Textos com assunto: moeda

Alguns efeitos da apreciação do real

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Edição: Ano 16 nº 07 - 2007

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O efeito mais destacado da atual apreciação do real tem sido a perda de rentabilidade das exportações, aliada ao incentivo para o aumento das importações. Entretanto nem todos os exportadores sofrem igualmente esses efeitos.

Para muitas empresas, a queda do dólar não tem sido um fator impeditivo para o aumento das exportações, visto que seus produtos utilizam muitos componentes importados, o que reduz os custos de produção. Tal é o caso de empresas produtoras de aparelhos celulares, de informática e de comunicação, de instrumentos médicos e óticos e de produtos químicos. Já outras têm amenizado o impacto negativo substituindo fornecedores nacionais por estrangeiros. Essa substituição de produção local por importados causa impacto negativo no nível de emprego e na produção de insumos e matérias-primas produzidos internamente, além de poder romper cadeias produtivas através do fechamento de unidades domésticas de fornecedores. E, se, em algum momento, essa apreciação cambial for revertida, os setores que ora estão importando vão querer voltar a se abastecer internamente, mas as fábricas, antes aqui instaladas, terão fechado.

Entretanto as empresas exportadoras com uso mais intensivo em mão-de-obra e/ou que utilizam insumos e matérias- -primas nacionais que não foram substituídos por importados são mais afetadas negativamente pela valorização cambial, por terem seus custos em real e suas receitas em dólar. Se os custos, quando convertidos para dólares, se elevam, as receitas trocadas por reais caem. Nesse grupo, podem ser incluídos os produtores de couro e calçados, de madeira, especialmente os de móveis, de alimentos e bebidas, de papel e celulose e de têxteis e vestuário. Algumas dessas empresas já fecharam ou vão fechar, enquanto outras têm optado por se instalar, parcial ou totalmente, fora do País, o que também afeta o nível de emprego e o PIB. A retirada de muitas empresas do mercado externo, a quebra de outras tantas, o deslocamento de firmas brasileiras para o exterior, o redirecionamento de novos projetos para outros países (no caso de empresas transnacionais), tudo isso tem acarretado um aumento da concentração das exportações em um número menor de empresas, outra conseqüência não desejável, já que um número menor de empresas aumenta a vulnerabilidade, devido à maior dependência do País a um número pequeno de grandes empresas.

Porém a valorização do real não acarreta apenas prejuízos, podendo trazer ganhos para alguns segmentos. Beneficia diretamente os consumidores, via redução nos preços dos bens de consumo importados (especialmente eletroeletrônicos e de informática), correspondendo a um aumento na renda. A queda do dólar pode também favorecer a importação de máquinas e equipamentos, permitindo a modernização do parque produtivo nacional.

Mas, sem dúvida, o grande beneficiado tem sido o setor das aplicações financeiras, pois a apreciação da moeda, combinada com a maior taxa de juros real do mundo, tem estimulado as operações de arbitragem no mercado financeiro. Isto porque os aplicadores internalizam seus dólares, vendendo-os a uma determinada cotação, aplicam os reais obtidos no mercado financeiro e, ao final do processo, além de auferirem os ganhos financeiros, na hora da recompra ainda se beneficiam de um dólar cotado nominalmente a um preço mais baixo.

A queda nominal do dólar, aliada a uma alta taxa de juros internos, também favorece todos aqueles que têm dívidas em dólar, uma vez que diminui o débito em reais. Como decorrência, estimula o aumento do endividamento externo, especialmente de curto prazo, além de favorecer os empréstimos intercompanhias.

Alguns efeitos da apreciação do real

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O crédito no Brasil, em 2006

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Edição: Ano 16 nº 02 - 2007

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O estoque total das operações de crédito do sistema financeiro brasileiro registrou crescimento de 17,9% até novembro de 2006, atingindo R$ 715,8 bilhões. Em conseqüência, a relação dos empréstimos totais com o PIB situou-se em 33,7%, em novembro, ante 31,0% em janeiro desse ano, e 30,6% em novembro de 2005.

Essa evolução esteve associada, fundamentalmente, à expansão dos financiamentos contratados com recursos livres (participação relativa de 68,2% no total de crédito concedido pelo sistema financeiro), que cresceram 21,0% no período, enquanto os recursos direcionados (créditos com taxas de juros administradas) aumentaram 11,8%. No âmbito dos recursos livres, houve a predominância dos empréstimos destinados às pessoas físicas, em decorrência da expansão na contratação da modalidade de crédito pessoal (25,6%) e dos financiamentos para aquisição de veículos (23,8%). Ao mesmo tempo, refletindo o menor ritmo de crescimento da economia em 2006, mas também o desenvolvimento do mercado de capitais no financiamento das empresas, a taxa de crescimento do crédito a pessoas jurídicas reduziu-se, em relação a 2005, de 17,2% para 14,4%, afetando especialmente as modalidades que mais utilizam recebíveis comerciais como garantia, como, por exemplo, desconto de duplicatas.

De um modo geral, o cenário mais favorável ao crédito tem razões macroeconômicas, como o controle da inflação, além de refletir os resultados da agenda de reforma microeconômica, como a criação do crédito consignado.

O crédito no Brasil, em 2006

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