Textos com assunto: Economia

Perspectivas para a economia gaúcha em 2018

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Edição: Ano 27 nº 01 – 2018

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O ano de 2017 representou a retomada do crescimento do Rio Grande do Sul após três anos consecutivos de retração do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo os dados da FEE, no acumulado dos quatro trimestres terminados em setembro, o PIB do Estado cresceu 0,8%, com destaques positivos para a agropecuária (7,8%) e o comércio (1,3%) e negativo para a indústria (-1,4%). Para 2018, a se confirmarem as expectativas atuais, a economia do Rio Grande do Sul crescerá pelo segundo ano seguido, algo que não acontece desde o biênio 2010-11. Entretanto a sequência da recuperação seguirá lenta, caracterizando-se mais como uma recomposição parcial da perda do nível de atividade durante a recessão do que como uma retomada mais consistente da economia. Segundo pesquisa Focus, do Banco Central do Brasil, a economia brasileira deverá crescer 2,7% em 2018, tendo como base o aumento do consumo e, em menor grau, das exportações, com o investimento ainda aguardando períodos econômicos e políticos mais claros. A economia gaúcha, por óbvio, terá seu desempenho determinado, em grande parte, pelo ritmo de crescimento da economia brasileira. Entretanto especificidades econômicas do Estado poderão desviar o crescimento do RS daquele esperado para o Brasil.

Em 2017, a agricultura do Estado apresentou um bom desempenho graças ao aumento da área plantada e a rendimentos médios recordes nas culturas de arroz, milho e soja. Para 2018, as primeiras previsões do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de novembro de 2017, indicam que, em função da baixa rentabilidade esperada, haverá diminuição da área colhida dessas culturas temporárias. Como a produtividade física também deverá ser menor que a de 2017, é esperada uma redução da produção agrícola do Estado para 2018. A safra brasileira de grãos também deverá ser menor, mas como a participação da agropecuária no Valor Adicionado total é maior no Rio Grande do Sul, o efeito negativo deverá ser maior no Estado.

Após o ano de 2017, em que o desempenho da indústria de transformação oscilou entre avanços e quedas ao longo dos trimestres, a expectativa para 2018 é de um ritmo de expansão mais estável. Embora se espere que o comércio mundial cresça em torno 4,0% em 2018 — conforme o Fundo Monetário Internacional (FMI) —, o principal ponto de crescimento das vendas da indústria continuará no mercado interno, dada sua maior representatividade. Desse modo, o desempenho industrial do Rio Grande do Sul deverá acompanhar de perto o da economia brasileira neste ano que se inicia. Especificamente, a produção de celulose, bastante prejudicada em 2017, em função da parada de importante planta produtiva, deverá retomar normalmente a produção em 2018. As atividades ligadas ao setor automotivo também deverão ter um bom desempenho neste ano, alicerçadas na continuação do crescimento das vendas de automóveis no mercado doméstico e para a Argentina. Por outro lado, as atividades industriais ligadas ao setor agrícola deverão sentir os efeitos negativos da menor safra em 2018, enquanto o setor de máquinas e equipamentos poderá ser afetado duplamente, pelo menor investimento na agropecuária e pela ainda muito tímida retomada dos investimentos industriais em todo o País. Ao contrário de outras atividades econômicas, a construção civil ainda não esboçou — nem no Estado, nem no

Brasil — nenhum processo visível de retomada do crescimento. Essa atividade — que, tanto no País como no RS, não cresce desde 2013 — permanece com perspectivas ruins para 2018. Estoques elevados de novas moradias dificultam a recuperação do setor. Algum alívio pode vir de investimentos federais em obras de infraestrutura, mas nada que mude consistentemente a realidade do setor para 2018.

Depois de mais de dois anos de queda, o consumo das famílias brasileiras retomou a expansão em 2017. Como consequência direta, o comércio voltou a crescer no Brasil e no Rio Grande do Sul, algo não verificado desde 2014. Para o novo ano, as perspectivas são de aceleração do crescimento do consumo e consequente expansão das vendas comerciais. Tais expectativas se ancoram na elevação do crédito à pessoa física, na queda dos juros e na esperada melhora das condições do mercado de trabalho. Os últimos dados de 2017 mostram, no entanto, que o aumento do emprego e, principalmente, dos rendimentos reais dos ocupados ainda estão distantes de serem consistentes. Os empregos gerados são precários e de remuneração mais baixa, impedindo um aumento mais significativo da massa salarial. No caso do Rio Grande do Sul, haverá ainda o agravante da redução da safra agrícola, que geralmente produz efeitos diretos e indiretos sobre as vendas do comércio em todo o Estado. Em resumo, em 2018, o ritmo de expansão do comércio do Rio Grande do Sul estará condicionado pelo balanço das variáveis elencadas acima.

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A evolução do Índice de Rentabilidade das Exportações Gaúchas no período 2008-16

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Edição: Ano 26 nº 4 – 2017

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A Fundação de Economia e Estatística lançou, no dia 15 de março, um novo indicador: o Índice de Rentabilidade das Exportações Gaúchas (IREG), cujo objetivo é acompanhar mensalmente a evolução das rentabilidades total e setorial advindas da atividade exportadora do Estado ao longo do tempo. Tal acompanhamento contribui tanto para o setor governamental, auxiliando no direcionamento e na avaliação de políticas públicas voltadas ao setor produtivo, quanto para o empresarial, na medida em que permite entender, com maior precisão, a opção de uma empresa direcionar a sua produção para o exterior ou para o mercado doméstico ou, ainda, sua decisão de realizar, ou não, investimentos voltados à exportação. Logo, o IREG contribui para a avaliação da dinâmica da atividade produtiva exportadora do Rio Grande do Sul, indicando a direção e a margem de ganho de tal atividade. Ademais, o IREG é baseado no indicador nacional de rentabilidade das exportações, da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), e é o único existente em âmbito estadual.

O IREG resulta da relação entre três dos principais determinantes da rentabilidade exportadora, quais sejam o preço de exportação, a taxa de câmbio e os custos de produção. O diferencial do índice de rentabilidade é calcular, explicitamente, os custos de produção para as atividades econômicas que produzem bens tradables, ou seja, bens exportáveis, os quais só podem ser calculados a partir de uma matriz de insumo-produto (MIP). No caso, foi utilizada a matriz mais atual do Rio Grande do Sul — referência 2008, calculada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE). Além da MIP-RS 2008, outra ferramenta de grande relevância para o cálculo do IREG foi o Sistema de Exportações FEE (SisExp), que fornece, nesse caso, os preços de exportação.

Quanto aos dados, a série anualizada do IREG aponta três períodos bastante definidos: o primeiro, de redução da rentabilidade, deu-se entre 2008 e 2011; o segundo, de crescimento, ocorreu de 2012 a 2015; e o terceiro, de forte recuo da rentabilidade exportadora gaúcha, evidenciou-se em 2016.

O primeiro período foi marcado pela forte apreciação do real em relação ao dólar e pela elevação dos preços de exportação e dos custos de produção, desconsiderando os efeitos adversos da crise financeira internacional de 2008/2009. Nesse momento, os preços dos bens exportados pelo RS ainda mostravam-se elevados, sob o efeito do boom das commodities, o qual também contribuiu para a apreciação do câmbio.

Já no segundo período, a rentabilidade das exportações gaúchas cresceu ano após ano, até atingir o seu valor máximo em 2015, mesmo esse sendo um ano marcado pelas recessões brasileira e gaúcha, caracterizadas pela piora de praticamente todos os indicadores econômicos e sociais. Nesse período, a taxa de câmbio passou a se depreciar continuamente a partir do segundo semestre de 2011 (e, com maior intensidade, em meados de 2014), enquanto os custos de produção continuavam o seu comportamento altista, e os preços de exportação se mantinham praticamente estáveis até o primeiro semestre de 2014. Desse momento em diante, na esteira do fim do boom das commodities, os preços despencaram no mercado internacional. Mesmo assim, o câmbio mais que compensou os efeitos negativos dos demais componentes: enquanto a taxa de câmbio média, em 2011, fechou a R$/US$ 1,67, ela alcançou R$/US$ 3,33 em 2015.

A rentabilidade, por sua vez, recuou, em 2016, 9,9% em relação a 2015, pois o câmbio, mesmo com a depreciação de 4,8%, não foi capaz de neutralizar os efeitos adversos tanto da retração dos preços dos bens exportados (-5,3%) quanto do crescimento dos custos de produção (mais 10,5%). Com relação aos dados setoriais, todas as atividades, com exceção de apenas quatro (agricultura, produtos do fumo, outros equipamentos de transporte e pecuária e pesca), registraram variações negativas nos seus preços; por outro lado, os custos de todas as atividades econômicas apresentaram elevação. Na mesma comparação, foram registrados o maior recuo anual da rentabilidade e o maior aumento dos custos em toda a série.

Por fim, cabe destacar que a abertura setorial do IREG permite acompanhar as diferenças de trajetórias entre as atividades econômicas que o índice total não revela. Enquanto 2011 foi o ano em que o IREG total registrou o seu valor mínimo, ele também foi mínimo apenas para 12 das 25 atividades econômicas calculadas. Por outro lado, enquanto 2015 foi o ano com rentabilidade máxima no Estado, ela também foi máxima apenas para 11 atividades. Dessa forma, fica visível a relevância de se acompanhar os dados setoriais para um maior entendimento da realidade exportadora do RS, na medida em que ficam evidenciadas grandes diferenças na evolução da rentabilidade de cada atividade em resposta às diferenças no desempenho dos preços de exportação e nas estruturas de custo que impactam, de formas diferenciadas, a rentabilidade de cada atividade.

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