Textos com assunto: máquina agrícola

Produção e vendas de máquinas agrícolas em 2014: um ano de ajuste

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Edição: Ano 23 nº 10 – 2014

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Depois de 2013, ano de resultados excepcionais, quando o número de máquinas agrícolas — tratores, cultivadores e colheitadeiras — negociadas no Brasil atingiu seu recorde histórico, essa indústria vem apresentando dificuldades em manter o mesmo ritmo de crescimento. Isso porque, em 2014, não se reproduzem os elementos que caracterizaram o quadro favorável para o desempenho desse setor em 2013, quais sejam: preços das commodities majorados no mercado internacional, juros mais baixos do Programa de Sustentabilidade do Investimento (PSI) no último quadrimestre do ano (2,5% a.a.) e ampliada capitalização do produtor com lucratividade em alta.

É importante salientar-se, contudo, que as taxas negativas dos primeiros oito meses de 2014 em relação a igual período do ano anterior não chegam a preocupar. Se comparado com igual período de 2011 e 2012, o número de unidades vendidas e produzidas mostrou inclusive crescimento, refletindo, na realidade, um retorno à normalidade. Apenas as exportações mantiveram uma trajetória declinante, em grande parte decorrente das dificuldades vivenciadas pela Argentina, que vem impondo restrições crescentes à importação de máquinas agrícolas brasileiras, atingindo especialmente o RS, onde se localiza o maior parque industrial produtor desses bens (43,7% da produção do País). Acrescente-se a isso o encolhimento desse mercado para o produto nacional, em razão da instalação e/ou expansão de plantas de empresas como a AGCO, a John Deere e a New Holland em solo argentino.

As perspectivas para o restante do ano e também para 2015 são de relativa manutenção do quadro atual. No âmbito internacional, destaca-se a desaceleração dos preços das commodities,influenciada pela estimada supersafra mundial de soja. Internamente, têm-se juros mais elevados (4,5% a.a.) do PSI. Por outro lado, contudo, a ampliação do crédito, anunciada para 2015, inclusive com a reativação do Moderfrota, deverá contribuir para a realização de novos investimentos e lançamento de novos produtos.

Produção e vendas de máquinas

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Expointer reflete avanço do agronegócio no Brasil

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Edição: Ano 21 nº 10 - 2012

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Os recordes de comercialização de máquinas agrícolas alcançados durante a Expointer refletem as mudanças que atravessa o campo brasileiro desde a última década. Durante a Feira, foram vendidas 6.550 unidades de máquinas agrícolas, correspondentes a R$ 2,02 bilhões e a um crescimento de 146% em relação a 2011. No caso das máquinas produzidas no Estado, o atendimento dessas encomendas levará à ampliação da utilização da capacidade instalada, pelo menos até o mês de fevereiro, e à provável contratação de até 15 mil trabalhadores (Sindicato das Indústrias de Máquinas e Equipamentos Agrícolas do RS-SIMERS). Cabe destacar o aumento da demanda por equipamentos para irrigação e por máquinas para agricultura de precisão — estas apresentando vantagens quanto ao menor porte e maior adequabilidade às alterações climáticas, cada vez mais frequentes.

Para o RS, um dos principais produtores brasileiros de máquinas agrícolas, essas vendas trouxeram um pouco de otimismo, tendo em vista a queda das encomendas verificada nos meses anteriores. Tais perdas decorreram das fortes secas que assolaram o Estado durante a safra 2011/2012 e que afetaram sobremaneira o desempenho da economia gaúcha no primeiro semestre do ano em curso. No Brasil, a venda de equipamentos para a agricultura e a expansão do agronegócio já vem se constituindo num dos principais fatores de crescimento do PIB, sendo que as vendas registradas na Expointer apenas reforçam essa tendência ascendente. Em 2011, a participação do agronegócio no PIB brasileiro atingiu 22,5% contra 21,8% em 2010 (CEPEA/USP).

De fato, à ampliação da venda de máquinas agrícolas pode se acrescentar a compra de terras por grandes multinacionais e as previsões de construção de equipamentos de silos e armazéns, dentre outros. Essa conclusão é confirmada pelas informações relativas à produção brasileira de bens de capital, onde se observa que, dentre os principais segmentos que compõem o setor, o de bens de capital para agricultura foi o que obteve os melhores resultados. Conforme o acumulado de 12 meses até jul./12, em relação a igual período do ano anterior, a produção de máquinas agrícolas cresceu 5,5%, enquanto a indústria de bens de capital como um todo sofreu uma queda de 6,6%. Nesse caso, é importante observar que a produção de peças para máquinas agrícolas reduziu-se em 15,2% (PIM/IBGE), revelando a significativa utilização de componentes e peças importadas. É provável, portanto, que o aumento da produção não esteja gerando efeitos positivos sobre a difusão de tecnologia, nem a geração de novas atividades no interior dessa cadeia produtiva, no Brasil.

Outro elemento a ser destacado se refere ao fato de que os equipamentos comercializados na Expointer não são oriundos apenas do RS, nem estão voltados somente para o agronegócio estadual, embora seja indiscutível que, no curto prazo, essas vendas terão efeitos positivos sobre a produção tanto estadual quanto nacional desses bens. A queda da taxa de juros da economia contribuiu significativamente para o financiamento da aquisição de equipamentos. Destacam-se a redução das taxas cobradas nos financiamentos do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e, principalmente, do Programa Moderfrota. Ademais, a expansão da renda dos produtores rurais, decorrente da elevação dos preços dos produtos agrícolas no mercado mundial, está sendo um fator decisivo no aquecimento da demanda interna por máquinas agrícolas.

No que tange às tendências de longo prazo, faz-se necessário efetuar algumas reflexões sobre a orientação dos investimentos internacionais nesse domínio. A economia brasileira vem se afirmando como fornecedora mundial de commodities agrícolas e agroindustriais e, por essa razão, atraindo um grande volume de investimentos para essas atividades. Nota-se que esse movimento tem favorecido a ampliação da capacidade produtiva de máquinas agrícolas no Centro-Oeste, em São Paulo e no Paraná. No RS, ao contrário, há uma tendência de saída e/ou desativação de algumas unidades produtivas. É o caso da John Deere e da AGCO, que estão abrindo novas fábricas na Argentina e desativando parte da produção do RS, devido às barreiras comerciais estabelecidas por aquele País.

A expansão do agronegócio, da forma como vem se configurando no Brasil, se afirma há pelo menos uma década e vem contando com forte apoio governamental. Essa aprovação se manifesta também através das políticas de melhoramento da infraestrutura, contidas nas obras do PAC, e de alteração da legislação ambiental, como é o caso do controvertido novo código florestal. Um dos objetivos dessas políticas é melhorar as condições para a expansão da monocultura exportadora, para a produção de etanol e de matérias-primas agroindustriais (como é o caso da celulose).

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