Textos com assunto: indústria de transformação

A produção industrial no RS, em 2016, e suas perspectivas de crescimento

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Edição: Ano 26 nº 1 – 2017

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A indústria de transformação (IT), no Rio Grande do Sul, apresentou, no período de janeiro a novembro de 2016, uma queda acumulada de 4,3% na produção física em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado do ano, esse desempenho esteve ligeiramente acima da sua congênere nacional, a qual apresentou uma diminuição de 6,9% no volume de produção.

Em 2016, apenas quatro atividades industriais, no RS, apresentaram taxas positivas de crescimento, a saber: Fabricação de celulose e produtos de papel (36,9%), Metalurgia (2,7%), Artefatos de couro e calçados (2,4%) e Produtos alimentícios (1,0%). As demais atividades apresentaram queda na produção física. Esse fraco desempenho veio a se somar às quedas ocorridas em anos anteriores. Assim, quando se observam as taxas médias anuais de variação da produção física no período 2011-15, verifica-se que apenas três atividades apresentaram taxas positivas de crescimento. Como resultado, ao longo desses cinco anos, a taxa média de variação da IT foi de -2,7% a.a. (Gráfico), valor muito próximo ao da sua similar nacional (-2,8% a.a.). Essas sucessivas quedas da produção física fizeram com que a produção industrial, no Rio Grande do Sul, encerrasse 2016 cerca de 9,5% abaixo do nível de 2002.

Em virtude de o parque industrial do RS representar segmentos da indústria nacional, não há como dissociar o desempenho do primeiro em relação ao segundo. Assim, a análise da evolução da produção física ao longo de uma série de tempo mais longa demonstra que os ciclos de crescimento e queda da produção industrial do Estado seguem os ciclos da indústria nacional. Em função de algumas especificidades do parque industrial instalado no RS, como, por exemplo, a elevada participação da indústria de produtos alimentícios, de máquinas e equipamentos, da fabricação de veículos automotores e também da fabricação de produtos químicos, as quais, em conjunto, representam aproximadamente 47,0% do valor da transformação industrial, os ciclos da indústria, no Estado, tendem a apresentar maiores oscilações do que a média nacional. Portanto, é no desempenho da economia nacional que se devem buscar os principais determinantes das oscilações da produção industrial do Estado.

Em que pese o fato de que as menores taxas de queda na produção verificadas em 2016 já sinalizem para uma reversão do ciclo — em 2015, a queda na produção foi de 11,5% — e na possibilidade de que ocorra algum crescimento em 2017, convém destacar que o fraco desempenho dos últimos anos acaba retirando mercados das indústrias instaladas, bem como promovendo a saída de tantas outras que não foram capazes de enfrentar a crise. Tal fato cria fissuras na estrutura industrial através da quebra de relações de encadeamento industrial, cuja superação somente se dará no longo prazo, em um novo ciclo de crescimento. Por outro lado, uma vez retomado o crescimento, tais fissuras podem gerar gargalos que venham a comprometê-lo, originando a possibilidade de se ter que substituir por importações o que antes era produzido no mercado doméstico.
Em função da elevada participação da produção industrial no PIB estadual e também pelos seus efeitos multiplicadores, a retomada do crescimento da economia do Estado passa, necessariamente, pelo retorno do seu crescimento. Essa retomada, por sua vez, irá depender da reversão do cenário recessivo que se tem apresentado na economia brasileira nos últimos dois anos. De forma semelhante ao que ocorre em nível nacional, até mesmo a melhora das contas públicas do Estado irá depender muito mais da retomada da atividade econômica do que de políticas de corte nos gastos públicos. Estas últimas contribuem para a redução da demanda e, consequentemente, também para a queda na arrecadação tributária, o que pode acabar acarretando uma deterioração ainda maior da situação fiscal do RS.

A reversão cíclica que possa recolocar o Brasil em uma trajetória de crescimento de longo prazo irá depender, no entanto, de um conjunto de elementos que vão desde a solução dos graves problemas políticos que assolam o País, a retomada dos investimentos em infraestrutura nacional e o reajuste do câmbio e dos juros, de forma a favorecer uma maior competitividade industrial. Concomitantemente, fazem-se necessárias medidas que possibilitem o reaquecimento do mercado interno e do consumo das famílias. Somente após a correção dessa trajetória, que leve a um aumento do uso da capacidade instalada e gere perspectivas de rentabilidade futura, pode-se esperar um retorno dos investimentos que estejam acima do nível de depreciação do capital existente. Por fim, convém destacar que muitas das decisões de investimentos dependem de empresas que têm seu centro de decisão fora do País, as quais, portanto, irão avaliar não apenas a estabilidade econômica nacional e o potencial de crescimento do mercado doméstico, como também as alternativas que se colocam no cenário internacional.

Esse conjunto de elementos faz com que a retomada da atividade econômica do Estado, a melhora nas condições sociais e a solução para a crise das finanças públicas estejam, em grande parte, fora do alcance das autoridades estaduais. De qualquer forma, cabe aos gestores públicos atuarem no sentido de preservar e aprimorar as áreas de educação, pesquisa, saúde, social e de infraestrutura, para que, uma vez retomado o crescimento, coloquem a economia do RS em condições competitivas no cenário nacional. Tais medidas, associadas à existência de um parque industrial diversificado e às vantagens associadas à condição de fronteira, podem favorecer a economia do Estado em um novo ciclo de crescimento.

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Como citar:

CONTRI, André Luis. A produção industrial no RS, em 2016, e suas perspectivas de crescimento Carta de Conjuntura FEE. Porto Alegre, disponível em: <http://carta.fee.tche.br/article/a-producao-industrial-no-rs-em-2016-e-suas-perspectivas-de-crescimento/>. Acesso em: 24 de outubro de 2017.

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Crise nas indústrias do Brasil e do RS, em 2015

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Edição: Ano 25 nº 05 – 2016

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O Brasil está atravessando uma das maiores crises econômicas de sua história, e, por consequência, o RS tem acompanhado essa trajetória. Essa situação está associada a fatores de natureza econômica e política. É na indústria de transformação que se observam os seus impactos mais significativos. No entanto, um dos fatores determinantes da atual conjuntura está relacionado com as baixas produtividade e competitividade da economia brasileira. O cenário para o RS não é diferente. O lento crescimento do mercado interno brasileiro, associado à queda nos investimentos em âmbito nacional, atua diretamente sobre a produção industrial gaúcha e, consequentemente, explica o resultado observado na economia do Estado.

Em 2015, o desempenho da economia brasileira pode ser observado a partir da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado acumulado no ano aponta uma retração de 3,8% do PIB em relação a 2014. Essa foi a pior queda registrada na série histórica, iniciada em 1996. Como consequência, o PIB per capita sofreu uma diminuição de 4,6% em relação ao ano anterior. A queda do PIB no Brasil deveu-se à retração de 3,3% do Valor Adicionado a preços básicos e de 7,3% nos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.

A indústria de transformação, no Brasil, sofreu uma queda, em volume, de 9,7% em 2015, comparando-se a 2014. Essa redução foi influenciada principalmente pela queda do Valor Adicionado das indústrias automotiva — incluindo peças e acessórios —, de máquinas e equipamentos, de aparelhos eletroeletrônicos e equipamentos de informática, de alimentos e bebidas, de artigos têxteis e do vestuário e de produtos de metal. O volume de produção física da indústria, medido pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) do IBGE, mostra que esses setores tiveram variação de -25,9% na fabricação de veículos, reboques e carrocerias, -14,6% na fabricação de máquinas e equipamentos, -30,1% na fabricação de equipamentos de informática, -2,3% na fabricação de alimentos, -5,4% na fabricação de bebidas, -14,6% na fabricação de produtos têxteis, -11,1% em vestuário e de -11,4% na fabricação de produtos de metal. Além dessas atividades, as variações no volume de produção foram negativas para as demais atividades na indústria de transformação brasileira.

Na série comparável com os resultados divulgados pelo IBGE, o PIB do RS acumulado em 2015, divulgado recentemente pela FEE, apresentou retração de 3,4%. Em sua composição, os impostos caíram 8%, e o Valor Adicionado Bruto (VAB), 2,7%. Apesar de o PIB do Estado ter sido marcado pelo desempenho negativo em quase todos os setores, com exceção da agropecuária (13,6%), a principal contribuição para essa retração foi da indústria de transformação, que acumulou queda de 13,5% em 2015 comparado a 2014.

O resultado da indústria de transformação gaúcha pode ser explicado pelo desempenho do segmento metalmecânico, que detém grande participação da estrutura do VAB industrial. O segmento, composto pelos setores de metalurgia, produtos de metal, máquinas e equipamentos e automotivo, apresentou queda expressiva do volume de produção em 2015. O comportamento dessas atividades na indústria gaúcha decorre da continuidade da queda dos investimentos na economia nacional e da restrição do crédito para o setor. Os únicos destaques positivos na indústria gaúcha foram os setores de fabricação de celulose e derivados, cujo crescimento resultou da expansão da nova planta industrial destinada à exportação, e de fabricação de produtos químicos (petroquímico), que obteve resultados positivos através do aumento das exportações, beneficiadas pela desvalorização cambial e pela redução do preço da matéria-prima no mercado internacional.

Para 2016, pode-se esperar um melhor desempenho das atividades que possuam maior potencial para aproveitar a desvalorização cambial e ganhar mercados externos, como o exemplo de calçados e químicos. No entanto, diante da estrutura da indústria gaúcha, a recuperação do crescimento irá depender da conjuntura da economia nacional e, principalmente, da retomada dos investimentos no País. Contudo promover o crescimento sustentado e duradouro requer, também, a promoção de políticas industriais, tecnológicas e educacionais capazes de proporcionar ganhos de produtividade e de competitividade necessários para a economia brasileira.

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Os empregos da indústria de transformação gaúcha: inquietude à vista

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Edição: Ano 24 nº 10 – 2015

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Os últimos dados divulgados pela Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS-MTE) em setembro indicam que, em 2014, o número de empregos formais no País apresentou um acréscimo de apenas 1,3% na comparação com 2013. No RS, a criação de novas vagas foi ainda menor, 0,8%, sendo determinada, principalmente, pela redução no número de vagas com carteira assinada nos setores da indústria de transformação (-2,1%), da construção civil (-1,3%) e da agropecuária (-1,0%).

Em especial, na indústria de transformação (IT) gaúcha, as maiores reduções, em termos absolutos, ocorreram nos segmentos de: couro e calçados (7.470 vagas, -6,0%); veículos automotores (5.977 vagas, -10,8%); produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (3.160 vagas, -4,8%); máquinas e equipamentos (2.727 vagas, -3,9%); e metalurgia (1.439 vagas; -11,0%). Tais atividades, por constituírem segmentos tradicionais de peso para a economia do RS, integram importantes cadeias produtivas — como o complexo metalmecânico e o cluster coureiro-calçadista. Em contraponto, poucos segmentos da IT gaúcha expandiram seu número de empregos formais em 2014. Entre esses estão os de produtos alimentícios (4.736 vagas, 6,4%) e de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (1.612 vagas, 14,3%).

Além do baixo crescimento, o RS, na comparação com outros estados da Federação, também vem perdendo participação no total de empregos da IT brasileira. Enquanto, em 2002, o Estado respondia por 10,3% dos empregos formais da IT brasileira, em 2014 passou para 8,7%.

Até dezembro de 2015, o quadro tenderá a agravar-se ainda mais. Conforme as últimas informações (janeiro a agosto) do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged-MTE), o número de trabalhadores demitidos no RS supera o de contratados em 43.863. Com exceção da administração pública, todos os setores registraram essa tendência. Na IT gaúcha, contabiliza-se um saldo de 17.098 trabalhadores demitidos. Desses, 11.418 (66,8%) atuavam nos segmentos de veículos automotores e no de máquinas e equipamentos. Poucas foram as atividades que registraram um saldo positivo de contratações. Entre elas, estão a de fumo (3.456 trabalhadores), a de alimentos (965 trabalhadores), a de calçados (758 trabalhadores) e a de produtos químicos (601 trabalhadores).

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Desempenho da indústria no Rio Grande do Sul e no Brasil, em 2015

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Edição: Ano 24 nº 08 – 2015

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De acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção física da indústria gaúcha decresceu 11,5% no acumulado de janeiro a maio de 2015, comparada com a do mesmo período do ano anterior. No Brasil, o decréscimo foi inferior (-6,9%).

Vale destacar que a PIM divulga dados de produção tanto da indústria de transformação quanto da extrativa mineral. Contudo a pesquisa da extrativa não é realizada nos estados em que ela é pouco expressiva. Isso acontece com o RS, SC, o PR e SP, por exemplo. Já em outros estados, como MG e RJ, possuidores de uma indústria extrativa mineral significativa, a pesquisa é realizada também com a indústria extrativa.

A queda na indústria brasileira só não foi maior devido ao incremento da indústria extrativa no período (9,9%), visto que a indústria de transformação decaiu 9,0%. O mesmo fato ocorreu nos Estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. A indústria extrativa do RJ obteve incremento de 9,6%, enquanto, em MG, houve uma pequena queda (-0,1%), mas muito inferior àquela obtida pela indústria de transformação.

Entre os estados selecionados, o RS é o que possui o pior desempenho industrial no período analisado. Isso deve-se, principalmente, ao fato de possuir uma atividade extrativa mineral muito pouco desenvolvida, além de a queda na sua indústria de transformação ser ainda superior à dos outros estados analisados. O decréscimo na atividade de máquinas e equipamentos (-24,8%) colabora sensivelmente nesse sentido. Essa atividade é bastante relevante para o Estado, e sua queda é muito superior às observadas nos outros estados analisados. No Brasil, essa atividade decaiu 11,0%.

O desempenho da atividade de veículos automotores também serve como justificava para a baixa performance da indústria gaúcha em 2015. Essa atividade apresentou redução de 29,3% em sua produção física, no período considerado. Contudo essa queda é semelhante à ocorrida no Brasil, que obteve decréscimo de 22,3%. Portanto, o desempenho muito ruim dessa atividade pode ser considerado generalizado no País.

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Desempenho da indústria de transformação do RS em 2013

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Edição: Ano 23 nº 01 – 2014

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De acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, percebe-se que a produção física da indústria de transformação gaúcha cresceu 6,4% no acumulado de janeiro a outubro de 2013, comparado ao mesmo período do ano anterior. No Brasil, houve alta de 1,9% no mesmo período.

Os principais setores industriais responsáveis por esse acréscimo na produção física do RS foram máquinas e equipamentos (9,9%), veículos automotores (20,9%), borracha e plástico (11,6%), refino de petróleo e álcool (29,3%) e bebidas (11,8%). Já os ramos industriais que contribuíram para que a alta não fosse ainda mais significativa foram calçados e artigos de couro (-3,5%), fumo (-6,2%) e alimentos (-1,1%).

O bom desempenho de máquinas e equipamentos, notadamente máquinas agrícolas, esteve ligado ao crédito subsidiado e ao crescimento do setor agropecuário, tanto gaúcho quanto nacional. Já a elevação no setor de veículos automotores decorre da alta na fabricação de automóveis, ônibus e autopeças, colaborando também para o incremento na atividade de borracha e plástico, verificado pela fabricação de pneus.

O acréscimo considerável na produção de refino de petróleo e álcool foi reflexo do aumento nas vendas de combustíveis e das exportações dos seus derivados, enquanto a alta na atividade de bebidas decorreu do incremento na produção de suco de uva.

A fraca performance do setor de calçados e artigos de couro é explicada, em grande medida, pelas condições estruturais de concorrência adversas enfrentadas pelo setor no RS. Já o decréscimo na produção fumageira pode ser justificado pela queda tanto nas suas exportações quanto na produção de cigarros. No caso do setor alimentício, a maior demanda externa por produtos in natura como milho e soja redundou em menor processamento interno desses produtos.

Desempenho da indústria de transformação do RS em 2013

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É a safra agrícola que determina os serviços de transporte no RS?

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Edição: Ano 22 nº 08 - 2013

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O Produto Interno Bruto (PIB) trimestral e as divulgações mais recentes das principais pesquisas econômicas conjunturais (Pesquisa Industrial Mensal e Pesquisa Mensal do Comércio-IBGE) fortalecem a ideia de que o setor serviços tornou-se a “menina dos olhos” da economia, tanto no Brasil quanto no RS. Diante da crise sintomática do setor industrial, algumas questões relevantes surgem para discussão: como se dá a inter-relação entre a indústria de transformação e o setor serviços? Como choques na indústria se propagam no Setor Terciário?

O objetivo deste texto é analisar, de maneira pouco formal, a interdependência entre a indústria de transformação e a atividade transportes, comparando as relações entre elas existentes no Brasil e no RS.

A primeira constatação importante do trabalho é: o transporte de cargas apresenta estreita relação com a produção industrial, porém em menor intensidade no RS do que no Brasil. A correlação entre o transporte de carga e a indústria de transformação, no período jan./00-maio/13, foi mais alta no Brasil (0,702) do que no RS (0,559). Mesmo que não implique qualquer relação de causalidade, essa informação é importante e vai de encontro, em parte, a uma ideia bastante arraigada entre aqueles que analisam a economia gaúcha: de que o transporte no RS depende fundamentalmente da safra agrícola. O gráfico mostra que as variações mensais na produção industrial (PIM-RS) têm uma relação direta e contemporânea com as variações no fluxo de veículos pesados nas rodovias pedagiadas (variável utilizada para medir transporte de cargas). Durante a crise de 2009, quando a produção agrícola cresceu e a indústria de transformação apresentou forte queda, o fluxo de veículos pesados nas rodovias gaúchas caiu substancialmente.

Uma segunda constatação importante é que a interdependência entre o transporte de cargas e a produção industrial é bastante heterogênea nas atividades industriais, no RS. Os dados desagregados por atividade industrial sugerem que o movimento de carga nas estradas no RS é mais sensível à produção local nas indústrias de máquinas e equipamentos, produtos de metal exclusive máquinas e equipamentos e veículos automotores. Algumas atividades, como fumo e refino de petróleo e álcool, devido às suas especificidades, têm pouco impacto sobre o transporte por malha rodoviária.

Conclui-se, pois, que uma parte significativa dos efeitos da agropecuária sobre os transportes no RS é determinada não pelo transporte de grãos, mas por via indireta, por meio da indústria de transformação. Desconsiderar a importância da produção industrial sobre os serviços de transporte no RS pode ser um grave equívoco de análise.

É a safra agrícola que determina os serviços de transporte no RS

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O comportamento recente da indústria de transformação

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Edição: Ano 21 nº 05 - 2012

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A produção física da indústria de transformação brasileira vem apresentando bastante oscilação nos últimos meses. Segundo a série ajustada sazonalmente da Pesquisa Industrial Mensal da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-IBGE), em fevereiro de 2012, esse setor cresceu 1,3% em relação a janeiro, retornando ao patamar de setembro de 2011.

No entanto, o setor acumulou, até fevereiro, uma queda de 0,4% em relação a dezembro do ano anterior e ainda se encontra 4,1% abaixo do nível de março de 2011, quando sua produção atingiu o maior patamar da série histórica. Uma parte dessa queda pode ser explicada pela política monetária mais restritiva adotada pelo Banco Central brasileiro em 2010 e 2011. Nesse período, a taxa básica de juros foi elevada de 8,75% em março de 2010 para 11,75% em março de 2011, alcançando o máximo de 12,5% em agosto de 2011. Mesmo com a atual política monetária expansionista, os juros mais altos de 2010 e 2011 ainda afetam o comportamento da indústria, devido a defasagens existentes em alguns canais de transmissão da política monetária, como o investimento.

Considerando o acumulado de janeio e fevereiro de 2012 em relação ao mesmo período do ano anterior, a indústria de transformação apresentou uma queda de 3,6%. Além do alto patamar do início de 2011, outro ponto que deve ser destacado é o menor número de dias úteis em fevereiro do ano atual, decorrente do feriado de Carnaval.

Contudo, como não poderia deixar de ser, essa retração não é homogênea entre os subsetores da indústria de transformação. Nesse período, 14 dos seus 26 subsetores apresentaram queda no volume produzido. Desses, o que apresentou o resultado mais significativo foi o de veículos automotores, com uma retração de 27,6%. Quedas semelhantes ocorreram em setores de bens de capital, como máquinas para escritório e equipamentos de informática (-20,9%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-12,8%) e material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicação (-9,6%). Isso pode indicar que o setor de bens de capital, por ser mais dependente do nível de investimento da economia, também é mais suscetível à política monetária. Também houve queda nos setores de borracha e plástico (-6,4%) e vestuário e acessórios (-19,6%).

Dentre os setores que apresentaram crescimento da produção no acumulado até fevereiro, podem-se destacar: outros produtos químicos (6,9%), refino de petróleo e produção de álcool (6,2%), alimentos (2,1%) e edição, impressão e reprodução de gravações (5,5%). Mais do que o crescimento apenas em relação ao início do ano anterior, os dois primeiros desses setores apresentam um crescimento mais consistente. O primeiro atingiu, em fevereiro, o maior patamar da sua série recente, impulsionado principalmente pela produção de herbicidas para o setor agropecuário. Já o segundo apresentou, em fevereiro, uma produção apenas 0,4% menor do que o seu maior patamar, ocorrido em maio de 2011, alavancado pelo crescimento da produção de gasolina automotiva.

Enquanto isso, a indústria de transformação gaúcha apresentou uma desaceleração maior do que a brasileira. Na série com ajuste sazonal, o volume produzido caiu 3,5% em fevereiro de 2012 em relação a janeiro e 3,4% em relação a dezembro de 2011. Contudo, no acumulado do ano, a indústria gaúcha mostra um crescimento de 2,6%, em virtude de a base de comparação não ser tão alta quanto a brasileira. O setor que mais contribui para esse crescimento no acumulado foi máquinas e equipamentos (42%), com comportamento contrário ao brasileiro; e o que apresentou a maior queda foi o setor de veículos automotores (-27%).

O comportamento recente da indústria de transformação

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Desempenho da indústria de transformação gaúcha vis-à-vis à brasileira em 2011

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Edição: Ano 21 nº 02 - 2012

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Após observar os dados fornecidos pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, verifica-se que a produção física da indústria de transformação gaúcha cresceu 1,8% no acumulado de janeiro a novembro de 2011, comparado-se com o mesmo período de 2010. Já a indústria brasileira cresceu menos (0,3%).

Os principais setores industriais responsáveis por esse crescimento no RS foram fumo (15,5%), máquinas e equipamentos (8,7%) e alimentos (4,8%). Por sua vez, os que menos cresceram, inclusive apresentando decréscimos em sua produção física, foram metalurgia básica (-8,1%), borracha e plástico (-7,6%) e calçados e artigos de couro (-5,1%).

O elevado crescimento na indústria de fumo é explicado pelo bom resultado da colheita de tabaco no Estado, que é o principal produtor nacional. O crescimento da produção física gaúcha de máquinas e equipamentos revela o dinamismo que esse setor exibiu no último ano, visto que foi superior ao nacional (0,8%).

O fraco desempenho do ramo metalúrgico decorre, principalmente, da queda da demanda por parte da indústria de outros estados brasileiros, afetada pelo cenário externo desfavorável. No caso da indústria de calçados, houve forte perda de competitividade frente à produção calçadista chinesa, que apresenta menores custos de produção. No Brasil, a queda acumulada no período foi ainda maior (-9,7%).

Desempenho da indústria de transformação gaúcha vis-à-vis à brasileira em 2011

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Perfil setorial e regional da indústria de transformação no Estado

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Edição: Ano 20 nº 12 - 2011

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Em 2011, a FEE iniciou uma série de estudos para identificar e avaliar os principais setores produtivos do Rio Grande do Sul, bem como a sua distribuição geográfica. Trata-se de uma análise da concentração da produção e do emprego no Estado, com o intuito de subsidiar políticas públicas de desenvolvimento setorial e regional. Os primeiros resultados foram obtidos a partir das estatísticas do registro fiscal de saídas da Secretaria da Fazenda do RS (Sefaz) e do emprego formal e salários (RAIS-MTE) da indústria de transformação, ambos referentes a 2006 — ano mais recente para o qual havia disponibilidade de uma base de dados completa da Sefaz. Assume-se, aqui, que o valor das saídas representa uma aproximação do Valor Bruto da Produção (VBP) industrial.

O Rio Grande do Sul apresenta uma estrutura industrial densa, quando comparada com a dos demais estados da Federação, estando aqui representadas partes relevantes dos setores de atividade da estrutura produtiva nacional. As estatísticas analisadas evidenciam que, dentro do Estado, a produção e o emprego industriais estão setorial e geograficamente concentrados. Em termos setoriais, a produção concentrase na fabricação de produtos alimentícios, produtos químicos, veículos, reboques e carrocerias e couro e calçados, os quais representam mais de 50% do total do valor da produção e pouco menos de 50% do total do emprego formal. Em termos regionais, apenas três Coredes — Metropolitano Delta do Jacuí, Serra e Vale do Rio dos Sinos — detêm cerca de 70% da produção total da indústria e 60% do emprego.

Há, porém, diferenças significativas nas relações entre valor da produção, emprego e distribuição geográfica nos quatro maiores setores. O setor de produtos alimentícios — cujas principais atividades no Estado são beneficiamento de soja e arroz, abate e produtos de carnes e laticínios — representa 18,9% da produção e 16,1% do total do emprego formal, com uma relação emprego/produção de 0,85. Trata-se, portanto, de um setor no qual a produção é ligeiramente mais importante do que a geração de empregos — embora se reconheça que, dentro desse agregado, existem algumas atividades cuja importância relativa do emprego é maior. Geograficamente, a fabricação de produtos alimentícios está presente em todo o território gaúcho e constitui a atividade mais importante na maior parte das regiões. Porém, 50,0% do valor da produção desse setor concentram-se em apenas quatro Coredes: Sul (onde se localiza 14,1% da produção do setor), Vale do Taquari (13,1%), Serra (13,0%) e Produção (10,6%).

O setor de produtos químicos, por outro lado, representa 16,0% da produção da indústria de transformação no Estado e apenas 2,4% do emprego formal. Além disso, 76,8% da produção concentram-se no Corede Metropolitano Delta do Jacuí. Embora a média de salários pagos seja maior do que a média estadual, a participação da massa salarial do setor no total do Estado (5,19%) ainda é baixa, quando comparada à sua importância na produção.

O setor de veículos automotores, reboques e carrocerias representa 10,3% da produção e 6,1% do emprego formal, com uma relação emprego/produção de 0,59. No entanto, como o salário médio pago pelo setor é maior do que a média do Estado, a sua participação na massa salarial total aproxima-se da sua importância em termos de produção (9,98%). Trata-se, também, de um setor bastante concentrado geograficamente: os Coredes Metropolitano Delta do Jacuí e Serra detêm, respectivamente, 47,5% e 45,0% da produção. Em ambos, a atividade de autopeças é relevante, porém, enquanto, no Metropolitano, destaca-se a produção de automóveis, no Corede Serra, a produção do setor concentra-se em caminhões e ônibus e cabines, carrocerias e reboques, o que evidencia a especialização intrassetorial das regiões.

Finalmente, o setor de couro e calçados representa 8,6% da produção e 24,9% do emprego formal. A despeito da elevada relação emprego/produção (2,86), a média salarial paga pelo setor é baixa, uma vez que o padrão de competição do setor é baseado em custos. Em função disso, a participação na massa salarial do setor no Estado é de 16,8%. A produção de couro e calçados também está presente em praticamente todo o território gaúcho. No entanto, cerca de 70% da produção do setor no Estado estão concentrados nos Coredes Vale do Rio dos Sinos (51,8%) e Paranhana-Encosta da Serra (19,4%). Outros setores relevantes na estrutura produtiva do Estado, que possuem uma relação emprego/produção superior à unidade, são os de máquinas e equipamentos, borracha e plástico e produtos de metal e móveis, enquanto, nos setores de derivados de petróleo e fumo, ao contrário, a relação é baixa e bastante inferior à unidade.

Essas desigualdades apontadas acima mostram que as características setoriais da indústria e seus padrões de localização regional devem ser contemplados na formulação de políticas de desenvolvimento e de fomento ao investimento no Estado. Nem sempre políticas de fomento à produção implicarão o correspondente aumento do emprego e da massa salarial, ou, até mesmo, a redução das desigualdades regionais.

Perfil setorial e regional da indústria de transformação no Estado

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A crise na indústria gaúcha

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Edição: Ano 18 nº 05 - 2009

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A partir da Pesquisa Industrial Mensal-Produção Física do IBGE, constata-se o rigor da crise recessiva da economia brasileira, deflagrada no último bimestre de 2008. No Estado, observa-se que, desde novembro de 2008, os níveis de produção estão abaixo da média de 2002, o que dá a real dimensão da depressão atual. Faz-se uma ressalva importante: nos meses típicos de verão – dezembro a fevereiro -, é esperado um arrefecimento no ritmo das atividades, existindo um componente estacional bem definido na atividade industrial. Contudo chama atenção, mesmo assim, o aprofundamento dessa desaceleração. Ademais, a indústria, em 2008, já iniciou o ano em ritmo acelerado, quebrando a tendência da série, o que agravou as comparações com o começo do ano corrente.

Comparando-se os resultados do último quadrimestre (nov./08-fev./09) com o do mesmo período do ano anterior, constata-se que a produção da indústria, em geral, se situa em um nível bem menor (-17,0%), com todos os principais setores apresentando taxas negativas, com destaque para produtos químicos (-38,0%), veículos (-33,1%) e calçados e couros (-24,6%). Comparando-se os dados recentes com as médias históricas dos quadrimestres anteriores (período nov./02-fev./08), constata-se que a indústria como um todo se encontra abaixo de sua média histórica (-10,1%). Registra-se como destaque positivo o refino de petróleo (19,1%) e a produção de alimentos (5,2%), que, apesar das quedas recentes, permanecem com níveis produtivos acima de suas médias históricas. Destacam-se negativamente os setores de calçados e couros (-36,5%) e produtos químicos (-37,6%), com desempenhos bem abaixo das médias.

A crise na indústria gaúcha

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