Textos com assunto: expectativa de vida

Quantos anos de vida são perdidos na expectativa de vida ao nascer, pelos homens gaúchos, devido aos óbitos por causas violentas?

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Edição: Ano 26 nº 1 – 2017

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A expectativa de vida ao nascer, que representa o número médio de anos que se espera que um indivíduo viva, é um indicador estreitamente associado às condições socioeconômicas de uma região. Com o objetivo de estudar a evolução desse indicador no Rio Grande do Sul, foi elaborada uma série de tábuas de vida de 2002 a 2014 para ambos os sexos — homens e mulheres — baseada em dados de mortalidade divulgados pelo portal DATASUS e da população estimada pela FEE. Os resultados são estimativas trienais. Assim, por exemplo, o período relativo a 2014 refere-se à soma das informações dos anos 2012-14. Em 13 períodos analisados, a expectativa de vida ao nascer da população gaúcha aumentou 2,5 anos, passando de 73,41 para 75,94 anos. A análise por sexo indica que o aumento foi superior para os homens, pois evoluiu de 69,42 para 72,17 anos — um acréscimo de 2,75 anos, enquanto para as mulheres, o incremento foi de 2,19 anos, passando de 77,47 para 79,66 anos. Observa-se também que há uma diferença significativa nesse indicador de acordo com o sexo: em 2014, as mulheres esperavam viver, em média, 7,5 anos mais que homens nascidos no mesmo período. No triênio encerrado em 2014, ocorreram 244,6 mil óbitos de residentes no Estado, sendo estas quatro principais causas de morte, para ambos os sexos, as responsáveis por mais de 70% dos óbitos: doenças do aparelho circulatório, 69,0 mil óbitos (28%); neoplasias, 52,8 mil óbitos (22%); doenças do aparelho respiratório, 30,7 mil óbitos (13%); e causas externas, 23,3 mil óbitos (10%).

Os óbitos por causas externas são aqueles decorrentes de acidentes de transporte, homicídios, afogamentos, suicídios, quedas, etc. No período 2014, representaram, para os homens, a terceira causa de morte, 14% dos óbitos no período, o que significou 18,5 mil mortes — quase quatro vezes maior que o número de óbitos dessa categoria ocorrido entre as mulheres. Esse contingente de óbitos devido a causas violentas entre os homens está relacionado, principalmente, com a ocorrência de 6.677 homicídios (36% dos óbitos da categoria), 5.009 acidentes de transporte (27%) e 2.711 suicídios (15%).

Se todos os óbitos por causas externas pudessem ser evitados, a expectativa de vida ao nascer dos homens, em 2014, aumentaria de 72,17 para 74,88 anos, um acréscimo de 2,71 anos — ganho semelhante ao que ocorreu no aumento acumulado da expectativa de vida entre os períodos 2002 e 2014 (2,75 anos). Caso as doenças do aparelho circulatório e neoplasias pudessem ser eliminadas das causas de óbito dos homens, cada uma delas acarretaria apenas um aumento de dois anos e meio na expectativa de vida. Essa semelhança entre os acréscimos na expectativa de vida parecem ser contraditórios, pois se constata que o número de óbitos devido a doenças do aparelho circulatório (33,8 mil) e neoplasias (29,3mil) são bem maiores que as mortes devido a causas externas (18,5 mil). Porém, apesar de serem mais prevalentes que os óbitos por causas externas, aquelas causas de óbito predominam entre a população com idade mais avançada, ao contrário dos óbitos por causas externas, que afetam mais os jovens, especialmente os homens, acarretando uma perda maior na expectativa de vida. Ao se desdobrarem as causas específicas dentro do grupo de causas externas, nota-se que a suposta ausência de óbitos por homicídios (sendo quase 80% deles decorrentes de arma de fogo) aumentaria a expectativa ao nascer dos homens em 1,07 ano, fazendo com que essa categoria seja responsável por 40% dos ganhos em expectativa de vida ao nascer dentro do grupo causas externas. Para que se tenha dimensão da contribuição dos óbitos referentes a homicídios na expectativa de vida ao nascer dos homens, destaca-se que a sua eliminação acarretaria o mesmo ganho que se teria caso fossem eliminados os óbitos referentes às doenças do aparelho respiratório, que levaria a 1,09 ano de redução. Ao mesmo tempo, ocorreram, no período, 16,1 mil óbitos de homens referentes às doenças do aparelho respiratório em comparação com as 6,7 mil mortes decorrentes das agressões.

Atenção especial deve ser dada aos homens jovens: um terço dos óbitos por causas externas, entre a população masculina, no período 2014, ocorreu entre as idades de 15 a 29 anos. De fato, nota-se que é preciso intensificar políticas públicas que ajudem na redução de óbitos por causas violentas, pois se tratam de causas passíveis de prevenção e que acarretam um grande diferencial nos níveis de expectativa de vida dos homens gaúchos: perda de 2,71 anos na expectativa de vida devido a essas causas.

drop-1-tabela- Número de óbitos, expectativa de vida ao nascer e ganho na expectativa de vida ao nascer, por sexo, no Rio Grande do Sul — 2012-14

Como citar:

BANDEIRA, Marilene Dias. "Quantos anos de vida são perdidos na expectativa de vida ao nascer, pelos homens gaúchos, devido aos óbitos por causas violentas?," em Carta de Conjuntura FEE. [visto em 25 de junho de 2017], disponível em: <http://carta.fee.tche.br/article/quantos-anos-de-vida-sao-perdidos-na-expectativa-de-vida-ao-nascer-pelos-homens-gauchos-devido-aos-obitos-por-causas-violentas/>.

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Expectativa de vida ao nascer no Rio Grande do Sul, no período 2000-14

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Edição: Ano 25 nº 01 – 2016

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga anualmente as Tábuas Completas de Mortalidade do Brasil, que são usadas pelo Ministério da Previdência Social como um dos parâmetros para determinar o fator previdenciário ao se calcularem as aposentadorias do Regime Geral da Previdência Social. As Tábuas apresentam informações sobre probabilidades de morte por sexo e idade, estimativas da taxa de mortalidade infantil, além da expectativa de vida às idades exatas até os 80 anos. Esses indicadores são fundamentais para avaliar as condições socioeconômicas de uma região, auxiliar na elaboração de políticas públicas, e para que se possam comparar os dados do Brasil com os níveis alcançados por outros países.

O último dado divulgado revela que, em 2014, a expectativa de vida ao nascer do brasileiro era de 75,2 anos, sendo de 78,8 para as mulheres e de 71,6 para os homens, uma diferença de 7,2 anos entre os sexos. Em 2000, esses indicadores eram, respectivamente, 69,8, 73,9 e 66,0 anos, sendo que a diferença entre os sexos era maior, de 7,9 anos. De fato, verifica-se que houve uma ampliação mais expressiva na expectativa de vida dos homens, a qual aumentou 5,6 anos no período, enquanto, para as mulheres, o acréscimo foi de 4,9 anos.

O IBGE também divulga alguns indicadores de mortalidade para as unidades da Federação, sendo possível estabelecer comparações bastante reveladoras. Em 2000, o Rio Grande do Sul apresentava a maior expectativa de vida ao nascer entre as unidades da Federação, que era de 72,4 anos. Para as mulheres, era de 76,2 anos, sendo também o primeiro colocado. Quanto à expectativa de vida ao nascer dos homens, o RS aparecia em segundo lugar, sendo ultrapassado apenas por Santa Catarina. O diferencial por sexo era um pouco menor que o do Brasil: 7,6 anos.

Em 2014, a expectativa de vida ao nascer do gaúcho alcançou 77,2 anos, tendo caído para a quinta colocação entre as unidades da Federação, estando em pior situação do que Santa Catarina, Distrito Federal, Espírito Santo e São Paulo. O aumento na expectativa de vida ao nascer da população gaúcha no período 2000-14 foi de 4,8 anos, acréscimo inferior ao dos nove primeiros colocados no ranking da expectativa de vida ao nascer das unidades da Federação em 2014; muito abaixo do aumento estimado para o Espírito Santo, por exemplo, que foi de 7,1 anos. Também em quinto lugar manteve-se a expectativa de vida ao nascer para o sexo feminino, cujo valor foi de 80,6 anos, tendo Santa Catarina, São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais um desempenho melhor que o RS nesse indicador. Já para o sexo masculino, Santa Catarina, Espírito Santo, Distrito Federal e São Paulo apresentaram melhores níveis de mortalidade que o Rio Grande do Sul, onde a expectativa de vida ao nascer dos homens foi estimada em 73,7 anos. A diferença entre os sexos no Estado era um pouco inferior à do Brasil em 2014: uma mulher gaúcha podia esperar viver em média 6,9 anos a mais que um homem gaúcho.

Se, no século passado, os níveis de mortalidade nos primeiros anos de vida eram altos, com o avanço da medicina e a descoberta de antibióticos no combate às doenças infecto-contagiosas, o perfil epidemiológico mudou, dando espaço às doenças degenerativas relacionadas ao envelhecimento, como problemas cardíacos. Mais recentemente, várias ações foram tomadas com o objetivo de reduzir não apenas a mortalidade infantil, como a das demais idades, como maior atenção ao atendimento pré-natal, incentivo ao aleitamento materno, campanhas massivas de vacinação, agentes de saúde comunitários, etc. Além disso, o aumento da escolaridade e da renda, e o aperfeiçoamento do saneamento básico dos domicílios também tiveram influência na melhora geral do nível de mortalidade no Brasil e na elevação da expectativa de vida.

A mensuração dos níveis de mortalidade através da expectativa de vida ao nascer indica que o Rio Grande do Sul está perdendo posição frente às demais unidades da Federação, fato que merece uma investigação mais detalhada para que políticas públicas específicas possam ser implementadas.

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