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Câncer de mama: mortalidade e fatores associados à não realização da mamografia

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Edição: Ano 25 nº 02 – 2016

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Face à atual transição demográfica e epidemiológica pela qual o Brasil e seus estados vêm passando, algumas modificações têm ocorrido no perfil de saúde-doença da população brasileira, como o aumento da expectativa de vida e a diminuição de doenças infecciosas e parasitárias enquanto principais causas de mortalidade. Por outro lado, doenças crônicas não transmissíveis passam a se destacar, como, por exemplo, as neoplasias (tumores). No Rio Grande do Sul, as neoplasias são a segunda maior causa de óbito nos últimos anos, segundo dados do Ministério da Saúde (MS): a proporção entre os óbitos encontra-se em ascendência no Estado, passando de 19,2% em 2001 para 21,5% em 2013, representando uma elevação de 12,1% no período analisado. Entre as mulheres com idade superior a 20 anos, os cânceres dos órgãos digestivos e do aparelho respiratório representam 32,4% e 15,2% dos óbitos por neoplasias, respectivamente. O câncer de mama, por sua vez, é a terceira maior causa de óbitos entre as neoplasias femininas, representando 14,9% das mortes por neoplasias e 3,2% de todos os óbitos femininos.

O estado gaúcho possui a terceira maior taxa de óbitos por câncer de mama entre as mulheres com mais de 20 anos no Brasil; a taxa mais alta ocorre no Distrito Federal, e a segunda mais alta, no Rio de Janeiro. Essa taxa aumentou aproximadamente 13%, passando de 25,1 óbitos por 100.000 mulheres em 2001 para 28,5 óbitos por 100.000 mulheres em 2013. Conforme informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), diversos fatores estão relacionados ao risco de se desenvolver o câncer de mama, tais como: fatores endócrinos, comportamentais e/ou ambientais (incluem ingestão de bebida alcoólica, sobrepeso e obesidade após a menopausa, dentre outros), genéticos, história reprodutiva e idade. Caracteriza-se como uma doença de difícil prevenção, especialmente devido à alta associação a fatores não modificáveis, como os fatores genéticos, e, por isso, ressalta-se a importância de um diagnóstico precoce, que possibilite maiores chances de cura. Além disso, é fundamental monitorar a adesão das mulheres ao exame de mamografia, visto que o impacto do rastreamento na redução da mortalidade por câncer de mama depende diretamente da cobertura da população-alvo.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente o exame de mamografia para as mulheres brasileiras em todas as faixas etárias. As taxas de óbitos por câncer de mama aumentam conforme a idade. No Rio Grande do Sul, em 2013, essas taxas (expressas por 100.000 mulheres) foram as seguintes: em mulheres de 20 a 29 anos, foi de 1 óbito/100.000; de 30 a 49 anos, 11,6 óbitos; de 50 a 69 anos, 45,9 óbitos; e, em mulheres com 70 anos ou mais, 94,3 óbitos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu como prioritária a faixa dos 50 aos 69 anos para a realização do exame preventivo do câncer de mama. Essa resolução é aplicada pelo Ministério da Saúde, o qual se baseia, também, em estudos que comprovam maior incidência da doença e, ainda, maior eficiência do exame nesse público-alvo. Para essa faixa etária, o MS recomenda a realização de mamografia a cada dois anos, baseando-se em estudos que sugerem que esse tipo de rastreamento é responsável por reduzir em até 30% a mortalidade por câncer de mama, desde que seja alcançada cobertura de aproximadamente 70% da população-alvo.

A partir de dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) — lançada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013, em âmbito nacional, com base domiciliar e previsão de ocorrência a cada cinco anos —, é possível avaliar os fatores associados à realização ou não do exame preventivo em mulheres com idade entre 50 e 69 anos. No RS, a proporção de mulheres nessa faixa etária que nunca fizeram o exame de mamografia vem caindo, passando de 41,6% em 2003 para 22,7% em 2008 e atingindo 12,4% em 2013. Em comparação a outros estados brasileiros, o RS é o quarto com menor taxa de não realização desse exame, ficando atrás somente de São Paulo (9,2%), Espírito Santo (11,4%) e Distrito Federal (12,3%). Na PNS de 2013, estão disponíveis também alguns dados sociodemográficos dos entrevistados, bem como a variável “realização de mamografia nos últimos dois anos”. Essa pergunta permite verificar se os exames estão sendo feitos conforme o indicado pelo Ministério da Saúde. Verifica-se que, quanto menor o grau de instrução, maior a proporção de mulheres que não fizeram o exame no período indicado: o grupo com baixa escolaridade possui uma chance 4,3 vezes maior de não realizar o exame do que o grupo com mais de 12 anos de estudo. Evidencia-se, ainda, que morar em região rural, ter entre 60 e 69 anos e viver sem companheiro também são características associadas à não realização do exame. Nota-se que, apesar do decréscimo na proporção de mulheres que nunca realizaram a mamografia, as taxas de mortalidade por essa doença ainda são altas no Brasil. A partir desses resultados, ressalta-se a importância de campanhas que incentivem a realização de exames preventivos, como a mamografia, voltadas, especialmente, a grupos de mulheres de baixa escolaridade, residentes em zonas rurais.

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