Textos com assunto: ensino médio

A educação básica é prioritária no Brasil?

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Edição: Ano 24 nº 09 – 2015

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Há diversos debates acerca da relação entre aumento de gastos e qualidade da educação. As evidências existentes, coletadas principalmente por Eric Hanushek, destacam que melhorias na gestão são importantes e que aumentos de gastos por si sós não garantem qualidade. Entretanto, observar o comportamento do gasto revela mudanças de foco na política educacional do País, claramente distorcida em favor do ensino superior no passado. O erro parece ter sido evidente: pesquisadores, como James Heckman, têm salientado que investimentos na primeira infância geram maior retorno. Quanto mais jovens os estudantes, maiores os efeitos de uma intervenção via política pública.

Nesse contexto, observa-se uma alteração na alocação dos gastos em diferentes níveis de ensino nos últimos anos. Os recursos para a educação básica aumentaram em termos reais. Em 2000, o gasto público por estudante era 11,4 vezes maior no ensino superior do que nos anos iniciais do ensino fundamental. Em 2013, essa relação caiu para 3,9. O País se aproximou, mas ainda não chegou, aos níveis médios dos países-membros da Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na qual essa razão era de 1,7 em 2011.

Apesar das melhoras, persistem o favorecimento ao ensino superior e a baixa qualidade da educação básica. Em um contexto de crise, o papel de estados e municípios, responsáveis constitucionais pela educação básica, volta ao debate. Rediscutir o pacto federativo poderia permitir que estados e municípios gastassem mais em educação básica. Contudo, isso não é suficiente: reformas na gestão seriam cruciais para que se gastasse melhor, gerando efeitos positivos sobre a qualidade da educação de nossas crianças.

drop-5-Estimativa do investimento público direto em educação por estudante, por nível de ensino, no Brasil — 2000-13

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Taxa de distorção idade-série no ensino médio do Brasil e do RS, em 2002

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Edição: Ano 13 nº 03 - 2004

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A taxa de distorção idade-série permite avaliar o percentual de alunos, em cada série, com idade superior à idade recomendada. No caso brasileiro, considera-se a idade de 15 anos como a idade adequada para o ingresso no ensino médio, cuja duração, normalmente, é de três anos. Essa taxa apresenta valores elevados tanto para o Brasil (51,1%) quanto para o Rio Grande do Sul (38,8%).

Constatam-se, no País, taxas de distorção idade-série elevadas tanto na 1ª série (53,0%) quanto nas séries seguintes (em torno de 50%). No Estado, a taxa é alta na 1ª série (43,2%), reduzindo-se, paulatinamente, nas séries seguintes, ou seja, 37,5% na 2ª série e 32,3% na 3ª série.

O fenômeno da alta distorção idade-série no ensino médio está associado a elevadas taxas de reprovação e evasão, devidas, em parte, ao significativo número de alunos que aliam o estudo ao trabalho e que representam um expressivo contingente dos alunos matriculados em escolas noturnas. A alta distorção idade-série dos alunos que concluem a 8ª série do ensino fundamental e que ingressam no ensino médio é outro fator de distorção das faixas etárias esperadas desse nível de ensino (15-17 anos).

Taxa de distorção idade-série no ensino médio do Brasil e do RS, em 2002

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A evasão escolar no ensino médio do RS

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Edição: Ano 12 nº 05 - 2003

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A Carta de Conjuntura FEE de outubro de 2001 apontava uma significativa expansão das matrículas do ensino médio no RS e constatava que, no ano 2000, 432 municípios, ou seja, 92,5% do total, ofereciam esse nível de ensino.

A explosão das matrículas no ensino médio foi absorvida na sua totalidade pelos estados. No caso do RS, em 1991, a dependência administrativa estadual atendia a 68% da matrícula total, enquanto o setor particular atendia a 26%. Em 2000, a rede estadual passou a atender a 82% da matrícula total, e a particular, a 15%, correspondendo a 396.032 e 72.819 alunos respectivamente.

Tomando-se a taxa de evasão como indicador de desempenho, contata-se uma tendência declinante em todas as dependências administrativas passando de 16,1% em 1991 para 11,35% em 2000.

Quando se compara a taxa de evasão estadual em relação à particular, verifica-se a precariedade da dependência estadual, pois esta apresentava uma taxa de 19,86% em 1991, enquanto a particular era de 7,02%, ou seja, quase um terço daquela. Em 2000, de cada 100 alunos da matrícula total no ensino médio estadual, 13 abandonavam a escola, e, no particular, não chegava a dois alunos.

O ensino médio brasileiro como um todo retém menos sua clientela em relação ao ensino fundamental. Uma das causas desse fenômeno é o fator socioeconômico, pois parte dos alunos aliam estudos com trabalho, preponderando a evasão nos cursos noturnos. Nessa situação, a evasão tende a continuar expressiva.

A evasão escolar no ensino médio do RS

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