Textos com assunto: desemprego

Desemprego na RMPA: uma comparação entre 1998-99 e 2015-16

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Edição: Ano 26 nº 2 – 2017

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O aspecto que mais preocupa do mercado de trabalho brasileiro na presente conjuntura de crise econômica é o desemprego. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em janeiro de 2017, estima-se que o Brasil tinha 11,76 milhões de pessoas desocupadas em 2016, o que corresponde a uma taxa de desocupação de 11,5%.

Este texto se propõe a tratar do desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), comparando dois períodos: a crise de 2015 e 2016 e o seu momento antecedente de maior gravidade, que se deu nos anos de 1998 e 1999. Essa comparação torna-se possível pelo fato de o trabalho utilizar dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na RMPA (PED-RMPA), que hoje se constitui na mais longa série histórica da Região, pois apresenta médias anuais dos seus indicadores, de forma ininterrupta, desde 1993 até o presente.

Inicialmente, para a melhor compreensão do objeto deste trabalho, caberia esboçar brevemente a trajetória do desemprego na RMPA ao longo de toda a série histórica da Pesquisa. Nesse sentido, no contexto da estabilização monetária do País, em 1994, o desemprego evidenciou um período de descenso até 1995. De 1996 a 1999, no ambiente de baixo crescimento econômico combinado à reestruturação produtiva, o desemprego ingressou em um processo de acentuada elevação, atingindo o seu nível máximo em 1999. O período de 2000 a 2003 combinou uma fase inicial de queda com outra de crescimento do desemprego. De 2004 a 2014 — com uma interrupção pontual em 2009, devido aos efeitos crise econômica internacional —, o desemprego apresentou uma tendência consistente de redução, atingindo o seu nível mínimo neste último ano. Finalmente, em 2015 e 2016, na conjuntura de uma forte contração econômica, o desemprego passou por uma inflexão em sua trajetória, com acentuado crescimento.

Agora, comparando-se o desemprego na RMPA nos anos de 1998-99 com o de 2015-16, constata-se que, em ambos os períodos, a taxa de desemprego total teve uma considerável elevação, não obstante os seus níveis estivessem em patamares muito distintos — ver Gráfico 1. Nesse sentido, a taxa de desemprego total elevou-se para 15,9% em 1998 e para 19,0% em 1999, situando-se, neste último ano, 5,6 pontos percentuais acima de 1997. Já na crise econômica atual, a taxa de desemprego total aumentou para 8,7% em 2015 e para 10,7% em 2016, com um acréscimo de 4,8 pontos percentuais em relação ao ano de 2014. É importante assinalar que a trajetória do desemprego na RMPA em 1998-99 foi uma continuidade do processo de piora que havia iniciado em 1996. Por sua vez, na crise de 2015-16, a trajetória representou uma inflexão no movimento de descenso que vinha verificando-se desde 2004.

Quando se coteja o comportamento da População Economicamente Ativa (PEA) — uma proxy de oferta de força de trabalho — e o da ocupação nos dois períodos que estão sendo analisados, é possível avançar no conhecimento do que está subjacente à elevação do desemprego em cada um deles — ver Gráfico 2. A esse respeito, chama a atenção de imediato a diferença de comportamento do nível ocupacional entre ambos: enquanto, na crise atual, este apresentou contrações de 31 mil pessoas em 2015 e de 83 mil em 2016 — a maior da série histórica da Pesquisa em termos absolutos e relativos (-4,7%) —, em 1998 ele havia tido um acréscimo de 53 mil pessoas e, em 1999, de 24 mil. No que diz respeito à oferta de força de trabalho, foi também muito distinto o comportamento nos dois períodos em análise: na crise atual, ocorreram um acréscimo da PEA de 25 mil pessoas em seu contingente em 2015 e uma contração de 50 mil em 2016. Ao final dos anos 90, a PEA registrou aumentos muito expressivos, de 107 mil pessoas em 1998 — o maior da série histórica da Pesquisa — e de 89 mil em 1999. A combinação desses movimentos fez com que houvesse acréscimos no contingente de desempregados de 119 mil pessoas no período 1998-99 como um todo e de 89 mil em 2015-16.

Fica claro, portanto, que o crescimento do desemprego na RMPA, nos dois períodos enfocados neste texto, foi uma manifestação de movimentos bastante distintos do nível de ocupação e da oferta de força de trabalho. Na crise atual, o aumento do desemprego foi determinado pela contração do nível ocupacional, combinado com a elevação da PEA em 2015, mas atenuado pela saída de pessoas do mercado de trabalho em 2016. Já no período 1998-99, a elevação do desemprego foi provocada por um crescimento da oferta de força de trabalho em larga escala, muito superior à capacidade de geração de oportunidades ocupacionais pela economia regional naquela conjuntura.

Como citar:

BASTOS, Raul Luis Assumpção. Desemprego na RMPA: uma comparação entre 1998-99 e 2015-16 Carta de Conjuntura FEE. Porto Alegre, disponível em: <http://carta.fee.tche.br/article/desemprego-na-rmpa-uma-comparacao-entre-1998-99-e-2015-16/>. Acesso em: 24 de outubro de 2017.

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Inversão do comportamento do desemprego entre homens e mulheres na RMPA

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Edição: Ano 24 nº 11 – 2015

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Estudos apontam que a diferenciação entre gênero ocorre desde o início da inserção feminina no mercado de trabalho. Contudo as mulheres estão vencendo as barreiras e aumentando, de uma forma lenta e gradual, sua participação no ambiente profissional.

Historicamente, para a Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), a taxa de desemprego das mulheres era superior à dos homens, e, não raro, elas representavam a maioria dos desempregados. Entretanto a deterioração do mercado de trabalho dos últimos meses parece estar afetando mais os homens do que as mulheres. Em ago./15, pela primeira vez na série histórica da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) iniciada em jun./92, observou-se uma igualdade nas taxas de desemprego entre homens e mulheres em 9,7%. Em set./15, a taxa de desemprego dos homens superou a das mulheres, sendo que a taxa masculina mais que dobrou no último ano, ao passar de 5,1% em set./14 para 10,3% em set./15 (aumento de 102%), enquanto a feminina subiu de 7,0% para 9,9% (aumento de 41,4%) no mesmo período.

Outro dado relevante é que os homens representavam 46,6% dos desempregados, e as mulheres, 53,4% em set./14, e esse comportamento se inverteu em set./15, passando para 54,5% e 45,5% respectivamente. Além disso, a diferença de gênero foi superior em 2015, passando de 6,8 p.p. a favor dos homens em set./14 para 9,0 p.p. a favor das mulheres em set./ 15, evidenciando uma maior adversidade masculina no mercado de trabalho.

Constata-se ainda que o desemprego tem afetado mais os chefes de domicílio, posição tradicionalmente ocupada por homens. Em set./15, houve um aumento de 105,6% da taxa de desemprego dos chefes de domicílio em relação a set./14. Quanto à faixa etária, identifica-se que o aumento do desemprego foi mais acentuado para os homens com idade entre 25 e 49 anos. O nível de escolaridade mais impactado pelo desemprego masculino foi para aqueles que possuem até ensino médio incompleto.

Uma possível explicação para esse comportamento desfavorável do mercado de trabalho atingir com maior intensidade os homens pode estar relacionada ao desempenho setorial da atividade econômica. No período set./14-set./15, houve uma redução do nível ocupacional em 37 mil pessoas. A indústria de transformação, considerada um reduto masculino, perdeu 34 mil postos de trabalho, enquanto o setor comércio e reparação de veículos e motocicletas, com grande presença feminina, perdeu 16 mil postos de trabalho. Os demais setores tiveram desempenho positivo no período: a construção com mais 1 mil postos e os serviços com mais 7 mil postos.

No setor industrial, as demissões atingiram mais os homens do que as mulheres. Em set./14, a indústria de transformação ocupava 21,8% dos homens e 12,8% das mulheres. Já em set./15, essas proporções passaram para 19,3% e 12,5% respectivamente. Em comércio e reparação de veículos e motocicletas, a ocupação feminina reduziu-se, passando de 19,4% em set./14 para 17,7% em set./15. Entre os ocupados homens, essa proporção aumentou de 20,1% para 20,6% no mesmo período. Os demais setores permaneceram estáveis nesse período de comparação.

O aumento da taxa de desemprego em set./15 atingiu predominantemente os homens, devido à retração do nível de atividade econômica ter impactado com mais intensidade os recintos masculinos, tais como a ocupação no setor da indústria de transformação e os chefes de domicílio. Isso pode ter uma relação com o diferencial de rendimentos entre gênero a favor dos homens e a busca por redução de custos por parte das empresas, atingindo aqueles com maiores salários.

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Evolução do emprego em Porto Alegre — 2000-14

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Edição: Ano 24 nº 09 – 2015

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A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) teve tendência declinante no período 2000-14, e a cidade de Porto Alegre destacou-se ao apresentar menor taxa de desemprego em relação aos demais municípios da RMPA. A taxa de desemprego, em 2014, era de 4,9% em Porto Alegre e de 6,5% nos demais municípios da RMPA.

Além do menor desemprego, Porto Alegre também possuía a menor proporção de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado, e esse indicador foi reduzido quase pela metade no período de 2000 a 2014. Os assalariados sem registro formal decresceram de 48 mil para 32 mil (queda de 33,3%) nesse período.

Destaca-se que o setor privado teve forte expansão durante o período analisado, com a geração de postos de trabalho com registro formal, que apresentam maior proteção social. Nesse período, Porto Alegre teve aumento de 98 mil postos com carteira assinada (47,6%) e passou de 206 mil para 304 mil. Do total do emprego assalariado (454 mil) em 2014, 74% correspondiam ao setor privado (336 mil). Dentro desse segmento, 90,5% possuíam registro formal e apenas 9,5% não tinham carteira assinada. A participação do setor privado na ocupação foi maior nos demais municípios da RMPA, enquanto Porto Alegre possuía uma concentração maior de trabalhadores no setor público, a qual correspondia a 18% em 2014.

Isso pode estar contribuindo para que o salário médio real em Porto Alegre (R$ 2.307,00) tenha sido 42,8% superior ao dos assalariados nos demais municípios da RMPA (R$ 1.615,00) em 2014. Além disso, 31,1% dos ocupados de Porto Alegre tinham escolaridade de nível superior, em contraste com apenas 9,8% nos demais municípios da RMPA.

Em síntese, a cidade de Porto Alegre obteve crescimento do emprego com maior proteção social (emprego formal) no período de 2000 a 2014, além de apresentar a menor taxa de desemprego e o maior salário médio real ao longo desse período.

drop-4-Participação do emprego na ocupação, por categorias de emprego,

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O menor desemprego da RMPA: a melhor fase do mercado de trabalho?

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Edição: Ano 24 nº 03 - 2015

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A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), em 2014, foi de 5,9% da População Economicamente Ativa (PEA), a menor média anual em 22 anos da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMPA), iniciada em junho de 1992. Todavia outros indicadores não tiveram comportamento favorável: o nível de ocupação teve queda de 2,1% — a maior da série histórica da pesquisa —, e o rendimento médio real dos ocupados registrou relativa estabilidade, após elevação contínua desde 2005. Esses resultados interrompem o desempenho positivo dos indicadores do mercado de trabalho regional, observado nos 10 anos anteriores. Nesse contexto, será que a menor taxa de desemprego em 2014 pode representar a melhor fase do mercado de trabalho?

A taxa de desemprego é determinada no mercado de trabalho a partir do confronto entre a demanda por trabalho — dependente do nível de produção  da  economia — e a oferta de trabalho, que é dada pelos movimentos da PEA, de forma que seu aumento ou sua redução terá reflexo direto sobre a taxa de desemprego.

Quanto à demanda por trabalho, há indicativos de que a fase de crescimento contínuo do emprego, que foi o principal determinante para a redução da taxa de desemprego no período de 2004 a 2013, ficou para trás. De fato, o nível ocupacional, já em desaceleração desde 2011, contabilizou queda em 2014. Como a economia não cresceu, a maioria dos setores demitiu mais do que contratou. O rendimento médio real dos ocupados, por sua vez, registrou relativa estabilidade, e os assalariados obtiveram queda de 0,5%. A massa de rendimentos reais teve retração de 2,0% para os ocupados e 2,7% para os assalariados em decorrência da queda na ocupação. Esses dados tornaram o ano de 2014 singular para o mercado de trabalho regional, pois, pela primeira vez, tem-se a menor taxa anual de desemprego e a maior taxa anual de retração da ocupação.

Para entender 2014, é necessário analisar o que está acontecendo no lado da oferta de trabalho. Verifica-se uma redução no ritmo de crescimento da força de trabalho de 2009 a 2012, relativa estabilidade em 2013 e retração de 2,7% em 2014, refletindo a saída de 51 mil trabalhadores do mercado de trabalho. Essa redução da PEA, sendo de maior magnitude do que a retração da ocupação (menos 38 mil ocupados), possibilitou a diminuição de 13 mil no contingente de desempregados e a consequente queda na taxa de desemprego, de 6,4% para 5,9%. Se não houvesse esse declínio da PEA e mantida a queda da ocupação, o resultado seria uma elevação na taxa de desemprego para 8,4% em 2014.

Uma questão que se apresenta é até quando o aumento do desemprego será contido pela saída de pessoas do mercado de trabalho. Os dados de 2014 sugerem que fatores socioeconômicos passaram a influenciar o comportamento da PEA com maior intensidade do que as mudanças demográficas. Com base nas informações da PED-RMPA, comparando 2013 a 2014, em números absolutos, observa-se que a saída do mercado de trabalho ocorreu entre os jovens de 16 a 24 anos (menos 30 mil ou -8,6%) e adultos de 25 a 39 anos (menos 27 mil ou -3,7%), pois houve aumento de 6 mil entre os que possuem 40 anos e mais. Quanto à escolaridade dos que saíram, destaca-se que 43 mil possuíam, no máximo, o fundamental completo, e 11 mil tinham concluído o ensino médio ou estavam cursando o ensino superior. Ademais, verifica-se que a proporção de jovens de 16 a 24 anos que somente estudam, na RMPA, aumentou de 23,9% (127 mil) em 2013 para 26% (133 mil) em 2014, o mesmo ocorrendo entre os jovens dessa faixa etária que nem estudam e nem trabalham (nem-nem), cuja proporção subiu de 11,2% (60 mil) em 2013 para 12,6% (65 mil) em 2014.

O bom desempenho dos últimos 10 anos do mercado de trabalho e das políticas sociais parece ter proporcionado condições mais favoráveis para a permanência dos jovens na escola e o adiamento do ingresso no mercado de trabalho, apesar de não ter reduzido os “nem-nem”. No âmbito da família, destacam-se o crescimento do rendimento médio real dos ocupados e o baixo índice de desemprego para os chefes de domicílio (3,3% em 2014), e, no âmbito das políticas sociais, destacam-se os programas de incentivo à formação superior, como o financiamento estudantil (Fies), o Prouni e o Ciência sem Fronteiras. Esse fenômeno pode ser considerado como positivo para a sociedade gaúcha, mas questiona-se a continuidade desse processo, dado que o cenário da economia brasileira e da gaúcha para 2015 não é de otimismo. Nessa situação, uma menor renda no âmbito familiar poderá desencadear o movimento de retorno desses jovens e de outros membros da família ao mercado de trabalho. Portanto, após atingir a menor taxa de desemprego da série PED-RMPA, a análise do mercado de trabalho permite concluir que 2014 de fato não retrata a sua melhor fase, assim como dá indícios de que a taxa de desemprego poderá voltar a crescer a partir de 2015.

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O desemprego está sendo contido pela inatividade?

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Edição: Ano 24 nº 01 - 2015

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Diante de uma série de sinais de arrefecimento da atividade econômica, o mercado de trabalho brasileiro vem demonstrando considerável resistência. As taxas de desemprego continuam a oscilar brandamente nos patamares mais baixos das séries históricas. Dentre os fatores acionados para explicar esse fenômeno, vem-se atribuindo a baixa desocupação a um recuo da taxa de participação, que é a proporção da População em Idade Ativa (PIA) que efetivamente toma parte do mercado de trabalho, independentemente de estar ocupada ou desempregada. Uma análise da série da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE permite discutir essa leitura.

Em 2014, a taxa de participação, no conjunto das seis regiões metropolitanas (RMs) pesquisadas, mostrava o segundo menor valor da série iniciada em 2002 (tomado sempre o mês de novembro). A amplitude da variação desse indicador, todavia, pode ser considerada pequena: no último ano, a taxa encontrava-se em 56,5%; seu ponto mínimo havia sido 56,1% em 2002; e o máximo, 58,1% em 2012. Para ilustrar: o ano “dourado” de 2010 assinalou uma taxa intermediária, de 57,2%, o que ajuda a recusar associações diretas entre dinamismo econômico e o comportamento desse indicador, que tem múltiplos condicionantes, por vezes contraditórios. Em duas RMs (Porto Alegre e Salvador), as taxas de participação cresceram entre 2013 e 2014; em São Paulo e no Rio de Janeiro, elas declinaram menos de 0,5%; em Recife, a retração chegou a 1,4%, mas só atingiu intensidade destacável em Belo Horizonte, onde a queda foi de 4,2%.

Pelo lado da taxa de desocupação, o dado de novembro último marca uma elevação suave, com relação ao de 2013 (de 4,6% para 4,8%), sendo essas duas as taxas mais baixas da série, correspondendo à metade ou menos daquelas verificadas até 2006. Em 2014, o desemprego reduziu-se em duas RMs (Rio de Janeiro e Belo Horizonte); permaneceu idêntico em uma (São Paulo); e aumentou nas outras três, em proporções bastante heterogêneas.

Quando se toma a tendência da série, é cristalino que a geração de ocupação é o fator primordial a derrubar as taxas de desemprego. Entre 2002 e 2014, o crescimento do número de postos atingiu 28,0%, excedendo largamente a expansão da População Economicamente Ativa (PEA), que foi de 19,8%, e ainda mais a da PIA (18,9%). Nos dois últimos anos, no entanto, essas cadências — e a hierarquia entre elas — alteraram-se. A PIA, cujo comportamento é bem mais regular, como variável estritamente demográfica, cresceu 2,4% entre 2012 e 2014. Já a PEA se retraiu em 1,0%, entre 2012 e 2013, e recuperou 0,6% no ano passado, fechando o biênio com perda (-0,4%). O número de ocupados, por sua vez, caiu 0,7% de 2012 para 2013; reconquistou 0,4% em 2014; acumulando, assim, perda de 0,3%.

Se, em um exercício de simulação, fosse aplicado à PEA o mesmo crescimento demonstrado pela PIA nos últimos dois anos (e se fosse mantido constante o estoque de ocupações efetivamente registrado em 2014), a taxa de desemprego neste último ano ascenderia de 4,8% para 7,4%. Tal evidência faz pender para o “sim” a resposta à questão que motiva este texto. Todavia seria temerário abraçar essa interpretação sem um conjunto de ressalvas.

Deve-se considerar o período ainda curto em que se observa essa redução (suave e regionalmente diferenciada) das taxas de participação. Por outro lado, há que se atentar para o substrato demográfico que informa esse movimento e sinaliza mudanças antes estruturais do que conjunturais: a faixa de indivíduos com 50 anos ou mais aumentou 77% entre 2002 e 2014, contra apenas 11% do estrato de 25 a 49 anos e perdas absolutas nas três faixas mais jovens. O grupo mais idoso tem-se engajado cada vez mais no mercado, mas sua taxa de participação ainda é inferior à metade da observada entre os indivíduos da faixa anterior. Por fim, a tendência de declínio agregado das taxas de participação é um fenômeno globalmente generalizado, como têm demonstrado sucessivos estudos de órgãos como a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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Análise do mercado de trabalho da RMPA em 2012 e 2013

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Edição: Ano 23 nº 03 – 2014

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O indicador mais utilizado para avaliar o mercado de trabalho é a taxa de desemprego (TD). Quando a TD é baixa, o mercado de trabalho passa por um bom momento, ao contrário de quando ela aumenta. O desempenho do mercado de trabalho pode ser mais bem avaliado utilizando-se o diagrama de fases (figura), no qual é colocada a TD no eixo vertical e a taxa de participação (TP) no eixo horizontal. A TP indica a proporção de pessoas de 10 anos ou mais incorporadas ao mercado de trabalho como ocupadas ou desempregadas. Sendo assim, são formados quatro quadrantes, que representam diferentes fases do mercado de trabalho. No Quadrante I, o mercado de trabalho está em uma situação desconfortável, com um desempenho aquém do aceitável (a TD é alta, e a TP é baixa), refletindo uma limitação na geração de empregos. No Quadrante IV, o mercado está em uma situação confortável (a TD é inferior à média mensal de 2012 e 2013, e a TP é superior à média), o que significa que se está criando empregos. Nos Quadrantes II e III, o diagnóstico é incerto, pois ou o mercado está tendo uma performance inferior à necessária (Quadrante II), ou em condições, do lado da oferta, mais favoráveis do que o normal (Quadrante III).

Conforme os resultados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre, a TD média ficou em 7,0% em 2012 e 6,4% em 2013, as mais baixas de toda a série da pesquisa. Porém, observando-se o diagrama de fases, nota-se que, em praticamente todos os meses, as combinações TD e TP ficam nos Quadrantes III e II, com concentração mais intensa no III. No período recente, tem-se questionado por que a TD vem decrescendo, uma vez que, desde 2011, está desacelerando o ritmo de criação de ocupações (ver Carta de Conjuntura, ano 23, n. 1). Dentre as possíveis causas, têm sido citados: o declínio do crescimento da força de trabalho, a redução do crescimento da População em Idade Ativa e o aumento da proporção de jovens que somente estuda. Porém, no ano de 2014, essa situação poderá alterar-se, dado que a possível desaceleração da atividade econômica, ou mesmo a sua redução, forçaria a entrada de pessoas no mercado de trabalho. Se, em tal contexto, a geração de postos de trabalho for insuficiente, gerar- -se-á um deslocamento para os Quadrantes I ou II, que denotam situações menos favoráveis no mercado de trabalho.

Análise do mercado de trabalho da RMPA em 2012 e 2013

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Por que o desemprego se mantém em queda na RMPA?

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Edição: Ano 23 nº 01 – 2014

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A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), em outubro de 2013, atingiu o menor valor da série histórica da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMPA), iniciada em junho de 1992, situando-se em 6,1% da População Economicamente Ativa (PEA). Uma questão instigante que se coloca a respeito é a de por que essa taxa vem decrescendo, uma vez que, desde 2011, está-se arrefecendo o ritmo de geração de oportunidades ocupacionais no mercado de trabalho.

Para tentar responder a essa questão, são examinadas as evidências empíricas expostas no gráfico, no qual constam as taxas de variação da PEA, dos contingentes de ocupados e de desempregados, de jan./08 a out./13. Conforme se constata, após o desempenho vigoroso do nível ocupacional em 2008 e 2010 — interrompido em 2009 pela recessão econômica advin-da da crise internacional —, desde 2011 a geração de oportuni-dades de trabalho na RMPA foi mostrando perda de dinamis-mo, manifesta em uma trajetória que se tornou descendente. Para se ilustrar esse fato, comparando-se o mês de outubro com o mesmo mês do ano anterior, o nível de ocupação cres-ceu 6,9% em out./08, 3,4% em 2010, 1,5% em 2011, reduziu-se 1,1% em 2012 e registrou leve recuperação, de 1,1%, em out./13. Todavia, apesar dessa diminuição na capacidade de absorção de mão de obra pelo mercado de trabalho, o desem-prego manteve o processo de descenso entre 2011 e 2013.

Um aspecto que se considera central para a compreensão dessa continuidade da queda do desemprego está associado ao comportamento da PEA. A esse respeito, observa-se uma tendência de declínio do crescimento da força de trabalho, o que indica que a mesma vem pressionando relativamente menos o mercado de trabalho. Nesse sentido, a PEA, após crescer 4,7% em out./08, apresentou pequena variação positiva em out./10 (1,0%) e 2011 (0,3%), teve redução em out./09 (-1,4%) e 2012 (-1,2%) e ficou praticamente estável em out./2013. Dessa forma, a trajetória de descenso no crescimento da PEA, em uma conjuntura de diminuição do ritmo de absorção de mão de obra, contribuiu para a continuidade da tendência de queda do desemprego.

Devido ao papel que a PEA está exercendo nesse contexto, seria interessante avançar na compreensão das causas da redução do seu crescimento. A mais importante delas é demográfica, sendo apreendida pela evolução da População em Idade Ativa (PIA) — indivíduos com 10 anos ou mais de idade. Tomando-se as médias anuais da PED-RMPA, constata-se que a taxa média anual de crescimento da PIA, no período 1993-2000, foi de 2,2% e, em 2001-12, de 1,1% — ou seja, uma retração pela metade no ritmo de expansão desse indicador. Um dos aspectos que contribuiu para tanto foi o fato de que a população jovem de 16 a 24 anos passou a diminuir a partir de 2005: esse grupo populacional atingiu 615 mil indivíduos em 2004, para posteriormente ingressar em um processo de descenso, situando-se em 552 mil indivíduos em 2012.

Recortando-se a PIA, os seguintes elementos também influenciaram a redução do crescimento da PEA: (a) a proporção de jovens que somente estuda passou de 18,4% em 2000 para 22,8% em 2012, constituindo-se em um fator adicional a atenuar a pressão desse grupo populacional por oportunidades ocupacionais; e (b) no que diz respeito à segmentação da PIA por sexo, identificam-se mudanças nas trajetórias evolutivas de mulheres e de homens — por um lado, enquanto, de 1993 a 2000, aumentou a taxa de participação feminina (de 44,5% para 49,7%), no período 2001-12 essa tendência foi interrompida, mantendo-se esse indicador praticamente no mesmo patamar; por outro, a taxa de participação dos homens evidenciou um processo nítido de descenso a partir de 2001, passando de 68,5% naquele ano para 65,7% em 2012, o que revela redução do engajamento da PIA masculina em atividades laborais.

Não obstante o comportamento do nível de ocupação ser o fator de maior impacto sobre o desemprego, a situação presente do mercado de trabalho da RMPA abre espaço para que, nas ações voltadas à geração de oportunidades de trabalho, seja mais pertinente colocar ênfase no avanço na qualidade do emprego que está sendo criado do que na sua quantidade.

Por que o desemprego se mantém em queda na RMPA

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Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre, em 2012

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Edição: Ano 22 nº 03 - 2013

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O ano de 2012 evidenciou continuidade no processo iniciado em 2004 de redução do desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), ainda que em ritmo menos intenso do que o verificado em 2011, conforme mostram os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Nesse sentido, a taxa de desemprego total declinou de 7,3% da População Economicamente Ativa (PEA) em 2011 para 7,0% em 2012, atingindo o menor patamar da série histórica da Pesquisa, cuja primeira média anual é a de 1993. O contingente de ocupados elevou-se em 13 mil pessoas, número superior ao de indivíduos que ingressaram no mercado de trabalho (8 mil), o que proporcionou a queda do desemprego. Esse comportamento do desemprego pode ser considerado razoável, pois o Rio Grande do Sul apresentou retração em seu nível de atividade econômica, em 2012: a variação acumulada do PIB do Estado até o terceiro trimestre frente a igual período de 2011 foi de -2,1%.

Decompondo-se o desemprego por tipo, constata-se que foi mais intenso o ritmo de redução da taxa de desemprego oculto (-9,1%) em comparação ao da taxa de desemprego aberto (-3,2%). Essa é uma tendência que vem ocorrendo ao longo do período 2001-11, e a mesma pode ser interpretada como uma expressão do processo de estruturação do mercado de trabalho regional: em um contexto de criação de empregos formais, de redução da incidência do desemprego e de melhora das condições de acesso ao seguro-desemprego, cada vez mais há diminuição da proporção de pessoas que precisaram recorrer a trabalhos precários para sobreviverem ou que se encontravam desalentadas. A esse respeito, as pessoas em desemprego oculto passaram a representar 15,0% do estoque total de desempregados da RMPA em 2012, proporção que havia sido de 35,3% em 2001.

Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre, em 2012

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Desempenho do mercado de trabalho na RMPA, em 2011

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Edição: Ano 21 nº 01 - 2012

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O período jan.-nov./11 foi favorável para o mercado de trabalho na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), quando comparado com o mesmo período de 2010. Segundo os dados levantados pela PED-RMPA, esse resultado deveu-se ao aumento do número de postos de trabalho na Região, que determinou a queda da taxa de desemprego, que passou de 8,9% para 7,5% no período em análise, sendo a menor taxa registrada para esse período em toda a série da Pesquisa. O número médio de desempregados reduziu-se em 26 mil indivíduos, em decorrência da geração de 58 mil ocupações, que superou o ingresso de 32 mil trabalhadores na força de trabalho metropolitana.

Em todos os setores de atividade econômica, houve aumento do número de ocupados, cabendo destacar o desempenho observado no setor serviços, que teve uma ampliação de 24 mil no contingente de ocupados, na indústria de transformação, com 17 mil, e na construção civil, com 12 mil. No comércio, o aumento verificado foi menor (2 mil).

Apesar do recrudescimento da crise global e da desaceleração verificada nas economias brasileira e gaúcha, nos últimos trimestres, o mercado de trabalho da RMPA, em termos médios, teve um ano bem-sucedido. Foram criados postos de trabalho, atingiu-se a menor taxa de desemprego da série histórica da Pesquisa, e o rendimento médio dos ocupadosapresentou variação positiva.

Desempenho do mercado de trabalho na RMPA, em 2011

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Desemprego em Porto Alegre, na primeira década do século XXI

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Edição: Ano 20 nº 11 - 2011

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A trajetória da taxa de desemprego total em Porto Alegre, na primeira década do século XXI, de acordo com os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), foi de declínio em 2001, quando se situou em 13,9%, e de elevação no período 2002-05, tendo, logo após, ingressado em um processo de redução, atingindo 7,7% em 2010. Para a queda da incidência do desemprego, concorreu a melhor performance da economia brasileira em termos de taxas de crescimento do produto, no período de 2004 ao terceiro trimestre de 2008, assim como em 2010.

Constata-se que tanto a taxa de desemprego aberto quanto a taxa de desemprego oculto evidenciaram retração em Porto Alegre, na comparação de 2001 com 2010. Todavia o ritmo de queda do componente oculto foi mais acelerado, o que fez com que ocorresse uma grande mudança na composição do estoque de desempregados, no sentido de que se reduziu a parcela relativa de trabalhadores em desemprego oculto, em comparação à daqueles em desemprego aberto. A interpretação proposta dessa mudança está associada ao ritmo de criação de oportunidades ocupacionais no Município, principalmente de empregos com carteira de trabalho assinada, o que favoreceu uma melhor estruturação do mercado de trabalho. Em tal ambiente, é provável que maior proporção de desempregados reúna as condições de acesso ao Seguro-Desemprego, podendo passar a conviver, pelo menos durante certo tempo, com a situação de desemprego aberto. A isso, adicione- se que melhores perspectivas ocupacionais exercem efeitos positivos sobre os indivíduos em atividades precárias ou em desemprego oculto pelo desalento, contribuindo para afastá-los dessas situações no mercado de trabalho.

Desemprego em Porto Alegre, na primeira década do século XXI

De acordo com o recorte por sexo, a trajetória do desemprego em Porto Alegre foi mais favorável às mulheres, com uma queda mais acelerada da sua incidência, o que contribuiu para a redução da parcela relativa de mulheres no estoque total de desempregados, na comparação de 2001 com 2010. Conforme a idade, o ritmo de retração da incidência do desemprego foi mais intenso para os trabalhadores maduros de 40 anos e mais; os adultos de 25 a 39 anos foram os que evidenciaram menor ritmo de redução na taxa de desemprego, o que é o principal fator explicativo para o aumento da sua proporção no estoque total de desempregados; quanto aos jovens de 16 a 24 anos, estes apresentaram ritmo de queda na incidência do desemprego inferior à média do mercado de trabalho; nesse caso, a diminuição da sua parcela relativa no estoque total de desempregados está associada a fatores que operaram pelo lado da oferta de trabalho, como o seu peso na População em Idade Ativa (PIA) do Município — que corresponde aos indivíduos com 10 anos e mais —, que se contraiu no período.

Por raça/cor, a evolução do desemprego foi mais satisfatória para a população não branca, devido ao ritmo mais acelerado de retração da taxa de desemprego nesse grupo, assim como pela diminuição do seu peso relativo no estoque total de desempregados. Essas evidências sugerem uma redução da desvantagem da população não branca em sua inserção no mercado de trabalho do Município, no período em análise.

Sob o recorte escolaridade, a análise revela que a incidência do desemprego reduziu-se de forma mais intensa para os indivíduos com fundamental incompleto, em aparente paradoxo, assumindo-se que se está diante de um mercado de trabalho mais seletivo em termos de requisitos de educação formal. A par desse aspecto, ocorreu uma contração do seu peso relativo no estoque total de desempregados de Porto Alegre, ao se comparar 2001 com 2010. Para essa última mudança, também incidiu um fator que operou pelo lado da oferta de trabalho, pois houve retração do peso relativo desse segmento com menos escolaridade na PIA do Município. Já a faixa de escolaridade médio completo a superior incompleto foi aquela que se tornou majoritária no estoque total de desempregados. Isso se deveu tanto à redução menos acelerada da incidência do desemprego sobre esse segmento quanto à expansão de sua proporção na PIA de Porto Alegre.

Desemprego em Porto Alegre, na primeira década do século XXI 2

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