Textos com assunto: Investimentos

Investimentos: a hora e a vez do Brasil

Por:

Edição: Ano 21 nº 05 - 2012

Área temática:

Assunto(s): , ,

Ampliação do mercado consumidor, incremento da renda, crescimento econômico, redução da taxa de juros, descoberta de recursos naturais, organização de eventos esportivos e visibilidade externa, esses são alguns dos elementos que descortinam a atração de capital e a edificação de inúmeros investimentos produtivos no País. Em meio a discussões sobre a fragilidade da indústria face à concorrência externa e a consequente penetração dos importados na cadeia produtiva, setores ganham musculatura, alentando, em certa medida, as perdas advindas da valorização cambial. Esse movimento consolida o Brasil como o quarto maior receptor de capital, rumando à segunda colocação.

Serão construídas, nos próximos anos, 12 novas montadoras de carros, e cinco das já existentes ampliarão sua capacidade produtiva. Três outras estudam uma eventual instalação. Erguem-se três fábricas de motores e/ou de transmissão. Tais empreendimentos representam mais de R$ 22 bilhões. Há, ainda, cinco novas fábricas de motos, sete de caminhões e três ampliações. No segmento de ônibus, surgem mais três parques fabris, e ocorre uma expansão. Quase em operação está uma montadora de carros militares. Em decorrência desses empreendimentos, o setor de autopeças investirá R$ 4,6 bilhões por ano até 2015.

O segmento petrolífero expande-se de uma forma sem precedentes. Estão sendo construídos dois novos complexos petroquímicos, duas refinarias de petróleo no Rio de Janeiro, uma em Pernambuco, uma no Ceará e uma no Maranhão, esta última será a maior da América Latina e a quinta maior do mundo. Está em negociação, ainda, outra refinaria também no Estado do Maranhão. Com o Pré-Sal, as grandes petrolíferas do mundo estão atentas à prospecção de petróleo brasileiro. Além dos encadeamentos nos estados citados, Bahia e São Paulo recebem novas empresas de derivados do petróleo. Os investimentos em toda a cadeia do petróleo podem passar de R$ 1,8 trilhão nos próximos anos.

Aliada à expansão petrolífera, a cadeia naval ganhou articulação e representatividade. Ainda nessa década, o setor aproximar-se-á da relevância atual das montadoras de veículos em termos de número de empregos. Além dos novos estaleiros em funcionamento, outros nove estão em vias de implantação. Como apêndice dos estaleiros, o setor de navipeças assiste a proliferação de seus negócios. Esse ramo produtivo movimenta as economias de Pernambuco, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Neste último estado, além de duas plantas inauguradas há pouco, três novos estaleiros estão em marcha.

Também no Rio de Janeiro, edifica-se o Complexo Industrial do Superporto do Açu. Nele, erguem-se um estaleiro, duas usinas termoelétricas, uma unidade de tratamento de petróleo, duas siderúrgicas e duas cimenteiras. Há previsão de se instalarem lá indústrias de autopeças, de cerâmicas e do setor automotivo. No total, o complexo representa mais de R$ 40 bilhões, consolidando-se como o maior investimento em infraestrutura portuária das Américas. Tal monta desencadeou o planejamento de uma nova cidade na região norte fluminense, objetivando acolher os trabalhadores que para lá migrarão. Outros portos também se desenvolvem, o de Santos mais do que duplicará sua capacidade até 2013.

A indústria de celulose igualmente se amplifica. Há uma perspectiva de investimentos de R$ 36 bilhões até 2020. Nesse montante, estão quatro novas fábricas e extensões de três plantas existentes.

Não pouco significativo é o anúncio do investimento de R$ 21,6 bilhões, em cinco anos, na fabricação de componentes eletrônicos e montagens de tablets e celulares, que atenderá às demandas interna e externa. Serão gerados 100 mil novos empregos diretos com esse investimento. Em decorrência, estão em fase de estudos ou instalação empresas de equipamentos eletrônicos, placas de silício, equipamentos digitais e semicondutores, material este que ainda não é produzido no Brasil.

Em face dessa variação de oferta à frente, o setor da construção civil vivencia expressiva dinamização. Estão em construção ou reforma 16 estádios pelo País, estradas estão sendo duplicadas, 13 aeroportos serão construídos ou estendidos, linhas de metrôs ampliam-se, e os empreendimentos imobiliários crescem significativamente, desde os residenciais até os investimentos em hotéis, que são atraídos pelos eventos esportivos. Em 2012, o Brasil foi considerado o segundo país mais atrativo para investimentos imobiliários, atrás dos Estados Unidos. São estimadas para este ano 600 mil novas unidades habitacionais financiadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Somem-se a isso, a construção da terceira maior hidrelétrica do mundo, a Belo Monte, além de outras quatro novas hidrelétricas, e os R$ 35 bilhões do trem-bala Rio de Janeiro-São Paulo. Em 2012, 43 shopping centers serão abertos no País. Esses empreendimentos trarão em torno de US$ 14 bilhões, em 2012, para o Brasil no setor de construção civil. Para atender a essa demanda, as construtoras e fabricantes de cimento estão estendendo sua capacidade de produção. Uma única empresa içará quatro novas fábricas de cimento.

Além dos investimentos de monta apresentados, outros de menor expressão estão sendo anunciados ou estão em análise, nos mais variados ramos. São exemplos de novos empreendimentos as inversões em biotecnologia, fármacos, energia nuclear, solar e eólica, mineração, fertilizantes, turbinas hidrelétricas, aerogeradores, elevadores, guindastes, pontes-rolantes, empilhadeiras, ferramentas, equipamentos médicos, equipamentos elétricos, telecomunicações, química, microesferas de vidro, embalagens, móveis, fibra de madeira, informática, lâmpadas LED, cosméticos, no setor financeiro, no setor de ensino, em centros de P&D, dentre outros.

Inequivocamente, a apreciação cambial dos últimos anos expõe a indústria brasileira, e diversos setores têm perdido espaço e representatividade, elemento que não pode ser ignorado. Contudo o cenário acima apresentado, somado à carência de crescimento dos países centrais, atrai inúmeras empresas. Em paralelo, a posição de destaque do Brasil na cena internacional e a sua consequente aparição geopolítica permitiram significativa visibilidade.

A despeito desses movimentos, três questões ficam no horizonte. Uma é se tais empreendimentos terão vigor suficiente para estender a participação do investimento no Produto e, ocorrendo isso, que componente do PIB reduzirá sua participação. A segunda é se esses investimentos serão capazes de dinamizar um crescimento robusto. E, por fim, como se dará a crescente penetração dos importados nessas inversões, particularmente nos setores mais expostos à concorrência advinda do câmbio, fator este limitador dos encadeamentos produtivos e dos efeitos sobre a renda.

Compartilhe

Investimentos no exterior de empresas gaúchas selecionadas

Por:

Edição: Ano 18 nº 05 - 2009

Área temática:

Assunto(s): , ,

Diversos fatores domésticos e externos influenciam a decisão de investir no exterior, tais como: participação das exportações no faturamento total da empresa, tipo de bem produzido (padronizado ou diferenciado), acesso aos insumos, pressão da concorrência nos mercados interno e externo, problemas de transporte e logística enfrentados na exportação. Além disso, o ambiente econômico nacional constitui um forte incentivo para a diversificação de riscos, já que a economia brasileira se caracteriza por flutuações conjunturais do nível de atividade que afetam as vendas no mercado interno. Do mesmo modo, o ambiente econômico e regulatório dos países receptores dos investimentos influencia a decisão de investir, quando o país-alvo apresenta potencial de crescimento do mercado e estabilidade das regras.

No Brasil, a relação entre o estoque do investimento direto no exterior (IDE) e o PIB ainda é muito baixa, não só quando comparada aos países em desenvolvimento da Ásia, mas também em relação a outros países da América do Sul, como Chile e Argentina. Contudo as mudanças ocorridas na economia do País com a estabilização econômica, a liberalização comercial, os acordos comerciais regionais e a redução do Risco-País, somadas à farta liquidez internacional, facilitaram o acesso ao financiamento externo.Conseqüentemente, surgiram novasoportunidades de negócios e aumentaram os IDEs de empresas brasileiras, incluindo os das gaúchas.

A necessidade de continuar crescendo incentivou os IDEs de empresas gaúchas, como a Gerdau e a Marcopolo, que já haviam conquistado parcela substancial do mercado brasileiro. Outro grupo de empresas investiu no exterior não só através da instalação de novas plantas industriais, mas também por meio da aquisição de plantas já existentes, abrindo escritórios comerciais (Lupatech), instalando centros de P&D, realizando parcerias para a transferência de tecnologia (Agrale, Artecola e Cinex), estabelecendo centros de distribuição e armazenagem (Agrale e Tramontina), ou negociando joint-ventures para a montagem de produtos no país de destino (Marcopolo e Randon).

Uma das principais características dos investimentos no exterior realizados recentemente por empresas gaúchas foi a maior diversificação de setores. A outra foi a expressiva quantidade de investimentos direcionados para a América Latina. Algumas delas concentraram todos seus investimentos nessa região, o que reforça a idéia de que as empresas tendem a dar os primeiros passos em mercados mais próximos em termos geográficos e culturais.

Investimentos no exterior de empresas

Compartilhe

O Rio Grande do Sul destaca-se em investimentos no agronegócio

Por:

Edição: Ano 13 nº 05 - 2004

Área temática:

Assunto(s): , ,

Os anúncios de investimentos em 2003 consolidados pelo BNDES, quando examinados por setor, projeto e unidade federativa, permitem observações interessantes. Uma delas é a de que os setores do agronegócio que vêm sendo altamente dinâmicos e agressivos com relação ao mercado externo e que passaram por um profundo processo de reestruturação patrimonial e internacionalização — soja, açúcar e álcool e bebidas — concentram 67% do volume de investimentos (soja e açúcar sozinhos respondem por 52% das decisões de investir). Além do mais, evidencia-se uma grande concentração de recursos em poucos projetos, pois 8,6% do total dos relacionados somam 35% dos investimentos anunciados.

Em termos espaciais, o Rio Grande do Sul concentra e divide com São Paulo as decisões de investir e lidera os megainvestimentos com projetos nas áreas de soja e bebidas. Na soja, trata-se de um grande investimento de multinacionais (consórcio Bunge/Dupont) para a expansão da produção de proteínas concentradas destinadas ao mercado internacional, produto da transformação industrial incomparavelmente mais nobre que o próprio óleo, cujas exportações brasileiras são praticamente realizadas pelo estado gaúcho. Não estaria havendo uma divisão regional do trabalho na cadeia da soja, no Brasil?

O Rio Grande do Sul destaca-se em investimentos no agronegócio

Compartilhe