Textos com assunto: hipertensão

Excesso de peso, diabetes e hipertensão crescem no Brasil entre 2006 e 2016

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Edição: Ano 26 nº 6 – 2017

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O Ministério da Saúde publica, desde 2006, a pesquisa Vigilância de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada por meio de questionário telefônico, com 2000 pessoas de 18 anos ou mais, em cada uma das capitais brasileiras e no Distrito Federal. O objetivo do inquérito é monitorar a magnitude de doenças e agravos não transmissíveis (DANT) e identificar alguns determinantes socioeconômicos e comportamentais, dando subsídios a políticas públicas e de promoção da saúde, objetivando a diminuição da prevalência de fatores de risco a essas doenças e o fortalecimento do sistema de saúde para o controle dessas enfermidades.

Os últimos dados disponíveis referem-se a 2016, quando, entre fevereiro e dezembro, foram entrevistadas 53.210 pessoas. Dentre os principais resultados, destaca-se o aumento da incidência de excesso de peso (Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 25 kg/m²) e da obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²). Entre os brasileiros, mais da metade encontra-se com excesso de peso: para os homens, a incidência cresceu de 47,5% em 2006 para 57,7% em 2016, ao passo que, para as mulheres, passou de 38,5% para 50,5% no mesmo período. Essa característica tende a aumentar com a idade do entrevistado. Em 2016, era de 30,3% para as pessoas de 18 a 24 anos, ultrapassando os 62,4% para os indivíduos de 45 a 64 anos. O grau de escolaridade está associado de forma inversa: quanto maior o número de anos de estudo, menor a incidência de sobrepeso, que é de 59,2% para quem apresenta até oito anos de estudo, caindo para 53,3% para os que têm de 9 a 11 anos e chegando a 48,8% para os que atingiram 12 ou mais anos de estudo. Porto Alegre, em 2016, apresentou 54,9% de pessoas com sobrepeso, situando-se numa posição intermediária entre as capitais brasileiras, cujos valores oscilaram entre 47,7% (Palmas) e 60,6% (Rio Branco). A incidência de obesidade também aumentou entre 2006 e 2016, passando de 12,1% para 19,6% para as mulheres e de 11,4% para 18,1% para os homens. Quanto à faixa etária, em 2016, a obesidade atingiu 8,5% dos jovens de 18 a 24 anos, duplicando na faixa etária seguinte, a de 25 a 34 anos, ultrapassando o percentual de 17,1% e alcançando patamares acima de 20% após essa faixa etária. Há também diferencial quanto à escolaridade, passando de 23,5% no nível mais baixo para 14,9% para os de escolaridade mais alta.

A prevalência de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, também aumentou no período analisado. O diagnóstico de diabetes é mais prevalente entre as mulheres, crescendo de 6,3% para 9,9% de 1996 a 2016. Entre os homens, os valores passaram de 4,6% para 7,8%. Em Porto Alegre, a incidência é de 8,5%, tendo os valores das capitais brasileiras oscilado entre 5,3% (Boa Vista) e 10,4% (Rio e Janeiro). Entre os brasileiros, a ocorrência cresce com a idade, chegando a atingir mais de um quarto daqueles com 65 anos ou mais, e é também influenciada pela escolaridade, sendo de 16,5% para os que têm até oito anos de estudo e de 4,6% entre os que têm 12 anos e mais de instrução. O diagnóstico de hipertensão arterial também é maior entre as mulheres, passando de 25,2% em 2006 para 27,5% em 2016, enquanto, para os homens, foi de 19,3% para 23,6%. Nesse quesito, Porto Alegre é a terceira capital com maior incidência, 28,2% dos entrevistados, sendo superada apenas por Rio de Janeiro (31,7%) e Recife (28,4%). A incidência aumenta com a idade, chegando a atingir 64,2% dos que têm 65 anos ou mais. A relação com a escolaridade é inversa, variando de 41,8% para os de escolaridade mais baixa até 15,0% para aqueles com 12 anos ou mais de estudo.

O monitoramento dos hábitos alimentares e comportamentais é importante, uma vez que eles estão diretamente relacionados à incidência de doenças crônicas e ao excesso de peso. Destaca-se que houve um leve aumento no consumo de frutas e hortaliças em pelo menos cinco dias da semana entre 2008 e 2016, passando de 33,0% para 35,2%. O consumo regular de feijão apresentou queda. Em 2012, era reportado por 67,5 % dos entrevistados, passando para 61,3% em 2016. Houve redução no consumo regular de refrigerantes e sucos artificiais: caiu de 30,9% em 2007 para 16,5% em 2016. A atividade física no tempo de lazer aumentou de 30,3% em 2009 para 37,6% em 2016, assim como o consumo abusivo de bebida alcoólica, que passou de 15,7% em 2006 para 19,1% em 2016. Nota-se que é preciso uma mudança ainda mais positiva nos hábitos alimentares e comportamentais dos brasileiros para que se possa deter o avanço do excesso de peso e da incidência de doenças como diabetes e hipertensão.

Percentual de incidência de excesso de peso, obesidade, diabetes e hipertensão arterial, segundo sexo, faixa etária e escolaridade,                                  nas capitais brasileiras e no Distrito Federal — 2016

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