Textos com assunto: petróleo

Petróleo barato: há vencedores e perdedores?

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Edição: Ano 25 nº 09 – 2016

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Um fato relevante no mercado internacional é a redução do preço médio do barril de petróleo do tipo Brent para US$ 48,30 no período de jan./15 a jun./16, atingindo a cotação mínima de US$ 30,80 em janeiro de 2016. Antes de assumir uma trajetória de queda, o preço médio do combustível estava em US$ 110,34 no período de jan./11 a jun./14, conforme dados do Banco Mundial.

Diante disso, torna-se pertinente avaliar os impactos do petróleo mais barato em distintas regiões. Uma estratégia de análise poderia consistir em avaliar apenas os aspectos redistributivos entre importadores e exportadores de petróleo.

No entanto, a complexidade da conjuntura mundial exige a utilização conjunta de outras ferramentas de avaliação, especialmente no que tange à interação das variações do preço do petróleo com a política monetária e fiscal em cada país ou região, a fim de determinar se há vencedores e perdedores em termos de crescimento econômico.

A intuição inicial de que os países com importante contribuição das exportações de petróleo na sua economia teriam que aceitar um crescimento negativo, ao passo que os importadores receberiam um estímulo econômico automático, não é uma argumentação válida para todos os países ou regiões. Essa suposição tem base na premissa da existência de canais de transmissão entre os preços de commodities e o desempenho econômico em cada país.

Como exemplo, considerem-se os países da Europa, importante região importadora de petróleo, a qual detém pouco mais de um quarto das importações mundiais do combustível, conforme dados da United States Energy Information Association (EIA) de 2012 (o último disponível). Para esse continente — e de forma análoga para o Japão —, a redução do preço do petróleo significa pressões deflacionárias adicionais nas suas economias altamente endividadas e em armadilha da liquidez.

Isso se torna um incômodo na medida em que esses países se veem diante da adoção de taxas de juros nominais negativas, algo impensável até então, o que adiciona riscos para a estabilidade financeira global. Por outro lado, caso contrário, a política monetária se reverteria em uma política contracionista, haja vista a elevação do juro real diante da deflação, com efeitos deletérios para suas economias já fragilizadas.

Ademais, o sinal do efeito do petróleo mais barato nas economias desenvolvidas é diferente daquele que prevaleceu nos anos 80. Nesse período, a redução do preço do barril de petróleo resultou em um alívio nas pressões inflacionárias e em um dado positivo para as economias que conviviam com a estagflação, que marcou aquele período.

Por sua vez, ao se analisar o grupo dos países exportadores de petróleo, o Canadá — apesar de algumas dificuldades econômicas e possíveis vulnerabilidades no seu mercado imobiliário — é um exemplo da importância das políticas contracíclicas e do papel do gasto público no estímulo ao crescimento econômico. Diante dessas medidas e dos efeitos multiplicadores da política fiscal expansionista, há previsão de crescimento positivo para esse país em 2016.

Vale destacar que o Canadá detém a posição de terceiro maior país exportador de petróleo, superado pela Rússia e pela Arábia Saudita. Os sauditas, por hipótese, podem estar aceitando um patamar mais baixo para o preço do combustível em função da menor dependência dos Estados Unidos em relação ao petróleo importado da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Esse ganho de autonomia ocorre no contexto de desenvolvimento do shale norte-americano e da exploração do petróleo canadense com origem nas areias betuminosas.

Por outro lado, para o caso da China — segundo principal país importador de petróleo até o momento (atrás somente dos Estados Unidos) —, espera-se que os efeitos da queda do preço do barril de petróleo possam resultar em algum estímulo, mesmo que residual, ao seu crescimento, frente ao barateamento do custo da energia e aos ganhos nos seus termos de troca.

No que concerne ao Brasil, os óleos brutos de petróleo ocupam a terceira posição entre os principais produtos exportados, com 4,64% das vendas externas brasileiras no período de janeiro a julho de 2016 (atrás do minério de ferro e seus concentrados, os quais obtiveram a participação de 6,10%, e da soja, com a parcela de 15,31% das exportações totais).

Frente a essa representatividade, a redução do preço do barril de petróleo poderia prejudicar a lucratividade da exploração do Pré-Sal, juntamente com a desvalorização cambial, se considerado o nível de endividamento da Petrobras.

Além disso, a redução do preço do combustível poderia impactar negativamente na quantidade de reservas provadas da Petrobras, ao se adotar tanto o critério da United States Securities and Exchange Commission (SEC), quanto o da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis/Society of Petroleum Engineers (ANP/SPE), os quais levam em consideração apenas as reservas viáveis economicamente conforme o preço do petróleo.

Por outro lado, estudos recentes da Petrobras sinalizam para a viabilidade técnica e econômica do Pré-Sal, mesmo ao se considerar o atual patamar do preço internacional do petróleo. Isso seria viável, tendo-se em vista o desenvolvimento de novas tecnologias pela empresa, reconhecidas pela Offshore Technology Conference (OTC) em 2015.

Em síntese, a resposta ao questionamento que dá título a esta análise não envolve apenas a redistribuição automática de ganhos entre importadores e exportadores de petróleo. Assim, o impacto esperado no desempenho econômico de cada país ou região mostra-se dependente de alguns condicionantes, os quais são influenciados, entre outros, pelas interações com as políticas econômicas implementadas, especialmente na presença de políticas contracíclicas.

Por fim, para além do economicismo e das fronteiras nacionais, preocupações com o desestímulo ao desenvolvimento de fontes de energia menos poluentes e com seus impactos adversos ao meio ambiente não devem ser negligenciadas nessa nova fase de petróleo barato.

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A queda do preço do petróleo: uma trama saudita?

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Edição: Ano 24 nº 04 - 2015

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Nos últimos meses, a brusca retração do preço do petróleo no mercado mundial tem chamado a atenção da comunidade internacional, que aguarda receosa os seus desdobramentos. De fato, a partir de junho de 2014, o preço dessa commodity despencou dos US$ 115 por barril e rompeu o patamar de US$ 50, estabilizando-se um pouco acima desse nível em março de 2015. Ao analisar as causas desse processo, vemos que há o encontro de uma baixa demanda (motivada pela estagnação na Europa e no Japão e pelo arrefecimento da expansão chinesa) com um recrudescimento da oferta, em virtude da produção crescente na Rússia, no Iraque e na Líbia e do avanço da extração não convencional, como o petróleo de folhelho (shale oil) nos Estados Unidos, as areias betuminosas no Canadá e o Pré-Sal no Brasil.

Ao contrário do que se poderia esperar, a posição da Arábia Saudita — principal produtor, exportador e dono das maiores reservas — não foi de preocupação. Em documentos e declarações oficiais, os sauditas asseveraram sua tranquilidade em relação à queda do valor do petróleo, salientando que o movimento especulativo dos mercados de capitais faz com que essa commodity flutue repetidamente. No entanto, como 90% das divisas externas que chegam a Riad são obtidas através da exportação de petróleo, levantou-se uma série de dúvidas sobre a sinceridade dessas afirmações, que poderiam estar ocultando outras motivações, de natureza não econômica, mas geopolítica.

Com efeito, há muitos anos, a postura dos sauditas no tocante ao preço do petróleo é diferente quando comparada com a de outros Estados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), tais como Irã e Venezuela. Enquanto iranianos e venezuelanos, dentre outros, tencionam manter elevado o valor do produto, para auferir maiores receitas e levar a cabo seu projeto político, os sauditas parecem mais interessados na sustentabilidade da sua produção petrolífera: temem que os custos elevados incentivem a ampliação das fontes alternativas de energia e de extração mineral. Ademais, os outros países da OPEP gostariam que os sauditas desempenhassem o papel de swing state, ou seja, o de País que diminui ou aumenta sua produção petrolífera para alterar o preço desse item, o que atualmente não é bem aceito na Arábia Saudita.

Em boa medida, o contraste entre Riad e Teerã nesse ponto deve-se a diferenças políticas e demográficas, na medida em que o Irã é muito mais populoso (tem 77 milhões de habitantes, contra 28 milhões na Arábia Saudita) e tem um sistema político menos oligárquico, o que aumenta as pressões e as demandas sobre ele. Além disso, o País enfrenta um conjunto de sanções internacionais que têm atravancado seu crescimento econômico. Desse modo, como se trata de dois Estados rivais no sistema internacional, especula-se que os sauditas estejam forçando a baixa do preço do petróleo para minar o Governo iraniano.

Nesse contexto, muitos asseveram que a ofensiva saudita não se limitaria a prejudicar o Irã, mas também os Estados Unidos. Isso porque a produção norte-americana vem prosperando desde 2012, com a extração do folhelho, revertendo uma queda que vinha desde a década de 70. Entretanto, o montante para a realização dessa atividade é significativo, e o break even (preço mínimo do barril a partir do qual a produção se torna economicamente viável) situar-se-ia entre US$ 50 e US$ 70. Assim, Riad eliminaria um potencial competidor, assegurando uma maior margem de manobra com Washington e no mercado petrolífero. De quebra, daria uma resposta firme à reaproximação entre Estados Unidos e Irã, que vai de encontro aos seus interesses. Ressalta-se, ainda, que a morte do Rei Abdullah — sucedido por seu irmão Salman — não surtiu mudanças na postura do País, que segue com a ideia de manter baixo preço do petróleo.

No entanto, as reais pretensões sauditas parecem bem mais modestas, sem o intuito de dificultar a exploração de petróleo não convencional, por duvidarem da possibilidade de sucesso dessa empreitada. Na realidade, a recusa em reduzir a produção estaria calcada em duas razões: em primeiro lugar, em outras conjunturas, a Arábia Saudita tomou uma atitude nesse sentido, mas não logrou elevar os preços como desejava e ainda viu seu market share reduzido, beneficiando somente os outros membros da OPEP. Ademais, justamente por saber que o preço do petróleo está abaixo do break even para muitos produtores, o Governo saudita crê ser inevitável uma diminuição do ritmo de investimentos nos Estados Unidos e em outros lugares, o que, de fato, já vem ocorrendo. Nessas circunstâncias, não valeria a pena cortar a produção quando empresas estrangeiras já se veriam obrigadas a fazê-lo.

A despeito da manobra saudita, não se pode afirmar que o valor do petróleo vai manter sua trajetória decrescente ou se haverá uma reversão desse fenômeno em breve. Historicamente, verifica-se uma grande oscilação no preço do produto, tanto por alterações na oferta e na demanda quanto por mudanças nas expectativas dos agentes econômicos, que também variam abruptamente conforme as circunstâncias. Ainda assim, é imperativo observar os desdobramentos futuros das negociações entre o Irã e o P5 + 1 (EUA, China, Rússia, França, Alemanha e Reino Unido). Como as tratativas avançaram, espera-se um levantamento gradual das sanções ao Irã, o que poderá implicar um aumento significativo nos investimentos em seus campos petrolíferos. Isso, por sua vez, voltaria a pressionar a oferta dessa commodity, retomando a perspectiva de uma nova baixa no preço do petróleo.

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O petróleo e a balança comercial

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Edição: Ano 22 nº 11 - 2013

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A diferença entre exportações e importações brasileiras tem sido positiva desde o ano 2000. O saldo, porém, obteve seu auge em 2006 e, desde então, vem caindo. De janeiro a setembro de 2013, a diferença entre exportações e importações foi negativa em US$ 1,6 bilhão. Alguns elementos explicam esse fenômeno, tais como a redução dos preços de nossas exportações no mercado internacional, o contínuo aumento de importações, a manutenção do crescimento da demanda interna, a crise no front externo e uma taxa cambial valorizada, a despeito da recente depreciação. Ao se analisar as contas deste ano com mais profundidade, entretanto, é notório o saldo negativo na conta petróleo.

Considerando-se o petróleo e todos os seus derivados, o déficit comercial acumulado até setembro foi de US$ 15,1 bilhões. Segmentando os principais produtos dessa conta, têm-se os déficits de US$ 3,5 bilhões em petróleo bruto, de US$ 3,5 bilhões em nafta, de US$ 1,8 bilhão em gasolina, de US$ 1,1 bilhão em querosene e de US$ 1,0 bilhão em gás liquefeito de petróleo. Em fuel-oil, há superávit de US$ 2,6 bilhões. Parte dessa monta justifica-se na contabilização defasada de importações realizadas em 2012, US$ 4,6 bilhões, além da redução planejada da produção da Petrobras para manutenção de plataformas. Entretanto, o aumento da demanda de gasolina nos últimos anos é expressivo, derivado da elevação no preço do etanol e do crescimento na frota de veículos automotores.

Além do incremento no consumo, um elemento mais estrutural pode ser identificado. Em que pese à distinta caracterização de 2013, o País costuma ser um exportador líquido de petróleo bruto e importador de derivados. O saldo comercial de petróleo bruto, por exemplo, foi de US$ 6,9 bilhões em 2012 e de US$ 7,5 bilhões em 2011. Tal situação indica que não se consegue processar internamente todo o petróleo necessário para atender à necessidade do mercado. Desse modo, o País envia para o exterior a agregação de valor do processamento de petróleo. Esse fator é explicado pelos anos em que o Brasil ficou sem investir em refino — o País conta com 12 refinarias, sendo a mais recente de 1980.

No entanto, o alento para os anos vindouros está nas cinco novas edificações de refinarias. A primeira delas está prevista para ficar pronta em 2014, e a última, em 2018. Duas delas ainda estão em planejamento, incluindo a do Maranhão, que será uma das maiores do mundo. O processamento do petróleo ocorre também nos polos petroquímicos. Desses, o Brasil possui três, e mais dois estão em construção, um deles já parcialmente em operação, em Pernambuco, e o outro, no Rio de Janeiro, estará em funcionamento em 2014.

A exploração do pré-sal vai movimentar ainda mais a cadeia do petróleo. A depender da confirmação das reservas potenciais, o Brasil pode figurar entre as 10 maiores reservas de petróleo do planeta. Os investimentos já estão sendo efetuados e dinamizam a economia brasileira. O setor naval e o de navipeças obtiveram um crescimento significativo. No Rio Grande do Sul, o polo naval de Rio Grande revitalizou aquela região, e os rebatimentos já são sentidos nos números da cidade, que passou de sexto maior PIB municipal do Estado para o quarto em 10 anos.

Entre os anos de 2014 e de 2016, 11 novas plataformas entrarão em operação apenas nos blocos do pré-sal. De toda sorte, mais investimentos no setor fazem-se necessários. O campo de Libra, que pode ter 12 bilhões de barris recuperáveis, exigirá investimentos na ordem de US$ 180 bilhões, principalmente em plataformas e embarcações. Serão necessárias, aproximadamente, 12 plataformas e quatro embarcações para cada plataforma. O pré-sal como um todo exigirá mais de US$ 500 bilhões em investimento. Esse campo é o primeiro com o novo marco regulatório de partilha, em que as empresas dividem com o Governo o que for explorado, cedendo, no mínimo, 41,7% do que excede o custo. A mudança do marco regulatório visa ampliar a participação do Estado nos recursos advindos da exploração do petróleo.

Todos esses movimentos levarão o setor de petróleo e o naval a corresponderem a, aproximadamente, 20% da indústria de transformação nacional, segundo a revista Valor Econômico. Quando essas operações estiverem em plena maturidade, a conta do petróleo na balança comercial tenderá a apresentar um comportamento bastante distinto do de 2013.

O petróleo e a balança comercial

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O mercado do petróleo e os preços do barril nas duas últimas décadas

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Edição: Ano 20 nº 07 - 2011

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As reservas mundiais comprovadas de petróleo, que eram de 1.006,4 bilhões de barris em 1989, avançaram para 1.333,1 bilhões de barris em 2009, conforme BP Statistical Review of World Energy June 2010. Nessa oportunidade, o Oriente Médio detinha 56,6% das reservas globais, seguido pelo bloco das Américas do Sul e Central, com 14,9%. O Brasil detinha 1,0% das reservas mundiais em 2009.

A produção mundial de petróleo cresceu de 72,325 milhões de barris diários em 1999 para 79,948 milhões de barris diários em 2009. O Oriente Médio era responsável por 30,3% do total no final da década, seguido por Europa e Eurásia, com 22,4% do total, e América do Norte, com 16,5% do total. As Américas do Sul e Central produziam 8,9% do total, onde está incluído o Brasil, com a produção de 2,6% do total em 2009.

Durante esse período — em que as reservas cresceram em 326 bilhões de barris, e a produção mundial avançou em 7,623 milhões de barris diários —, a cotação do Brent, ou seja, o preço do barril do petróleo do Mar do Norte, apresentou um comportamento que pode ser dividido em quatro períodos: estabilidade, ascensão, queda e recuperação.

A primeira fase, a estabilidade (1989-2003), ocorreu durante um longo período em que os preços estiveram estabilizados. Fatos determinantes do surgimento de uma nova ordem econômica internacional ocorreram ao longo dos anos 90. Em 09.11.1989, dia da queda do muro de Berlim, a cotação do Brent, segundo a U.S. Energy Information Administration, encontrava-se no patamar de US$ 18,85. A economia internacional convivia com a fase da transição, que resultou no fim da União Soviética e na criação da Comunidade de Estados Independentes (CEI) em 21.12.1991, oportunidade em que o preço do Brent mantinha-se em US$ 18,55. Em 20.12.1994, quando eclodiu a crise do México, que afetou o peso asteca, a cotação do petróleo do Mar do Norte alcançava US$ 15,73, avançando até US$ 18,18 em 02.07.1997, na crise da Tailândia, que derrubou o baht. A crise seguiu em efeito dominó sobre as moedas da Coreia, da Rússia, do Brasil, da Argentina, do Uruguai e sobre a lira da Turquia em 2001, ano em que o Brent fechou em US$ 19,35. À época, a crise das empresas da internet, da Nova Economia nos Estados Unidos, já havia provocado a recessão norte-americana. George W. Bush e o Grand Old Party (GOP) haviam chegado ao poder e puseram em prática políticas conservadoras. As oscilações do PIB em taxas anualizadas, a cada trimestre, levavam ora os democratas a diagnosticarem a possibilidade de uma nova recessão, ora os republicanos a pregarem a retomada do crescimento. Em 23.02.2002, o preço do Brent situava-se em US$ 19,95.

A segunda fase, a ascensão (2004-07), aconteceu com o fim da crise da Nova Economia, a aliança sino-americana passou a liderar o desempenho global. Em 31.12.2003, a cotação do Brent situava-se em US$ 30,30. A partir daí, o mundo passou a conviver com um período (2004-07) de intenso crescimento, em que o PIB global avançou, em média, a taxas de 5,0% ao ano. O preço do barril de petróleo registrou um incremento extraordinário e, em 31.12.2007, estava cotado em US$ 93,68.

A demanda crescente por petróleo, aliada à oferta dada do ouro negro, elevou as cotações sob grande pressão especulativa. Em 3 de julho de 2008, o barril atingiu a cotação de US$ 143,95. Os analistas econômicos projetavam que o preço chegaria a US$ 200,00, no fim do exercício.

A terceira fase, a queda (2008-09), ocorreu a partir do momento em que a crise das subprimes contagiou a economia global e causou a recessão mundial de 2009. Houve uma diminuição abrupta dos preços do Brent, que recuaram a US$ 42,19 em 12.03.2009.

Uma quarta fase, a recuperação (2010-11), pode ser identificada a partir do momento em que foi diagnosticado o fim da recessão dos Estados Unidos em julho de 2009. Os preços das commodities voltaram a subir, e o petróleo chegou a estar cotado em US$ 126,59, em 28.04.2011.

No final de junho de 2011, as projeções sinalizavam uma oferta global de 89,4 milhões de barris diários, dos quais a OPEP era responsável por 35,7 milhões de barris da origem, e os demais produtores, pelo complemento de 53,6 milhões de barris diários. A demanda global igualava-se à oferta, em 89,4 milhões de barris, dos quais as economias avançadas eram o destino de 45,6 milhões de barris, e as economias emergentes, pelo complemento de 43,8 milhões de barris diários. O total equilíbrio entre demanda e oferta explicava a razão de a Agência Internacional de Energia ter coordenado uma oferta adicional de petróleo a partir de utilização de reservas de diversos Países-membros.

O preço do barril de petróleo, em 29.06.2011, estava cotado em US$ 111,95. A crise do endividamento na Europa, o desemprego nos Estados Unidos, a recessão no Japão e o recrudescimento da inflação na China, na Índia e no Brasil mantêm a recuperação da economia global em stand-by, reduzindo, dessa forma, a pressão sobre o preço do barril do Brent no mercado do petróleo. Nesse contexto, entende-se o significado do pré-sal para a economia brasileira e a sua importância para atender à demanda externa em um mercado sem muitas margens.

O mercado do petróleo e os preços do barril

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Preços da gasolina versus preços do petróleo

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Edição: Ano 18 nº 04 - 2009

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O crescimento importante dos preços nominais do petróleo a partir, aproximadamente, de 1999 e adquirindo características explosivas a partir de 2007 foi interrompido bruscamente em jul./08, quando as cotações despencaram para patamares muito inferiores e aí permaneceram, em uma trajetória de queda ao longo dos meses subseqüentes. As estimativas são de fechar o ano de 2009 com o barril cotado em cerca de US$ 42, menos da metade da registrada em 2008, US$ 100, quadro que não se alteraria substancialmente em 2010, quando se espera que o preço do barril atinja US$ 53, em média, no ano (estimativas para os EUA da Energy Information Administration, US Department of Energy).

O comportamento dos preços da commodity tem suas raízes na desaceleração da economia global justamente na segunda metade de 2008, que, ao reduzir a atividade econômica, deprimiu a demanda por energia.

Em princípio, os preços da gasolina nos mercados domésticos deveriam acompanhar os internacionais, tendência que vem ocorrendo efetivamente no mercado norte-americano. No Brasil, isso não aconteceu, pelo menos até o momento, permanecendo os preços praticamente nos patamares registrados antes da queda das cotações mundiais. E isso, apesar de os preços de suas importações e exportações de petróleo terem caído, acompanhando a tendência global.

A subida da cotação do dólar em reais (ao redor de 50% em jul.-dez./08) poderia explicar, em parte, esse comportamento; por outro lado, ele poderia estar associado, por hipótese, a estratégias empresariais (capitalização da Petrobrás).

Preços da gasolina versus preços do petróleo

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A demanda e a oferta de petróleo perante uma economia global aquecida

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Edição: Ano 16 nº 12 - 2007

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A partir de 2004, quando a economia mundial começou a crescer em torno de 5,0% ao ano, a demanda mundial de petróleo passou a manter-se em um patamar acima de 80 milhões de barris/dia.

Em 2007, a economia mundial permanece extremamente aquecida. O Panorama Econômico Mundial, publicado, em outubro, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), estima que o produto mundial crescerá 5,2% neste exercício. Mantido o patamar de desempenho da economia global, o Relatório Mensal do Mercado do Petróleo, publicado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) no corrente mês de novembro, prevê uma demanda mundial do produto de 85,7 milhões de barris/dia. Dada a oferta mundial de petróleo dos países que não pertencem à OPEP estar estimada em 54,6 milhões de barris/dia (tabela), há uma diferença de 31,1 milhões de barris/dia a ser suprida pelos países-membros da Organização.

A oferta extremamente ajustada à demanda tem resultado em incrementos dos preços do barril de petróleo. Eles se mantêm em patamares muito elevados, atingindo valores próximos à barreira psicológica dos US$ 100,00, e têm gerado pressão sobre a taxa de inflação em âmbito global.

No dia 18 de novembro, os países pertencentes à OPEP reuniram-se em Riad, na Arábia Saudita. Na agenda, havia uma solicitação dos Estados Unidos para que houvesse aumento de produção e a constatação da Agência Internacional de Energia (AIE) de que os níveis de preços praticados pelo mercado estão fragilizando a demanda mundial. Concluída a reunião, Ali al-Naimi, o todo-poderoso ministro saudita, afirmou que esses níveis praticados pelo mercado independem de decisões da instituição. No dia 21 de novembro, a cotação do barril de petróleo fechou o pregão em valor muito próximo a US$ 100,00, em Nova Iorque.

As descobertas de jazidas de petróleo em 2007, da Petrochina, em Nanpu, na Baía de Bohai (7,3 bilhões de barris equivalentes de petróleo), e da Petrobras, no campo de Tupi (5 bilhões a 8 bilhões de barris), geraram algum otimismo no mercado, mas a repercussão dessas reservas sobre a cotação do barril de petróleo implica ações a longo prazo para a obtenção de resultados. No curto prazo, o preço do barril do petróleo pode avançar, dentre outras razões, se o conflito entre a Turquia e os curdos do norte do Iraque assumir uma dimensão maior do que o embate vigente, ou se as relações entre Estados Unidos e Irã criarem um impasse explosivo na região, ou, ainda, se houver redução abrupta dos estoques, no Hemisfério Norte, ao longo do inverno que inicia. De outro lado, o preço do barril pode recuar, à medida que houver uma desaceleração mais forte do que a prevista na economia dos Estados Unidos, fruto da crise das hipotecas, que já atingiu os bancos norte- -americanos e que contagiou os intermediários financeiros do Japão e da Europa, e cujo efeito sobre a atividade econômica deve concretizar-se no primeiro semestre do próximo ano.

Para 2008, frente a uma demanda estimada de 87,0 milhões de barris/dia, há uma previsão de que a oferta mundial de petróleo dos países não pertencentes à OPEP atinja 56,2 milhões de barris/dia. Admitindo-se que a economia mundial mantenha o ritmo de crescimento econômico e que o produto cresça 4,8% em 2008, conforme previsão do FMI, a OPEP estima que haja uma diferença de 30,8 milhões de barris/dia a ser atendida pelos países produtores de petróleo.

A demanda e a oferta de petróleo perante

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Preço do barril de petróleo atinge US$ 60

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Edição: Ano 14 nº 07 - 2005

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O preço do barril de petróleo do tipo W. Texas negociado em Nova Iorque, que era cotado a US$ 42,12 no início do corrente ano, alcançou os patamares de US$ 57,27 em março e US$ 60,54 ao final de junho.

A nova “febre compradora” atual decorre da percepção de que a oferta do petróleo atingiu um limite na capacidade de produção, no curto prazo (88,7 milhões de barris diários) e de que a demanda crescente (82,4 milhões de barris diários em 2004) não evidencia sinais de que possa ser contida nos próximos meses.

Vários fatos explicam as oscilações recentes no preço do barril de petróleo. Em primeiro lugar, durante o mês de junho, a OPEP pôs em prática a decisão de acrescentar 500.000 barris diários no dia 13 e outra quantidade semelhante no dia 30, alcançando a sua produção máxima de 28 milhões de barris diários. Em segundo lugar, dos 28 milhões produzidos por aquela instituição, em torno de quatro milhões de barris diários têm origem no Irã, o quarto maior produtor de petróleo do Mundo e que, recentemente, elegeu, para a Presidência do País, o Prefeito de Teerã, o conservador Mahmoud Ahmadinejad, que é ferrenho opositor dos Estados Unidos. Em terceiro lugar, há incerteza quanto à possibilidade de o mercado dispor de capacidade para atender à demanda do Hemisfério Norte no próximo inverno. Em quarto lugar, ameaças de novos ataques terroristas, como os ocorridos em Nova Iorque, Madri e Londres, estão sempre causando apreensão nos países do Primeiro Mundo. Em quinto lugar, há forte presença chinesa na demanda global. Por último, nesse ambiente econômico instável, a ação de fundos especulativos reforçam o quadro de incertezas que ronda o mercado.

Preço do barril de petróleo atinge US$ 60

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Energia — uma questão de planejamento estratégico

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Edição: Ano 14 nº 04 - 2005

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O horizonte de inflexão da relação reserva/produção de petróleo no mundo (Pico de Hubbert) deverá ocorrer num período entre cinco e 15 anos, quando os preços deverão chegar, para alguns, a mais de US$100,00/barril, devido, principalmente, ao consumo dos países desenvolvidos. Persistindo o crescimento da China, da Índia e de alguns países em vias de desenvolvimento, a tendência torna-se mais pessimista. Esse fato aponta, para muito breve, uma crise estrutural da economia mundial, o que multiplicará o genocídio que se pratica hoje, pela fome e pela guerra, no mundo. A inflexão das jazidas de petróleo do Brasil está prevista para daqui cinco a 10 anos. Voltaremos, então, a importar petróleo no momento em que este estará com preços mais elevados, comprometendo nossa balança de pagamentos e levando o País a um impasse estrutural, já que 50% da energia primária consumida no Brasil é petróleo. Torna-se urgente um esforço singular, não só na substituição do petróleo, mas também na racionalização e na otimização dos potenciais energéticos disponíveis, bem como um planejamento estratégico envolvendo a cadeia produtiva dos energéticos, as estruturas urbana, rural, industrial e de transporte, com enfoque centrado na economia de energia e na sustentabilidade do meio ambiente. Caso se descubra uma nova superjazida, haverá somente um deslocamento de mais cinco ou até 10 anos do ponto de inflexão, o que não dispensará a urgência de um planejamento integrado que permita uma ação positiva para o futuro de nossos filhos. O Brasil deve transpor a era do petróleo dirigindo- se para a era do sol e da biomassa, energéticos abundantes em seu território, resguardando seu petróleo para ancorar essa transição.

Energia — uma questão de planejamento estratégico

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Petróleo, obstáculo à vista

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Edição: Ano 11 nº 10 - 2002

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Em janeiro, os preços do barril tipo Brent estavam cotados a US$ 18,03. Em abril, os preços avançaram para o patamar de US$ 27,00 por causa do agravamento da crise entre Israel e Palestina. A tentativa de golpe na Venezuela provocou novo impacto na cotação dos combustíveis, e, em setembro, quando houve o ataque das forças norte-americanas e britânicas ao Iraque, os preços do petróleo superaram a cotação de US$ 30,00 o barril.

Petróleo, obstáculo à vista

A evidência de uma nova guerra no Golfo Pérsico criará turbulência adicional ao cenário econômico internacional. Esse ambiente externo passa a ser uma preocupação maior à medida que Saddam Hussein almeja uma retaliação árabe e Bush busca no apoio do Congresso norte-americano a sustentação que não obteve, até o momento, junto ao Conselho de Segurança da ONU. Haverá pressões inflacionárias no Primeiro Mundo e necessidade de elevar as taxas de juros, quando a opção racional atual sinaliza para a redução desse instrumento de política monetária, dada a desaceleração vigente na economia mundial.

O Brasil produz, em média, 1,45 milhão de barris de petróleo por dia, o que representa 80,55% do consumo do produto em âmbito nacional. A Petrobrás desenvolve um programa de investimentos da ordem de US$ 31,2 bilhões até 2006 — em torno de US$ 7 bilhões em 2002 —, que contém, inclusive, a construção de plataformas gigantes. No plano interno, a guerra pressionaria os preços dos derivados do petróleo, as metas da inflação e a realização de investimentos no setor e retardaria a diminuição das taxas de juros brasileiras, caso o FED viesse a alterar a orientação, adotada até aqui, de manter os juros norte-americanos em níveis extremamente reduzidos.

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