Textos com assunto: inovação

As barreiras e os novos desafios para inovar

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Edição: Ano 26 nº 8 – 2017

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Conforme abordado na Carta de Conjuntura de fevereiro deste ano, a análise dos dados da Pesquisa de Inovação (Pintec), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para o triênio 2012-14, sinalizou a estagnação dos principais indicadores de inovação no Brasil e no Rio Grande do Sul. Os dados, divulgados em dezembro de 2016, foram coletados entre julho de 2015 e agosto de 2016. Nas empresas industriais, maior grupo da amostra, as taxas de inovação (produto e processo) e a taxa de intensidade inovativa (razão entre os gastos em atividades de inovação e a receita líquida de vendas) praticamente se mantiveram nos níveis do triênio anterior (2009-11).

Entre as empresas industriais gaúchas que não desenvolveram projetos de inovação em 2012-14, 60,0% delas declararam não necessitá-los devido às condições de mercado e 17,4% afirmaram não precisar desses projetos em virtude das inovações prévias. Entretanto, 22,6% não o fizeram por dificuldades que impediram sua execução. A pesquisa também averiguou os entraves nas empresas que inovaram. Em termos gerais, os problemas e obstáculos enfrentados podem ser sintetizados em três tipos de barreira: econômica (custos envolvidos e fontes de recursos monetários disponíveis), técnica (qualificação de mão de obra, variedade e oferta de insumos, conhecimento tecnológico, estrutura organizacional e acesso à informação) e institucional (redes públicas e privadas de apoio, arcabouço legal de proteção de conhecimento, instituições de ciência e tecnologia (C&T), cooperação e relação empresa-consumidores).

Para ambos os grupos de empresas — as que não inovaram por complicações na execução de projetos e as que inovaram — os principais obstáculos foram os de natureza econômica. Para as empresas do primeiro grupo, no Brasil e no Rio Grande do Sul, os custos da inovação, os riscos econômicos excessivos e a escassez de fontes apropriadas de financiamento foram os mais destacados. Em particular, no RS, esses impedimentos foram observados em 78,9%, (altos custos da inovação), 66,7% (carência de fontes apropriadas de financiamento) e 66,3% (riscos econômicos elevados) das empresas industriais. Depois da barreira econômica, a segunda que mais obstaculizou a implementação de projetos de inovação foi a técnica. No País e no Estado, os problemas mais evidenciados foram: falta de pessoal qualificado; dificuldade para se adequar a padrões, normas e regulamentações; e rigidez organizacional. Com menor ênfase foram também mencionadas as carências de serviços técnicos externos adequados e de informações sobre mercados e tecnologia. As escassas possibilidades de cooperação com outras empresas ou instituições e a fraca resposta dos consumidores quanto a novos produtos foram as duas questões de cunho institucional.

Como salientado, para as empresas industriais que inovaram, os obstáculos econômicos foram os mais críticos: elevados custos da inovação (86,0% no País e 82,2% no RS) e os riscos econômicos excessivos (82,1% no Brasil e no RS), inclusive com percentuais superiores aos do grupo que não inovou. No que tange à barreira técnica, a escassez de pessoal qualificado, no País (53,1%) e no RS (66,1%), além de ter sido o principal obstáculo técnico na classificação geral dos impedimentos, foi o quarto mais valorado. Outra dificuldade técnica apontada foi a falta de informações tecnológicas e de mercados. A rigidez organizacional, a dificuldade para se adequar a padrões, normas e regulamentações e a escassez de serviços técnicos externos adequados também foram questões referenciadas por um pouco mais de um terço das empresas inovadoras gaúchas. No Brasil, a manifestação desses problemas técnicos foi um pouco mais expressiva. É válido observar que as empresas que inovaram se ressentem mais da baixa perspectiva de cooperação com outras empresas e instituições (41,3% no RS e 43,3% no Brasil) do que aquelas que não inovaram. Isso também se verifica na resistência dos consumidores aos novos produtos, que também foi mais enfatizada no conjunto de empresas inovadoras.

Além das dificuldades destacadas pelas empresas no último triênio da Pintec (2012-14), num plano mais geral, as perspectivas de avanço da inovação no Brasil e no Estado não são nada animadoras. Existe pelo menos um aspecto que é inerente ao processo de inovação e que impacta em todas as empresas: a incerteza. Disso resulta a enorme preocupação acerca do retorno dos recursos investidos, principalmente daqueles empregados em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Portanto, para a maioria das empresas, a decisão de aplicar mais recursos em projetos de inovação invariavelmente ficará condicionada às suas expectativas de expansão, como a entrada em novos mercados e o aumento de suas vendas. Uma forma muito utilizada por vários países para fomentar e, no mínimo, preservar as atividades de P&D é colocar em prática um rol de políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) que contemplem, entre os seus instrumentos, subvenções e linhas de financiamento próprias para a inovação.

Em 1985, com a criação do Ministério de Ciência e Tecnologia, investiu-se na construção de um sistema nacional de inovação, priorizando áreas de CT&I. Mais recentemente, foi concedido um conjunto de medidas para as empresas, incluindo incentivos fiscais (como a Lei do Bem) e linhas de financiamento próprias para a inovação, como os recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Entretanto, a defesa do ajuste fiscal, mais acirrada a partir de 2015, vem solapando as políticas de incentivo à CT&I e pondo em risco os avanços de inovação até então obtidos no Estado e no País (por exemplo, a Finep, que concedeu, em 2013, R$ 6,3 bilhões e, em 2014, R$ 8,6 bilhões, reduziu consideravelmente os aportes nos últimos dois anos: R$ 1,5 bilhão em 2015 e R$ 1,75 bilhão em 2016). Essa redução, no montante dos recursos (que atinge diretamente universidades, institutos de pesquisa e órgãos de fomento à CT&I, e, indiretamente, empresas com projetos de inovação) não prevê critérios ou orientações que atenuem seus impactos. Sem dúvida, o cenário é bastante desanimador. Como se não bastassem essas dificuldades, não se pode deixar de mencionar outras duas questões: a intensificação da comoditização produtiva acoplada às atividades com menor intensidade tecnológica e os desdobramentos da crise política e econômica brasileira que interrompem relevantes investimentos em C&T.

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Pensar a indústria gaúcha em um contexto adverso

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Edição: Ano 26 nº 5 – 2017

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A atual recessão que enfrentam as indústrias de transformação brasileira e sul-rio-grandense iniciou em 2013 e, aparentemente, registrou as menores taxas em dezembro de 2015 e janeiro de 2016. Em dez./2015, o Brasil registrou uma taxa de crescimento anualizada da produção industrial de -9,8%, e o RS, de -11,5%. A partir do primeiro trimestre de 2016, ambas as curvas parecem ter encontrado seu ponto de inflexão, ainda que tenham permanecido com taxas acumuladas negativas até fevereiro de 2017 (última informação disponível). Essa desaceleração trouxe consigo uma ampliação do desemprego, sendo que os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), para o ano 2016, revelam saldo negativo em praticamente todas as atividades industriais no RS, com exceção de couro e calçados, de celulose e papel e de produtos químicos.

Diversos argumentos, alguns divergentes entre si, vêm sendo utilizados para explicar essa situação. Alguns apontam para uma administração inadequada das variáveis macroeconômicas e do controle da dívida interna que limitaria os investimentos públicos e privados. Outras abordagens recorrem à desaceleração da economia mundial e a seus reflexos sobre as exportações, tanto de commodities industriais quanto de outros segmentos menos intensivos em tecnologia. Também é ressaltada a crise política que envolveu o processo de impeachment como um fator limitante da formulação de uma política industrial consistente. É evidente que medidas voltadas para a redução da máquina pública, assim como as reformas trabalhistas e da Previdência, tal como estão propostas, poderão estabelecer sérios limites à capacidade de crescimento industrial sustentável.

A despeito das explicações enumeradas, é importante destacar as particularidades relacionadas à indústria gaúcha a partir dos resultados acumulados em 12 meses, obtidos por seus diversos segmentos, até fevereiro de 2017 (IBGE). Esses mostram que o pior desempenho foi registrado pela indústria do fumo (-32%), resultado decorrente da redução da área plantada e agravado pela queda da rentabilidade provocada pelo clima desfavorável. Além dessa, as indústrias que também sofreram redução foram respectivamente: fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (-13,3%); produtos de minerais não metálicos (-10,9%); bebidas (-9,6%); mobiliário (-8%); produtos de borracha e material plástico (-5,8%); produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-4,5%); veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,6%); produtos químicos (-1,3%); couros, artefatos de couro e calçados (-0,8%); e máquinas e equipamentos (-0,3%). Ressalte-se que alguns segmentos poderão melhorar seu desempenho em consequência da esperada maior colheita de soja da história do Estado. A indústria fumageira, por sua vez, poderá recuperar-se um pouco, visto que a quebra de safra de 2016 foi maior do que o esperado.

A desaceleração da produção da indústria petroquímica vincula-se sobretudo à redução do preço internacional desse insumo. Vale lembrar que o complexo petroquímico vem sendo afetado pela crise institucional da Petrobrás, levando consigo importantes fornecedores gaúchos, como os produtores de plataformas marítimas, inibindo, por conseguinte, a perspectiva de criação do esperado polo naval. O desperdício do acúmulo tecnológico e a perda de empregos qualificados decorrentes do efeito do desmantelamento dessa estatal ainda não foram suficientemente avaliados. Essa empresa, profundamente enraizada na atividade industrial e nos serviços, é uma das principais companhias mundiais em termos de desenvolvimento tecnológico na exploração de petróleo em águas profundas, sendo um importante player do comércio internacional. Levando-se em conta a classificação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) quanto aos indicadores de intensidade tecnológica, o complexo químico-petroquímico é um dos poucos da indústria estadual que se enquadra como de média-alta tecnologia.

De fato, é urgente traçar um horizonte de médio prazo com base no potencial da indústria gaúcha em segmentos que apresentam melhores chances competitivas e capacidade de gerar efeitos multiplicadores sobre a matriz industrial. A definição de um programa que vise ao avanço da indústria gaúcha em termos competitivos passa pelo apoio ao seu desenvolvimento científico e tecnológico. É o caso de apostar em núcleos de alta intensidade tecnológica em que o Estado apresenta um potencial a ser desenvolvido (indústria naval e de instrumentos médicos e odontológicos), bem como estimular a expansão dos setores de média-alta intensidade já existentes (indústria de material elétrico; material de transporte, em particular de máquinas agrícolas e de máquinas-ferramenta).

Em que pese às vicissitudes da política macroeconômica, é mais do que nunca fundamental retomar alguns elementos necessários à elaboração de uma política industrial para o RS. Nesse sentido, é importante referir que uma das principais vantagens estaduais reside no existente aparato institucional de suporte à produção de ciência e tecnologia, capaz de garantir a expansão dos segmentos industriais referidos, cuja continuidade encontra-se ameaçada.

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Inovação nas indústrias brasileira e gaúcha: há o que celebrar?

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Edição: Ano 26 nº 2 – 2017

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Os últimos dados da Pesquisa de Inovação (Pintec) de 2014, referente ao triênio 2012-14, divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam poucos avanços em termos de desempenho e esforço inovativo por parte das empresas brasileiras e gaúchas. As informações, relacionadas às atividades de inovação desenvolvidas em empresas brasileiras, dos setores industrial, de eletricidade e gás, e de alguns serviços selecionados (como os de P&D), foram coletadas em uma amostra de 17.171 empresas, representativa de um universo de 132.529 firmas com 10 trabalhadores ou mais, sendo a maioria delas pertencentes ao setor industrial.

No Brasil, a taxa de inovação da indústria (extrativa e de transformação) foi de 36,4%, valor este não muito acima do computado no triênio anterior (2009-11), de 35,6%. Isso significa que pouco mais de um terço das empresas industriais realizaram algum tipo de aprimoramento substancial e/ou criaram um novo produto e/ou processo produtivo. No Rio Grande do Sul, a taxa foi superior à brasileira, 41,7%. Porém, em comparação ao período anterior, houve uma redução (42,2%), e o Estado perdeu uma posição na classificação nacional, passando do segundo para o terceiro lugar. Vale frisar que tanto o Brasil como o RS ainda não recuperaram os percentuais da Pintec 2008 (triênio 2006-08), quando a taxa de inovação na indústria atingiu os melhores níveis da série: 38,1% e 44,1% respectivamente.

Em 2014, as taxas de intensidade inovativa — proporção dos gastos das empresas com atividades de inovação em relação à receita líquida de vendas — também se reduziram no Brasil e em vários estados, a exemplo do RS. Na indústria brasileira, foi de 2,1%, enquanto, em 2011, alcançou 2,4%. No RS, a diminuição foi menor, passando do patamar de 2,2% para 2,1%.

Outro ponto sensível foi a inexistência ou o baixo grau de relevância imputado pelas empresas às ações de maior impacto de difusão e de criação inventiva. Como no triênio passado, as atividades internas em P&D, a aquisição externa de P&D, a aquisição de outros conhecimentos externos e a introdução de inovações tecnológicas no mercado representaram uma parte diminuta das ações executadas. Em oposição, prevaleceu, entre as ações pontuadas como de alta importância, a aquisição de máquinas e equipamentos (54,0% no Brasil e 59,6% no RS). A alta valoração conferida a essas aquisições pode revelar limites no potencial de geração de inovações próprias e recrudescer a dependência tecnológica externa.

A não realização ou a baixa relevância atribuídas às ações inovativas mais robustas dificultam o potencial de criação de novos produtos e/ou processos. Cotejando os dois últimos triênios, no Brasil, o lançamento de novos produtos e novos processos para o mercado nacional ficou estável: nos produtos, passou de 3,7% para 3,8%; e, nos processos, elevou-se de 2,1% para 2,6%. No Estado, os indicadores foram mais favoráveis: nos produtos, ocorreu um acréscimo de 5,5% para 6,3%; e, nos processos, de 2,3% para 3,2%. De fato, ao se examinar a série da pesquisa, constata-se que as empresas industriais gaúchas, em comparação com a média das brasileiras, conseguem obter melhores resultados nas suas atividades de inovação.

Em relação ao número de profissionais inseridos em atividades de P&D, não foram observadas grandes mudanças. Em 2014, na média nacional, 1% da mão de obra industrial esteve alocada em ações de P&D, ao passo que, em 2011, essa participação foi de 0,9%. Já no RS, embora a fração tenha sido semelhante, 1,2%, houve uma redução no número absoluto de pessoas ocupadas em funções de P&D. Nessas atividades, mais da metade dos profissionais são pesquisadores; ou seja, envolvem-se na concepção e/ou na criação de novos conhecimentos técnicos, produtos, processos, métodos e sistemas e na gestão dos projetos. No Brasil, 7,9% desses pesquisadores são pós-graduados. No RS, essa proporção é um pouco inferior, 6,5%. Um dado positivo para o Estado foi que, na comparação com 2011, houve um crescimento de 2,6 pontos percentuais, o que permitiu recuperar o nível de 2008 (6,5%).

Em linhas gerais, o panorama desenhado pela Pintec 2014 caracteriza-se pela estabilidade dos principais indicadores de inovação. Pode-se comemorar? Por um lado, sim, se se considerar que os níveis desses indicadores se mantiveram, apesar do cenário econômico adverso. Particularmente no País, deve-se ter em conta também os efeitos da desaceleração econômica a partir de 2014 e o período da coleta das informações da pesquisa (julho de 2015 a agosto de 2016), que transcorreu num contexto bastante atribulado nos campos econômico e político.

Por outro lado, para os próximos anos, os desafios serão enormes vis-à-vis os efeitos do ajuste fiscal, que muito provavelmente penalizarão áreas importantes para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação (CT&I) no País e no Estado. A aposta deve centrar-se no aprimoramento e no monitoramento das políticas de CT&I. Um exitoso exemplo de acompanhamento de ações de CT&I foi o estudo da FEE, Ciência, Tecnologia e Inovação no Rio Grande do Sul, publicado em 2014. Além do rico acervo estatístico sobre o tema, a análise permitiu identificar fragilidades no sistema de inovação gaúcho, como o baixo esforço inovativo das empresas industriais gaúchas e os insuficientes dispêndios públicos em atividades de C&T.

Como citar:

SPEROTTO, Fernanda Queiroz. Inovação nas indústrias brasileira e gaúcha: há o que celebrar? Carta de Conjuntura FEE. Porto Alegre, disponível em: <http://carta.fee.tche.br/article/inovacao-nas-industrias-brasileira-e-gaucha-ha-o-que-celebrar/>. Acesso em: 23 de agosto de 2017.

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Onde está o potencial de inovação do Rio Grande do Sul?

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Edição: Ano 23 nº 11 - 2014

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O surgimento de novos produtos e processos no tecido produtivo de uma região é, cada vez mais, essencial para o bom desempenho de sua economia e para o desenvolvimento tecnológico no sentido do aprendizado e, consequentemente, da transmissão e da geração de conhecimentos. Portanto, o monitoramento das inovações em um território pode auxiliar não só no seu conhecimento, mas também no estabelecimento de políticas públicas para seu fomento. Contudo tal exame é de difícil realização prática, recorrendo-se, frequentemente, à análise do potencial de inovação existente.

Com isso em vista, procurou-se estabelecer, para o RS, a distribuição espacial da capacidade de inovar a partir de quatro aspectos: (a) pessoal envolvido em pesquisa e desenvolvimento (P&D) (pesquisadores e técnicos); (b) empresas de P&D; (c) empresas de serviços avançados (publicidade, laboratórios, tecnologia da informação (TI), etc.); e (d) estrutura produtiva com potencial inovador.

Como se pode observar na figura, esse estudo resultou em uma rede de cidades gaúchas com as melhores condições para a geração de inovações. A configuração decorrente mostra, claramente, a importância do eixo Porto Alegre—Caxias do Sul, com especial destaque para a Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), onde se distinguem, também, São Leopoldo e Novo Hamburgo. Além desses, destacam-se os Municípios de Santa Cruz do Sul—Lajeado, de Santa Maria, de Passo Fundo, Ijuí, Erechim e Panambi no noroeste sul-rio-grandense e de Pelotas—Rio Grande.

Por outro lado, põe-se em evidência a região-problema, ou seja, aquela com mais dificuldades para o desenvolvimento de processos de inovação, que é parte da clássica Metade Sul do RS. Nesse espaço, a exceção é Bagé, que apresenta alguma capacidade de inovar.

De modo geral, as potencialidades inovadoras estão nas principais aglomerações urbanas gaúchas, o que segue uma tendência mundial de concentração das empresas e dos recursos humanos mais capazes de criar novidades na produção e/ou nos serviços à sociedade. No entanto, a reunião, em uma mesma região, desses elementos não é condição suficiente para o desenvolvimento científico e tecnológico. Nesse contexto, há a necessidade do esforço inovador das empresas, bem como de outros dois atores que possuem um papel imprescindível de apoio e de parceria. De um lado, colocam-se as universidades, através de suas funções de ensino, de pesquisa e de extensão, e, de outro, os Governos (municipal, estadual e/ou federal), como promotores, por meio de infraestruturas e de investimentos, das atividades de P&D.

Essa conjunção de agentes (empresa, universidade e Governo) remete à necessidade premente de os mesmos trabalharem em sistema, para aproveitarem melhor as especificidades de cada região. Assim, em várias partes do Estado, podem-se observar experiências de desenvolvimento em andamento. Destacam-se algumas iniciativas geradas em alguns dos principais parques científicos e/ou tecnológicos, como, por exemplo, no Parque Científico e Tecnológico da PUCRS (Tecnopuc), de Porto Alegre, no Parque Tecnológico de São Leopoldo (Tecnosinos), de São Leopoldo, e no Parque Tecnológico do Vale do Sinos (Valetec), de Campo Bom, todos localizados na RMPA. Além desses experimentos consolidados, existem mais de uma dezena de parques de C&T em implantação, espalhados em várias localidades do Estado.

Por fim, ressaltam-se as seguintes potencialidades para inovação existentes no RS: recursos humanos em P&D, estabelecimentos de P&D e de serviços avançados, capacidade de inovação das empresas, rede de cidades com potencial de inovar, parques científicos e tecnológicos e instituições de ensino superior.

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Pesquisa em ciência e tecnologia e inovação no RS: grupos de pesquisa e empresas

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Edição: Ano 19 nº 09 - 2010

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No último Censo dos Grupos de Pesquisa do CNPq, em 2008, podem-se observar dados importantes sobre o sistema de pesquisa científica e tecnológica do RS no que tange às atividades de inovação tecnológica. Dos 1.385 grupos de pesquisa gaúchos das áreas tecnológicas (Ciências Agrárias, Biológicas, da Saúde, Exatas e da Terra e Engenharias), 293 têm participação de empresas (administração pública, entidades empresariais e sem fins lucrativos), um pouco mais de 21% dos grupos, acima do percentual do País, que é de 16%. Justamente esses grupos, integrados por empresas, são os que possuem maior probabilidade de gerar novos produtos ou processos produtivos direcionados para o mercado.

Tendo, em média, um pouco mais de duas empresas parceiras para cada um desses grupos, essas parcerias caracterizam-se, em grande parte, primeiramente, pela pesquisa científica com propósito de uso imediato dos resultados, contrariamente à de caráter puramente científico, e, em segundo lugar, pela transferência de tecnologia desenvolvida pelo grupo para o parceiro (empresas). De outro lado, destaca-se que ocorre, de modo predominante, a transferência de recursos financeiros das empresas para os grupos de investigação e, da mesma forma, de insumos materiais para as atividades de pesquisa do grupo.

Quanto às grandes áreas do conhecimento analisadas, verifica-se que a das engenharias (inclusive a Ciência da Computação) se destaca em termos tanto absolutos quanto relativos, com 113 grupos com participação de empresas em suas pesquisas, 39,8% dos grupos dessa área.

Pesquisa em ciência e tecnologia e inovação no RS grupos de pesquisa e empresas

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O apoio do Governo para inovação tecnológica no Brasil e no RS

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Edição: Ano 18 nº 11 - 2009

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A evolução tecnológica é vista como fenômeno complexo e sistêmico, em que os governos têm seu lugar de destaque no sentido de promover os processos inovativos por meio de políticas científicas e tecnológicas, o que se observa em muitos dos países que mais inovam.

Vejamos a situação do País e do Estado, quanto ao apoio governamental às inovações oferecido frequentemente por instituições federais, no período 2003-05. Tomando-se por base as indústrias extrativas e de transformação, 19,2% das empresas que implementaram inovações no Brasil obtiveram apoio do Governo. No RS, esse percentual foi um pouco maior, alcançando 21,1% das empresas gaúchas que inovam.

As informações por tipo de apoio apontam, também, para uma situação sensivelmente melhor do Estado relativamente ao País. No quesito incentivo fiscal (à P&D e via lei de informática), há praticamente um empate, com valores muito baixos; no Estado, apenas 1,8% das empresas recebeu esse tipo de apoio, e, no Brasil, 1,7%. Bem mais expressivos, os percentuais de financiamentos para inovação chegaram a 13,6% no País e a 17,2% no Estado

Portanto, muito há de se fazer no âmbito governamental, e os principais desafios, tanto em nível nacional quanto estadual, estão em um novo marco institucional e ou legal e na maior participação dos atores envolvidos nas políticas de inovação.

O apoio do Governo para inovação tecnológica no Brasil e no RS

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Principais fontes de informação para inovação nas empresas

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Edição: Ano 18 nº 09 - 2009

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Atualmente, o fenômeno das inovações tecnológicas cumpre um papel crucial no processo de desenvolvimento econômico e social de regiões e de países. Assim, os processos inovativos despertam cada vez maior interesse como possibilidade real de elevar a capacidade competitiva das empresas e de melhorar a qualidade de vida da sociedade. Nesse contexto, as fontes de informação – tanto internas como externas – possuem um lugar de destaque para as empresas inovadoras, enquanto insumo fundamental para o desenvolvimento de produtos (bens e serviços) e/ou de processos tecnologicamente novos ou substancialmente aprimorados.

Na Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) – IBGE/Finep/MCT -, pode-se observar a proporção das empresas gaúchas inovadoras (das indústrias extrativas e de transformação) que indicou uma importância alta ou média para cada tipo de fonte de informação empregada para inovação no período 2003-05. A atenção maior recai sobre as fontes mais relevantes do RS: em primeiro lugar, aparecem clientes ou consumidores (para 70,1% das empresas); seguido de feiras e exposições (65,2%); fornecedores (65,2%); e áreas da própria empresa, exceto departamento de P&D (64,0%). De outro lado, dentre as fontes menos apreciadas pelas empresas, destacam-se aquisição de licenças, patentes e know-how (apenas 5,9%); universidades e institutos de pesquisa (11,4%); e empresas de consultoria e consultores independentes (14,8%).

Colocando esses indicadores lado a lado com os do Brasil, percebe-se que os percentuais, de modo geral, são semelhantes. A diferença mais expressiva apresenta-se na importância dada às informações de clientes ou consumidores, que é quase 10 pontos percentuais maior no RS do que no País. Aliás, essa categoria de fonte nem mesmo é a mais relevante em nível nacional, ficando em terceiro lugar, logo abaixo de outras áreas da empresa e de fornecedores.

Chama também atenção o dado referente a universidades e institutos de pesquisa, em razão da sua pouca valorização como fonte de informação e de, ao mesmo tempo, tanto o Estado como o País apresentarem um quadro de instituições fortes na produção científica. Esse paradoxo exprime a dificuldade histórica e cultural de a comunidade acadêmica e o setor produtivo estabelecerem relações recíprocas, o que pressupõe, dentre outras coisas, linguagens desconformes entre eles. Uma das causas para essa debilidade está no caráter tardio e limitado da criação de universidades e/ou institutos de pesquisa, assim como da industrialização. Podem ainda ser lembradas, como elementos explicativos desse descompasso, a tradicional dependência científico-tecnológica que marca o País e as práticas de importação de pacotes tecnológicos prontos por parte das empresas. Nessa situação, exige-se a intensificação dos relacionamentos entre ciência (instituições de pesquisa) e tecnologia (empresas) para um moderno desenvolvimento.

Principais fontes de informação para inovação

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