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