Textos com assunto: Mercado de trabalho

Crescimento do ingresso feminino em cargos executivos na RMPA

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Edição: Ano 23 nº 10 – 2014

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Os indicadores do mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) revelam alguns avanços importantes da inserção feminina no espaço laboral. Realidades diversas de engajamento no mercado de trabalho para homens e mulheres podem ser evidenciadas no nível ocupacional e na taxa de desemprego, geralmente menos favoráveis para as mulheres. Ao se compararem os dados do período 2005-13, observa-se que, após 2008, a pequena variação da taxa de participação, para homens e mulheres, se dá em conjunto com a redução da taxa de desemprego mais acentuada para as mulheres do que para os homens.

Entre 2008 e 2013, o contingente de mulheres desempregadas reduziu-se 45,9%, enquanto o masculino se reduziu 36,4%. Entre os ocupados, o crescimento feminino foi um pouco maior que o masculino nesse período (8,1% entre as mulheres e 5,3% entre os homens), e essa evolução também contribuiu para aumentar a parcela relativa da ocupação feminina, a qual passou de 45,1% em 2008 para 45,7% em 2013. Outro indicador promissor para as mulheres foi a redução de 6,4 pontos percentuais na taxa de desemprego, período em que a redução na taxa masculina foi menor, de 3,4 pontos percentuais.

Dentro desse contexto mais favorável às mulheres, é possível observar-se que elas estão vencendo barreiras impostas pela sociedade — maiores dificuldades de ascensão na carreira e salários mais baixos —, aumentando, assim, o seu ingresso em posições de maior destaque profissional. Nesse sentido, destacam-se as mulheres executivas, que são vistas como pioneiras e adaptam a vida doméstica para dar conta da carreira, mesmo com a existência de fortes barreiras a essa incorporação. Ao analisar-se o segmento dos ocupados em nível gerencial, entre aqueles que têm pelo menos ensino médio completo, constata-se crescimento expressivo da participação das mulheres em cargos executivos. Entre 2008 e 2013, houve um aumento de, aproximadamente, 20% de mulheres nessa situação, ao mesmo tempo em que a ocupação masculinaapresentou variação negativa de 1,6% no mesmo período. Tais resultados, além de evidenciarem a redução do hiato de gênero, corroboram o desempenho mais favorável dos indicadores no mercado de trabalho para as mulheres na RMPA, em especial nos anos recentes.

Crescimento do ingresso feminino

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Oferta de trabalho e crescimento econômico

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Edição: Ano 23 nº 05 – 2014

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A conjuntura favorável do mercado de trabalho em um período de baixo crescimento do PIB é um dos aspectos de destaque no cenário macroeconômico brasileiro recente, sendo a queda da taxa de desemprego seu aspecto mais visível (de 13,8% para 10,3% entre 2009 e 2013, de acordo com os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED)). Subjacente a isso, um tema tem assumido crescente importância: a saída de pessoas do mercado de trabalho.

A esse respeito, os dados da PED mostram desaceleração no crescimento da População em Idade Ativa (PIA) — pessoas de 10 anos e mais — nas regiões metropolitanas analisadas pela PED, passando de 1,4% para 1,0% entre 2009 e 2013. Além da PIA, o salário real e a taxa de participação também estão relacionados à oferta de trabalho. Nesse sentido, o aumento acumulado no rendimento médio real, de 9,2% entre 2009 e 2013, pode ter contribuído para a leve redução na taxa de participação, que é dada pela razão entre a População Economicamente Ativa (PEA) e a PIA, passando de 60,5% para 59,9% no mesmo período. Como esse indicador representa a proporção de pessoas incorporadas ao mercado de trabalho, torna-se clara a redução da oferta de trabalho.

Um ponto que tem sido visto como capaz de reverter o quadro de baixo crescimento econômico concomitante ao baixo desemprego é o aumento da capacidade produtiva dos trabalhadores, vinculada ao nível de escolaridade da população. Isto é, o retorno econômico da educação dos trabalhadores mais qualificados tende a ser maior e a contribuir para o crescimento econômico sustentado do produto da economia. Porém, no Brasil, é reconhecido que o gap educacional é elevado e traz empecilhos ao crescimento sustentado da economia. Além disso, a rotatividade é alta e tende a diminuir a obtenção de experiência geral e específica de trabalho.

Contudo esses são temas complexos que envolvem a necessidade de reformas estruturais no País, as quais necessitamde um prazo mais longo para serem concretizadas. Apesar da manutenção dos resultados satisfatórios no mercado de trabalho, sinais de arrefecimento vêm sendo notados, tornando-se um ponto de incerteza no curto prazo.

Oferta de trabalho e crescimento econômico

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Análise do mercado de trabalho da RMPA em 2012 e 2013

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Edição: Ano 23 nº 03 – 2014

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O indicador mais utilizado para avaliar o mercado de trabalho é a taxa de desemprego (TD). Quando a TD é baixa, o mercado de trabalho passa por um bom momento, ao contrário de quando ela aumenta. O desempenho do mercado de trabalho pode ser mais bem avaliado utilizando-se o diagrama de fases (figura), no qual é colocada a TD no eixo vertical e a taxa de participação (TP) no eixo horizontal. A TP indica a proporção de pessoas de 10 anos ou mais incorporadas ao mercado de trabalho como ocupadas ou desempregadas. Sendo assim, são formados quatro quadrantes, que representam diferentes fases do mercado de trabalho. No Quadrante I, o mercado de trabalho está em uma situação desconfortável, com um desempenho aquém do aceitável (a TD é alta, e a TP é baixa), refletindo uma limitação na geração de empregos. No Quadrante IV, o mercado está em uma situação confortável (a TD é inferior à média mensal de 2012 e 2013, e a TP é superior à média), o que significa que se está criando empregos. Nos Quadrantes II e III, o diagnóstico é incerto, pois ou o mercado está tendo uma performance inferior à necessária (Quadrante II), ou em condições, do lado da oferta, mais favoráveis do que o normal (Quadrante III).

Conforme os resultados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre, a TD média ficou em 7,0% em 2012 e 6,4% em 2013, as mais baixas de toda a série da pesquisa. Porém, observando-se o diagrama de fases, nota-se que, em praticamente todos os meses, as combinações TD e TP ficam nos Quadrantes III e II, com concentração mais intensa no III. No período recente, tem-se questionado por que a TD vem decrescendo, uma vez que, desde 2011, está desacelerando o ritmo de criação de ocupações (ver Carta de Conjuntura, ano 23, n. 1). Dentre as possíveis causas, têm sido citados: o declínio do crescimento da força de trabalho, a redução do crescimento da População em Idade Ativa e o aumento da proporção de jovens que somente estuda. Porém, no ano de 2014, essa situação poderá alterar-se, dado que a possível desaceleração da atividade econômica, ou mesmo a sua redução, forçaria a entrada de pessoas no mercado de trabalho. Se, em tal contexto, a geração de postos de trabalho for insuficiente, gerar- -se-á um deslocamento para os Quadrantes I ou II, que denotam situações menos favoráveis no mercado de trabalho.

Análise do mercado de trabalho da RMPA em 2012 e 2013

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Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre, em 2012

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Edição: Ano 22 nº 03 - 2013

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O ano de 2012 evidenciou continuidade no processo iniciado em 2004 de redução do desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), ainda que em ritmo menos intenso do que o verificado em 2011, conforme mostram os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Nesse sentido, a taxa de desemprego total declinou de 7,3% da População Economicamente Ativa (PEA) em 2011 para 7,0% em 2012, atingindo o menor patamar da série histórica da Pesquisa, cuja primeira média anual é a de 1993. O contingente de ocupados elevou-se em 13 mil pessoas, número superior ao de indivíduos que ingressaram no mercado de trabalho (8 mil), o que proporcionou a queda do desemprego. Esse comportamento do desemprego pode ser considerado razoável, pois o Rio Grande do Sul apresentou retração em seu nível de atividade econômica, em 2012: a variação acumulada do PIB do Estado até o terceiro trimestre frente a igual período de 2011 foi de -2,1%.

Decompondo-se o desemprego por tipo, constata-se que foi mais intenso o ritmo de redução da taxa de desemprego oculto (-9,1%) em comparação ao da taxa de desemprego aberto (-3,2%). Essa é uma tendência que vem ocorrendo ao longo do período 2001-11, e a mesma pode ser interpretada como uma expressão do processo de estruturação do mercado de trabalho regional: em um contexto de criação de empregos formais, de redução da incidência do desemprego e de melhora das condições de acesso ao seguro-desemprego, cada vez mais há diminuição da proporção de pessoas que precisaram recorrer a trabalhos precários para sobreviverem ou que se encontravam desalentadas. A esse respeito, as pessoas em desemprego oculto passaram a representar 15,0% do estoque total de desempregados da RMPA em 2012, proporção que havia sido de 35,3% em 2001.

Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre, em 2012

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A resistência do emprego formal e o baixo crescimento econômico

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Edição: Ano 22 nº 01 - 2013

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A economia brasileira parece viver uma contradição evidenciada pelo descolamento entre o comportamento da atividade econômica e o do mercado de trabalho. Enquanto o crescimento do PIB no Brasil foi de 2,7% no ano passado e de 0,7% no acumulado de 2012 até setembro frente a igual período de 2011, o emprego formal cresceu 5,5% em 2011 e 4,5% em 2012 até outubro. Embora o desempenho recente do mercado de trabalho já apresente uma significativa inflexão em relação a 2010, ano recorde na geração de empregos formais no País, está bem acima do que se esperaria em umaconjuntura de acentuada desaceleração da atividade econômica. Mesmo que a geração líquida de postos de trabalho em 2012 (1.688.845) seja o segundo pior resultado desde 2006, o número ainda é promissor. O resultado do mês de outubro desse ano, no entanto, já desperta preocupação, com um saldo apenas 0,2% maior do que o de setembro equase 50% menor do que o do mesmo mês do ano anterior, observando-se expansão do emprego em relação ao mês anterior em três setores — Comércio, Serviços e Indústria de Transformação.

No Rio Grande do Sul, os desempenhos, que são muito próximos em 2011 — o PIB cresceu 5,7%, e o emprego formal, 5,2% —, distanciam-se em 2012 — o PIB teve uma redução de 2,1% no acumulado até setembro, e o nível de emprego, um incremento de 3,6% até outubro. A expansão do mercado de trabalho em 2012 também fica aquém à do mesmo período de 2011 (-30%), observando-se, no mês de outubro, uma variação de 0,4% frente a setembro e de -32,2% na comparação com o mesmo mês de 2011.

Dentre as várias interpretações que vêm sendo debatidas acerca desse contraste entre nível de atividade e nível de emprego, uma é especialmente delicada: a de que, diante dos altos custos de demissão e de contratação, as empresas estariam retendo os empregados, acreditando que a desaceleração seja temporária. Se isso se confirmar, o risco é o de uma reversão rápida e brusca, caso as empresas desistam de esperar pela recuperação da economia.

A resistência do emprego formal e o baixo crescimento econômico

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Censo de 2010 consolida transformações positivas para o mercado de trabalho

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Edição: Ano 21 nº 06 - 2012

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A recente divulgação dos dados da amostra do Censo Demográfico 2010 convoca para o exame das mudanças pelas quais passou a sociedade brasileira na primeira década deste século. Do ponto de vista do mercado de trabalho, uma primeira análise dos indicadores confirma, tanto em escala nacional quanto estadual, movimentos de apreciável intensidade, os quais têm um sentido positivo de reversão parcial de históricas insuficiências e precariedades.

Primeiramente, constata-se que, no intervalo intercensitário, a população em idade ativa (PIA) expandiu-se bem mais do que a população total (18,3% versus 12,3% no País; 10,5% contra 5,0% no Rio Grande do Sul), demonstrando que a transição demográfica se encontra em uma etapa em que o mercado de trabalho segue sofrendo crescente pressão de oferta potencial de mão de obra. Pelo lado da taxa de participação, não houve arrefecimento; ao contrário, o percentual de indivíduos em idade ativa que efetivamente participam do mercado de trabalho elevou-se um pouco em ambos os recortes territoriais.

Ainda assim, as taxas de desocupação despencaram. O mercado de trabalho gaúcho não só manteve como ampliou sua vantagem, nesse aspecto, frente ao agregado do País.

O peso que o trabalho agropecuário já teve, no sentido de ocupar uma força de trabalho de que a economia urbana não necessitaria, deu mais um passo em seu histórico recuo.

A forma mais típica de inserção no mercado de trabalho, o emprego, mostrou uma considerável expansão, ao mesmo tempo em que se estendia a formalização dos vínculos de assalariamento. Tanto no País quanto, de modo mais acentuado, no Estado, aumentou a participação dos empregados no conjunto dos ocupados, ao passo que a ausência de registro em carteira decresceu sensivelmente em ambos os casos (mais, proporcionalmente, no nível nacional, mantendo-se, todavia, o diferencial a favor do Rio Grande do Sul nesse quesito).

Merece também registro o fato de que os avanços que vêm sendo divulgados na órbita dos rendimentos não estão associados a uma intensificação do trabalho. Na verdade, o percentual de pessoas que dedicam mais de 44 horas por semana ao conjunto de seus trabalhos sofreu uma pronunciada retração.

Estudos sobre a sustentabilidade desses movimentos são necessários e bem-vindos, mas o saldo da década é, inequivocamente, positivo, como há muito não se via.

Censo de 2010 consolida transformações positivas para o mercado de trabalho

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Seguro-desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre

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Edição: Ano 20 nº 12 - 2011

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A partir de 2006, observa-se um aumento no percentual dos trabalhadores desempregados que recebem seguro-desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre. Enquanto, no biênio 2006-07, esse percentual foi de 6,6%, em 2010-11 (até agosto), foi de 8,1%.

A comparação dos desempregados com o subconjunto dos recebedores de seguro-desemprego no biênio 2010-11 mostra que a maior proporção é egressa do setor industrial. Os que tiveram o último emprego na indústria representam 14,8% do conjunto dos desempregados e 26,0% do subconjunto dos recebedores.

A política de seguro-desemprego propicia melhores condições econômicas aos beneficiários relativamente ao conjunto dos desempregados. Enquanto 45,9% dos desempregados recebem até dois salários mínimos de renda familiar, apenas 26,1% dos que recebem o seguro estão nessa faixa de renda. Por outro lado, 57,7% dos recebedores estão na faixa de renda familiar entre dois e cinco salários mínimos.

Os recebedores são em maior proporção homens — 58,8% em comparação com 44,2% dos desempregados. Cerca de 47,0% são chefes de domicílio, contra 26,1% dos desempregados. Esses dados indicam que a política de concessão de seguro- desemprego está direcionada aos desempregados com maiores chances de melhor inserção no mercado de trabalho.

Seguro-desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre

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Desemprego em Porto Alegre, na primeira década do século XXI

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Edição: Ano 20 nº 11 - 2011

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A trajetória da taxa de desemprego total em Porto Alegre, na primeira década do século XXI, de acordo com os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), foi de declínio em 2001, quando se situou em 13,9%, e de elevação no período 2002-05, tendo, logo após, ingressado em um processo de redução, atingindo 7,7% em 2010. Para a queda da incidência do desemprego, concorreu a melhor performance da economia brasileira em termos de taxas de crescimento do produto, no período de 2004 ao terceiro trimestre de 2008, assim como em 2010.

Constata-se que tanto a taxa de desemprego aberto quanto a taxa de desemprego oculto evidenciaram retração em Porto Alegre, na comparação de 2001 com 2010. Todavia o ritmo de queda do componente oculto foi mais acelerado, o que fez com que ocorresse uma grande mudança na composição do estoque de desempregados, no sentido de que se reduziu a parcela relativa de trabalhadores em desemprego oculto, em comparação à daqueles em desemprego aberto. A interpretação proposta dessa mudança está associada ao ritmo de criação de oportunidades ocupacionais no Município, principalmente de empregos com carteira de trabalho assinada, o que favoreceu uma melhor estruturação do mercado de trabalho. Em tal ambiente, é provável que maior proporção de desempregados reúna as condições de acesso ao Seguro-Desemprego, podendo passar a conviver, pelo menos durante certo tempo, com a situação de desemprego aberto. A isso, adicione- se que melhores perspectivas ocupacionais exercem efeitos positivos sobre os indivíduos em atividades precárias ou em desemprego oculto pelo desalento, contribuindo para afastá-los dessas situações no mercado de trabalho.

Desemprego em Porto Alegre, na primeira década do século XXI

De acordo com o recorte por sexo, a trajetória do desemprego em Porto Alegre foi mais favorável às mulheres, com uma queda mais acelerada da sua incidência, o que contribuiu para a redução da parcela relativa de mulheres no estoque total de desempregados, na comparação de 2001 com 2010. Conforme a idade, o ritmo de retração da incidência do desemprego foi mais intenso para os trabalhadores maduros de 40 anos e mais; os adultos de 25 a 39 anos foram os que evidenciaram menor ritmo de redução na taxa de desemprego, o que é o principal fator explicativo para o aumento da sua proporção no estoque total de desempregados; quanto aos jovens de 16 a 24 anos, estes apresentaram ritmo de queda na incidência do desemprego inferior à média do mercado de trabalho; nesse caso, a diminuição da sua parcela relativa no estoque total de desempregados está associada a fatores que operaram pelo lado da oferta de trabalho, como o seu peso na População em Idade Ativa (PIA) do Município — que corresponde aos indivíduos com 10 anos e mais —, que se contraiu no período.

Por raça/cor, a evolução do desemprego foi mais satisfatória para a população não branca, devido ao ritmo mais acelerado de retração da taxa de desemprego nesse grupo, assim como pela diminuição do seu peso relativo no estoque total de desempregados. Essas evidências sugerem uma redução da desvantagem da população não branca em sua inserção no mercado de trabalho do Município, no período em análise.

Sob o recorte escolaridade, a análise revela que a incidência do desemprego reduziu-se de forma mais intensa para os indivíduos com fundamental incompleto, em aparente paradoxo, assumindo-se que se está diante de um mercado de trabalho mais seletivo em termos de requisitos de educação formal. A par desse aspecto, ocorreu uma contração do seu peso relativo no estoque total de desempregados de Porto Alegre, ao se comparar 2001 com 2010. Para essa última mudança, também incidiu um fator que operou pelo lado da oferta de trabalho, pois houve retração do peso relativo desse segmento com menos escolaridade na PIA do Município. Já a faixa de escolaridade médio completo a superior incompleto foi aquela que se tornou majoritária no estoque total de desempregados. Isso se deveu tanto à redução menos acelerada da incidência do desemprego sobre esse segmento quanto à expansão de sua proporção na PIA de Porto Alegre.

Desemprego em Porto Alegre, na primeira década do século XXI 2

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Mercado de trabalho da RMPA: rumo ao Trabalho Decente?

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Edição: Ano 20 nº 08 - 2011

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Trabalho Decente é um conceito desenvolvido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), ao final dos anos 90, com o objetivo de promover oportunidades para homens e mulheres obterem um trabalho produtivo, em condições de liberdade, equidade, segurança e diálogo social, com respeito aos direitos no trabalho e combate a todas as formas de discriminação. Propunha-se ser, à época, uma forma de contra-arrestar os efeitos nocivos sobre o mercado de trabalho — em especial, a precarização das condições de inserção ocupacional e o desemprego — decorrentes da crise do capitalismo, em um contexto de globalização, reestruturação produtiva e adoção de políticas de corte neoliberal. Nesse contexto, o Brasil lançou, em 2006, a Agenda Nacional do Trabalho Decente. Em período recente, com a crise econômico- -financeira e seus impactos negativos sobre os trabalhadores, esse conceito adquire relevância especial, reforçando a premissa da OIT de que a promoção do Trabalho Decente deve ter um lugar central, e não residual, nas estratégias de desenvolvimento dos países, no sentido de superar os déficits de Trabalho Decente existentes. Com isso, reafirma-se a centralidade do trabalho em nossas sociedades, à medida que, além de assegurar o sustento da vida material, o trabalho significa também integração social, identidade e dignidade pessoal.

Sob esse enfoque, a análise do mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), a partir da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMPA), mostra uma precarização do trabalho nos anos 90, com ampliação dos déficits de Trabalho Decente na Região, e uma evolução favorável na primeira década deste século, na qual os indicadores do mercado de trabalho acusaram significativa melhora. De fato, nessa década, registrou-se queda da taxa de desemprego, que passou de 19,0% em 1999 para 8,7% em 2010 — a mais baixa da série histórica da Pesquisa —, e redução da taxa de informalidade (de 29,3% para 23,1% do total de trabalhadores respectivamente). De modo inverso, houve crescimento expressivo do emprego assalariado com carteira assinada no setor privado (do total de 504 mil postos de trabalho gerados no período, 304 mil, ou 68%, foram nessa modalidade), ampliação da proteção social aos trabalhadores (a parcela com contribuição à Previdência Social passou de 70,7% em 1999 para 76,9% em 2010) e recuperação do valor do rendimento médio real, com diminuição dos diferenciais de rendimentos entre homens e mulheres.

Todavia perduram déficits de Trabalho Decente, muitos deles decorrentes de traços estruturais, aos quais se somaramaspectos vinculados às características do mercado de trabalho contemporâneo, cabendo destaque a situações como: elevada parcela de trabalhadores em condições de inserção precária, especialmente aqueles com maior grau de exclusão do sistema de proteção social (assalariados sem carteira de trabalho, empregados domésticos e autônomos, com maior incidência entre jovens e negros); taxas de desemprego relativamente elevadas, apesar da trajetória de queda desse indicador, sendo mais acentuadas entre os jovens e as mulheres; desigualdades de inserção no mercado de trabalho — muitas das quais têm origem em outros âmbitos, pois se encontram enraizadas em fatores socioculturais —, em que se sobressai a condição das mulheres, dos jovens e dos negros como os grupos mais vulneráveis, dado que são mais expostos aos riscos do mercado de trabalho (taxas de desemprego mais elevadas, menor vinculação ao sistema de proteção social, menores níveis de rendimento do trabalho e tempo médio de permanência na ocupação mais reduzido). Por conseguinte, a promoção do Trabalho Decente coloca-se como imperativo no sentido de garantir e ampliar possibilidades de inclusão social pela via do trabalho.

Mercado de trabalho da RMPA rumo

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Desempenho do mercado de trabalho na RMPA, em 2010

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Edição: Ano 20 nº 01 - 2011

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O desempenho do mercado de trabalho na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) apresentou uma boa performance durante o período jan.-nov./10, tomando-se como base os principais indicadores da Pesquisa de Emprego e Desemprego da RMPA. Objetivando-se balizar a evolução dos indicadores, faz-se uma comparação com o mesmo período de 2009. O bom desempenho foi decorrente do aumento do número de postos de trabalho na Região, que determinou a queda da taxa de desemprego, tornando-a a menor para esse período em toda a série histórica da Pesquisa. A taxa de desemprego total média alcançou 8,9% da População Economicamente Ativa, apresentando expressiva queda em relação aos 11,4% registrados no mesmo período de 2009. O número médio de desempregados reduziu-se em 49 mil indivíduos, em decorrência da geração de 57 mil ocupações, que superou o ingresso de 8 mil trabalhadores na força de trabalho metropolitana. A expansão do nível ocupacional mostrou-se generalizada nos principais setores de atividade econômica, cabendo destacar-se o desempenho observado em serviços, que teve uma ampliação de 32 mil pessoas no seu contingente de ocupados. A indústria de transformação teve uma expansão de 12 mil postos, a construção civil, de 10 mil; e o comércio, de 6 mil. Com relação à forma de inserção no mercado de trabalho, cabe destaque à expansão do emprego no setor privado, com a criação de 54 mil postos com carteira de trabalho assinada. Os rendimentos médios reais do trabalho, no período jan.-out./10, elevaram-se em 2,6% para os ocupados e em 1,2% para os assalariados, na comparação com o mesmo período de 2009.

Desempenho do mercado de trabalho na RMPA, em 2010

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