Textos com assunto: PIB

Crescimento do PIB e poupança no BRIC

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Edição: Ano 19 nº 08 - 2010

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As expectativas de crescimento do PIB brasileiro têm sido revisadas para cima, sistematicamente, nos últimos meses, de acordo com as mais recentes estimativas do mercado. Segundo os dados divulgados pelo Relatório de Mercado Focus, do Banco Central, em 10.07.09, as estimativas iniciais eram de que o PIB se expandisse a uma taxa anual de 3,5% em 2010. O último Relatório Focus, divulgado em 09.07.10, estima o crescimento anualizado do PIB brasileiro em 7,2%. Assim, no prazo de um ano, a estimativa de crescimento do PIB mais do que duplicou. Isso aponta o aumento significativo da velocidade de expansão da atividade econômica no País.

O cerne da questão é que o Brasil possui uma relativa baixa taxa de poupança, como proporção do PIB: 16%, o que é pouco para as suas necessidades. Compare-se, por exemplo, a situação de Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC). A China, que tem apresentado altas taxas de crescimento intertemporal, há cerca de mais de três décadas consecutivas, tem taxa média de poupança superior a 46% do PIB. A taxa de poupança da Índia é maior do que 31%. Mesmo a Rússia, que tem apresentado crescimento econômico inferior ao da China e da Índia, tem uma taxa de poupança em torno de 31% do PIB. Isso indica que, sem elevar a taxa de poupança, não há como se sustentarem altas taxas de crescimento econômico ao longo do tempo.

Crescimento do PIB e poupança no BRIC

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O desempenho das principais economias do RS em 2006

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Edição: Ano 18 nº 01 - 2009

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Não houve mudança relativa de posições no ranking do PIB das cinco principais economias municipais do RS, em 2006. Como pode ser analisado na tabela, ocorreu uma leve queda de participação desses municípios no PIB do RS, no ano de 2006, relativamente a 2005.Porto Alegre, a principal economia municipal do RS, registrou um PIB de R$ 30,116 bilhões em 2006. A variação nominal do PIB da capital gaúcha foi de 7,0% em 2006, relativamente a 2005, inferior, portanto, ao crescimento nominal médio de 8,8% obtido pelo RS.

Canoas manteve o segundo posto no ranking do PIB municipal, com um valor nominal referente a esse agregado de R$ 9, 607 bilhões. Houve uma variação nominal positiva de 8,3% no PIB do Município, em 2006, relativamente a 2005.

Ocupando a terceira colocação do ranking, o valor do PIB de Caxias do Sul foi de R$ 8,621 bilhões, com uma variação nominal positiva de 3,9% comparativamente a 2005.

O Município de Triunfo apresentou o quarto maior PIB municipal do RS, com um valor estimado em R$ 4,565 bilhões, o qual foi 7,0% inferior ao valor registrado de R$ 4,909 bilhões no ano anterior.

Na quinta colocação do ranking, Novo Hamburgo registrou um valor de R$ 3,897 bilhões em 2006, o qual foi 1,52% maior, em termos nominais, ao valor registrado em 2005.

O desempenho das principais economias do RS em 2006

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A expansão do crédito em 2007

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Edição: Ano 17 nº 04 - 2008

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O crédito bancário cresceu 27,3% em 2007, ou seja, uma expansão maior do que em 2006, quando aumentou 20,7%. A soma dos empréstimos (recursos livres mais direcionados) chegou a, aproximadamente, R$ 935 bilhões em dezembro desse ano, isto é, 34,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, percentual muito próximo ao recorde registrado em 1995, no boom do crédito do Plano Real, quando chegou a 35,1% do PIB.

Em 2007, o segmento do crédito que mais avançou foi o de pessoas jurídicas, com um crescimento de 30,3%, bem acima dos 17,4% observados no ano anterior. As operações de pessoas físicas aumentaram 25,5% em 2007, numa ligeira aceleração em relação aos 23,6% ocorridos em 2006. Os empréstimos para empresas lideraram o mercado de crédito, pois, com a queda nas taxas de juros, os financiamentos bancários se tornaram mais competitivos frente às outras alternativas disponíveis, tais como captações internacionais e operações do BNDES.

Para 2008, as perspectivas são de um mercado de crédito menos aquecido, em função de fatores como a crise internacional, a expectativa de alta da taxa Selic (principalmente no segundo semestre deste ano) e o aumento das alíquotas do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os empréstimos bancários. Também neste ano, segundo a pesquisa de expectativas da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), deverá ocorrer uma inversão na composição do crédito, em relação a 2007, uma vez que o seu resultado aponta um aumento do crédito para pessoas físicas de 25,7% e do para pessoas jurídicas de 19,5%.

A expansão do crédito em 2007

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Comparação dos PIBs estaduais na nova série do IBGE

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Edição: Ano 17 nº 03 - 2008

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A nova série das Contas Regionais, divulgada recentemente pelo IBGE em parceria com os órgãos de estatística regionais, permitiu que se pudesse obter uma compreensão mais acurada das transformações econômicas pelas quais passaram os estados nos últimos anos. Nessa série, no período 2002-05, o RS continuou a manter a posição de quarto maior PIB do Brasil.

Dentre as sete principais economias estaduais, São Paulo é aquela que teve o maior ganho de participação, em termos absolutos (2,2%) e relativos (6,92%), no PIB brasileiro. O Paraná é outro estado, dentre os sete, que também teve ganho de participação, 0,05% em termos absolutos e 0,87% em termos relativos.

Por outro lado, o RS perdeu participação relativa. Na série antiga, no período 2002-04, a participação relativa média do PIB do RS no brasileiro foi de 8,03% e, na série nova, foi de 7,19%. Em 2005, essa participação continuou a cair, como reflexo da continuidade da crise agrícola no Estado, ficando em 6,72%. Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Bahia também perderam participação no período 2002-04, na nova série, relativamente à anterior. O conjunto dos principais estados perdeu participação relativa na nova série, conforme visto no Gráfico.

Comparação dos PIBs estaduais na nova série do IBGE

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A nova série do PIB regional

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Edição: Ano 16 nº 12 - 2007

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A recente revisão da metodologia das Contas Nacionais e Regionais adotada pelo IBGE, concomitantemente à adoção de novas bases de dados, entre as quais estão as pesquisas anuais, determinou uma modificação nos resultados já divulgados para os agregados econômicos das unidades federativas.

A utilização de fontes de dados mais atualizadas permitiu que se realçassem as dissimilaridades econômicas interestaduais, percebidas nas diferenças de ganhos ou perdas relativas em termos setoriais, sendo casos generalizados de mudança na composição da estrutura econômica das unidades federativas o aumento de participação relativa dos serviços e, por outro lado, a perda de participação da agropecuária e da indústria. Esses fatos estiveram em consonância com o que aconteceu com o País como um todo, onde o fenômeno do aumento de participação relativa dos serviços vis-à-vis aos setores da agropecuária e da indústria foi verificado.

No caso do RS, o setor agropecuário teve sua participação relativa diminuída, refletindo o que aconteceu com o Brasil como um todo. Em 2005, na série nova, essa participação foi de apenas 7,1%. No entanto, esse foi um ano atípico, de quebra de safra, em decorrência de fatores climáticos. A participação relativa da indústria gaúcha, que oscilava em torno de 40% de seu PIB, depois da adoção da nova série, chegou a cair para algo em torno de 30%. Já o setor serviços, cuja participação relativa anterior às mudanças adotadas se situava em cerca de 45%, superou agora os 60%.

A nova série do PIB regional

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O PIB municipal do RS

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Edição: Ano 16 nº 03 - 2007

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A participação percentual no PIB total do RS das 10 maiores economias municipais aumentou de 39,44% para 40,51% em 2004 — ano dos dados mais recentes disponíveis —, relativamente a 2003, ano em que essa participação havia diminuído, quando comparada a de 2002. Entre os fatores que explicam esse comportamento estão a crise na agricultura em 2004, cuja participação é maior nas economias municipais gaúchas de menor porte, e o crescimento da indústria a taxas acima da média estadual nas principais economias municipais, onde o Setor Secundário é a atividade predominante. O crescimento nominal médio dos 10 municípios em questão foi de 15,43%; superior, portanto, ao crescimento nominal médio estadual de 11,58%. Desse fato, pode-se inferir um aumento na concentração da renda municipal, no RS, em 2004.

Em 2004, dos 10 principais municípios gaúchos, somente Porto Alegre, a economia mais importante do RS, e Rio Grande diminuíram sua participação no total do PIB estadual. Em 2003, a capital do RS detinha 11,45% do PIB estadual, sendo que, em 2004, passou a 11,16%. Em 1999, ano inicial da metodologia unificada IBGE-FEE para o cálculo do PIB municipal, a participação de Porto Alegre no PIB do RS era ainda maior: 14,53%. Essa participação vem diminuindo sistematicamente, ano após ano.

Esses resultados são decorrentes do menor dinamismo econômico, em termos relativos, da capital gaúcha, cujo principal setor está nos serviços, que representam mais de 70% de sua economia e mais de 20% do setor serviços do RS. Em Porto Alegre, esse setor apresentou crescimento em 2004, porém com taxas inferiores à média do RS e dos principais municípios com maior VAB oriundo dos serviços. A indústria porto-alegrense também cresceu a taxas inferiores à média do Estado e dos principais municípios industriais gaúchos. Como conseqüência, a Capital deixou de ocupar o posto de principal economia industrial gaúcha, posição consolidada durante muito tempo, passando para o quarto lugar. O primeiro lugar no ranking industrial passou a ser ocupado pelo Município de Triunfo. Essa poderia ser considerada a principal mudança verificada no PIB municipal, em termos setoriais, em 2004, no RS.

O gráfico apresenta a participação percentual dos seis principais municípios gaúchos no período 1999-04.

O PIB municipal do RS

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O PIB da economia gaúcha em 2005

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Edição: Ano 15 nº 01 - 2006

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Segundo as estimativas divulgadas pela FEE, o PIB do Estado sofreu uma queda, em termos reais, de 4,8% em 2005, atingindo o valor de R$ 152,7 bilhões. O PIB per capita, por sua vez, caiu 5,8%, alcançando o valor de R$ 14,1 mil.

A taxa de 2005, considerando-se a série que tem seu início em 1985, foi superior apenas às de 1990 (-6,6%) e de 1995 (-5,0%). Com esse resultado, o desempenho do Estado será inferior ao do País pelo segundo ano consecutivo. Segundo o IBGE, o Brasil cresceu 2,6% até o terceiro trimestre do ano, enquanto o IPEA (Boletim de dezembro) projeta uma taxa de 2,3% para o ano.

A agropecuária, com uma participação de 15,93% na economia estadual em 2004, foi o destaque negativo do ano, com uma queda estimada em 15,2%, praticamente igual à de 1991 (-15,3%), que foi a menor do período iniciado em 1985. Pelo segundo ano consecutivo, o Estado foi atingido por uma estiagem, fazendo com que o desempenho do setor fosse negativo por dois anos seguidos, fato somente registrado em 1990 e 1991. A estiagem atingiu profundamente as culturas da lavoura, levando a quedas generalizadas nas produções e nas produtividades. Das 14 culturas investigadas, 13 apresentaram queda na produção. Destacam-se, pela sua importância na estrutura da lavoura, as quedas nas culturas de milho (-56,0%), soja (-55,9%), trigo (-20,1%), fumo (-10,9%), mandioca (-8,8%) e arroz (-3,7%). É importante destacar que, diferentemente das demais, as quedas nas culturas de trigo e de arroz foram decorrentes das reduções nas áreas colhidas. Para a produção animal, a FEE estimou um crescimento de 1,2%.

A indústria, com uma participação de 44,95% em 2004, registrou também um desempenho negativo (-4,8%), em contraste com o ano anterior, quando foi o setor de destaque, com um crescimento de 6,4%. Essa queda foi resultado, principalmente, da redução de 4,5% na indústria de transformação, principal segmento do setor. Considerando-se os dados até outubro, a maioria das atividades apresentou taxas negativas, com destaque para máquinas e equipamentos (-19,2%), mobiliário  (-11,1%), produtos químicos (-5,2%), fumo (-4,2%) e calçados e artigos de couro (-3,2%). Por outro lado, apenas três atividades tiveram desempenhos positivos: alimentos (2,8%), refino de petróleo e álcool (3,0%) e edição, impressão e reprodução de gravações (2,7%). Em relação aos demais setores industriais, estimam-se uma redução de 9,8% na construção civil e um aumento de 1,1% no segmento de eletricidade, luz e água.

Para o setor serviços, com uma participação de 39,12% em 2004, estima-se uma taxa de -0,5%, com destaque para os segmentos comércio (-2,5%) e transportes e armazenagem (-11,0%). O conjunto de demais serviços (aluguéis, intermediação financeira, alojamento e alimentação, comunicações, saúde e educação mercantis, serviços domésticos e outros serviços) registrou um acréscimo de 0,3%.

O PIB da economia gaúcha em 2005

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O pesadelo blindado

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Edição: Ano 15 nº 01 - 2006

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A crise política provocada pelas ilegalidades envolvendo o PT marcou o ano recém-encerrado. Enquanto a imagem do Governo se desgastava, a população era advertida da necessidade de impedir-se que a crise afetasse a economia, posição compartilhada pelo próprio Presidente da República. Lugar especialmente suscetível a rumores ou crises, que dão oportunidade a lances especulativos e seus ganhos, os mercados financeiros permaneceram indenes à tensão política, passando, intrigantemente, um ano quase tedioso.

Ao mesmo tempo, os economistas da Fazenda e do Banco Central perseguiam suas duas obsessões: o superávit primário máximo e a inflação mínima. Sua atitude inflexível chegou ao ponto de propor a um governo acuado pela crise que assumisse um compromisso legal de redução de despesas a longo prazo, para garantir a dívida pública e a autonomia da política monetária. A sugestão foi bem acolhida pelas vozes das finanças, pois, em sua opinião, consolidaria a blindagem da economia, segurança de crescimento sustentável no futuro.

As mesmas personagens revelaram-se surpresas com os dados do PIB do terceiro trimestre, os quais, como mostra o gráfico, exacerbaram um processo de desaceleração iniciado no começo do ano. A reação foi um debate acerca da prescrição terapêutica dos economistas do Governo, que, sem questionar o remédio — juros altos e gastos comprimidos —, pondera acerca do acerto da dose ministrada. A pobreza dessa discussão é reveladora do círculo vicioso em que está presa a economia brasileira há cerca de 10 anos. Entre o câmbio fixo do Plano Real e as metas de inflação inauguradas em 1999, o País está dependente do ingresso de capitais, seja para equilibrar o balanço de pagamentos, mantendo o câmbio apreciado no primeiro caso, seja para valorizar a moeda no segundo — movimento que, sabidamente, provoca deflação no mercado interno. Para garantir esse ambiente, a taxa de juros vem sendo mantida sempre acima dos 10% reais. Em razão dessa taxa elevada, a dívida pública cresce continuadamente, em que pese inexistirem déficits primários
há 15 anos.

Desde 2000, a cena internacional tem-se mostrado especialmente favorável a países que, como o Brasil, são atraentes para o investimento estrangeiro e são grandes exportadores. Mesmo assim, o gráfico mostra curtos ciclos de crescimento, que logo se revertem. Apenas a amplitude do último foi maior. Mesmo o desempenho extraordinário das exportações não foi capaz de sustentar o crescimento diante da contenção da taxa de investimento, sempre abaixo de 20% do PIB, e da debilidade do consumo interno.

Essa semi-estagnação é resultado da combinação câmbio valorizado, juros elevados e grandes superávits
públicos — que deprimem todas as fontes de crescimento da demanda —, por sua vez, provocada pela timorata preocupação anti-inflacionária do Governo. Não é um problema de dose, mas da lógica que rege a política econômica e que tudo subordina ao imperativo da valorização da moeda nacional, soldando uma aliança entre a inflexibilidade com que as autoridades econômicas implementam sua política ortodoxa e os interesses do capital financeiro e seus sócios, acomodados na posição de auferir rendas. A economia, para eles, permanece blindada. Até aqui, diferentemente do que aconteceu em países submetidos a um arranjo macroeconômico similar, como a Argentina, a estrutura produtiva brasileira tem conseguido, à semelhança do pesadelo de Sísifo, carregar o peso do rentismo que lhe obsta o crescimento. A tarefa interminável é o outro lado do apetite insaciável das finanças.

O pesadelo blindado

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O PIB dos municípios brasileiros

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Edição: Ano 14 nº 05 - 2005

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Foi divulgado pelo IBGE, no início de maio, o Produto Interno Bruto dos municípios brasileiros para o período 1999-02. Esta é a primeira vez que as estatísticas oficiais apresentam dados para a renda gerada em todos os municípios brasileiros. Tal iniciativa ganha peso ainda maior na medida em que esse trabalho foi elaborado em conjunto com os órgãos de estatísticas dos estados, utilizando-se uma metodologia unificada.

A característica que se sobressai na análise do PIB municipal é a sua elevada concentração em alguns poucos municípios. De um total de 5.560 municípios em 2002, os 10% maiores foram responsáveis por aproximadamente 80,0% do PIB nacional, enquanto os 10% menores detinham apenas 0,3 % daquele agregado. Destaca-se ainda que os 50% dos municípios com maior participação no PIB nacional representaram mais de 96,0% deste.

Foi na Região Sul do País que a atividade econômica esteve mais desconcentrada, com um coeficiente de Gini de 0,75 em 2002. A Região Sudeste aparece como a de maior concentração, com um coeficiente de 0,86, levemente acima do da média nacional, de 0,84. Dentre os estados, Amazonas destaca-se como o de maior concentração na geração de renda, com um coeficiente de 0,90, seguido por São Paulo, com 0,83. Entre os estados com a renda melhor distribuída, estão Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, com coeficientes de 0,61 e 0,67 respectivamente.

Outro aspecto que ganhou destaque foi a perda de posição de Porto Alegre, a qual ocupava a 7a posição no ranking, em 1999, e caiu para a 10a posição em 2002, sendo ultrapassada pelos Municípios de Duque de Caxias, Guarulhos e São José dos Campos. Apesar de esse ser um fato significativo, convém destacar que Porto Alegre teve uma perda de apenas 0,15% de participação no PIB nacional. Bem mais significativas do que isso, foram as perdas das Cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, as quais, apesar de terem se mantido como as duas primeiras do ranking nacional, tiveram quedas de participação de 1,15% e 0,88% respectivamente. O mesmo fenômeno ocorreu com Curitiba, que apresentou um declínio de participação de 0,28%. Pode-se verificar também que a participação total das capitais no PIB brasileiro apresentou uma significativa redução, caindo de 31,87% em 1999 para 29,54% em 2002. Tal tendência, no entanto, não deve causar surpresa em capitais que possuem uma participação relativa elevada do setor industrial na composição do seu PIB. É um fenômeno característico das grandes cidades, por seus problemas de infra-estrutura, tornarem-se lugares impróprios para a instalação e/ou manutenção de indústrias. Tais indústrias deslocam-se para outros municípios das respectivas regiões metropolitanas, levando junto diversos serviços.

Analisando-se o PIB per capita das capitais brasileiras, observa-se que Vitória aparece em primeiro lugar no ranking, com uma renda média de R$ 22.269 em 2002, bem acima da média nacional de R$ 7.631. Destaque ainda deve ser dado para as Cidades de Brasília e Manaus, que não apenas ficaram com a segunda e a terceira posição, mas também apresentaram, no período 1999-02, elevadas taxas de crescimento nesse agregado — de 49,3% e 43,7% respectivamente. Nesse mesmo período, a taxa de crescimento do PIB per capita nacional foi de 32,2%. Finalmente, convém destacar a Cidade de Palmas, a qual praticamente dobrou o seu PIB per capita.

O PIB dos municípios brasileiros

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Desaceleração: a marcha do PIB brasileiro

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Edição: Ano 11 nº 06 - 2002

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Nos últimos dias de maio, o IBGE divulgou as taxas de crescimento do PIB brasileiro relativas ao primeiro trimestre de 2002. Alguns analistas mostraram surpresa diante da expectativa de que os números pudessem ser ainda piores, principalmente quanto ao desempenho dos primeiros meses de 2002, quando comparado com o do final de 2001. Outros chegaram mesmo a se entusiasmar com o que consideraram o início de uma suave recuperação. Por outro lado, os mais pessimistas discutiram se estávamos vivendo uma recessão, pois as taxas dos últimos dois trimestres foram negativas, quando comparadas com as dos mesmos trimestres dos anos anteriores. Alternativamente, se seguirmos o critério americano para identificar uma recessão, acumularemos dois trimestres consecutivos de taxas negativas, tendo por base o trimestre imediatamente anterior — pela série com ajuste sazonal. Isso não ocorreu em nenhum dos dois últimos trimestres.

Uma medida mais firme — que oscila mais lentamente no tempo — é a que acumula sempre quatro trimestres, constituindo anos móveis e comparando-os com os quatro trimestres imediatamente anteriores. Ela é especialmente útil nesses momentos em que a medida pontual (do trimestre) se presta a interpretações diversas, positivas ou negativas, dependendo do ângulo que se quer privilegiar.

Ao tomarmos, então, as taxas acumuladas em quatro trimestres, o que observamos é uma tendência bem definida de queda das taxas de crescimento do PIB brasileiro desde o início de 2001, quando se esgotou o impulso favorável do período pós-desvalorização cambial. É interessante observarmos que a queda já existia antes mesmo da manifestação da crise energética (segundo trimestre de 2001), mas se acentuou a partir daí, principalmente na indústria e, de forma especial, é claro, nos serviços industriais de utilidade pública (SIUP), segmento produtor de energia elétrica.

A forte queda da indústria a partir do meio do ano passado fez dela o único setor que exibe taxas acumuladas negativas já desde o último trimestre de 2001, destacando-se o SIUP, com taxa negativa desde o trimestre anterior. No acumulado até os primeiros três meses de 2002, o SIUP já tem um desempenho fortemente negativo, com -9,4%, seguido da construção civil, com -5,8%.

O setor serviços vem fazendo uma queda suave ao longo do período analisado, com destaque negativo para o segmento do comércio, o único do setor que gerou queda de PIB até agora (-1,3% nos primeiros três meses de 2002). Contrariando o fraco desempenho da economia, o segmento de comunicações cresceu 10,8% no mesmo período, ainda que a  tendência seja de desaceleração.

A agropecuária, por sua vez, destoa dos outros setores, pois exibe crescimento firme desde o segundo trimestre de 2001, chegando mesmo a taxas em torno de 5% nos últimos dois trimestres.

A partir desse início de 2002, tudo indica que o PIB exiba um desempenho um pouco melhor, podendo-se projetar taxa próxima de 2% para o fechamento do ano, até porque a base de comparação passa a ser mais frágil, ao incluir o período do meio do ano passado, de queda da atividade. Contudo permanecem os constrangimentos da política econômica do Plano Real no que se refere à projeção de qualquer taxa mais expressiva de crescimento. A vulnerabilidade externa continua ditando o ritmo da atividade doméstica, seja pelo difícil equacionamento do financiamento externo, seja, como conseqüência desse aspecto, pela imposição de taxas de juros elevadas, tanto na rolagem da dívida externa quanto da interna.

Desaceleração a marcha do PIB brasileiro

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