Textos com assunto: desenvolvimento rural

Desempenho da agricultura no primeiro semestre e perspectivas para 2011

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Edição: Ano 20 nº 08 - 2011

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O desempenho da lavoura gaúcha, no primeiro trimestre de 2011, foi destaque no resultado do Índice Trimestral da Atividade Produtiva (ITAP), divulgado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE). Registrou-se um crescimento real de 33,4% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior. Tal desempenho impulsionou significativamente a economia do Estado, contribuindo com 2,5 pontos percentuais do crescimento de 7,3% apontado pelo indicador. Dois produtos determinaram o grande crescimento real da agricultura no primeiro quarto do ano: o arroz e o fumo. Juntas, essas duas culturas, que apresentaram crescimentos expressivos no período, representam em torno de 65% do valor produzido pela agricultura no primeiro trimestre.

O arroz apresentou um crescimento de 27,6% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior. Esse movimento retoma a trajetória de crescimento dessa cultura, iniciada em 2007 e interrompida em 2010 devido a uma quebra de safra. Em 2011, alcançou-se a maior quantidade produzida da série histórica. Segundo estimativas do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), a produção de arroz em 2011 será de, aproximadamente, 8,9 milhões de toneladas. O crescimento do arroz deu-se tanto em área colhida (11,1%) quanto em produtividade (14,8%), que é definida como a razão entre a quantidade produzida em toneladas e a área colhida em hectares.

A outra principal cultura do primeiro trimestre, o fumo, apresentou um crescimento de 38,7% em relação a igual período do ano anterior. O crescimento deste ano dá-se sobre dois anos de queda da quantidade produzida, quando a produção caiu 23%. Com o crescimento em 2011, a produção ultrapassou ligeiramente o patamar alcançado em 2006 e 2007, com uma quantidade produzida da ordem de 475.000 toneladas, de acordo com projeções do LSPA. Diferentemente do arroz, a área de cultivo reservada ao fumo manteve-se praticamente estável, com um crescimento de 1,3%. O bom desempenho da lavoura de fumo veio a partir de um aumento de 42,3% da produtividade do setor, que se deve, em parte, à quebra de safra do ano anterior.

Com os dados disponíveis até junho, já se pode projetar o desempenho da agricultura gaúcha no ano de 2011. Isto porque cerca de 90% do seu valor é gerado no primeiro semestre do ano, período em que se concentram as principais culturas produzidas no Estado (soja, arroz e fumo). Aproximadamente, 33% da produção anual da agricultura ocorrem no primeiro trimestre, e 57%, no segundo. O principal produto da lavoura do Estado no segundo trimestre é a soja, representando em torno de 60% da produção desse período. A soja também é o principal produto da lavoura do Estado quando se considera a produção de todo o ano, representando 36,9% da lavoura gaúcha, seguida do arroz (25,0%) e do fumo (10,8%).

Segundo dados do LSPA, o crescimento previsto para a produção de soja em 2011 é de 13,7%, o que significa um novo recorde de produção, estimada em, aproximadamente, 11,8 milhões de toneladas. Este é o terceiro ano consecutivo de crescimento da produção de soja, após a quebra de safra de 2007. O que garantiu a continuidade do crescimento da produção neste ano foi, principalmente, o aumento de 10,4% da produtividade e, em menor grau, o crescimento de 3,0% da área colhida.

Impulsionada pelo crescimento das três principais culturas do Estado, a agricultura gaúcha, em 2011, deverá apresentar um bom resultado. A partir das estimativas do LSPA relativas a junho, pode-se estimar um crescimento da lavoura em 2011, medida pelo ITAP, de 17% aproximadamente, crescimento maior do que o ocorrido no último ano.

Desempenho da agricultura no primeiro semestre

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Plano-Safra 2011/2012 para a agricultura familiar: comercialização em evidência

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Edição: Ano 20 nº 08 - 2011

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A agricultura familiar ocupa hoje um inegável espaço na economia e na sociedade brasileiras e, por isso, vem tendo relevância nas determinações de políticas públicas. Para a safra 2011/2012, a política instituiu novos incentivos, com o objetivo de ampliar e fortalecer as atividades do segmento, dessa vez, para fora dos limites da unidade de produção.

Com um total de recursos de R$ 16 bilhões, valor idêntico ao disponibilizado para a safra anterior, o avanço significativo do Plano-Safra 2011/2012 fica por conta de um maior apoio às políticas voltadas para a comercialização dos produtos agrícolas familiares. A Política de Garantia de Preços Mínimos Para a Agricultura Familiar (PGPM-AF), além de incorporar outros produtos à lista atual, pretende contribuir na redução da volatilidade dos preços regionais, através da regulação e da formação desses preços nos principais mercados onde atua a agricultura familiar. Desde o plantio, o agricultor familiar contará com um preço que norteará sua produção e que vigorará na colheita como referencial mínimo para comercialização. Com preços de mercado mais adequados e oportunidades ímpares, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), por sua vez, poderá introduzir novos agricultores familiares na comercialização, garantindo o acesso do Programa Fome Zero a estoques estratégicos de alimentos, em quantidades e com a regularidade necessária ao atendimento das questões de insegurança alimentar.

Dando continuidade às políticas de apoio à agricultura familiar para a safra 2011/2012, ressalta-se o Seguro da Agricultura Familiar (Seaf), que passa a cobrir até R$ 4.000,00 da renda anual e o total do valor financiado para o custeio, assegurando ao produtor o desenvolvimento das atividades produtivas contra adversidades climáticas. Foi também ampliado o Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF), que propõe garantir a cobertura dos custos de produção. Por ocasião do pagamento em dia dos financiamentos realizados com o Pronaf, os produtores desfrutarão de um bônus de desconto, que passa de R$ 5.000,00 para R$ 7.000,00 nas operações de custeio e investimento por agricultor/ano.

Mostrando coerência com a intenção de tornar viável uma agricultura familiar mais autossuficiente, o Plano-Safra 2011/2012 favorece a capacidade de investir dos produtores por meio da continuidade do aprimoramento na infraestrutura de suas unidades produtivas. Com redução na taxa de juro de 4% para 2%, a exemplo de anos anteriores, para o crédito de investimentos do Pronaf acima de R$ 10.000,00, e com ampliação nos limites desse financiamento, que podem chegar até R$ 130.000,00, e no prazo de pagamento de oito para 10 anos, as regras para quem pretende alavancar seus negócios são bastante convidativas.

Ao combinar juros mais baixos, reforço aos instrumentos de comercialização e maior prazo para o pagamento dos créditos, o Plano-Safra da Agricultura Familiar 2011/2012 revigora a diversidade e a sustentabilidade que caracterizam esse segmento.

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O percentual de utilização das terras para Reserva Legal no RS

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Edição: Ano 20 nº 08 - 2011

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O Código Florestal de 1965 determina que, quando da supressão da vegetação nativa, devem ser averbados 20% da área florestal nativa da propriedade rural como Reserva Legal. Em 2009, o Ministério do Meio Ambiente passou a considerar que a supressão da vegetação sem autorização, a partir da vigência do Código em 1965, deverá ser recuperada. Apesar de tal legislação, é difícil identificar as propriedades que possuíam, em 1965, área de floresta nativa e qual o percentual desta na propriedade, pois os cadastros das propriedades rurais estão desatualizados.

No gráfico, apresenta-se a evolução da utilização das terras no RS entre 1960 e 2006, a partir de dados dos Censos Agropecuários do IBGE e do Censo Agropecuário do Departamento Estadual de Estatística.

A cobertura de matas e florestas representava 10,6% em 1960 e 13,6% em 2006, com certa estabilidade de ocupação. A área de lavouras aumentou progressivamente sua participação, ocupando 17,1% da área em 1960 e 36,7% em 2006. Deve- -se considerar que a produção agrícola em 1965 foi de quatro milhões de hectares, sendo 380.000 hectares ocupados pela soja. Em 2011, serão plantados em torno de oito milhões de hectares, e, nesses, a soja ocupará 3,9 milhões de hectares. Tudo indica que esse crescimento de participação da lavoura se dá a expensas da área ocupada pela pecuária, que decresceu significativamente sua participação no total, de 62,5% para 45,4%.

O percentual de utilização das terras para Reserva Legal no RS

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