Textos com assunto: indústria calçadista

Calçados de maior valor agregado e dólar estimulam exportações do setor no RS

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Edição: Ano 25 nº 05 – 2016

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As vendas externas gaúchas de calçados de todos os tipos, que representam 3,43% do total exportado pelo RS, totalizaram 6.481 mil pares e geraram US$ 96.405 mil no primeiro trimestre de 2016, reconfirmando a posição do RS de maior exportador de calçados do Brasil. A partir do final do ano passado, a exportação de calçados produzidos no Estado vem-se recuperando, ao contrário do ocorrido em nível nacional. Tanto na comparação do primeiro trimestre de 2016 com o mesmo período em 2015 como do quarto trimestre de 2015 com igual período em 2014, houve crescimento nas exportações gaúchas (respectivamente, 9,47% e 5,24%). No Brasil, essa mesma comparação trimestral foi marcada por variações negativas (respectivamente, -6,14% e -4,54%).

Os níveis de emprego e os índices da produção física na indústria de calçados gaúcha também vêm mostrando recuperação. A comparação dos saldos de admitidos e demitidos na produção de calçados, entre os primeiros dois meses de 2016 e o mesmo período em 2015, já registrou um aumento de 6,81%. No setor produtivo, desde novembro observam-se sinais de retomada no ritmo de crescimento, haja vista a melhora nos índices mensais na comparação com o mesmo mês do ano anterior. As taxas anualizadas também apontam recuperação nessa indústria em nível regional. O movimento de depreciação do real frente ao dólar, que ganhou intensidade em 2015, tem-se mostrado um fator determinante para explicar a recuperação das exportações gaúchas de calçados. Os valores negociados nas feiras foram favorecidos pelo câmbio, que deixou os preços dos calçados brasileiros mais competitivos e aumentou a procura pelo produto brasileiro, com reflexos visíveis no número de pares embarcados, que cresceu entre 2014 e 2015. A aposta na preservação dos preços em nível competitivo, somada aos resultados dos negócios alinhados em grandes feiras internacionais no início do ano, tais como a GDS, na Alemanha, a Expo Riva Schuh e a TheMicam, na Itália, e a FNPlatform e a Coterie, nos Estados Unidos, deverá render aumentos graduais da exportação de calçados nos próximos meses.

Mas não é apenas o fator preço que atua como determinante nas negociações. A estratégia de investimento contínuo na exportação, especialmente agora, com a retração do mercado doméstico, vem permitindo que calçados de maior valor agregado e de melhor qualidade voltem a interessar os compradores externos.

Essa situação favorece a indústria calçadista do Rio Grande do Sul, onde a adição de valor ao calçado tem pautado as estratégias inovadoras em design, qualidade das matérias-primas, sofisticação e marca própria diferenciada adotadas por um segmento expressivo de empresas. A comercialização desses calçados é feita, na maior parte, com marca própria, em lojas próprias ou em boutiques, mas muitos vendem em lojas de calçados multimarcas ou para importadores que distribuem o produto nas redes de lojas exclusivas. Ressalte-se que o mercado externo absorve cerca de 20% da produção do segmento de alto valor agregado, de modo que ainda existe enorme potencial para expansão. Os principais países compradores do calçado gaúcho são EUA, França, Argentina e Reino Unido.

O preço médio de exportação do calçado produzido no RS reflete o resultado dessa busca por maior agregação de valor, que ocorre também nos calçados gaúchos elaborados com materiais sintéticos. Em todos os trimestres dos últimos dois anos, observa-se que o preço dos calçados exportados é pelo menos o dobro do obtido pelo similar nacional. É certo que a majoritária produção de calçados de couro, tradicionalmente de preço mais elevado, deve estar elevando o preço médio total. De fato, os calçados desse tipo, exportados para países como Reino Unido, Itália, Polônia e Portugal, registraram preços médios de até US$ 33 o par no primeiro trimestre de 2016.

Por fim, pode-se inferir que a continuidade dos investimentos em inovação e a adoção de estratégias de produção e comercialização de calçados com alto ou maior valor agregado permeiam a indústria calçadista gaúcha como um todo e que, lado a lado com a presença de preços internacionais competitivos, são elementos determinantes para alavancar a recuperação dessa indústria no RS.

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Perspectivas da indústria calçadista do RS em 2015

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Edição: Ano 24 nº 04 - 2015

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O ambiente recessivo que se desenha para 2015 deverá acrescentar novos ingredientes ao comportamento já desfavorável dos indicadores de emprego, produção e exportação das indústrias calçadistas brasileira e gaúcha nos últimos anos. Os níveis de emprego formal do setor, conforme dados do Ministério do Trabalho — Relação Anual de Informações/Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (RAIS/Caged) —, vem decrescendo ano a ano, atingindo, entre 2010 e 2014, uma perda de 39.668 postos de trabalho no Brasil (redução de 11,38%) e de 16.601 no Rio Grande do Sul (redução de 13,60%). A produção industrial física medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) — aponta desempenhos negativos na maior parte do período analisado, com frequência mais acentuada em termos regionais. O valor das exportações também se mostra decrescente, tanto no Brasil como no RS, embora venha mantendo certa estabilidade nos últimos três anos.

As dificuldades impostas às indústrias calçadistas nacional e regional iniciaram nos anos 90, quando as exportações de sapatos da China começaram a crescer e a retirar fabricantes brasileiros de mercados externos tradicionais, passando, também, a ocupar parcelas crescentes do mercado doméstico. Contudo estratégias adotadas pelas empresas, tais como prospecção de novos mercados, aumento do valor agregado do produto, diversificação dos canais de comercialização, aumento das vendas no mercado doméstico e deslocamento de plantas para a Região Nordeste contribuíram para amenizar os efeitos nocivos do ambiente de incertezas e de acirramento da concorrência.

De 2000 a 2014, a indústria calçadista consolidou a presença de novos polos produtores no País, diversificou substancialmente os seus mercados e passou a exportar calçados em uma faixa de preço mais elevada. O calçado gaúcho, em especial, teve o seu preço médio de exportação elevado de US$ 10,00 para US$ 25,00 o par no período. As exportações, contudo, começaram a decrescer após a crise de 2008, que afetou os grandes mercados compradores. A partir de 2010, o Governo vem contribuindo com medidas como a desoneração tributária e ações “antidumping”, com o objetivo de melhorar a competitividade dessa indústria.

Em 2015, a necessidade de ajustes na economia brasileira, mediante a elevação da taxa de juros e do custo da energia elétrica e a retirada e/ou diminuição de incentivos fiscais, associada ao enfraquecimento da demanda interna, deve afetar a dinâmica da indústria calçadista. A desvalorização do real, que, de um lado, eleva a competitividade dos calçados no mercado internacional e, de outro, inibe a importação de calçados e de componentes, afetando positivamente a concorrência no mercado interno, deverá ter seus benefícios diminuídos frente aos aumentos de custos que se anunciam. Destacam-se nesse aspecto: a redução do benefício fiscal de desoneração da folha de pagamentos das empresas calçadistas (aumento da contribuição de 1% para 2,5% sobre a receita bruta das empresas no mercado interno); e a redução de 3% para 1% do percentual sobre a receita das exportações para o ressarcimento de tributos federais como o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) — Programa Reintegra.

A exportação de calçados ainda é expressiva no Rio Grande do Sul, embora sua evolução venha sendo bastante afetada pela queda das vendas externas para a Argentina e pela diminuição das exportações de calçados de couro, de preço médio mais elevado, em razão do longo período de câmbio valorizado. Assim, em se mantendo a atual fase de valorização do dólar, a expectativa das exportações para 2015 mostra-se mais favorável, embora os valores para os primeiros meses ainda não indiquem isso. Os resultados positivos aparecerão à medida que forem sendo contabilizadas as negociações fechadas nas grandes feiras nacionais e internacionais ocorridas nos últimos meses de 2014. Além disso, destaca-se a recuperação econômica de mercados importantes, como Estados Unidos e países da União Europeia, em especial Alemanha e França.

Quanto à recuperação dos níveis de emprego e de produção física, efeitos mais duradouros somente poderão ser viabilizados com o retorno do crescimento mais sustentado das demandas interna e externa.

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Indústria calçadista segue em trajetória recessiva

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Edição: Ano 24 nº 01 - 2015

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A evolução recente dos principais indicadores setoriais da indústria calçadista vem delineando um panorama recessivo em termos tanto nacionais como regionais. No acumulado de janeiro a outubro de 2014, frente ao mesmo período de 2013, a produção industrial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra queda de 3,4% na atividade de preparação de couros e fabricação de calçados e artigos para viagem no Brasil e de 4,9% no Rio Grande do Sul.

Essa retração veio acompanhada da diminuição dos níveis de emprego formal no setor, com queda na geração de postos de trabalho, comprovada pelo saldo negativo entre admitidos e desligados, no período jan.-nov./14. No Rio Grande do Sul, a queda foi mais expressiva, tendo ocorrido em todos os segmentos dessa atividade, com ênfase na fabricação de calçados de couro, que representa 75% dos empregos formais gaúchos locados na fabricação de calçados (em termos de Brasil, esse percentual atinge 62%).

Nos últimos anos, como consequência da baixa competitividade externa, os fabricantes brasileiros passaram a direcionar parte expressiva da sua produção de calçados para o mercado interno. Assim, o atual enfraquecimento da demanda interna, somado às instabilidades políticas e econômicas nos principais mercados — como a Argentina —, foi decisivo para o fraco desempenho das indústrias calçadistas gaúcha e brasileira em 2014. Contribuíram para esse quadro o cenário de incertezas derivado das eleições, as bruscas oscilações cambiais e o surpreendente efeito inibidor da Copa do Mundo, que direcionou o consumo para produtos da linha branca e setores de serviços.

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Crise global agrava situação de calçadistas gaúchos

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Edição: Ano 19 nº 03 - 2010

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Além das antigas dificuldades enfrentadas pelos calçadistas gaúchos, decorrentes da agressiva concorrência dos calçados chineses e da manutenção da política de valorização do real, a eclosão da crise financeira global, em setembro de 2008, adicionou alguns componentes novos. A abrupta redução do crédito para financiamento do comércio, o encolhimento da demanda externa e o retorno da implementação de medidas protecionistas por diversos países provocaram uma drástica contração dos fluxos de comércio internacional, com consequências negativas sobre o nível de produção e de emprego desse segmento produtivo.

No caso da indústria calçadista gaúcha, especializada em calçados de couro femininos destinados ao mercado externo, as quedas foram expressivas, reforçando a tendência de diminuição da representatividade dos calçados do RS na indústria calçadista nacional. Em 2009, a produção física encolheu 20,0%, queda que só não foi maior devido à imposição de uma tarifa “antidumping”, de US$ 12,57, sobre os calçados chineses, em setembro desse ano, e ao crescimento da demanda interna. As exportações, por sua vez, caíram, no último ano, mais de 30% em valores, queda igual à verificada no número de pares embarcados.

Crise global agrava situação de calçadistas gaúchos

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Indústria calçadista gaúcha cresce menos

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Edição: Ano 19 nº 09 - 2010

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A indústria calçadista brasileira vem se recuperando-se dos efeitos da crise mundial que eclodiu no segundo semestre de 2008 e causou um encolhimento expressivo da produção e da exportação desse bem em 2009. Estimativas recentes da Abicalçados apontam um incremento de 5,5% no volume de pares a ser produzido no País em 2010, acompanhado de investimentos que devem superar em 11,5% o montante investido em 2009. Também são otimistas as projeções referentes ao consumo aparente de calçados (730 milhões de pares) e às vendas no varejo (crescimento de 12%). A expectativa é de continuidade da expansão dos níveis de emprego, que, em julho, já mostravam uma elevação de 13,7% sobre dezembro de 2009, e das exportações, que aumentaram 10,4% em valor e 15,2% em pares embarcados nos primeiros sete meses de 2010, em relação ao mesmo período do ano passado.

Contudo essa boa performance da indústria calçadista nacional ocorre de modo diferenciado em nível regional, refletindo a existência de dois padrões de organização dessa atividade produtiva. De um lado, tem-se uma organização mais tradicional, localizada principalmente no Rio Grande do Sul e em São Paulo, com predominância de pequenas e médias empresas formando aglomerações produtivas especializadas na fabricação de calçados de couro. Nesses estados, a ênfase na agregação de valor ao produto final, através de investimentos em novas tecnologias, estilo e design, criou um produto diferenciado, de preço médio mais elevado e mais direcionado para nichos de mercado. De outro lado, desponta um padrão de organização mais recente, instalado, na Região Nordeste (notadamente, no Ceará, na Paraíba e na Bahia), por empresas de maior porte, atraídas por menor custo da mão de obra, incentivos fiscais e economias de escala. A produção de calçados predominantemente sintéticos (plástico e borracha), de menor preço, é mais competitiva no segmento do mercado internacional de baixo custo, marcado pela ampliação da concorrência de produtores asiáticos notadamente chineses.

A evolução da produção de calçados e artigos de couro no Brasil e nos dois estados mais representativos desses padrões de organização, Rio Grande do Sul e Ceará, mostra diferença de intensidade das taxas de crescimento, embora com uma trajetória parecida (ver gráfico). A partir de uma posição semelhante (taxa negativa de cerca de 10% em fevereiro de 2009), as três indústrias voltaram a evoluir de modo bastante diferenciado, sendo que a gaúcha enfrentou maiores dificuldades para recuperar a produção. Em grande parte direcionada para o mercado externo, a indústria calçadista do Rio Grande do Sul foi severamente afetada pela retração do comércio internacional e pela ampliação da concorrência dos produtos chineses. Já a indústria do Ceará, produzindo principalmente para o mercado interno, conseguiu reverter as taxas negativas com mais facilidade, favorecida, também, pela adoção de uma sobretaxa de US$ 13,85 à importação do calçado chinês pelo Governo brasileiro. No primeiro semestre de 2010, a produção de calçados no Ceará cresceu 28,26%, respondendo pela maior exportação de calçados em número de pares (47,07%), com preço médio de exportação de US$ 5,69 o par. No Rio Grande do Sul, o crescimento no mesmo período foi bastante menor, 10,81%, mas esse estado detém a liderança no valor exportado (50,56%), a um preço médio de US$ 23,55 o par.

Indústria calçadista gaúcha cresce menos

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Desempenho e perspectivas do setor calçadista

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Edição: Ano 14 nº 03 - 2005

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Ao longo de 2004, a indústria gaúcha registrou elevações expressivas nos patamares de produção, impulsionadas pelo agronegócio e pelas exportações, com destaque para as vendas externas de produtos de fumo e de veículos automotores. Nos últimos meses desse ano, no entanto, o comportamento dos principais indicadores do nível de atividade produtiva mostrou uma desaceleração no ritmo de crescimento, sem, contudo, comprometer a performance do setor industrial, cujo indicador anual alcançou a taxa de 6,4%.

A produção de calçados e de artigos de couro, com uma participação importante na estrutura industrial e na pauta de exportações gaúcha, influenciou de modo desfavorável o comportamento da indústria gaúcha em 2004. Sua trajetória de queda só foi interrompida nos dois últimos meses do ano, tendo alcançado uma taxa apenas levemente positiva no acumulado do ano (0,7%).

Embora seja observada uma recuperação das exportações desse segmento, a apreciação cambial iniciada em agosto de 2003 — explicada não só pelas constantes desvalorizações do dólar frente ao euro e pela redução do Risco-País, mas sobretudo pela elevação da taxa de juros doméstica — vem comprometendo a rentabilidade das empresas calçadistas e, em conseqüência, os volumes de produção.

As perspectivas para 2005 do segmento produtor de calçados e artigos de couro não são favoráveis, tendo em vista as últimas elevações da taxa Selic e, principalmente, a sinalização de que aumentos adicionais poderão ocorrer, o que já tem motivado alterações nas previsões de crescimento da rentabilidade e da produção realizadas no início do ano.

Desempenho e perspectivas do setor calçadista

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Emprego em alta na indústria calçadista gaúcha

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Edição: Ano 12 nº 02 - 2003

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O crescimento do emprego na indústria calçadista gaúcha nos últimos quatro anos deve ser percebido como parte de um amplo processo de reorganização dessa cadeia produtiva na década de 90. Essa atividade contém diversos elementos de um sistema local de produção (SLP). O Vale do Sinos e o seu entorno abrigam a cadeia produtiva completa (couro, calçados, componentes e equipamentos), sediando as principais representações setoriais e concentrando um grande número de instituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento. Apesar disso, essa atividade ainda não adquiriu um formato mais acabado de SLP, caracterizando-se ainda como um arranjo produtivo local (APL).

Durante o período 1994-98, esse APL atravessou uma séria crise, que resultou no fechamento de mais de 200 empresas, conseqüência da reestruturação iniciada no começo dos anos 90 e agravada com a sobrevalorização do real. Nesse mesmo período, segundo informações da RAIS-MTE, o emprego formal nos segmentos produtores de couros, calçados e componentes para calçados passou de 154.322 em 1994 para 115.416 em 1998, ou seja, ocorreu uma demissão de 38.906 trabalhadores, sem se considerarem as perdas no segmento de máquinas e equipamentos.

Esse processo trouxe melhorias à competitividade de diversas empresas, e seus resultados sobre o trabalho manifestaram-se a partir de 1999. Conforme dados da RAIS-MTE, o emprego formal na produção de calçados, couros e componentes elevou-se para 128.946 em 1999, alcançando 149.608 em 2001. Em novembro de 2002, nos 11 principais municípios que agregam essa atividade, dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), do MTE, revelaram um saldo positivo entre admissões e desligamentos de 13.835 trabalhadores formais nos últimos quatro anos. É evidente que a recuperação do emprego se baseia, em parte, nos efeitos da recente desvalorização cambial sobre as exportações. Ressalte-se, porém, que o saldo se manteve positivo mesmo nos anos 2001 e 2002, quando houve queda na produção de calçados.

O fato é que o APL calçadista, além de ter alcançado melhores condições de competitividade no mercado internacional, introduziu alguns fatores capazes de garantir maior sustentabilidade aos empregos gerados. Essa situação se fundamenta na política estadual de apoio aos SLPs gaúchos e em diversas iniciativas das representações empresariais e do Governo Federal. As ações implementadas visaram melhorar a sinergia do arranjo produtivo a partir do reforço das diversas formas de cooperação e da democratização das externalidades, tentando inserir competitivamente as empresas menores, reforçar o poder de negociação das cooperativas, diversificar a participação da indústria no mercado mundial e oferecer condições de crédito mais acessíveis à maioria das empresas.

Entretanto as diversas instituições não chegaram ao ponto de estabelecer um verdadeiro pacto regional, mantendo conflitos que limitam o acesso equilibrado às vantagens de aglomeração características de um SLP. A relação capital-trabalho fundamenta-se em parâmetros pouco avançados, sendo que os salários são mantidos em níveis relativamente baixos, combinados com alta rotatividade da mão-de-obra. As entidades empresariais são pouco representativas das pequenas empresas, havendo, ainda, a necessidade de aprofundamento e dinamização no processo de difusão de uma nova concepção de design e de inovação de uma forma geral. Somente a partir desse novo padrão será possível avançar na concorrência internacional e ampliar o emprego de forma sustentada.

Emprego em alta

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