Textos com assunto: economia agricola

Canais de transmissão da agricultura para a economia

Por:

Edição: Ano 22 nº 01 - 2013

Área temática:

Assunto(s): , ,

Historicamente, a agricultura tem uma grande importância na economia gaúcha, maior do que tem em outros estados industrializados e no Brasil como um todo. Entre 2002 e 2010, em média 9,9% do valor adicionado pela economia do RS veio da agropecuária, contra 6,1% no Brasil. Além disso, esse setor apresenta, em virtude de condições climáticas, uma variabilidade maior do que a indústria e os serviços. A média dos valores absolutos dos índices de volume da agropecuária entre 2003 e 2010 foi 15,8 p.p., bem maior do que a da indústria (4,5 p.p.) e a dos serviços (3,2 p.p.). Juntos, esses dois fatores — participação e variabilidade — fazem com que variações na agricultura sejam responsáveis por grande parte das variações no PIB do Estado.

Porém o senso comum atribui à agricultura uma causalidade ainda maior no comportamento da economia gaúcha, através da sua influência nos outros setores. Em que medida isso é verdade é uma questão que precisa ser estudada com mais atenção. Tendo isso em mente, este texto se propõe a discutir dois possíveis canais de transmissão da agricultura para o resto da economia.

Um primeiro canal é o efeito da renda gerada na lavoura no comércio dos municípios. Após uma boa safra, o agricultor poderia comprar mais, enquanto teria que reduzir seus gastos frente a uma safra ruim.

Para testar esse canal, estimou-se um modelo (mínimos quadrados ordinários) onde a variação do comércio de cada município é explicada pela variação em volume da sua agricultura, utilizando-se dados de 2003 a 2009 da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM-IBGE) e do PIB Municipal (FEE/IBGE). O resultado mostrou que um crescimento de 1 p.p. da economia gerado pela agricultura faz com que, em média, o comércio do município cresça 0,3 p.p. acima da média do Estado. Assim, o aumento (ou diminuição) dos gastos com consumo é um canal significativo de transmissão da renda agrícola. Contudo, como pode ser visto no gráfico, a variabilidade dos resultados observados é grande, mostrando que o poder de explicação da agricultura no comércio municipal é pequeno, com outras variáveis sendo necessárias para explicá-lo propriamente.

Outro canal de transmissão é o efeito do desempenho da lavoura sobre a indústria do RS. Uma maior produção demandaria mais insumos, como defensivos agrícolas, e investimento em máquinas e equipamentos, além de significar uma maior oferta de matéria-prima para indústrias como as de alimentos e fumo.

Para testar essa hipótese, calculou-se a correlação entre a produção agrícola medida pela PAM e diversos setores da indústria de transformação medidos pela Pesquisa Industrial Mensal (IBGE), de 1995 a 2011. Nesse canal, as correlações não se mostraram tão significativas quanto se esperaria. A correlação entre a agricultura do ano t e o setor de máquinas e equipamentos do ano t+1 foi de 0,35; e de 0,14 com o setor de alimentos de t+1 (a correlação entre lavoura e indústria do mesmo ano foi ainda menor). Já utilizando o desempenho de produtos específicos, o fumo apresentou correlação de 0,51 com a indústria de fumo, e o arroz, correlação de 0,34 com a de alimentos, ambas dentro do mesmo ano.

Algumas hipóteses podem explicar, em parte, a ausência de correlações mais fortes. Pelo lado do consumo intermediário da lavoura, a explicação pode ser a compra de parte dos insumos fora do RS, assim como a venda de produtos da nossa indústria de fertilizantes e defensivos em outros mercados, especialmente em momentos de queda da lavoura gaúcha. Quanto ao investimento em máquinas e equipamentos, é de se esperar que ele tenha uma maior ligação com a expectativa dos resultados de safras futuras do que com safras passadas. Já a indústria de alimentos, que demanda bens agrícolas como insumos, responde não só à oferta destes como também à demanda por seus produtos. Assim, uma maior safra garante apenas um aumento no desejo de ofertar um bem alimentício a um dado preço; porém o aumento da quantidade produzida vai depender também da demanda por esse produto, que não depende do resultado da lavoura.

Concluindo, para se estudar o impacto da agricultura na economia gaúcha deve-se fazer um maior uso da ótica microeconômica, com foco nas relações entre os setores da economia, além de controlar a análise para o efeito de outras variáveis que também afetem a economia gaúcha, como variações nas políticas do Governo Federal e no setor externo.

Canais de transmissão da agricultura para a economia

Compartilhe

Estiagem no RS: impactos e desafios

Por:

Edição: Ano 21 nº 03 - 2012

Área temática:

Assunto(s): , ,

Nos últimos meses, a estiagem e seus possíveis desdobramentos econômicos e sociais geraram apreensão na sociedade gaúcha. Em razão da importância do setor agrícola para a economia do Estado, multiplicaram-se tentativas de mensurar o “tamanho do estrago” oriundo da seca. Essa é uma tarefa complexa, pois há uma miríade de efeitos causados pela falta de chuva: desde a insuficiência de água para consumo humano e animal, passando por perdas na produção do Setor Primário e efeitos indiretos em outros setores, até o aumento no custo de vida da população. Em outras palavras, os reflexos econômicos da estiagem materializam-se em queda na renda do produtor, o que traz consigo um impacto multiplicador negativo no conjunto da atividade produtiva estadual. Assim, esse menor montante de renda em mãos dos agricultores transforma- se, muitas vezes, em incapacidade de honrar compromissos financeiros, em menor consumo pessoal e em redução dos investimentos, dentre outros efeitos. Adicionalmente, há um conjunto de encadeamentos da agropecuária com os setores industriais e de serviços que é de difícil estimação. Entretanto, apesar dessas dificuldades, já se pode antever que o desempenho do PIB estadual será, muito provavelmente, inferior ao nacional em 2012.

Com base nessa importância, busca-se sinalizar como a produção de grãos deve sofrer com esse sinistro. Para tanto, a tabela abaixo apresenta dados da safra de verão de 2011 e de sua previsão inicial e atual para 2012. Dado que as condições climáticas favoráveis observadas no ano anterior dificilmente se repetiriam, já era esperada uma redução de cerca de 10% na safra de 2012. Levando em conta esse aspecto, faz-se a comparação entre a estimativa inicial e a atual para 2012, a qual indica que a cultura do milho deve obter a maior quebra (41,89%), seguida da soja (22,33%), do arroz (7,30%) e do feijão (6,47%). Considerando-se o preço médio desses produtos para a segunda semana de fevereiro de 2012, a perda em Valor Bruto da Produção seria de R$ 2,9 bilhões, assim distribuídos: soja, 55,24%; milho, 34,14%; arroz, 10,37%; e feijão, 0,25%.

Cabe ressaltar, no entanto, que esse cálculo é um exercício bastante simplificado e restrito à produção e às receitas das quatro culturas citadas; não devendo ser entendido como o impacto real da seca na economia gaúcha. Deve, sim, ser tomado como um alerta, sinalizando a importância da implantação de políticas públicas voltadas à mitigação dos efeitos da estiagem, evento este que tem-se mostrado recorrente no Estado. Assim, esse cálculo pode subsidiar o desenho de políticas que visem a enfrentar o problema de maneira eficiente.

No curto prazo, dados os reflexos sociais gerados pela seca, devem ser reforçadas, em caráter emergencial, políticas de renegociação de dívidas, de fornecimento de água, alimentos e sementes, relacionadas às necessidades imediatas da população atingida. Porém, tendo em vista a recorrência do problema, torna-se fundamental a adoção de medidas estruturais, de médio e longo prazos (amplamente ressaltadas pela Emater), que possibilitem a construção de uma infraestrutura de irrigação efetiva, incluindo fornecimento adequado de energia elétrica, construção de açudes, cisternas, poços, barragens, agilidade na concessão de licenciamentos ambientais, diminuição da tributação e formas de financiamento que incentivem a irrigação, além da qualificação do produtor para um manejo que atenue os efeitos perversos da seca. Enfim, é imperativo que o tema da estiagem e as formas de minimizar seus efeitos assumam relevância na agenda de debate de toda a sociedade. O risco climático é inerente à atividade agropecuária; amenizar suas consequências é um grande desafio, e, quanto antes forem tomadas as medidas necessárias, menor deverá ser o prejuízo com as estiagens vindouras.

Estiagem no RS impactos e desafios

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=0BiiNmeHag8]

Compartilhe

Economia gaúcha dependente da agropecuária

Por:

Edição: Ano 21 nº 01 - 2012

Área temática: ,

Assunto(s): ,

De acordo com os últimos dados comparáveis de 2009 divulgados pela FEE e pelo IBGE, o setor agropecuário do Rio Grande do Sul é o segundo mais importante do País, contribuindo com 11,8% da agropecuária nacional. Internamente, o setor participa com 9,9% do Valor Adicionado Bruto (VAB) estadual. Esse percentual é maior que a média brasileira (5,6%) e maior que o peso desse setor nos estados de maior PIB do País — São Paulo (1,6%), Rio de Janeiro (0,5%), Minas Gerais (9,0%), Paraná (7,7%), Bahia (7,7%) e Santa Catarina (8,2%).

Numa perspectiva sistêmica, entretanto, a influência do Setor Primário do Rio Grande do Sul no produto total expande-se além dos 9,9%. O chamado complexo agroindustrial, que tem a agropecuária em seu núcleo, interliga-se com setores a montante, que fornecem insumos, máquinas e implementos e financiamento, e com setores a jusante, responsáveis pelo processamento (como as indústrias de alimentos e do fumo) e pela distribuição da produção agropecuária. O peso total desse sistema econômico pode chegar a quase um terço do PIB (Documentos FEE, n. 55)

Ao impactar, direta e indiretamente, parcela tão significativa do PIB, o desempenho da agropecuária torna-se decisivo na explicação da evolução da economia do Estado. Os dados da tabela mostram que, nos últimos 11 anos, em 10 deles vigorou a máxima de que, quando o produto da agropecuária gaúcha cresce acima da taxa do PIB gaúcho, o PIB do Estado cresce acima do PIB brasileiro, e, quando ocorre o contrário, o PIB do RS expande-se menos que o nacional. A relação pode ser vista tanto em anos em que a agropecuária do Rio Grande do Sul apresentou taxas positivas (como os anos de 2001, 2003, 2006, 2007, 2009, 2010 e 2011), quanto em anos em que o setor decresceu (2002, 2004, 2005 e 2008). O único ano da série em que a relação não é encontrada é 2009, ano atípico em função da crise internacional, que afetou de forma mais direta a indústria.

O ano de 2011 foi típico do acima exposto. O forte crescimento da agropecuária gerou efeitos positivos sobre atividades ligadas ao complexo agroindustrial, como as de alimentos, as do fumo e as de máquinas agrícolas. Também impactou positivamente o comércio e o setor de transportes e armazenagem, setores estes também vinculados ao desempenho da agropecuária.

De modo geral, os desempenhos da indústria e dos serviços do Estado tendem a acompanhar mais de perto os respectivos desempenhos no âmbito nacional. A agricultura gaúcha, por outro lado, possui dinâmica mais própria, dado o efeito que o clima tem sobre sua produção. Periodicamente, problemas climáticos afetam principalmente as lavouras de verão (em que se sobressaem as culturas do arroz, do fumo, do milho e da soja), aumentando a volatilidade da produção gaúcha de grãos. De 2001 a 2011, houve quatro quedas de produção no Setor Primário, todas elas explicadas por estiagens mais, ou menos, intensas. Em resumo, as oscilações na trajetória da agricultura (as taxas de crescimento da pecuária são mais estáveis) acabam por determinar as oscilações do PIB estadual em torno da média nacional.

A análise dos dados mostra também que a perda de participação da economia do Rio Grande do Sul na do Brasil, nos últimos anos, concentrou-se em 2004 e 2005. De 2006 em diante, o peso do Estado na economia brasileira mantém-se praticamente estável. As respectivas quedas de 10,6% e de 17,4% na agropecuária gaúcha, nos anos de 2004 e 2005, afetaram negativamente toda a economia, fazendo com que o crescimento do PIB estadual fosse menor que o nacional nos dois anos. Duas estiagens sucessivas tiveram como consequência a redução de 0,6 ponto percentual na participação do Estado na economia nacional.

Economia gaúcha dependente da agropecuária

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=bzj0ul8nr5E]

Compartilhe

Safra 2011/2012: área plantada segue os preços

Por:

Edição: Ano 20 nº 10 - 2011

Área temática:

Assunto(s): , ,

A última safra das principais culturas de verão — arroz, feijão, milho e soja — foi recorde no Rio Grande do Sul (26,5 milhões de toneladas). Na esteira desse resultado, são apresentadas as primeiras estimativas de área cultivada para essas culturas na safra 2011/2012.

Pode-se notar que, apesar das questões climáticas e tecnológicas, a decisão de produção está respondendo às variações dos preços. Assim, no caso da soja, cujo preço é levemente superior ao do ano anterior, observa-se um aumento na área plantada. O milho, por sua vez, deve apresentar a maior expansão em termos de área cultivada — 50.000 hectares —, favorecido pelo incremento expressivo de seu preço (32%).

De outra parte, as culturas voltadas ao mercado interno — arroz e feijão — tendem a diminuir sua área cultivada no Estado. O feijão, cuja área plantada é relativamente pequena, deve ter redução de 0,64%. Já o arroz, importante produto da agricultura gaúcha, terá sua área de cultivo diminuída em mais de 5%, influenciado pela significativa queda de preços (20%) no último ano.

Nota-se, portanto, um pequeno aumento da área destinada aos produtos direcionados ao setor externo, cujos preços estão mais atrativos. O impacto dessas alterações na economia gaúcha dependerá das condições climáticas, bem como dos preços vigentes no momento da colheita.

Safra 2011 2012 área plantada segue os preços

Compartilhe

Desempenho da agricultura no primeiro semestre e perspectivas para 2011

Por:

Edição: Ano 20 nº 08 - 2011

Área temática:

Assunto(s): , ,

O desempenho da lavoura gaúcha, no primeiro trimestre de 2011, foi destaque no resultado do Índice Trimestral da Atividade Produtiva (ITAP), divulgado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE). Registrou-se um crescimento real de 33,4% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior. Tal desempenho impulsionou significativamente a economia do Estado, contribuindo com 2,5 pontos percentuais do crescimento de 7,3% apontado pelo indicador. Dois produtos determinaram o grande crescimento real da agricultura no primeiro quarto do ano: o arroz e o fumo. Juntas, essas duas culturas, que apresentaram crescimentos expressivos no período, representam em torno de 65% do valor produzido pela agricultura no primeiro trimestre.

O arroz apresentou um crescimento de 27,6% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior. Esse movimento retoma a trajetória de crescimento dessa cultura, iniciada em 2007 e interrompida em 2010 devido a uma quebra de safra. Em 2011, alcançou-se a maior quantidade produzida da série histórica. Segundo estimativas do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), a produção de arroz em 2011 será de, aproximadamente, 8,9 milhões de toneladas. O crescimento do arroz deu-se tanto em área colhida (11,1%) quanto em produtividade (14,8%), que é definida como a razão entre a quantidade produzida em toneladas e a área colhida em hectares.

A outra principal cultura do primeiro trimestre, o fumo, apresentou um crescimento de 38,7% em relação a igual período do ano anterior. O crescimento deste ano dá-se sobre dois anos de queda da quantidade produzida, quando a produção caiu 23%. Com o crescimento em 2011, a produção ultrapassou ligeiramente o patamar alcançado em 2006 e 2007, com uma quantidade produzida da ordem de 475.000 toneladas, de acordo com projeções do LSPA. Diferentemente do arroz, a área de cultivo reservada ao fumo manteve-se praticamente estável, com um crescimento de 1,3%. O bom desempenho da lavoura de fumo veio a partir de um aumento de 42,3% da produtividade do setor, que se deve, em parte, à quebra de safra do ano anterior.

Com os dados disponíveis até junho, já se pode projetar o desempenho da agricultura gaúcha no ano de 2011. Isto porque cerca de 90% do seu valor é gerado no primeiro semestre do ano, período em que se concentram as principais culturas produzidas no Estado (soja, arroz e fumo). Aproximadamente, 33% da produção anual da agricultura ocorrem no primeiro trimestre, e 57%, no segundo. O principal produto da lavoura do Estado no segundo trimestre é a soja, representando em torno de 60% da produção desse período. A soja também é o principal produto da lavoura do Estado quando se considera a produção de todo o ano, representando 36,9% da lavoura gaúcha, seguida do arroz (25,0%) e do fumo (10,8%).

Segundo dados do LSPA, o crescimento previsto para a produção de soja em 2011 é de 13,7%, o que significa um novo recorde de produção, estimada em, aproximadamente, 11,8 milhões de toneladas. Este é o terceiro ano consecutivo de crescimento da produção de soja, após a quebra de safra de 2007. O que garantiu a continuidade do crescimento da produção neste ano foi, principalmente, o aumento de 10,4% da produtividade e, em menor grau, o crescimento de 3,0% da área colhida.

Impulsionada pelo crescimento das três principais culturas do Estado, a agricultura gaúcha, em 2011, deverá apresentar um bom resultado. A partir das estimativas do LSPA relativas a junho, pode-se estimar um crescimento da lavoura em 2011, medida pelo ITAP, de 17% aproximadamente, crescimento maior do que o ocorrido no último ano.

Desempenho da agricultura no primeiro semestre

Compartilhe

Quanta terra está legalmente disponível para a agricultura no RS?

Por:

Edição: Ano 19 nº 05 - 2010

Área temática:

Assunto(s):

O Decreto Federal nº 6.686/08, que dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente, está causando grandes preocupações aos proprietários rurais do RS e do Brasil, especialmente devido à data limite para sua execução, que é 11.06.2011. Segundo o Decreto, o possuidor de área rural deverá averbar, na matrícula do imóvel, 20% da área para conservação da natureza, conforme art.16 do Código Florestal Brasileiro de 1965. Entretanto a aplicação dessa regra tem gerado controvérsias junto aos proprietários, que têm dúvidas se o percentual de 20% incide sobre o total da área de posse ou sobre a área a ser autorizada a cortar.

Os dados sobre utilização das terras, no RS, dos Censos Agropecuários de 1950, 1970 e 2006 evidenciam uma grande diferença entre aquele percentual de preservação e as coberturas das matas e florestas, que representavam 9,5%, 8,0% e 13,0% nesses respectivos anos. Esses dados alimentam as discussões e a proposta de alterações dos parâmetros da lei, pois o que está em jogo é a área disponível para a agricultura. Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) (tabela abaixo) mostram que o percentual das áreas definidas pela legislação aplicada para o caso do RS é de 63,4%, correspondente a 176.301km2 de área. Isso mostra que essa exigência legal não compromete, em tese, a atividade agrícola.

Quanta terra está legalmente disponível para a agricultura no RS

Compartilhe

As perdas das exportações gaúchas com a suspensão das vendas para a China

Por:

Edição: Ano 13 nº 09 - 2004

Área temática:

Assunto(s): , ,

A concentração dos contratos de exportação de soja em grão para a China nos primeiros meses de 2004 fez com que o Rio Grande do Sul fosse o estado mais atingido pelas restrições estabelecidas por aquele país com relação à soja brasileira, a partir de maio. De janeiro a julho de 2004, as exportações gaúchas de soja em grão para a China representaram em torno de 70% do total exportado do grão pelo Estado. A versão chinesa para as restrições decorreria do fato de terem sido encontrados grãos com vestígios de fungicidas — usados para o tratamento de grãos a serem utilizados para o plantio — misturados ao produto oriundo do Brasil, tornando-o impróprio para consumo. Outra explicação seria que os embargos à soja brasileira decorreriam das recentes restrições creditícias naquele país, que, ao encarecerem e limitarem a obtenção de capital de giro pelas empresas, estariam ou comprometendo as margens de lucro das indústrias esmagadoras chinesas ou restringindo a escala de funcionamento das mesmas.

Nos meses anteriores à deflagração da crise, chegou-se a ter um mês em que a totalidade das exportações gaúchas de soja em grão teve a China como destino. A configuração da crise, num primeiro momento, com os navios carregados de soja, oriundos do Rio Grande do Sul, sendo proibidos de descarregar nos portos chineses e a subseqüente suspensão dos embarques para aquele país no porto de Rio Grande, praticamente paralisou as exportações gaúchas de soja em grão em junho. De acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio (Secex), os efeitos dessa crise para o Estado só ficaram bem claros no mês de julho: enquanto a quantidade
média exportada pelo Rio Grande do Sul para a China, nos seis primeiros meses de 2004, foi de 151 mil toneladas por mês, esse volume caiu, no mês de julho, para apenas 500 toneladas. Em termos de perda de receita para o Estado, tem-se que, no primeiro semestre de 2004, o volume de soja vendido para a China rendia, em média, US$ 43 milhões mensais. Em julho, a receita obtida com essas exportações caiu para US$ 155 mil.

Além dessas perdas, a concentração dos negócios do Rio Grande do Sul com a China acabou por dificultar, frente à crise instalada com aquele país, a colocação da soja gaúcha em outros mercados. Mesmo assim, os dados relativos ao mês de julho já refletem a estratégia dos exportadores do Estado de procura de novos mercados para compensar a redução das vendas do grão para a China. Em julho, foram enviadas 78 mil toneladas para a Tailândia, 59 mil para a Holanda e pouco mais de 5 mil toneladas para o Egito, países estes que ou não compravam soja do Rio Grande do Sul, ou importavam do Estado quantidades pouco significativas. Apesar dessas vendas, o total mensal exportado pelo Estado ficou em menos da metade do total exportado nos meses anteriores.

As perdas das exportações gaúchas com a

Compartilhe

A agricultura e a economia estadual

Por:

Edição: Ano 13 nº 08 - 2004

Área temática:

Assunto(s): ,

Os dados mais recentes disponíveis sobre a estrutura setorial do Valor Adicionado Bruto (VAB) do Rio Grande do Sul mostram um avanço da participação da agricultura no agregado, nos anos de 2001 e 2002, com relação ao valor registrado em 2000. Como a taxa de crescimento do VAB da agropecuária entre 2002 e 2003 foi de 18,5%, enquanto a da indústria ficou em 2,9% e a do setor serviços em 1,7%, espera-se uma melhoria da posição relativa da agricultura para 2003.

Quando se situa esse desempenho da agricultura na formação do VAB em uma perspectiva de mais longo prazo, chega-se a resultados interessantes. Considere-se o comportamento da participação setorial no período 1985-02. A simples observação da evolução das participações ao longo do tempo mostra uma descontinuidade no ano de 1993 (gráfico). Dividindo-se o período em dois sub-períodos, 1985-93 e 1994-02, e calculando-se a média das participações para cada um deles, observa-se uma pequena queda no valor do indicador entre o primeiro e o segundo sub-período, porém sem significância estatística. Assim, pode-se dizer que permaneceu relativamente estável o peso do setor, na economia, entre um e outro período; em outras palavras, que o dinamismo da agricultura acompanhou o da economia como um todo. Um tal comportamento é um pouco surpreendente, pois seria de se esperar um decréscimo gradual da participação, quando se têm presente as mudanças na estrutura setorial do produto, nas economias em desenvolvimento.

E é por ter-se presente justamente esse quadro de mudanças que se torna mais surpreendente o comportamento
de longo prazo da participação da indústria de transformação (IT) no VAB. Considere-se, novamente, o período 1985-02, subdivido em dois: antes e depois de 1993. A média das participações da IT cai de 36,08% para 32,01% entre o primeiro e o segundo sub-período, com significância estatística. Como a IT apresentava uma tendência de participação anual crescente no primeiro sub-período, conclui-se que se interrompeu essa trajetória no segundo.

Tendências semelhantes vêm sendo apontadas por economistas e agências de desenvolvimento internacionais, ao examinarem a evolução, no longo prazo, da estrutura setorial da produção brasileira: resistência da agricultura a reduzir o peso na economia e perda relativa de importância da indústria no Produto Interno Bruto, na década de 90, com relação à de 80. São informações como essas que apóiam o argumento de que a economia brasileira foi incapaz de dar sustenta ção a um processo dinâmico de aprofundamento da industrialização (UNCTAD).

Por último, deseja-se registrar que as mudanças assinaladas na estrutura do aparelho produtivo correspondem ao período de mudança na estratégia de desenvolvimento da economia nacional, caracterizada pela brusca abertura e pela integração à economia internacional, bem como ao período de implementação das políticas de estabilização após 1994.

A agricultura e a economia estadual

Compartilhe