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Emprego na produção de equipamentos de saúde aumenta no RS

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Edição: Ano 26 nº 3 – 2017

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A produção de equipamentos médicos, hospitalares e odontológicos (EMHO) abarca duas classes de atividades da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0), a saber: fabricação de aparelhos eletromédicos e eletroterapêuticos e de equipamentos de irradiação (aqui denominada “aparelhos eletromédicos”) e fabricação de instrumentos e materiais para uso médico e odontológico e de artigos ópticos (“instrumentos médicos”). De forma geral, são bens utilizados em práticas médicas e odontológicas relacionadas à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de doenças, sendo que o primeiro grupo de produtos apresenta maior sofisticação tecnológica que o segundo.

A fabricação de EMHO — também caracterizada como indústria de base mecânica, eletrônica e de materiais — constitui-se num dos três segmentos que integram o chamado Complexo Industrial da Saúde. Este é formado, ainda, pela indústria de base química e biotecnológica (medicamentos, fármacos, vacinas, soros, hemoderivados, toxinas e reagentes para diagnóstico) e pelos serviços de saúde (hospitais, ambulatórios, serviços de diagnóstico).

Embora a produção de EMHO não tenha uma forte representatividade quantitativa no conjunto da indústria gaúcha — 0,48% do emprego, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS, 2015), — ela tem importância no contexto local de algumas regiões, onde pode desempenhar um papel indutor do crescimento econômico.

A partir da tabela, pode-se notar a concentração de empregos em seis municípios, os quais detêm praticamente 80% dos postos de trabalho na produção de EMHO no Estado. Desses seis municípios, três localizam-se na Região Metropolitana de Porto Alegre: Cachoeirinha, Canoas e Porto Alegre. Há ainda: Pelotas, no Corede Sul; Barão, no Corede Vale do Caí; e Caxias do Sul, no Corede Serra. Pode-se dizer, com isso, que a maioria das empresas produtoras de EMHO está situada no eixo industrial Caxias-Porto Alegre, onde pode beneficiar-se de vantagens de aglomeração. Mesmo o Município de Barão, que conta com uma importante empresa do setor, localiza-se nas cercanias do referido eixo industrial.

Situação bem diferente é a do Município de Pelotas, que não faz parte da região mais industrializada do Estado, mas abriga uma importante concentração de atividades referentes à saúde. Os dados da tabela apontam o elevado contingente de empregados na produção de EMHO, o que coloca esse município em segundo lugar no Estado.

A propósito disso, é necessário evocar uma particularidade de Pelotas, apontada em pesquisa cuja síntese encontra-se no livro eletrônico Aglomerações e Arranjos Produtivos Locais no Rio Grande do Sul, que analisou a produção de EMHO nesse município, dentre 10 outras aglomerações industriais gaúchas. Na referida pesquisa, foi constatada a existência de uma empresa produtora de cadeiras de rodas que não está classificada em nenhuma das duas classes de atividade consideradas habitualmente como fabricantes de equipamentos de saúde, mas, sim, na fabricação de bicicletas e triciclos não motorizados, onde se incluem cadeiras de rodas e carrinhos de bebê, dentre outros. Daí resulta coerente que, em Pelotas, seja levado em consideração esse fato, tendo em vista a importância desse segmento para a correta avaliação do setor. Assim, se os empregos dessa terceira classe forem incorporados, pode-se considerar que existiam, em 2015, em Pelotas, 681 empregos em EMHO (em lugar dos 532 que a tabela aponta), o que significa 21% do total do Estado. A importância dessa atividade para o município e sua região fez com que merecesse um estudo aprofundado (acima referido), elaborado pelo Núcleo de Análise Setorial do Centro de Estudos Econômicos e Sociais da Fundação de Economia e Estatística (NAS-CEES-FEE), em que foram estudadas as potencialidades dessa atividade para o desenvolvimento da região.

No contexto global do Estado, a tabela permite constatar, ademais, uma expansão do emprego na produção de EMHO entre 2010 e 2015, quando passou de 2.538 para 3.241 postos de trabalho, ou seja, cresceu 27,7%. Esse dinamismo é tanto mais significativo quando comparado com o desempenho da indústria de transformação em seu conjunto, que, no mesmo período, apresentou uma queda de, aproximadamente, 6% nos postos de trabalho.

O crescimento da produção de EMHO no RS foi puxado pela classe 32.507, que abrange a fabricação de instrumentos e materiais para uso médico e odontológico e de artigos ópticos, que expandiu o emprego em 29%, além de ser a classe que mais emprega em números absolutos.

Convém notar, ainda, que o Município de Porto Alegre foi o que ampliou mais intensamente o emprego em EMHO, atingindo um crescimento de 67,7% no período analisado.

A indústria de equipamentos e de materiais ligados à saúde — da mesma forma que o segmento de base química e biotecnológica, bem como os serviços de saúde de maneira geral — tem perspectivas muito positivas em face das alterações no perfil etário da população brasileira. A expectativa de vida ao nascer, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vem crescendo bastante nas últimas décadas, tendo passado de 62,5 anos em 1980 para 75,5 anos em 2015. Como a população vive mais tempo, a incidência de doenças crônicas e/ou degenerativas tende a aumentar, o que resulta numa expansão da demanda por serviços de saúde — tanto públicos como privados — e, por consequência, tem-se o estímulo à produção industrial dos equipamentos e materiais necessários à prestação desses serviços.

Como citar:

BREITBACH, Áurea. Emprego na produção de equipamentos de saúde aumenta no RS Carta de Conjuntura FEE. Porto Alegre, disponível em: <http://carta.fee.tche.br/article/emprego-na-producao-de-equipamentos-de-saude-aumenta-no-rs/>. Acesso em: 24 de outubro de 2017.

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