Textos com assunto: disparidades regionais

Desocupação expressa a diversidade regional do RS

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Edição: Ano 12 nº 05 - 2003

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Desde os anos 90, a problemática regional desfruta de renovado interesse. No Rio Grande do Sul, a criação dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes), em 1991, ou a experiência do Orçamento Participativo assinalam a emergência e o fortalecimento de instâncias “infra-estaduais” de representação e de organização social. Nesse contexto, tem merecido atenção a heterogeneidade socioeconômica entre as regiões gaúchas. O mercado de trabalho tende a expressar tal diversidade de forma eloqüente. Entretanto faltam indicadores para monitorá-lo em outros recortes geográficos que não o agregado do Estado ou a Região Metropolitana. Apenas nos anos de censo, tem-se um levantamento de variáveis relativas à mão-de-obra em todos os municípios.

Ainda não se encontram disponíveis todas as tabulações municipalizadas do Censo 2000, mas já foi possível calcular, para as regiões do Estado, a taxa de desocupação e a taxa de participação (percentual dos indivíduos em idade ativa que tomam parte do mercado de trabalho, quer como ocupados, quer como desocupados). Utilizou-se o recorte territorial dos Coredes. Em 2000, a taxa de desocupação do Estado atingia 12,2%. Nas regiões, variava de 5,7%, no Médio Alto Uruguai, a quase três vezes mais, 16,8%, no Fronteira Oeste.

Os Coredes mais populosos figuravam entre aqueles com maiores taxas de desocupação, com evidente impacto no resultado do agregado do Rio Grande do Sul. Entre os seis Coredes com taxas superiores à estadual, encontravam-se o Metropolitano Delta do Jacuí, o Vale do Rio dos Sinos e o Sul — os três maiores, que reuniam, em seu conjunto, 42,1% dos gaúchos —, além do Fronteira Oeste, que detinha a sexta posição em população.

Embora os nexos entre taxa de participação e taxa de desemprego possam ser muito diferenciados em cada conjuntura de cada mercado de trabalho concreto, cabe observar que, em 2000, os quatro Coredes com mais baixas taxas de desocupação eram aqueles com mais altas parcelas de indivíduos em idade ativa engajados no mercado de trabalho. No extremo oposto, os três Coredes com mais baixas taxas de participação integravam o conjunto das quatro regiões mais fortemente atingidas pelo desemprego. Dentre os muitos fatores que podem influenciar esse resultado, podem-se aventar  características estruturais: o peso das atividades agrícolas, por exemplo, e, nelas, o da produção familiar, que podem concorrer para elevar a taxa de participação e diminuir a de desocupação. Nesse sentido, dos cinco Coredes com menores taxas de desemprego, três — Médio Alto Uruguai, Vale do Rio Pardo e Fronteira Noroeste — detinham as mais elevadas proporções de população rural. Já nas regiões com mais forte e persistente desocupação, é plausível que uma parcela significativa de indivíduos abandone o mercado de trabalho por reconhecer, em si, escassa possibilidade de  inserção. Quando alguém que não trabalha não toma “providência efetiva na procura de trabalho” nos 30 dias de referência, é computado, no Censo, como inativo.

Desocupação expressa a diversidade regional do RS

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