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A especialização das exportações gaúchas

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Edição: Ano 17 nº 08 - 2008

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A FEE vem estudando as alterações na pauta de exportação gaúcha e utilizou uma metodologia da OCDE para a classificação dos produtos exportados, que foram divididos em quatro grupos, a saber: os intensivos em recursos naturais, os intensivos em trabalho, os baseados em escala e os intensivos em tecnologia diferenciada e baseados em ciência. Foram selecionados, ano a ano, entre 1989 e 2007, os 20 principais capítulos da pauta exportadora do Rio Grande do Sul, que representaram cerca de 90% das exportações totais do Estado. Posteriormente, cada capítulo foi agrupado de acordo com a classificação acima exposta. Assim, por exemplo, os capítulos de complexo soja, fumo e carnes, dentre outros, foram classificados em recursos naturais; os de calçados, couros e móveis, em trabalho; os de plásticos, borracha e veículos, em escala; e os de máquinas e aparelhos elétricos e de armas e munições, em tecnologia diferenciada. O gráfico traz a participação percentual de cada grupo no valor total das exportações, em dólares, dos 20 principais capítulos de cada ano.

Os produtos intensivos em recursos naturais iniciaram o período com 48% e findaram com 54%, apresentando uma participação média anual de 45%. Já os intensivos em trabalho começaram com uma participação de 34% e terminaram com uma de 17% e uma média de 31%. O grupo de produtos intensivos em escala saltou de 12% para 20%, sendo sua média de 16%. A participação dos intensivos em tecnologia diferenciada começou com 5% e terminou com 9%, próximo à sua participação média, que alcançou 8%. A visualização do gráfico permite diversas ilações. Vamo-nos deter em uma: em 2000, os intensivos em recursos naturais e os intensivos em trabalho estavam virtualmente “empatados”. A partir daí, assumiram trajetórias diametralmente opostas. Essa tendência vai-se manter?

A redução da participação dos produtos intensivos em trabalho — basicamente calçados, a principal mercadoria desse grupo — iniciou com a perda de competitividade dos produtores locais, devido ao custo de sua mão-de-obra vis-à-vis ao de outros países emergentes. Essa perda se acelerou com a valorização continuada do real a partir do início de 2003. Esses problemas relativos à mão-de-obra e ao câmbio continuam presentes. O custo da mão-de-obra não pode ser revertido, mas, quem sabe, uma desvalorização cambial associada à agregação de valor ao produto final possa, ao menos, estancar a tendência de queda.

Quanto aos intensivos em recursos naturais, basicamente commodities agrícolas, a demanda da China e de outros emergentes, a alta do preço do petróleo, o crescimento da produção de biocombustíveis e a própria desvalorização do dólar são fatores que indicam, no mínimo, a manutenção de seus preços nos níveis atuais. Contra isso, estariam a desaceleração da economia norte-americana e, principalmente, seus reflexos sobre as demais economias do planeta. Resta ainda uma incógnita: os movimentos do capital financeiro. Nos últimos anos, diferentes fundos de investimento têm especulado no mercado futuro de commodities agrícolas, o que “inflou” sobremaneira seus preços. Uma retirada de recursos desse mercado, mesmo que parcial, causaria um impacto bastante forte nos preços dos produtos intensivos em recursos naturais.

A especialização das exportações gaúchas

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