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Origem dos insumos e destino das vendas da indústria gaúcha em 2008

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Edição: Ano 22 nº 10 - 2013

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No próximo ano, a Fundação de Economia e Estatística divulgará a Matriz de Insumo-Produto de 2008 do Rio Grande do Sul. Esse trabalho dará continuidade às outras duas matrizes do Estado já feitas — 1998 e 2003. A escolha pelo ano de 2008 deu-se em função de este respeitar dois requisitos: ajuste das contas regionais do RS às nacionais e pelo fato de ser um ano sem a incidência de crises que pudessem alterar substancialmente as interpretações econômicas do período. Contudo, nesses estudos busca-se analisar resultados estruturais, que não se alteram tanto de um ano para o outro.

Mesmo antes da divulgação final, algumas informações preliminares da Matriz podem ser utilizadas, com parcimônia, para o entendimento da economia gaúcha. Dentre elas, este texto tratará de duas: a origem dos insumos da indústria e o destino dos seus produtos, classificando-os entre Rio Grande do Sul, resto do Brasil e resto do mundo.

Setores que demandam uma proporção maior de insumos gaúchos impulsionam mais os outros setores do RS, quando deparados com um aumento da demanda por seus produtos, já que uma parcela maior da sua demanda por insumos ficará no Estado. Já setores que vendem mais para o resto do Brasil e do mundo estão menos suscetíveis a crises internas à economia do Estado.

Em 2008, 59% dos insumos utilizados pela indústria de transformação gaúcha foram originários do próprio RS; 24% vieram do resto do Brasil, e 17% vieram do resto do mundo.

A atividade que mais consumiu proporcionalmente insumos internos é a “fabricação de resinas e elastômeros” (86%). Essa atividade é chamada de segunda geração do polo petroquímico gaúcho, tendo como insumos principais produtos do próprio polo.

As outras atividades que apresentaram um alto grau de consumo de insumos internos foram “produtos do fumo”, “artefatos de couro e calçados” e “alimentos e bebidas”, todos eles consumindo mais do que 79% de insumos internos. Essas atividades são marcadas por terem como insumo principal produtos da agropecuária gaúcha, o que explica este fato.

Entre as atividades representativas da economia gaúcha que tiveram uma proporção menor de insumos regionais estão “fabricação de aços e derivados” e “refino de petróleo e gás, álcool e produtos químicos”. O primeiro é explicado por sua matéria-prima principal ser o aço vindo das siderúrgicas do resto do País. Já o resultado do segundo é fortemente impactado pelo refino de petróleo. Como o Estado não extrai petróleo, todo esse insumo é importado. Além disso, essa atividade é a que mais importa insumos do resto do mundo (41%). Segundos dados da Agência Nacional do Petróleo, em 2008 a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) foi, dentre todas do País, a que processou a maior quantidade de petróleo importado do exterior, o que representou 64% do seu volume processado.

Já os destinos das vendas dos setores da transformação gaúcha apresentaram-se mais heterogêneos. Em 2008, 49% das vendas da transformação tiveram como destino o RS; 37%, o resto do Brasil; e 13%, o resto do mundo.

Dentre os setores que tiveram uma maior parcela das vendas direcionada para o mercado gaúcho, destaca-se o setor de “refino de petróleo e gás, álcool e produtos químicos”, com 79% das vendas para o RS. A razão principal desse índice é a Refap, que atende primariamente o próprio mercado do gaúcho. Dentre os maiores setores, outro que se destacou pela grande participação do RS nas suas vendas é o de “fabricação de aços e derivados”, que tem como principal função suprir a indústria metal-mecânica do RS, além da construção civil.

Na outra ponta, o setor que teve o menor percentual de vendas internas foi o de “outros equipamentos de transporte”, com 2% sendo vendidos para o RS, e 92%, para o resto do mundo. Esse setor é marcado pelo polo naval do Município de Rio Grande, onde a produção de plataformas de petróleo é exportada para o resto do mundo. Outro setor pouco dependente do mercado gaúcho foi o de “automóveis, caminhonetes, caminhões, ônibus e peças”, que vendeu, em 2008, 20% para o RS, 69% para o resto do Brasil e 11% para o resto do mundo. Esse é um resultado esperado, dadas as estratégias nacionais das montadoras de automóveis, que usam cada estado para fabricar um determinado modelo para vendê-lo no País inteiro. Outros setores representativos que se destacam com uma menor dependência do mercado gaúcho são “fabricação de resinas e elastômeros” (20%), “máquinas e equipamentos, inclusive manutenção e reparos” (27%) e “produtos do fumo”. Este último teve 40% de suas vendas direcionadas para o mercado gaúcho, e 43%, para o resto do mundo.

Origem dos insumos e destino das vendas da indústria gaúcha em 2008

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