Textos com assunto: migração interna

Perfil dos migrantes da Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre — 2005-10

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Edição: Ano 23 nº 10 – 2014

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O conhecimento do perfil do migrante de acordo com a estrutura por sexo e idade ajuda a se compreenderem os mecanismos que envolvem a mobilidade populacional. A análise dos migrantes das mesorregiões do Estado, em relação a todas as demais mesorregiões do Brasil e do próprio RS, é baseada no local de residência cinco anos antes do Censo Demográfico 2010. No período 2005-10, a Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre, formada pela Capital, seu entorno e o Litoral Norte, apresentou um saldo migratório de -2,6 mil pessoas. Para a população feminina, a quantidade de emigrantes foi menor do que a de imigrantes (98 para cada 100), ao passo que a população masculina apresentou sentido inverso, havia 107 emigrantes para cada 100 imigrantes.

A migração está concentrada nas idades mais jovens, observando-se um importante saldo migratório positivo entre a população de 10 a 24 anos. Na estrutura etária, pode-se observar também a diferença nas idades ao imigrar e emigrar para essa mesorregião, mostrando que as pessoas entram um pouco mais jovens (imigrantes) e saem um pouco mais velhas (emigrantes). Esse dado, além de indicar o acompanhamento dos pais, também revela a possível entrada de jovens em busca de formação educacional, assim como a saída pode indicar tanto o retorno de estudantes quanto a migração para trabalho. É interessante ressaltar-se que, na estrutura de emigração, há um pequeno diferencial entre mulheres e homens, indicando que as primeiras emigram um pouco mais jovens.

Essas informações confirmam os resultados de outras pesquisas de perfil de migrantes, revelando o desempenho da migração de jovens. Isso corrobora a hipótese que coloca o foco da migração no trabalho e, como já ressaltado, no estudo. Contudo observa-se que a diferença entre os sexos não é marcante, o que pode apontar uma tendência, já observada nas migrações internacionais, da participação das mulheres em nível de igualdade com os homens no processo migratório.

Perfil dos migrantes

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O baixo crescimento populacional do RS e suas migrações internas

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Edição: Ano 21 nº 08 - 2012

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O fato de o RS ter sido o estado brasileiro que menos cresceu em população na última década (5,0%) pode ser explicado por dois componentes demográficos expostos pela amostra do Censo 2010: primeiramente, o Estado possui uma baixa taxa de fecundidade (1,75 filho por mulher ao longo de toda sua vida, representando a quinta menor taxa do País) e, em segundo lugar, dentre os estados com taxa de fecundidade menor ou similar, foi o único que apresentou saldo migratório (imigrantes menos emigrantes) negativo — uma perda por migração de 74,6 mil habitantes somente entre 2005 e 2010. Embora essa evasão seja considerada relativamente baixa, se observarmos seu percentual sobre a população total do RS em 2010 (0,70%), houve um aumento significativo em relação ao período de 1995 a 2000, quando o saldo migratório representou uma perda de 39,5 mil habitantes, um percentual de 0,39% em relação à população de 2000. Com isso, o saldo migratório do RS, que é historicamente negativo e vinha com uma tendência de diminuição de perdas desde a década de 70, voltou a se acelerar na década passada.

Quando analisamos as microrregiões do Estado, também podemos observar mudanças quanto à migração em relação à década de 90. Sem dúvida, a mais surpreendente de todas está na Microrregião Porto Alegre (representada pela capital e por mais 21 municípios do entorno), que obteve um saldo migratório positivo de 40,0 mil habitantes no período entre 1995 e 2000 (sendo o saldo mais elevado do Estado) e, em sentido oposto, apresentou um saldo migratório negativo de 21,7 mil habitantes no período mais recente, entre 2005 e 2010 (sendo a maior perda do Estado). Trata-se da primeira vez que essa microrregião perdeu população desde que a pergunta indagando onde o respondente residia cinco anos antes da pesquisa foi inserida no Censo de 1991.

A Microrregião Caxias do Sul, que foi a que mais cresceu por saldo migratório nos cinco anos anteriores ao Censo 2010 (enquanto, no Censo 2000, ela havia obtido o segundo maior crescimento, atrás somente de Porto Alegre), manteve-se praticamente constante, quando comparados os dois períodos, com um saldo migratório positivo de em torno de 25 mil habitantes. Isso vai ao encontro do alto crescimento populacional do Município de Caxias do Sul e da região. Somente o Município de Caxias do Sul obteve um crescimento de 21% entre 2000 e 2010.

No período entre Censos, sete dos 10 municípios que tiveram maior aumento da sua população em percentual são do Litoral Norte do Estado. Essa região, representada pela Microrregião Osório, obteve o segundo maior saldo migratório do RS, sendo o maior crescimento relativo à sua população. Essa tendência no Litoral Norte já vem de bastante tempo. Como mostra o Censo 2010, quatro dos cinco municípios com maior percentual de moradores não naturais do mesmo estão nessa região. O caso mais extremo é o de Balneário Pinhal, onde apenas 9,1% dos residentes nasceram na cidade — o menor percentual do RS.

Outro destaque importante é a continuação da evasão das regiões próximas ao rio Uruguai (como é o caso, principalmente, da Microrregião Frederico Westphalen, que permaneceu entre as três com maior saldo migratório negativo) e da Campanha Ocidental, na Fronteira Oeste, que passou da quinta para a segunda colocação de maior saldo negativo.

O próximo passo na análise das migrações nos últimos Censos está em traçar o perfil desses migrantes e seus fluxos. Qual a faixa etária de quem migra de Porto Alegre para o litoral? Qual a faixa de renda de quem migra para Caxias do Sul? E qual o seu nível de instrução? Essas são algumas das questões que a FEE está buscando responder através de um projeto em parceria com o IPEA, tendo como principal objetivo traçar o perfil e os fluxos do migrante interno e externo do RS.

O baixo crescimento populacional do RS e suas migrações internas

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