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CrimeVis: uma nova ferramenta para a Segurança Pública no RS

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Edição: Ano 25 nº 12 – 2016

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A segurança pública tem sido o principal tema na discussão pública e política no Rio Grande do Sul. A sensação de insegurança das pessoas, refletida muitas vezes pelos noticiários ou pela ciência de casos criminais de pessoas conhecidas, causa grande perda de bem-estar, uma vez que é comum se privar da liberdade de locomoção a fim de se evitar uma possível vitimização de um crime.

No dia 23 de novembro de 2016, a Fundação de Economia e Estatística, fazendo uso de dados anuais, disponibilizados pela Secretaria de Segurança (SSP), de um escopo de 12 tipos de delitos e de uma série histórica desde 2002, divulgou um aplicativo inovador de visualização de crimes denominado CrimeVis. Essa ferramenta apresenta diversos tipos de visualização de dados, englobando algumas funcionalidades, como séries temporais, relacionamento criminal, mapas interativos, representação e download de dados. O software foi desenvolvido usando um recurso muito recente e gratuito que representa um poderoso dispositivo que pode orientar tanto gestores públicos na qualidade de gestão e combate ao crime quanto a sociedade com relação ao acesso aos dados. O CrimeVis foi programado em Shiny e pode ser acessado no endereço http:/shiny.fee.tche.br/CrimeVis.

Com relação ao principal indicador de criminalidade — a taxa de homicídio doloso (número de ocorrências por 100.000 habitantes) —, o Estado encontra-se num patamar muito elevado: seu valor mínimo, obtido no ano de 2004, é de 12,39, e o máximo, em 2015, é de 21,6. Esses valores são muito maiores que o máximo considerado aceitável pela Organização das Nações Unidas (ONU), que classifica como violência epidêmica quando há mais de 10 mortes violentas para cada 100.000 habitantes. Ou seja, no ano passado, o Estado viveu uma situação duas vezes pior do que já é considerado uma epidemia criminal. Com o CrimeVis é possível verificar a preocupante tendência ascendente desse indicador.

Analisando as magnitudes das taxas dos principais tipos de crimes, é possível observar que o mais frequente é o furto, que alcançou uma marca de 2.431,6 casos por 100.000 habitantes somente no ano de 2003, apresentando uma acentuada queda ao longo dos anos seguintes. O roubo é o segundo crime com maior patamar, oscilando entre os valores de 405,81 em 2011 e impressionantes 703,35 em 2015. É interessante analisar a dinâmica que o roubo apresentou no RS em formato de “U”, tendo seu início logo após o ano de 2007, mas, infelizmente, alcançando valores consideráveis logo ao seu final. Essa característica em formato de “U” também é observada nos crimes de roubo de veículos, latrocínio e furto de veículos, todos eles tendo início em períodos próximos de 2006 e ascensões após o ano de 2010.

Quando se analisam as cinco maiores cidades do RS — Porto Alegre, Caxias do Sul, Canoas, Pelotas e Santa Maria —, a dinâmica evolutiva dos crimes é muito similar à apresentada no Estado, tendo em vista que grande parte dos crimes acontece nessas cidades. Somente em Porto Alegre, para o ano de 2015, as ocorrências de homicídios representaram 24% do total do Estado. Para os demais crimes, a representação também foi acentuada, com 39% de roubos, 52% de roubo de veículos, 26% de latrocínios, 20% de furtos, 21% de furto de veículos e 11% de extorsões mediante sequestro.

Com relação às taxas de roubos, observa-se que existe uma elevada autocorrelação espacial positiva que mede o quanto um município é afetado pelos seus vizinhos. Grande parte da concentração desse tipo de delito localiza-se na Região Metropolitana de Porto Alegre, com alguns destaques para outras regiões como os Municípios de Pelotas, Rio Grande, Uruguaiana, Santa Maria, Caxias do Sul e Passo Fundo. O roubo de veículos também é altamente concentrado na Região Metropolitana, onde Porto Alegre representa aproximadamente 50% das ocorrências dos últimos anos, e, tendo isso em vista, a alta correlação espacial significativa possui uma magnitude pouco menor do que a observada para os roubos, que estão mais espalhados e mais concentrados em municípios relevantes do Estado.

Com relação ao crime de furto, que tem o maior número de registros, ele é altamente concentrado em municípios litorâneos, mas também apresenta um maior grau de espalhamento entre todos os outros municípios do Estado. Ainda que a maior parte dos municípios tenha ocorrência de furtos, esse tipo de crime ainda apresenta uma significativa autocorrelação espacial (principalmente levando em consideração apenas um município mais próximo), indicando que municípios próximos se influenciam. O furto de veículos, por seu turno, apresenta um grau de espraiamento elevado, porém com uma estrutura de dependência espacial mais ressaltada, chegando a valores significativos acima de 0,46 de autocorrelação para o ano de 2015 quando se considera um único vizinho mais próximo. Por fim, a extorsão mediante sequestro, devido ao seu alto grau de raridade, resulta em valores de autocorrelações espaciais praticamente nulos.

Ressalta-se que a segurança pública representa um dos assuntos mais sensíveis no presente momento do Estado. Nesse mote, o CrimeVis é uma importante ferramenta de auxílio para detectar focos criminais e comparar municípios, a fim de identificar quais são mais ou menos seguros do ponto de vista de registro de ocorrência. Adicionalmente, ele pode auxiliar no planejamento de deslocamento de efetivo policial. Por fim, observa-se que essa tecnologia poderia englobar outras bases de dados como, por exemplo, crimes intramunicipais.

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Como citar:

CORTES, Renan Xavier. CrimeVis: uma nova ferramenta para a Segurança Pública no RS Carta de Conjuntura FEE. Porto Alegre, disponível em: <http://carta.fee.tche.br/article/crimevis-uma-nova-ferramenta-para-a-seguranca-publica-no-rs/>. Acesso em: 11 de dezembro de 2017.

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