Textos com assunto: indústria automobilística

Expressivo crescimento do setor automotivo em 2010

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Edição: Ano 19 nº 12 - 2010

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Em 20 anos, a indústria automotiva brasileira deixou de ser fabricante de “carroças” para se tornar um dos parques produtores mais modernos do mundo. Ao longo desse período, foram construídas 11 novas plantas, modernizaram-se várias outras, e revolucionou-se o processo produtivo, o que resultou em notável ampliação da capacidade instalada. Nem a crise financeira global de 2008 reverteu a trajetória expansionista dessa indústria, que atualmente ocupa a sexta posição no ranking de países produtores de automóveis. A existência de demanda reprimida e o crescimento sustentado da economia brasileira impulsionaram a rápida expansão da produção, sobretudo a partir de 2004, alcançando um novo patamar de produção e de comercialização de autoveículos nos últimos anos.

A boa performance nacional dessa indústria também é observada no RS: a produção física da atividade fabricação e montagem de veículos automotores cresceu à taxa de 32,1% no acumulado jan.-set./10, em comparação com igual período do ano anterior. O melhor resultado foi alcançado pela produção de caminhões, o que reflete a fase de expansão do setor agrícola brasileiro, sustentada pela recuperação de preços e pela boa safra de grãos (2009-10). No segmento de carrocerias para ônibus, no qual a gaúcha Marcopolo é responsável por mais da metade da produção, a boa fase decorre da recuperação da demanda, retraída pela crise financeira global, e das renovações das frotas urbanas e interestaduais. As exportações, beneficiadas pelo aquecimento dos mercados latino-americano, com destaque para o Chile e a Argentina, e da África do Sul, cresceram 48,6% em igual período.

Expressivo crescimento do setor automotivo em 2010

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Veículos automotores: recuos maiores na produção e vendas de ônibus e caminhões

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Edição: Ano 18 nº 09 - 2009

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Após atingir fortes taxas mensais negativas no primeiro bimestre do ano, quando comparadas com as do mesmo período de 2008 (em torno de -17% na indústria brasileira e -20% na gaúcha), a produção física industrial vem apresentando sinais de recuperação, por conta do ajuste de estoques, do impacto ainda positivo das reduções de impostos, das maiores facilidades de crédito e da substituição de produtos importados por nacionais. As taxas globais continuam bastante negativas, acompanhadas de grandes perdas de empregos formais (144.000 no Brasil e 10 mil no RS) no primeiro semestre de 2009. Porém alguns setores vêm conseguindo melhorar seu desempenho, como, por exemplo, o de fabricação e montagem de veículos automotores.

A leve recuperação (embora ainda com taxas negativas) que se seguiu ao corte expressivo da produção desses bens no final do ano passado concentrou-se no segmento produtor de automóveis e comerciais leves, tendo sido amplamente estimulada pela redução do IPI. No acumulado dos sete primeiros meses de 2009, os licenciamentos de veículos leves nacionais superaram as marcas do mesmo período do ano anterior, mas as exportações continuaram fortemente negativas.

O quadro é mais preocupante no segmento produtor de ônibus, caminhões, carrocerias e implementos rodoviários, mais representativo na indústria automotiva gaúcha. Fatores como o esfriamento da atividade industrial, o atraso do programa de financiamento à aquisição de caminhões, a diminuição da demanda por ônibus urbanos, as indefinições quanto à prorrogação das concessões das linhas interestaduais no Brasil e o fraco desempenho das exportações contribuíram para a retração no número de unidades produzidas desses bens (em torno de -30%) no período jan.-jul./09, comparado com 2008, conforme dados da Anfavea.

Veículos automotores recuos maiores na produção e vendas de ônibus e caminhões

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Produção e vendas de veículos em queda

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Edição: Ano 17 nº 12 - 2008

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Os impactos da crise financeira internacional sobre o lado real da economia vão-se tornando visíveis e atingem, de forma variada, os diversos setores da economia mundial. Um caso dramático é o da indústria automobilística norte-americana, com risco de falência dos três maiores fabricantes. As dificuldades decorrem da atual crise financeira e do “enxugamento” da liquidez, mas também de problemas que restaram da crise industrial da década de 70, quando a perda de dinamismo do padrão tecnológico e a quadruplicação dos preços do petróleo revelaram uma indústria com baixos níveis de eficiência e não competitiva.

A reconversão das plantas, nos anos 80, mediante a automação e a incorporação de práticas enxutas de produção, possibilitou a recuperação da competitividade dos veículos norte-americanos. Contudo os fabricantes mantiveram a produção de veículos maiores e de preço elevado, apostando nocrédito abundante e barato, que também alimentou o mercado de imóveis. A atual crise de liquidez, porém, colocou em xeque a estratégia das três grandes norte-americanas.

No Brasil, as subsidiárias das montadoras norte-americanas são mais eficientes, preponderantemente pelo fato de serem plantas relativamente novas, construídas e/ou modernizadas na década de 90. Estas já incorporaram as inovações tecnológicas, organizacionais e logísticas, o que garante redução de custos, produtividade elevada e desenvolvimento de veículos adequados aos mercados de países emergentes: veículos mais baratos e voltados para o consumo de massa.Essa conjugação de fatores vem sustentando, especialmente a partir de 2004, uma fase de expansão acelerada da produçãoda indústria automotiva. Impulsionada pelo bom desempenho do mercado interno, a produção de automóveis e comerciais leves, caminhões e ônibus manteve-se, por um longo período, em patamares historicamente elevados. Contudo essa situação começa a mudar, na medida em que o aumento dos juros e o prazo menor de financiamento tornam os consumidores mais cautelosos (ou mais endividados), reduzindo a demanda interna e a produção.

Apesar das elevadas taxas de crescimento da produção (17,6%) e da comercialização (20,2%) de autoveículos, acumuladas no período jan.-out./08, em relação a igual período de 2007, uma análise da evolução das taxas mensais de crescimento da produção e das vendas mostra uma desaceleração no ritmo de crescimento da indústria, a qual deverá aprofundar-se nos próximos meses. Essa tendência é confirmada pela decisão de conceder férias coletivas aos empregados (GM de Gravataí por exemplo) e pelo aumento das demissões de empregados no segmento de autopeças. Na tentativa de amenizar os efeitos negativos sobre a cadeia produtiva, o Governo disponibilizou R$ 8 milhões para os bancos das montadoras financiarem as vendas.

Em outubro, segundo a Anfavea, as vendas de veículos caíram 11,6% em relação ao mês anterior. A queda acentou-se na primeira quinzena de novembro: cálculos da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores apontam uma redução de 20,1% nas vendas de veículos automóveis e comerciais leves, em relação a outubro; retração de 9,6% nas vendas de caminhões e alta de 3% nas vendas de ônibus, no mesmo período de comparação.

Produção e vendas de veículos em queda

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O emprego industrial em Gravataí e na RMPA: os efeitos do complexo GM

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Edição: Ano 17 nº 06 - 2008

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A instalação do Complexo Industrial Automotivo de Gravataí (CIAG) em julho de 2000 foi cercada de expectativas e de controvérsias, notadamente no que respeita à geração de empregos, por se tratar de uma indústria que utiliza tecnologia avançada, poupadora de mão-de-obra. A nova planta, ao se cercar de uma rede de fornecedores de primeira linha (os sistemistas) e de uma rede de prestadores de serviços auxiliares e de fornecedores de autopeças, insumos e matérias-primas para a General Motors (GM) e para os seus fornecedores, provocaria um efeito multiplicador sobre o emprego no município-sede da montadora e nos arredores, ou seja, na RMPA.

Considerando-se o ano de 1999, que antecede a vinda da montadora, e o de 2001, início do pleno funcionamento do CIAG, ocorreu, em Gravataí, um salto (98,5%) no contingente de empregados formais nos dois segmentos industriais em que a GM e os seus principais sistemistas estão enquadrados (fabricação de automóveis, caminhonetas e utilitários; fabricação de peças e acessórios para veículos automotores), enquanto, na RMPA, o incremento foi de 27,8%. No cômputo dos sete anos (1999 a 2006), o emprego cresceu 197,5% em Gravataí e 98,6% na RMPA, muito acima da indústria de transformação (64,4% em Gravataí e 24,7% na RMPA), que serve como um balizador. Gravataí passou, assim, de 6,1% do emprego formal na indústria de transformação da RMPA em 1999 para 8,0% em 2006, enquanto, nos segmentos produtivos observados, o Município avançou de 31,3% para 46,5%. Percebe-se, pois, que o impacto do complexo GM é bem menor fora de Gravataí.

O emprego industrial em Gravataí e na RMPA

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Bons resultados para a indústria de veículos automotores

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Edição: Ano 16 nº 09 - 2007

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O ano de 2007 vem-se mostrando favorável à indústria gaúcha de transformação, que apresentou um crescimento acumulado de 8,5% no período jan.-jun., em comparação com o primeiro semestre de 2006, quando registrou uma queda da produção física de 3,9%. Com esse resultado, o RS assumiu a liderança sobre os demais estados brasileiros, posicionando- -se acima da taxa alcançada pela indústria brasileira de transformação: 4,7% (PIM-IBGE).

Dentre os setores que mais cresceram, destaca-se a indústria de veículos automotores, da qual fazem parte a indústria automobilística propriamente dita, bem como os segmentos produtores de ônibus e caminhões, de carrocerias e de autopeças. No Brasil, a taxa de crescimento da produção de veículos automotores ampliou-se de 1,4% (jan.-jun./06) para 8,9% (jan.-jun./07), e, no RS, as respectivas taxas aumentaram de 3,6% para 28,6% no primeiro semestre de 2007.

Ainda que ambos os resultados reflitam o bom desempenho do ramo automobilístico, chama atenção o fato de que as taxas obtidas pela indústria gaúcha de veículos automotores se tenham posicionado bem acima daquelas verificadas no Brasil. Isso se explica pela maior participação, no Estado, dos ramos fabricantes de caminhões, ônibus e carrocerias, que também vêm apresentando excelentes resultados, com reflexos sobre a produção gaúcha de autopeças.

De maneira geral, a produção dessa indústria vem-se expandindo com base na ampliação do consumo interno, favorecido, por sua vez, pelas ampliação e diversificação da oferta de crédito ao consumidor e pela abertura de novas linhas de financiamento pelo BNDES.

Bons resultados para a indústria de veículos automotores

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Mercado interno impulsiona produção gaúcha de veículos automotores

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Edição: Ano 16 nº 04 - 2007

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A redução de aproximadamente cinco pontos percentuais na taxa de juros para financiamento de automóveis e a expansão das operações com prazo igual ou superior a 36 meses despontam como importantes fatores a influenciar positivamente o desempenho recente da indústria automotiva gaúcha. Também merecem destaque o efeito dinamizador da oferta crescente de veículos bicombustíveis (etanol/gasolina), o aumento da massa salarial e as perspectivas alvissareiras de crescimento do agronegócio da região Centro-Sul do País.

Contudo, a trajetória de recuperação da produção física de autoveículos e suas peças a partir do início de 2006, com base no indicador acumulado em 12 meses, parece estar alicerçada, primordialmente, no mercado interno. A valorização do real afetou com rigor a competitividade das exportações dessa cadeia produtiva, acarretando reduções efetivas nas quantidades embarcadas (-7,6% em 2006), embora compensadas pelo aumento dos preços em dólar. É importante ressaltar, entretanto, a existência de comportamentos diferenciados dos principais subsetores — fabricação de cabines e carrocerias (-3,8%) e fabricação de peças e acessórios (9,4%) — situação que se mantém no começo de 2007.

O ano de 2007 deverá ser positivo para a cadeia automotiva no Rio Grande do Sul. A expectativa das montadoras de automóveis é de continuidade do crescimento do mercado interno de veículos, com a tecnologia flex fuel (aproximadamente 90% da produção da GM de Gravataí adota essa tecnologia), enquanto as de caminhões, reboques e carrocerias contam com o efeito dinamizador do bom desempenho do agronegócio e da recuperação das taxas de crescimento da economia nacional.

Mercado interno impulsiona produção gaúcha de veículos automotores

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Primeiro quadrimestre de 2006: setor calçadista continua em crise no RS

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Edição: Ano 15 nº 06 - 2006

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A crise pela qual passa o setor calçadista é intensa no Rio Grande do Sul, devido à representatividade do mesmo na economia do Estado. Esse segmento tem uma participação de aproximadamente 12% no valor da transformação industrial (VTI) e de 13% no total das exportações. Depois de encerrar o ano de 2005 com queda no volume das exportações e da produção — resultado da desvalorização do dólar e da concorrência dos calçados chineses —, o setor continuou a enfrentar, no primeiro quadrimestre de 2006, em relação a igual período do ano anterior, quedas de 21,6% no volume e de 3,3% no valor das exportações.

Embora o preço médio tenha aumentado nesse período, em razão de uma maior agregação de valor no calçado exportado pelo RS, esse aumento não foi suficiente para contrabalançar a queda continuada no volume das exportações. Bem diferente é o comportamento do setor nos demais estados brasileiros, quando, nesse mesmo período, tanto o volume como o valor das exportações tiveram um crescimento de 18,8% e de 12,5% respectivamente.

Somente agora, em maio de 2006, o Governo Federal disponibilizou uma linha de crédito junto ao Banco do Brasil, no valor de R$ 400 milhões, para socorrer a indústria calçadista, com 12 meses de carência mais 12 meses para parcelamento.

Primeiro quadrimestre de 2006 setor calçadista continua em crise no RS

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Indústria de material de transporte: bom desempenho, mas perspectivas pessimistas

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Edição: Ano 11 nº 05 - 2002

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Os indicadores de produção física da indústria gaúcha do IBGE referentes ao primeiro bimestre de 2002 registraram taxas de crescimento positivas, embora menores do que as observadas em igual período do ano anterior (respectivamente, 1,73% e 2,41%).

Um dos gêneros que contribuiu positivamente para esse desempenho, inclusive durante a maior parte de 2001, foi material de transporte, que compreende, no caso do Rio Grande do Sul, a montagem e a fabricação de caminhões, reboques e semi-reboques, implementos rodoviários, ônibus, carrocerias, chassis, autopeças, partes e acessórios para veículos de médio e grande portes (a fábrica da GM e seus sistemistas ainda não foram incorporados à pesquisa industrial mensal do IBGE). As taxas acumuladas de 4,8% em 2001 e de 21,3% no primeiro bimestre de 2002 refletem, em larga medida, os efeitos positivos da ocorrência de uma boa safra agrícola nacional, principalmente de grãos, com demanda por transporte aumentada (caminhões, reboques, semi-reboques e peças), assim como do bom momento vivido pelo mercado de transporte urbano (ônibus urbano e microônibus).

A atual performance do gênero material de transporte decorre, em grande parte, do processo de reestruturação da cadeia automotiva no Rio Grande do Sul. A introdução acelerada de inovações tecnológicas e organizacionais trouxe expressivas modificações para essa indústria, que já podem ser observadas tanto nas montadoras quanto nas empresas fornecedoras de partes, peças e sistemas de componentes. No âmbito dos esforços de capacitação produtiva e tecnológica, destaca-se a busca de associações (joint-ventures) e de acordos tecnológicos com empresas de outros países.

A Marcopolo, que é a maior fabricante de carrocerias de ônibus da América Latina, é um exemplo dessa estratégia. Recentemente, essa empresa fechou um acordo com a italiana Iveco para a transferência de tecnologia para a produção de carrocerias na China. Além disso, atribui à decisão estratégica de concentrar esforços no mercado externo — com o fechamento de contratos nas Américas, na África e no Oriente Médio —, paralelamente à crescente  internacionalização da companhia, o faturamento líquido superior a R$ 1 bilhão em 2001.

As perspectivas para a indústria gaúcha de material de transporte, contudo, não se mostram tão favoráveis. A interrupção da trajetória de queda da taxa de juros, o comportamento da taxa de câmbio e os efeitos da crise argentina vêm acarretando diminuição nos níveis de produção e vendas desses produtos. Particularmente importantes são os reflexos da acentuada retração do mercado argentino no primeiro trimestre de 2002 — importante país de destino das vendas externas de reboques, semi-reboques, carrocerias, peças e acessórios —, que neutralizou o desempenho positivo das exportações para o México e os Estados Unidos.

Indústria de material de transporte

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