Textos com assunto: investimento direto estrangeiro

Brasil segue atrativo mesmo com investimento estrangeiro em queda

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Edição: Ano 26 nº 7 – 2017

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No último dia 7 de junho, foi divulgado pela United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD) o mais completo relatório anual sobre investimento direto estrangeiro, o World Investment Report 2017. A publicação aponta que, no ano de 2016, o investimento direto registrou queda de 1,5% frente ao ano anterior, totalizando US$ 1,7 trilhão. Resultado ainda mais interessante aparece quando vemos que o total de investimento direto se encontra ainda abaixo daquele atingido em 2007, o qual segue sendo o ano onde esses fluxos de capital foram mais expressivos. Isso reforça a ideia da existência de uma relação forte entre fluxos financeiros e fluxos de investimento direto, estando esses normalmente associados, exclusivamente, às oportunidades de rentabilidade ofertadas ao “capital produtivo”. Passados 10 anos, o fato de o auge dos investimentos diretos ter sido atingido no ano anterior ao impacto da crise financeira mundial se constitui em evidência empírica dificilmente contestável quanto à intensidade dos laços existentes entre investimento direto e investimento financeiro.

Essa relação entre finanças e investimento direto transparece também no intenso movimento de fusões e aquisições, que elevaram o volume de investimentos diretos no exterior a partir da década de 90. Esses, no mais das vezes, representam movimentos de tripla motivação — de ganhos de participação de mercado, de aquisição de ativos estratégicos e de valorização patrimonial. O caráter especulativo característico da lógica financeira muitas vezes é determinante das decisões de fusões e aquisições, sendo essas impulsionadas por bancos de investimento e financiadas via mercado de capitais.

Assim, não necessariamente as fusões e as aquisições estão associadas ao aumento da capacidade produtiva e do nível de emprego nos países receptores. Essa característica é fonte de incontáveis equívocos no que se refere às análises quanto ao significado contemporâneo do investimento direto estrangeiro, o qual não se confunde, embora possa influenciar, com impactos sobre a formação bruta de capital ou sobre o nível de emprego nas economias hospedeiras. Em 2016, as fusões e as aquisições de empresas transfronteiras representaram cerca de 50% do total do investimento direto, totalizando US$ 868,64 bilhões, em alta de 18,1% frente ao ano anterior.

Após a crise financeira de 2007-08, o destino do investimento direto sofreu uma mutação, com os países em desenvolvimento ganhando espaço nesses fluxos. Com a redução da demanda atingindo principalmente os países desenvolvidos, impactados mais diretamente pela crise, os países em desenvolvimento tornaram-se relativamente mais atrativos aos investimentos estrangeiros, dado seu potencial de crescimento demográfico e de mercado. Na esteira desse processo, os investimentos estrangeiros destinados aos países da América Latina e do Caribe também ganharam participação. Entretanto, como não poderia deixar de ser, a crise econômica associada à queda no preço das commodities tem impactado negativamente o interesse das empresas estrangeiras pelos países da região, tendo o investimento direto entrante nos países latino-americanos recuado para US$ 142,07 bilhões em 2016, frente aos US$ 165,4 bilhões recebidos no ano anterior. Esse resultado demonstra a persistência de uma queda na atratividade da região iniciada em 2011, quando o investimento direto para a região atingiu US$ 193,65 bilhões. Assim, o investimento entrante apurado para 2016 representou apenas 73,4% daquele recebido em 2011. Brasil, México, Colômbia, Chile e Peru foram, pela ordem, os cinco países da região que mais receberam investimentos estrangeiros em 2016. É interessante ressaltar que a entrada de investimento direto no Brasil em 2016 foi equivalente àquela dos demais quatro países em conjunto.

A crise econômica e política que afeta o Brasil depois de 2015 tem impactado negativamente a entrada de investimentos estrangeiros no País. Em 2016, o total de investimentos diretos recebidos atingiu US$ 58,7 bilhões, uma queda de 8,7% em comparação com 2015. As aquisições com participação de estrangeiros atingiram US$, 9,5 bilhões no período, com uma alta expressiva em relação a 2015, quando somaram apenas US$ 1,6 bilhão. No caso brasileiro, o ano de maior recepção de investimento direto foi 2011, quando se atingiu um valor superior aos US$ 93 bilhões. Mesmo com essas quedas, podemos considerar o patamar de ingresso dos investimentos estrangeiros como historicamente elevado. O interesse das empresas estrangeiras por negócios no País, apesar de menor, dada a crise econômica que tem reduzido fortemente o PIB brasileiro nos últimos dois anos, tem-se mantido, em patamar relativamente alto, talvez ainda por reflexo de expectativas adquiridas devido ao crescimento do mercado brasileiro entre 2004 e 2013. A survey realizada com dirigentes de empresas multinacionais quanto aos locais preferidos para investimentos em 2017 coloca o Brasil ainda na sexta colocação entre os países que estão no radar da destinação de investimentos, atrás apenas dos EUA, China, Índia, Indonésia e Tailândia.

No entanto, a elevada incerteza política tem impactado a possibilidade de concretizar negócios no Brasil, em 2017. O quadro regulatório incerto em propostas que atingem o investimento estrangeiro mostra-se, sem aqui entrar no mérito, na retirada de urgência pelo Congresso Nacional do projeto que elimina as restrições à participação de empresas estrangeiras no setor aéreo. Na mesma situação, encontra-se o projeto que permite a possibilidade de compra de grandes lotes de terras por estrangeiros no País. As fusões e as aquisições com participação de capital externo também se encontram em compasso de espera. Segundo notícia veiculada pelo jornal Valor Econômico, a consultoria EY aponta que várias fusões e aquisições poderiam ser aceleradas caso houvesse uma estabilização na crise política. Neste ano, até abril, foram anunciadas 82 transações com participação estrangeira no País, o que representa uma redução de 15% quando comparadas ao mesmo período de 2016, conforme acompanhamento da consultoria Price Waterhouse and Coopers (PwC).

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Fluxos de entrada de investimentos diretos estrangeiros no Mundo

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Edição: Ano 25 nº 09 – 2016

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Conforme o relatório World Investment Report 2016 da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), os fluxos mundiais de investimentos diretos estrangeiros (IDEs) ocorridos em 2015 registraram uma elevação de 38% em relação a 2014 e atingiram o valor de US$ 1,76 trilhão. Em 2015, os países desenvolvidos receberam US$ 962 bilhões e voltaram à condição de principais receptores dos influxos globais (55%), posição que não ocupavam desde 2012. Na América do Norte, o principal responsável pela expansão são os Estados Unidos, que atingiram o primeiro lugar no ranking de países com os maiores fluxos de entrada de IDE. Os países europeus desenvolvidos também tiveram um crescimento significativo nos investimentos, pois receberam US$ 504 bilhões (um aumento de 65%), melhorando sua posição no ranking, o que acabou retratando a participação global desse grupo de países. O bom desempenho, no entanto, reflete um surto de fusões e aquisições entre países limítrofes, em grande escala liderado por empresas multinacionais e como parte de um movimento de reconfigurações corporativas, tanto por mudanças nas estruturas legais e de propriedade como pela tributação.

Em 2015, o ingresso de IDEs nos países em desenvolvimento, embora seja 9% superior ao fluxo recebido no ano anterior, apresenta diferenças no desempenho. A captação dos países em desenvolvimento da Ásia superou meio trilhão de dólares, porém ainda é concentrada na região do Leste e do Sudeste Asiático, que recebeu 83% do ingresso de investimentos do continente, dos quais 25 pontos percentuais correspondem à China. América Latina e Caribe tiveram queda de 2% nos fluxos de entrada. Esses fluxos representam apenas 9,5% dos investimentos mundiais, abaixo, portanto, do patamar anterior, de 13,3%, em 2014. Do mesmo modo, tanto a África quanto as economias em transição tiveram perdas de participação. Considerando-se mais especificamente os países dos BRICS, todos eles sofreram um rebaixamento de posição no ranking dos principais destinos de IDE em âmbito mundial. A China passou do 1.º para o 3.º lugar; o Brasil retrocedeu da 4.ª para a 8.ª posição; a Rússia, que já tinha sido rebaixada para a 16.ª posição em 2014, saiu do ranking dos 20 maiores receptores em 2015. A Índia manteve a 10.ª colocação em 2015, a mesma do ano anterior; e a África do Sul, fora do ranking, sofreu uma queda de 70% no ingresso de investimentos.

Os fluxos de IDEs para a América do Sul caíram 6% em 2015 e ficaram em US$ 121 bilhões, refletindo uma demanda doméstica contracionista e termos de troca mais desfavoráveis em decorrência da queda dos preços das commodities. Desse modo, o declínio dos preços das principais commodities de exportação levou à queda dos investimentos no setor extrativo da região e ocasionou a redução no reinvestimento de lucros.

Dentre os países da América Latina e do Caribe, o Brasil foi o principal receptor de investimentos em 2015, recebendo 38,5% do total dos fluxos. Todavia, os IDEs para o País apresentaram queda de 12% em relação ao ano anterior. Essa contração pode ser atribuída à recessão e ao declínio dos lucros corporativos, que, por sua vez, levaram a uma redução de 14% nos lucros reinvestidos. No mesmo ano, a formação bruta de capital fixo brasileira teve um declínio de 14% em termos reais.

Os setores que mais atraíram investimentos para o Brasil em 2015 foram: comércio (US$ 5,5 bilhões), extração de petróleo e gás natural (US$ 4,6 bilhões), telecomunicações (US$ 4,6 bilhões), indústria automobilística (US$ 4,5 bilhões) e energia (US$ 3,9 bilhões). Alguns fatores contribuíram para evitar uma queda maior no ingresso de IDEs. Não obstante uma redução na produção de carros, o ingresso de investimentos na indústria automotiva aumentou de forma acentuada, acompanhando o planejamento de projetos anteriormente anunciados. Outro fator a beneficiar os investidores foi a valorização do dólar em relação ao real, o que permitiu a compra de ativos a preços atrativos. Esse foi o caso da British American Tobacco, do Reino Unido, que comprou as ações que ainda não possuía da sua afiliada Souza Cruz S.A. por US$ 2,45 bilhões. Já nas indústrias relacionadas à infraestrutura, houve um declínio acentuado nos investimentos.

A UNCTAD prevê que, em 2016, os IDEs para América Latina e Caribe poderão sofrer novo declínio, passando de US$ 168 bilhões para uma faixa de US$ 140 a160 bilhões. Isso porque a previsão para a região é a continuidade da recessão e a permanência de condições macroeconômicas instáveis. A demanda enfraquecida, aliada ao potencial de depreciação adicional da moeda, pesará nas decisões de investimento na indústria de transformação e nos serviços. Se os preços das principais commodities de exportação da região continuarem a declinar, poderá ocorrer um atraso nos projetos de investimento na indústria extrativa, bem como um novo desestímulo ao reinvestimento de lucros. No caso do Brasil, a revalorização do real pode ter um efeito contrário ao encarecer os ativos e conter o ingresso de novos investimentos. No entanto, considerando-se que, nos países desenvolvidos, uma parcela significativa dos investimentos pode ser atribuída a fusões e aquisições lideradas pelas multinacionais, é possível que o mesmo fenômeno seja também observado na região, o que pode alterar o resultado do ingresso de IDEs no Brasil. No ano de 2015, foram registradas 742 transações de fusões e aquisições no País, concentradas principalmente na Região Sudeste (73%), enquanto a Região Sul participou com 12% do total. Os investidores estrangeiros estiveram presentes em 360 das transações, sendo Estados Unidos, Reino Unido e Japão os principais países de origem, com 35%, 7% e 5% do total respectivamente.

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Brasil: orientação dos investimentos e (in)sustentabilidade

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Edição: Ano 23 nº 04 – 2014

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Os atuais limites à acumulação de capital devido ao esgotamento dos espaços para o investimento produtivo, numa combinação nefasta com a financeirização globalizada, propiciaram a organização de uma divisão internacional do
trabalho com fortes traços do período colonial. A competitividade baseada em baixos salários e no fim da regulamentação do mercado de trabalho, a concentração do conhecimento pelas multinacionais e pelos países mais ricos e a nova forma de participação dos Governos na economia geram uma incapacidade de desenvolvimento, no sentido cepalino do conceito, difícil de ser contornada pelas políticas econômicas tradicionais, por mais heterodoxas que o sejam. A América do Sul e a América Central aprofundam sua especialização em commodities minerais e agroindustriais, apresentando características do antigo modelo agroexportador.

A economia brasileira insere-se nessa lógica, baseando seu crescimento na produção e na exportação de commodities, particularmente insumos de origem mineral e produtos agroindustriais. Essa especialização é liderada pela orientação dos investimentos estrangeiros diretos (IED). Em que pese aos esforços do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), em apoiar investimentos sustentáveis e em diversificar a economia, o Banco acaba centrando sua política no apoio, direto ou indireto, às atividades de mineração e ao agronegócio.

Para ilustrar essa tendência, é importante analisar a entrada de IED no período 2001-13, no Brasil. As informações do Banco Central revelam que o grupo agricultura, pecuária e extração mineral ampliou sua participação de 7,1% para 20,2%. Dentro desse grupo, a atividade de extração de petróleo foi a que atraiu o maior fluxo de IED. A indústria, como um todo, reduziu essa participação de 33,3% para 20,5%, sendo que metalurgia básica, uma commodity por excelência, foi o segmento que mais atraiu esses investimentos. Dentro do grupo serviços, para onde se dirige a maior parcela dos IED, os segmentos mais focados estão relacionados à atividade financeira, refletindo o peso dessas entradas de valores em comparação com aqueles voltados à produção.

Por outro lado, o BNDES busca efetuar um contraponto a essa tendência, com programas de apoio à inovação e à diversificação da economia. Entretanto os desembolsos efetuados pelo BNDES em 2013 revelam outra realidade. Esses desembolsos centraram-se no apoio à produção de commodities, como as do setor petroquímico, da mineração e da siderurgia, no caso das indústrias de transformação e extrativa mineral.

Além disso, os maiores desembolsos efetuados pelo BNDES em 2013 registram a liderança dos investimentos em infraestrutura, por conta do financiamento ao Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Embora a expansão da infraestrutura não tenha uma relação direta com a entrada de IED, é inegável que a ampliação da oferta de energia e de estradas nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, cria um ambiente favorável ao desenvolvimento do agronegócio e da mineração. Do total de desembolsos realizados para as Regiões Norte e Nordeste, 58% foram para as usinas hidroelétricas de Belo Monte, Santo Antônio, Jirau, Teles Pires e Estreito, para a transposição do rio São Francisco, para a estrada de ferro Carajás e para linhas de transmissão de energia elétrica.

Esse crescimento revela a intenção da política econômica em apoiar o agronegócio e a mineração, uma vez que essas regiões concentram a atividade de mineração (Norte), de commodities agroindustriais, particularmente soja e gado (Norte e Centro-Oeste) e cana-de-açúcar para biocombustíveis e outras monoculturas (Nordeste). Todas essas atividades são importantes consumidoras de água e de energia e demandantes de grandes extensões de terra.

Observe-se que, no Brasil, após o esgotamento das terras utilizadas pela extração mineral, essas atividades migram para outros espaços sem a menor preocupação de recuperação dos territórios degradados. No caso do agronegócio, o quadro que vem definindo-se é o de ocupação extensiva de terras, avançando sobre matas nativas, para o plantio de monoculturas voltadas para exportação, competindo com a produção de alimentos para o mercado interno. Essa expansão é fruto das associações dos latifundiários com empresas multinacionais que não hesitam em invadir áreas de preservação ambiental, de propriedade do Estado ou destinadas originalmente à reforma agrária.

Embora o apoio à produção de commodities seja favorável do ponto de vista de atração de investimentos externos e propicie o alcance de superávits comerciais, no longo prazo tende a tornar o País mais vulnerável às oscilações do comércio mundial, além de acelerar a destruição ambiental e aprofundar as desigualdades sociais.

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Investimento brasileiro direto no exterior: evolução recente

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Edição: Ano 22 nº 01 - 2013

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O estoque dos investimentos brasileiros diretos (IBD) compreende o saldo apurado dos estoques de ativos que residentes mantêm no exterior. Estes são formados por investimentos locais destinados a aquisição, subscrição e/ou aumento (total ou parcial) do capital social de empresas estrangeiras; empréstimos realizados entre matrizes e subsidiárias instaladas em outros países (empréstimos intercompanhia); e/ou lucros reinvestidos.

Uma das maiores dificuldades para analisar os movimentos de investimentos diretos de empresas brasileiras no exterior é a insuficiência das informações oficiais. Embora o Banco Central do Brasil (BC) disponibilize um censo anual do estoque de investimentos realizados no exterior, as informações fornecidas não garantem a identificação do país de destino final, nem a distribuição setorial efetiva desse estoque. Isto porque os paraísos fiscais são o destino geográfico de uma parcela significativa das declarações de ativos e, consequentemente, o destino setorial se concentra na atividade financeira ou no setor serviços. Apesar da escassez de informações, com base no censo e nos dados do Balanço de Pagamentos do BC é possível constatar que o estoque de IBD em 2011 atingiu US$ 202,6 bilhões e que os fluxos de investimento brasileiro direto no exterior têm um comportamento errático, embora tendencialmente ascendente.

Duas instituições brasileiras tentam cobrir a insuficiência das informações oficiais através de suas pesquisas: a Fundação Dom Cabral (FDC), por meio do estudo anual “Ranking das Transnacionais Brasileiras”, já na sexta edição, e o Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), com o “Índex de Investimentos Brasileiros na América do Sul e México” (IndexInvest Brasil), iniciado em 2007.

A pesquisa da FDC capta a atuação internacional de grandes grupos empresariais e empresas individuais com presença física no exterior. No Ranking de 2011, foram identificados 78 grupos com alguma forma de atuação internacional (escritórios comerciais, e/ou centros de distribuição, e/ou montagem, e/ou unidades produtivas, e/ou prestação de serviços, etc.). Dos respondentes da pesquisa, 30,9% tinham presença na América do Sul; 21,1%, na Europa; 16,8%, na Ásia; 12,6%, na América do Norte; 9,6%, na África; 7,4%, na América Central; e 1,7%, na Oceania. A América do Sul continua sendo o destino preferencial das empresas brasileiras, uma vez que a proximidade geográfica e cultural facilita os primeiros passos no processo de internacionalização de novos entrantes. Além disso, a aquisição de empresas na região permite aumentar as economias de escala e tornar as empresas brasileiras mais competitivas.

Para o conjunto das 20 empresas mais internacionalizadas, as receitas, os ativos e o número de funcionários cresceram tanto no mercado doméstico como no internacional. Quanto à importância do IBD para esse grupo de empresas, vale destacar que a participação das receitas no exterior, no total de receitas, representou 38,2%, os ativos no exterior somaram 34,6% dos ativos totais, e o número de funcionários no exterior atingiu 30,5% do total.

Conforme o ranking de 2011 da FDC, as cinco primeiras empresas são: JBS-Friboi (alimentos); Stefanini IT Solutions (tecnologia da informação); Gerdau (siderurgia e metalurgia); Ibope (pesquisa de mercado); e Marfrig (alimentos). Além da Gerdau, também constam no ranking mais sete empresas gaúchas: a Lupatech (equipamentos e peças), a Artecola (produtos químicos), a Marcopolo(veículos automotores e carrocerias); a Agrale (veículos automotores e implementos); a DHB (autopeças); a Randon(veículos automotores e autopeças); e a Altus (tecnologia da informação).

O IndexInvest Brasil procura registrar não só os investimentos dos grandes grupos nacionais, mas todo investimento direto brasileiro na América do Sul e noMéxico. Com base nele, constata-se que a distribuição geográfica dos investimentos brasileiros na região é bastante concentrada. Países como Argentina, Chile e Colômbia são os mais visados pelas empresas brasileiras,principalmente o primeiro deles. Dos 148 investimentos realizados nos países analisados, entre 2007 e 2011, 38% foram realizados na Argentina; 14%, no Chile; e 13%, na Colômbia.

A maioria dos investimentos para a Argentina destinouse à indústria, com destaque para calçados e couros, alimentos e bebidas e produtos químicos. Cabe salientar que 90% dos projetos realizados nesse país, no período 2007-11, são projetos de um amplo leque setorial, por valores individuais inferiores a US$ 100 milhões, ou seja, considerados médios ou pequenos.

Dessa forma, apesar do aumento recente dos IBD, aparticipação do País nos investimentos diretos mundiais ainda é muito baixa.

Investimento brasileiro direto no exterior evolução recente

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América Latina e Caribe: o investimento estrangeiro direto

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Edição: Ano 22 nº 01 - 2013

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Conforme o documento O investimento estrangeiro direto na América Latina e Caribe – 2011, publicado pela CEPAL em 2012, as correntes mundiais de investimento estrangeiro direto (IED) ampliaram-se 17% no ano de 2011 em relação ao ano anterior e somaram US$ 1.510 bilhões. Esse foi o segundo ano consecutivo de crescimento, depois das reduções presenciadas em 2008 e 2009. Não obstante, o IED mundial ainda não alcançou o ápice de US$ 1.960 bilhões atingido em 2007.

Nesse contexto, a região da América Latina e Caribe foi anfitriã de US$ 153 bilhões em entradas líquidas de IED — entradas brutas de IED descontadas as repatriações de capital (desinvestimentos) —, o que representou um incremento de 31% em 2011, a região de crescimento mais proeminente em nível mundial. A maior parcela desse desempenho é associada ao Brasil, com participação de 43% dos fluxos de IED destinados à região.

As razões para a predileção dos investidores em relação à região são desvendadas pelo potencial dinamismo dos mercados internos e pelos valorizados preços internacionais das commodities. Isso estimula a aplicação de capitais nos setores relacionados ao abastecimento da demanda doméstica e aos recursos naturais voltados às exportações.

Na América do Sul, predominam os investimentos nos setores exportadores de commodities. Sem considerar o Brasil, os recursos naturais representaram 57% do IED destinado ao Continente em 2011, enquanto a indústria de transformação recebeu 7%, e os serviços, 36%. Por outro lado, o Brasil concentrou aproximadamente 46% do IED na indústria de transformação, já os serviços responderam por 44%, enquanto o Setor Primário recebeu 9% do total do IED. Nesse sentido, destacam-se as possibilidades de alcance ao ascendente mercado doméstico brasileiro e as políticas brasileiras recentes que preservam os conteúdos locais em indústrias como a automobilística, a petroleira, a eletrônica e a de energia elétrica.

Em contrapartida, na sub-região formada por México, América Central e Caribe, em 2011, cerca de 8% do IED concentrou-se nos recursos naturais; 40%, na indústria de transformação; e 53%, nos serviços. Os países centroamericanos e a República Dominicana concederam incentivos fiscais para o IED destinado à indústria voltada à produção de exportações para os Estados Unidos, atraindo uma parcela considerável do IED para esse segmento. Já as economias do leste do Caribe são fortemente dependentes dos investimentos no setor turístico, o qual se mostrou extremamente frágil a situações econômicas adversas, como a crise de 2008 e seus desdobramentos nos anos posteriores.

Com relação ao conteúdo tecnológico do IED anunciado para indústria de transformação latino-americana e caribenha em 2011, a realidade é de investimentos em nova planta, com destinação, majoritariamente, aos setores de baixa e de média-baixa tecnologia (61% do IED), a despeito do relativo crescimento do volume de projetos nos setores de média-alta tecnologia recebidos por Brasil e México. Essa situação é oposta ao que prevalece em outras regiões em desenvolvimento, como a Ásia e, em particular, a China. Neste país, mais de 80% dos projetos de IED na indústria de transformação foram direcionados aos setores com alto e médio-alto conteúdos tecnológicos.

Concernente às origens do IED, os principais investidores estrangeiros na América Latina e Caribe são os Países Baixos, os Estados Unidos, a Espanha e a própria América Latina (através da atuação das empresas translatinas nos países vizinhos). Oficialmente, os Países Baixos são a principal fonte do IED na região, entretanto, há evidências de que esse país representaria um mero intermediário dos recursos, dado que as sedes das principais empresas investidoras estariam em outros países.

Com relação ao formato do IED, este pode ser de três tipos: empréstimos intercompanhias, aportes de capital e reinvestimento de lucros. Na América Latina e Caribe, os empréstimos entre matrizes e filiais no último quinquênio garantiram 20% do total de IED para a região. Vale ressaltar que há evidências de que parte desses empréstimos tenha sido apenas “maquiada” de IED, quando, na realidade, o objetivo final era a arbitragem de juros.

Os aportes de capital, por sua vez, representaram 38%, sendo o mais variável dos três componentes, pois incluem fusões e aquisições transfronteiriças. Estas atingiram US$ 82,786 bilhões em 2011, mas não podem ser estritamente confrontadas com o IED, dados os diferenciais metodológicos de cálculo e de natureza da informação.

A parcela de IED que se refere à reinvestimento de lucros tem aumentado nos últimos anos e, nos cinco últimos, foi o elemento de maior importância entre os três tipos, com 42% do total. Isso pode ser relacionado a um fator estrutural — o já elevado montante de capital estrangeiro acumulado — e duas razões conjunturais — o crescimento econômico da região e os valorizados preços das commodities. Uma ressalva é o Brasil não estar incluso nesta análise sobre as três formas do IED, pois o País não contabiliza reinvestimentos de lucros como IED. Desta forma, o IED brasileiro divulgado está subestimado.

Não negligenciáveis são as crescentes repatriações de lucros (rendas brutas de IED) às matrizes pelas mesmas causas conjunturais e estruturais citadas anteriormente e também como forma de compensar os prejuízos das matrizes, em um cenário de crise. As repatriações de lucros da América Latina e Caribe ascenderam de uma faixa de US$ 23 bilhões em 2003 para um máximo de US$ 93 bilhões em 2008. Para o ano de 2010, último dado disponível pela CEPAL, as rendas de IED situaram-se em torno de US$ 82 bilhões. Como proporção das exportações de bens e serviços, as rendas de IED representavam 5% em 2003 e atingiram 8% em 2010.

Em suma, o ciclo próspero de crescimento da região, a valorização dos termos de troca e o contexto de crise internacional ressaltam o crescimento superior das repatriações de lucros em relação ao crescimento do montante de IED aplicado na região. Por outro lado, essa elevada soma de envio de rendas ratifica que o IED não é um fluxo “de mão única”. Assim sendo, devem-se levar em consideração as pressões futuras sobre o balanço de pagamentos e o fato de o IED muitas vezes não ampliar a capacidade produtiva. Portanto, é imprescindível, além de uma análise quantitativa, uma análise qualitativa, ou seja, sua contribuição para o desenvolvimento em termos de transferências de tecnologias e de integração produtiva, assim como sua contribuição futura para as exportações.

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